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WiFi neural

por Thynus, em 25.02.18
  “Quando você sorri, o mundo inteiro sorri junto com você.”

Ao me acomodar em um banco no metrô em Nova York, um desses momentos ambíguos, possivelmente ameaçadores da vida urbana, ocorreu: ouvi um grito atrás de mim, na extremidade oposta do vagão onde eu me encontrava.
A fonte do grito estava às minhas costas. No entanto, à minha frente, estava um cavalheiro cujo rosto de repente expressou uma aparência de leve ansiedade.
Minha mente disparou, na tentativa de compreender o que estava acontecendo e o que eu deveria fazer. Seria uma briga? Alguém estaria agindo de forma violenta no metrô? O perigo vinha em minha direção?
Ou seria apenas um grito de alegria, talvez vindo de um grupo de adolescentes que estavam se divertindo a valer?
Minha resposta veio rapidamente, estampada no rosto do homem que poderia ver o que estava acontecendo: sua expressão preocupada foi-se acalmando e ele voltou a ler o jornal. O que quer que pudesse estar acontecendo lá atrás, eu sabia que estava tudo bem.
Minha apreensão inicial foi alimentada pela dele, até que eu me acalmei ao ver seu rosto relaxar. Em momentos como o de minha repentina preocupação no metrô, tornamo-nos instintivamente mais atentos ao rosto das pessoas ao nosso redor, em busca de sorrisos ou franzir de sobrancelhas que nos proporcionem uma melhor noção de como interpretar os sinais de perigo ou que possam sinalizar as intenções de alguém.1
Na pré-história humana, um grupo primitivo – com seus numerosos olhos e ouvidos – poderia ser mais vigilante do que um indivíduo isolado. E, no mundo habitado pelos primeiros seres humanos, a capacidade de multiplicar a atenção – e um mecanismo cerebral sintonizado para captar automaticamente os sinais de perigo e mobilizar o medo – sem dúvida tinha grande valor para a sobrevivência.
Embora nos extremos da ansiedade possamos nos deixar dominar pelo medo, sem condições de nos sintonizar em nada, de modo geral a ansiedade aumenta as transações emocionais; assim, as pessoas que se sentem ameaçadas e ansiosas são especialmente propensas a captar as emoções dos outros. Em um desses primeiros agrupamentos humanos, sem dúvida, a expressão aterrorizada de uma pessoa que acabasse de avistar um tigre seria suficiente para provocar o mesmo pânico em quem quer que tivesse visto essa expressão – e levar todo mundo a correr em busca de um lugar seguro.
Olhe esta face por um momento:
 
A amígdala reage instantaneamente a essa fotografia e, quanto mais forte a emoção exibida, mais intensa a reação da amígdala.2 Quando algumas pessoas olharam essa fotografia durante uma sessão de ressonância magnética, em seus cérebros, pareciam elas mesmas pessoas assustadas, embora em uma faixa modificada.3
Quando duas pessoas interagem pessoalmente, o contágio se dissemina via diversos circuitos neurais, operando em paralelo dentro do cérebro de cada uma. Esses sistemas de tráfego de contágio emocional operam em toda a faixa de sentimentos, da tristeza e da ansiedade à alegria.
Momentos de contágio representam um evento neural notável: a formação entre dois cérebros de um elo funcional, um loop de feedback que atravessa a barreira da pele e do crânio entre os corpos. Em termos de sistemas, durante essa ligação, os cérebros se “acoplam” e o resultado é que um se torna a entrada que impulsiona o funcionamento do outro, formando, temporariamente, o equivalente a um circuito intercerebral. Quando duas entidades se conectam em um loop de feedback, se a primeira muda, a segunda também muda.
Quando as pessoas iniciam um loop em conjunto, seus cérebros enviam e recebem um fluxo contínuo de sinais que lhes permitem criar uma harmonia tácita – e, se o fluxo ocorrer na direção certa, sua ressonância é ampliada. O loop permite a sincronia de sentimentos, pensamentos e ações. Enviamos e recebemos estados internos para melhor ou para pior – riso e ternura ou tensão e rancor.
Em física, a propriedade que define a ressonância é a vibração simpática, a tendência que uma das partes tem de ampliar sua taxa de vibração ao fazê-la coincidir com o ritmo no qual a outra parte vibra. Tal ressonância produz a maior resposta possível, e também a mais longa, entre duas partes que interagem – um reflexo de esplendor.
O loop entre os cérebros ocorre sem que estejamos conscientes, sem que se exija atenção ou intenção especial. Embora possamos intencionalmente tentar imitar uma pessoa para aumentar a intimidade, tais tentativas tendem a parecer estranhas. A sincronia funciona melhor quando é espontânea, não construída a partir de motivos dissimulados, como insinuação ou qualquer outra intenção consciente.4
O caráter automático da via inferior permite sua rapidez. Por exemplo, a amígdala detecta sinais de medo no rosto de alguém com uma velocidade notável, captando-os em 33 milissegundos e, em algumas pessoas, em menos de 17 milissegundos (menos de dois centésimos de segundo).5 Essa leitura rápida atesta a enorme velocidade da via inferior, tão rápida que a mente consciente não se dá conta dela (embora possamos sentir a vaga sensação de inquietude resultante disso).
Podemos não constatar conscientemente como estamos nos sincronizando, mas, ainda assim, entrosamo-nos com notável facilidade. Esse dueto social espontâneo é trabalho de uma classe especial de neurônios.
 
ESPELHOS NEURAIS
Eu devia ter só um ou dois anos na época, mas a lembrança continua viva em minha memória. Ao caminhar por um dos corredores do supermercado de minha cidade, ao lado de minha mãe, uma senhora me viu – uma graça de menino – e me dirigiu um sorriso afetuoso.
Meus lábios – ainda me lembro – me surpreenderam ao se movimentar involuntariamente e sorrir de volta. Senti como se, de alguma forma, meu rosto fosse uma espécie de marionete, cujos músculos eram puxados por fios misteriosos que manipulavam os músculos ao redor de minha boca e inflavam minhas bochechas.
Senti que o sorriso era indesejado – não vinha de dentro de mim, mas sim de fora.
Sem dúvida, essa reação indesejada sinalizava a atividade do que conhecemos como “neurônios-espelho” em meu cérebro de menino. Os neurônios-espelho fazem exatamente o que o nome diz: refletem uma ação que observamos em outra pessoa, levando-nos a imitar essa ação ou ter o impulso de fazê-lo. Tais neurônios oferecem ao cérebro um mecanismo que explica o velho ditado: “Quando você sorri, o mundo inteiro sorri junto com você.”
As pistas principais da via inferior certamente passam por esse tipo de neurônio. Temos diversos sistemas de neurônios-espelho e outros vão sendo descobertos com o passar do tempo. Além dos tipos que já conhecemos até agora, parece haver diversos sistemas neurais que ainda não foram mapeados.
Os neurocientistas se depararam acidentalmente com essa rede WiFi (rede sem fio de alta-fidelidade, do inglês wireless fidelity) em 1992. Estavam mapeando a área sensório-motora do cérebro dos macacos usando eletrodos tão finos que tinham de ser implantados em células cerebrais isoladas e vendo quais células eram ativadas durante um movimento específico.6 Os neurônios dessa área demonstravam-se notavelmente precisos; por exemplo, alguns neurônios só eram ativados quando o macaco estava segurando algo na mão; outros quando estava rasgando o objeto.
No entanto, a descoberta realmente inesperada ocorreu numa tarde quente, quando o assistente de pesquisa voltou de uma saída para tomar um sorvete. Os cientistas ficaram impressionados quando viram uma célula sensório-motora ativada quando um macaco observou o assistente levar o sorvete à boca. Ficaram assombrados ao descobrir que um conjunto específico de neurônios parecia ativar-se quando o macaco simplesmente via outro macaco – ou um dos experimentadores – fazer um dado movimento.
Como essa primeira observação dos neurônios-espelho em ação nos macacos, os mesmos sistemas foram encontrados no cérebro humano. Em um estudo notável, no qual um eletrodo mínimo monitorava um único neurônio numa pessoa acordada, o neurônio se ativava quando a pessoa previa o sofrimento – um beliscão, por exemplo – ou simplesmente quando via outra pessoa receber um beliscão – um instantâneo neural da empatia primitiva em ação.7
Muitos neurônios-espelho atuam no córtex pré-motor, que governa atividades que vão da fala e dos movimentos à simples intenção de agir. Como eles estão próximos aos neurônios motores, sua localização significa que as áreas do cérebro que iniciam um movimento podem prontamente começar a se ativar, mesmo quando observamos outra pessoa fazendo aquele mesmo movimento.8 Quando ensaiamos mentalmente uma ação – por exemplo, quando treinamos para uma palestra que teremos de dar, ou ensaiamos um saque no vôlei –, os mesmos neurônios se ativam no córtex pré-motor, como se já tivéssemos pronunciados as palavras ou feito o movimento. Para o cérebro, simular um movimento é o mesmo que executá-lo, exceto pelo fato de a execução real ser bloqueada, de alguma forma.9
Nossos neurônios-espelho se ativam quando observamos outra pessoa, por exemplo, coçar a cabeça ou enxugar uma lágrima, para que uma parte do padrão dos disparos neuronais em nosso cérebro imite os dela. Isso mapeia informações idênticas às que estamos vendo em nossos neurônios mentais, deixando-nos participar das ações da outra pessoa, como se estivéssemos executando essa ação.
O cérebro humano abriga diversos sistemas neuronais, não apenas para imitar ações, mas também para ler intenções, para extrair as implicações sociais do que alguém faz ou simplesmente para ler as emoções.10 Por exemplo, quando os voluntários se submetem a uma ressonância magnética assistindo a um vídeo que mostra uma pessoa sorrindo ou franzindo as sobrancelhas, a maior parte das áreas do cérebro ativadas nos observadores são as mesmas que estão ativas na pessoa que demonstra a emoção, embora não tão extremas.11
Os neurônios-espelho tornam as emoções contagiosas, deixando que os sentimentos que testemunhamos fluam através de nós, ajudando-nos a entrar em sincronia e seguindo o que está acontecendo. “Sentimos” o outro no sentido mais amplo da palavra: tendo seus mesmos sentimentos, movimentos, sensações e emoções na medida em que elas agem também dentro de nós.
A habilidade social depende dos neurônios-espelho. Em primeiro lugar, ecoar o que observamos em outra pessoa nos prepara para dar uma resposta rápida e apropriada. Em segundo lugar, os neurônios reagem ao mero sinal de que existe intenção de se movimentar e ajudam-nos a monitorar qualquer motivação que esteja em jogo.12 Perceber o que as outras pessoas têm em mente – e os motivos correspondentes – oferece informações sociais valiosas, deixando-nos um passo à frente do que acontecerá em seguida, como camaleões sociais.
Os neurônios-espelho parecem ser essenciais para a forma como as crianças aprendem. Há muito tempo, o aprendizado por imitação é reconhecido como um dos principais caminhos de desenvolvimento infantil. Mas as nossas descobertas sobre os neurônios-espelho explicam como as crianças podem dominar o mistério por meio da mera observação. Ao observarem, elas desenvolvem nos próprios cérebros um repertório de emoções, de comportamentos e de como o mundo funciona.
Os neurônios-espelho humanos são muito mais flexíveis e diversos do que os encontrados nos macacos, refletindo nossas sofisticadas habilidades sociais. Ao imitar o que outra pessoa faz ou sente, os neurônios-espelho criam uma sensibilidade compartilhada, levando para dentro de nós o que está do lado de fora: para entender o outro, precisamos nos tornar como o outro – pelo menos um pouco.13 Essa sensação virtual do que a outra pessoa vivencia está de acordo com a atual noção na filosofia da mente: de que entendemos os outros ao traduzir suas ações na linguagem neural, que nos prepara para as mesmas ações e nos permite ter as mesmas experiências.14
Entendo sua ação criando em meu cérebro um modelo dela. Como explica Giacomo Rizzolatti, neurocientista italiano que descobriu os neurônios-espelho, esses sistemas “nos permitem entender a mente dos outros não apenas pelo raciocínio conceitual, mas por simulação direta: pensando, não sentindo”.15
Os sinais externos desses elos internos foram detalhados por um psiquiatra americano que trabalha na Universidade de Genebra, Daniel Stern, que, durante décadas, fez observações sistemáticas de mães e filhos. Cientista do desenvolvimento na tradição de Jean Piaget, Stern também explora as interações entre adultos, como entre os psicoterapeutas e seus clientes, ou entre amantes.
Stern conclui que nossos sistemas nervosos “foram construídos para ser captados pelos sistemas nervosos de outras pessoas, para que possamos vivenciá-los como se estivéssemos vivendo aquilo pessoalmente”.16 Em tais momentos, ressoamos com a experiência alheia e os outros, com a nossa.
“Não podemos mais”, acrescenta Stern, “ver nossas mentes como tão independentes, separadas e isoladas”. Devemos vê-las como “permeáveis”, interagindo continuamente, como se estivessem ligadas por um elo invisível. No nível inconsciente, estamos em constante diálogo com qualquer pessoa com quem interagimos; nossos sentimentos e nossos movimentos estão sintonizados com os dessas pessoas. Pelo menos naquele momento, nossa vida mental é co-criada, em uma matriz de duas pessoas, interconectada.
O circuito dos músculos faciais garante que as emoções que fluem dentro de nós sejam exibidas para que os outros as leiam (a não ser que sejam ativamente suprimidas). E os neurônios-espelho garantem que, no momento em que alguém vê uma emoção expressa em sua face, imediatamente vivencie o mesmo sentimento. Assim, nossas emoções são vivenciadas não apenas por nós, isoladamente, mas também por aqueles que estão a nosso redor – tanto implícita quanto explicitamente.
Stern sugere que os neurônios-espelho entram em ação sempre que sentimos o estado de espírito de outra pessoa e reproduzimos seus sentimentos. Esta ligação entre os cérebros faz com que os corpos se movimentem em conjunto, os pensamentos percorram as mesmas vias e as emoções transitem pelas mesmas linhas. Quando os neurônios-espelho estabelecem uma ponte entre os cérebros, criam um dueto tácito que abre caminho a transações sutis, mas poderosas.
 
A VANTAGEM DA EXPRESSÃO DE FELICIDADE
Quando conheci Paul Ekman, na década de 1980, ele acabara de passar um ano olhando no espelho e, ao mesmo tempo, aprendendo a controlar voluntariamente cada um dos aproximadamente duzentos músculos da face. Isso significou usar uma técnica de pesquisa científica que envolveu um toque de heroísmo: ele tinha de aplicar um leve choque elétrico para perceber fisicamente alguns músculos faciais de difícil localização. Depois de conseguir tal proeza de autocontrole, ele conseguiu mapear com precisão como diferentes agrupamentos desses músculos se mexem para exibir cada uma das principais emoções e suas variações.
Ekman identificou 18 tipos de sorrisos, todas as várias combinações dos 15 músculos faciais envolvidos. Para citar apenas alguns: um sorriso “amarelo” transmite uma expressão de infelicidade, como, por exemplo, um comentário sobre um período de tristeza. Um sorriso cruel mostra que a pessoa gosta de estar zangada e de ser malvada. Há também o sorriso nobre, marca registrada de Charlie Chaplin, que se baseia em um músculo que as pessoas em geral não conseguem mover intencionalmente – um sorriso, como diz Ekman, “que sorri do sorriso”.
Obviamente, existem também os sorrisos de prazer ou diversão genuínos. São os sorrisos com maior probabilidade de provocar outro sorriso. Essa ação sinaliza o trabalho dos neurônios-espelho dedicados a detectar sorrisos e provocar outros.18 É como no ditado tibetano: “Quando você sorri para a vida, metade do sorriso está em seu rosto e a outra metade no de outra pessoa.”
Os sorrisos têm uma vantagem sobre todas as outras expressões emocionais: o cérebro humano prefere faces sorridentes, reconhecendo-as mais pronta e rapidamente do que as expressões negativas – efeito conhecido como “vantagem da expressão de felicidade”.19 Alguns neurocientistas sugerem que o cérebro tem um sistema para sentimentos positivos que se mantém preparado para agir, fazendo com que as pessoas tenham um humor positivo com mais freqüência do que negativo, e que tenham uma perspectiva mais positiva acerca da vida.
Isso implica que a natureza tende a estimular relacionamentos positivos. Apesar do lugar demasiadamente destacado que a agressão ocupa nas questões humanas, não estamos preparados para desgostar das pessoas desde o início.
Mesmo entre pessoas totalmente estranhas, um momento de diversão, até mesmo de ingenuidade, tem uma repercussão instantânea. No que pode ser outro exemplo da psicologia ao tentar provar o óbvio, atribuiu-se a duplas de pessoas desconhecidas a tarefa de brincarem em uma série de jogos simples. Durante um desses jogos, uma pessoa teve de falar por um canudo enquanto orientava a outra – usando uma venda sobre os olhos – a arremessar uma bola macia para frente e para trás. Os estranhos, invariavelmente, caíam na gargalhada com a imperícia mútua.
Quando estranhos jogavam os mesmos jogos ingênuos sem a venda nos olhos, porém, jamais davam um só sorriso. No entanto, os pares que riam sentiam uma intimidade forte e imediata, mesmo depois de terem passado apenas alguns minutos juntos.20
De fato, o riso pode ser a menor distância entre dois cérebros, uma forma de contágio que desenvolve um elo social imediato.21 Tomemos duas adolescentes que conversam. Quanto mais elas brincam, mais em sincronia, animadas e felizes as duas ficam – em outras palavras, elas ressoam.22 O que, para os pais, pode parecer uma algazarra, para as adolescentes envolvidas é um dos momentos de maior ligação.
 
GUERRAS MEME*
Desde a década de 1970, o rap glorifica a vida dos bandidos, com suas armas e drogas, violência e misoginia. Mas isso parece estar mudando, como mudaram as vidas dos que escrevem tais letras.
“Parece que o hip-hop lida basicamente com grupos, armas e mulheres”, reconheceu Darryl McDaniels, o DMC do grupo de rap Run-DMC. Mas McDaniels, que prefere rock clássico a rap, acrescenta: “Tudo bem se você estiver em um clube, mas, das nove da manhã até a hora de dormir, a música não me diz nada.”23
Sua queixa anuncia o surgimento de um novo tipo de música rap, que abrange uma visão de vida mais saudável, ainda que corajosamente franca. Como um desses rappers reformados, John Stevens (conhecido como “A Lenda”) admite: “Eu não me sentiria à vontade fazendo música que glorifica a violência ou coisas do gênero.”24
Assim, “A Lenda”, tal qual seu colega Kanye West, voltou-se para a letra das músicas em uma chave positiva que mistura autocrítica com um deturpado comentário social. Essa sensibilidade, caracterizada por nuances, reflete sua experiência de vida, que seguiu caminhos marcadamente diferentes daqueles da maior parte dos astros de rap do passado. Stevens formou-se pela Universidade da Pensilvânia e Kanye é filho de um professor universitário. Observa Kayne: “Minha mãe é professora e eu também sou uma espécie de professor.”
Ele detectou algo. As letras de rap, como qualquer poema, ensaio ou reportagem, podem ser vistas como sistemas de entrega para “memes”, idéias que passam de mente para mente, como fazem as emoções. A noção de um meme baseia-se na de um gene: uma entidade que se duplica ao ser transmitida de uma pessoa para outra.
Os memes com força particular, como “democracia” ou “limpeza”, nos levam a agir de maneira específica; são idéias com alto impacto.25 Alguns memes se opõem naturalmente a outros e, quando isso ocorre, entram em guerra – uma batalha de idéias.
Os memes parecem ganhar poder da via inferior, por meio da associação com fortes emoções. Uma idéia é importante para nós na medida em que nos incita ou comove – e é exatamente isso que fazem as emoções. A força das letras dos raps (ou de qualquer música), vinda da instância inferior, fortalecida pelas batidas do oscilador, pode aumentar ainda mais – certamente mais do que se fosse simplesmente lida em uma folha de papel.
Um dia, os memes podem vir a ser entendidos como neurônios-espelho em ação. Seu registro inconsciente governa grande parte do que fazemos, principalmente quando estamos no “piloto automático”. Porém, o poder sutil dos memes de nos fazer agir não raro passa despercebido.
Considere seu poder surpreendente de preparação para as interações sociais.26 Em um experimento, um grupo de voluntários ouviu uma lista de palavras que se referiam a indelicadezas, como “rude” e “odioso”, enquanto outro grupo ouviu palavras como “atencioso” e “polido”. Em seguida, os dois grupos foram apresentados a uma situação em que tinham de transmitir uma mensagem a alguém que estava conversando com outra pessoa. Dois dos três do grupo que ouviram palavras relacionadas a indelicadezas se intrometeram abruptamente na conversa, interrompendo as outras pessoas, enquanto oito das dez pessoas preparadas para a cordialidade esperaram os dez minutos inteiros até a conversa terminar, antes de se manifestar a respeito da situação.27
Em outra forma de preparação, uma pista despercebida pode conduzir a sincronias surpreendentes. De que outra maneira poderíamos explicar o que aconteceu quando eu e minha esposa visitamos uma ilha tropical? Certa manhã, observamos uma maravilha no horizonte: um gracioso navio de oito mastros navegando próximo à costa. Minha esposa sugeriu que eu tirasse uma fotografia; então, peguei a máquina e atendi a seu pedido. Era a primeira vez que eu tirava uma fotografia desde que chegáramos, há dez dias.
Algumas horas depois, ao sairmos para almoçar, decidi levar a câmera, colocando-a na mochila. Ao caminharmos até uma praia próxima, onde ficava o restaurante escolhido, pensei em mencionar que havia trazido a câmera. Foi então que, de repente, do nada, antes de eu abrir a boca, minha esposa perguntou: “Trouxe a máquina?”
Era como se ela tivesse acabado de ler meus pensamentos.
Tais sincronias parecem surgir do equivalente verbal ao contágio emocional. Nossos encadeamentos de associações correm em trilhos fixos, circuitos de aprendizado e memória. Depois de preparado um desses encadeamentos, mesmo diante de uma simples menção, esse encadeamento instiga o inconsciente, além do alcance de nossa atenção ativa.28 Nas palavras do famoso dramaturgo russo Anton Chekhov: “Nunca coloque uma arma na parede no segundo ato de uma peça sem usá-la até o final do terceiro – pois o público estará esperando os tiros.”
Como basta pensar em uma ação para preparar a mente no sentido de realizá-la, tal preparo nos orienta em nossas rotinas diárias sem que tenhamos de nos esforçar mentalmente para pensar no que devemos fazer em seguida – algo como uma lista mental de afazeres. Ver a escova de dentes sobre a pia do banheiro pela manhã nos leva a buscá-la automaticamente e começar a escovar os dentes.
De forma semelhante, os encadeamentos paralelos de pensamento podem levar as pessoas a pensar, fazer ou dizer a mesma coisa no mesmo momento. Quando minha esposa e eu de repente nos sintonizamos em um pensamento idêntico, presumivelmente alguma percepção momentânea comum a ambos havia provocado um encadeamento semelhante de associações, fazendo-nos lembrar da máquina fotográfica.
Tal intimidade mental pressagia a proximidade emocional; quanto mais satisfeito e comunicativo é um casal, mais precisa é sua leitura mental mútua.29 Quando conhecemos bem alguém ou sentimos uma forte conexão com uma pessoa, as condições são quase ideais para uma confluência de nossos pensamentos, sentimentos, percepções e lembranças.30 Entramos em uma confluência mental na qual tendemos a perceber, pensar e sentir da mesma maneira que a outra pessoa.
Tal convergência ocorre mesmo quando estranhos se tornam amigos. Tomemos dois estudantes universitários que devem repartir o mesmo quarto. Pesquisadores de Berkeley recrutaram colegas de dormitório que não se conheciam anteriormente e monitoraram suas reações emocionais ao assistir separadamente a filmes curtos. Um deles era uma comédia com Robin Williams; outro, um melodrama, mostrando um garoto que chorava a morte do pai. Ao ver esses filmes pela primeira vez, os novos colegas de quarto reagiram de forma diferente, como qualquer outra dupla de estranhos reagiria. No entanto, meses depois, quando os pesquisadores convidaram os colegas de quarto para assistir novamente a filmes semelhantes, suas reações haviam convergido de maneira notável.31
 
A LOUCURA DAS MULTIDÕES
Eles os chamam de “superhooligans”, gangues de fãs do futebol que espalham tumultos e provocam enormes brigas nos jogos europeus. A fórmula é sempre a mesma, independente do país. Uma gangue pequena e unida de fãs chega ao jogo com horas de antecedência e começa a beber loucamente, a cantar o hino do time e a torcer de forma ruidosa.
Depois, quando a multidão começa a se reunir para o jogo, as gangues começam a agitar as bandeiras do time, cantar impetuosamente e provocar o time adversário, espalhando rixa pela arquibancada. Os superhooligans se dirigem aos pontos nos quais os fãs de seu time se misturam com os de seus rivais e as músicas se transformam em ameaças diretas. Chega, então, o momento em que o líder da gangue ataca a gangue rival, provocando os outros torcedores a se juntar à briga. E a luta começa.
Essa fórmula de violenta histeria em massa se repete desde o início da década de 1980, com trágicas conseqüências.32 Em uma multidão bêbada e beligerante, verificam-se as condições ideais para que a violência se dissemine: o álcool desinibe os controles neurais sobre os impulsos; assim, no momento em que o líder inicia a primeira carnificina, contagia a multidão de seguidores.
Elias Canetti, em um estudo intitulado Crowds and Power, observa que o que une uma massa de indivíduos em uma multidão é o domínio coletivo por uma “única paixão” que todos compartilham – uma emoção comum que leva à ação conjunta: o contágio coletivo.33 Uma atitude pode tomar de assalto um grupo com grande rapidez, em uma notável exibição do alinhamento paralelo de subsistemas biológicos que colocam todos os presentes em sincronia fisiológica.34
A rapidez das mudanças na atividade das multidões assemelha-se à coordenação entre os neurônios-espelho. As decisões da multidão são tomadas em questão de segundos – presumivelmente, o tempo necessário para que a transmissão da sincronia dos neurônios-espelho de pessoa para pessoa ocorra (embora, por enquanto, isso ainda seja mera especulação).
O contágio do grupo em suas formas mais tranqüilas pode ser testemunhado em qualquer grande apresentação em que atores ou músicos exerçam um efeito sobre as emoções do público. Peças, concertos e filmes nos permitem penetrar um campo de emoções comum a um grande número de estranhos. Adotar um registro otimista como grupo é, como gostam de dizer os psicólogos, “inerentemente reforçativo” – ou seja, faz com que todos se sintam bem.
O contágio das multidões ocorre até mesmo nos grupos menores, como, por exemplo, três pessoas sentadas em silêncio, juntas, durante alguns minutos. Na ausência de uma hierarquia de poder, a pessoa com o semblante mais expressivo emocionalmente define o tom do grupo.35
O contágio flui em praticamente qualquer agrupamento coordenado de pessoas. Tomemos um experimento em processos decisórios importantes no qual um grupo se reúne para decidir o valor do bônus a ser concedido a cada funcionário ao final do ano. Cada pessoa presente à reunião tentava obter o maior bônus possível para um ou outro funcionário e, ao mesmo tempo, fazer a melhor distribuição possível para o grupo como um todo.
As agendas conflitantes provocaram tensão e, no fim da reunião, todos estavam desgastados. No entanto, em uma reunião de outro grupo com objetivo idêntico, todos acabaram se sentindo bem com o resultado.
As duas reuniões foram simulações feitas em um estudo, hoje clássico, realizado na Yale University, no qual voluntários foram distribuídos em grupos para tomar decisões a respeito de bônus.36 Ninguém sabia que um dos participantes de cada grupo era, na verdade, um ator experiente cuja atribuição secreta era adotar uma postura de confronto e deprimente com alguns do grupo e útil e otimista com os outros.
Qualquer que fosse o caminho tomado por suas decisões, os outros participantes seguiam sua pista; os membros do grupo apresentaram uma mudança notável no humor – ora otimistas, ora desanimados. Entretanto, nenhum dos membros do grupo parecia saber por que seu humor havia mudado. Estavam sendo guiados inconscientemente a uma mudança de humor.
Os sentimentos que vigoram em um grupo podem definir como seus membros processam as informações e, portanto, as decisões por eles tomadas.37 Isso sugere que, ao tomar uma decisão conjunta, qualquer grupo deveria atentar não apenas ao que está sendo dito, mas também às emoções que vigoram no local físico.
Essa convergência pressagia um magnetismo sutil e inexorável, uma força gravitacional que leva as pessoas a pensarem e a se sentirem da mesma maneira a respeito de coisas em geral em relacionamentos íntimos – membros da família, colegas de trabalho e amigos.

 * Nota do Tradutor: O termo, cunhado em 1976 por Richard Dawkins no controverso best-seller O gene egoísta, vem do grego mimene, imitação. Um meme é para a memória o análogo do gene na genética: sua unidade mínima. É considerado uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro. Os memes podem ser idéias, músicas, sons, desenhos, modas, valores morais ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida com facilidade e transmitida como unidade autônoma. Quando usado em contexto coloquial e não-especializado, o termo meme pode significar apenas a transmissão de informação de uma mente para outra, como se fossem vírus mentais.
 
(Goleman, Daniel - Inteligência social)

NOTAS:
1. Sobre medo, imitação e contágio, consulte Brooks Gump e James Kulik, “Stress, Affiliation, and Emotional Contagion”, Journal of Personality and Social Psychology 72 (1997), pp. 305–19.
2. Vide, por exemplo, Paul J. Whalen et al., “A Functional MRI Study of Human Amygdala Responses to Facial Expressions of Fear Versus Anger”, Emotion 1(2001), pp. 70–83; J. S. Morris et al., “Conscious and Unconscious Emotional Learning in the Human Amygdala”, Nature 393 (1998), pp. 467–70.
3. A pessoa que vê o rosto de alguém expressando terror vivencia o mesmo estímulo interno, porém com menor intensidade. Uma das maiores diferenças está no nível de reatividade do sistema nervoso autônomo, que se encontra em seu nível máximo na pessoa aterrorizada e muito mais fraco naquela que a observa. Quanto mais a ínsula se ativa, mais forte é a reação emocional.
4. Sobre imitação, vide J. A. Bargh, M. Chen e L. Burrows, “Automaticity of Social Behavior: Direct Effects of Trait Construct and Stereotype Activation on Action”, Journal of Personality and Social Psychology 71 (1996), pp. 230–44.
5. Sobre velocidade da percepção do medo, consulte Luiz Pessoa et al., “Visual Awareness and the Detection of Fearful Faces”, Emotion 5 (2005), pp. 243–47.
6. Sobre a descoberta dos neurônios-espelho, consulte G. di Pelligrino et al., “Understanding Motor Events: A Neurophysiological Study”, Experimental Brain Research 91 (1992), pp. 176–80.
7. Sobre esse tipo de neurônio, consulte W. D. Hutchinson et al., “Pain-related Neurons in the Human Cingulate Cortex”, Nature Neuroscience 2 (1999), pp. 403–5. Outros estudos de ressonância magnética funcional revelam que áreas cerebrais idênticas se ativam quando uma pessoa observa um movimento do dedo e quando eles fazem o mesmo movimento; em um deles, a atividade foi maior quando a pessoa fez o movimento em resposta a outra pessoa que o fez – ou seja, quando imitava a pessoa: Marco Iacoboni et al., “Cortical Mechanisms of Human Imitation”, Science 286 (1999), pp. 2526–28. Por outro lado, alguns estudos revelaram que observar um movimento ativava um conjunto maior de áreas neurais do que imaginar fazer o movimento; a interpretação era que as áreas envolvidas no reconhecimento dos movimentos diferem das que contribuem para a produção real do movimento – neste caso, pegar um objeto. Vide S. T. Grafton et al., “Localization of Grasp Representations in Humans by PET: Observation Compared with Imagination”, Experimental Brain Research 112 (1996), pp. 103–11.
8. Sobre espelhamento em seres humanos, vide, por exemplo, L. Fadiga et al., “Motor Facilitation During Action Observation: A Magnetic Stimulation Study”,Journal of Neuroph ysiology 73 (1995), pp. 2.608–26.
9. Esse bloqueio ocorre por neurônios inibidores no córtex pré-frontal. Pacientes com lesões nesse circuito pré-frontal são notoriamente isentos de inibição: dizem ou fazem o que quer que venha à sua cabeça. As áreas pré-frontais podem ter conexões inibidoras diretas ou as regiões corticais posteriores, que possuem conexões inibidoras locais, podem ser ativadas.
10. Até o momento, foram descobertos neurônios-espelho em diversas áreas do cérebro humano além do córtex pré-motor, inclusive no lobo parietal superior, no sulco temporal superior e na ínsula.
11. Sobre neurônios-espelho em seres humanos, consulte Iacoboni et al., “Cortical Mechanisms”.
12. Consulte Kiyoshe Nakahara e Yasushi Miyashita, “Understanding Intentions: Through the Looking Glass”, Science 308 (2005), pp. 644–45; Leonardo Fogassi, “Parietal Lobe: From Action Organization to Intention Understanding”, Science 308 (2005), pp. 662–66.
13. Consulte Stephanie D. Preston e Frans de Waal, “The Communication of Emotions and the Possibility of Empathy in Animals”, in Stephen G. Post et al., eds., Altruism and Altruistic Love: Science, Philosophy, and Religion in Dialogue (Nova York: Oxford University Press, 2002).
14. Se as ações da outra pessoa revelarem alto interesse emocional por nós, fazemos automaticamente um pequeno gesto ou expressão facial revelando que sentimos o mesmo. Esse preview de um sentimento ou movimento, sugerem alguns neurocientistas, pode ter sido essencial ao desenvolvimento da linguagem e da comunicação entre os seres humanos. Diz uma teoria que, na pré-história, a evolução da linguagem surgiu das atividades dos neurônios-espelho, inicialmente para um idioma feito de gestos e, depois, para uma forma vocal. Consulte Giacomo Rizzolatti e M. A. Arbib, “Language Within Our Grasp”, Trends in Neuroscience 21 (1998), pp. 188–94.
15. Giacomo Rizzolatti é citado em Sandra Blakeslee, “Cells That Read Minds”, The New York Times, 10 de Janeiro de 2006, p. C3.
16. Daniel Stern, The Present Moment in Psychotherapy and Everyday Life (Nova York: W.W. Norton, 2004), p. 76.
17. Paul Ekman, Telling Lies: Clues to Deceit in the Marketplace, Politics, and Marriage (Nova York: W.W. Norton, 1985).
18. Robert Provine, Laughter: A Scientific Investigation (Nova York: Viking Press, 2000).
19. Sobre a preferência do cérebro por rostos felizes, consulte Jukka Leppanen e Jari Hietanen, “Affect and Face Perception”, Emotion 3 (2003), pp. 315–26.
20. Barbara Fraley e Arthur Aron, “The Effect of a Shared Humorous Experience on Closeness in Initial Encounters”, Personal Relationships 11 (2004), pp. 61–78.
21. O circuito do riso reside nas partes mais primitivas do cérebro, o tronco cerebral. Consulte Stephen Sivvy e Jaak Panksepp, “Juvenile Play in the Rat”, Physiology and Behavior 41 (1987), pp. 103–14.
22. Sobre melhores amigos, consulte Brenda Lundy et al., “Same-sex and Opposite-sex Best Friend Interactions Among High School Juniors and Seniors”, Adolescence 33 (1998), pp. 279–88.
23. Darryl McDaniels é citado em Josh Tyrangiel, “Why You Can’t Ignore Kanye”, Time, 21 de agosto de 2005.
24. A lenda foi citada em “Bling Is Not Their Thing: Hip-hop Takes a Relentlessly Positive Turn”, Daily News of Los Angeles, 24 de fevereiro de 2005.
25. Sobre memes, consulte Susan Blakemore, The Meme Machine (Oxford, Reino Unido.: Oxford University Press, 1999).
26. Para um relato mais completo da preparação, consulte E. T. Higgins, “Knowledge Activation: Accessibility, Applicability, and Salience”, Social Psychology: Handbook of Basic Principles (Nova York: Guilford Press, 1996).
27. Sobre a preparação para a polidez, consulte Bargh, Chen e Burrows, “Automaticity of Social Behavior”, p. 71.
28. Sobre fluxos automáticos de pensamento, consulte John A. Bargh, “The Automaticity of Everyday Life”, in R. S. Wyer, org., Advances in Social Cognition (Hillsdale, N.J.: Erlbaum, 1997), v. 10.
29. Sobre a precisão da leitura mental, consulte Thomas Geoff e Garth Fletcher, “Mind-reading Accuracy in Intimate Relationships: Assessing the Roles of the Relationship, the Target, and the Judge”, Journal of Personality and Social Psychology 85 (2003), pp. 1.079–94.
30. Sobre a confluência de duas mentes, consulte Colwyn Trevarthen, “The Self Born in Intersubjecti vity: The Psychology of Infant Communicating”, in Ulric Neisser, org. The Perceived Self: Ecological and Interpersonal Sources of Self-knowledge (Nova York: Cambridge University Press, 1993), pp. 121–73.
31. A fusão emocional ocorreu independente de os dois terem sentido que haviam se tornado amigos íntimos. Cameron Anderson, Dacher Keltner e Oliver P. John, “Emotional Convergence Between People over Time”, Journal of Personality and Social Psychology 84, no. 5 (2003), pp. 1.054–68.
32. No infame desastre de Heysel em 1985, os hooligans ingleses atacaram os fãs belgas, causando o desabamento de um muro e causando a morte de 39 pessoas. Desde então, tem havido vários episódios em toda a Europa em jogos de futebol, com mortos e feridos.
33. Elias Canetti, Massa e poder(São Paulo, Companhia das Letras, 2005).
34. A rapidez das variações do humor em grupos é observada em Robert Levenson e Anna Reuf, “Emotional Knowledge and Rapport”, in William Ickes, org., Empathic Accuracy (Nova York: Guilford Press, 1997), pp. 44–72.
35. Sobre compartilhar emoções, consulte Elaine Hatfield et al., Emotional Contagion (Cambridge, Reino Unido: Cambridge University Press, 1994).
36. Sobre contágio emocional em equipes, consulte Sigal Barsade, “The Ripple Effect: Emotional Contagion and Its Influence on Group Behavior”, Administrative Science Quarterly 47 (2002), pp. 644–75.
37. A interação em um grupo ajuda a manter todos no mesmo comprimento de onda. Em grupos formados para processos decisórios, estimula o tipo de conexão que permite a expressão aberta das diferenças, sem medo de explosões. A harmonia em um grupo permite a consideração da mais ampla variedade de visões e a tomada das melhores decisões – desde que as pessoas se sintam livres para manifestar opiniões contrárias. Durante uma discussão acirrada, as pessoas têm dificuldade de internalizar o que a outra está dizendo, e ainda mais de sintonizar-se.

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