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Verrugas na sola do pé

por Thynus, em 03.09.14
Assim como os fungos que atacam os pés, as verrugas não representam qualquer ameaça física. Animicamente, entretanto, elas podem ser extremamente ameaçadoras. Elas são muito molestas no pé, e especialmente na sola do pé. A ameaça substancial, no entanto, decorre de sua origem misteriosa. Assim como cobras e aranhas não representam qualquer ameaça mortal em nossas latitudes e, apesar disso, são vivenciadas como extremamente ameaçadoras devido a seu respectivo simbolismo, o terror que as verrugas inspiram está em sua gestação simbólica. A verruga gorda, horrível e talvez ainda por cima com pêlos é um símbolo típico da bruxa dos contos de fadas, uma excrescência do inferno, ou seja, dos poderes da escuridão. Uma tal verruga desconcertaria até mesmo o mais racional dos homens caso se instalasse em seu nariz. Embora ela não seja uma ameaça e não possa fazer mal a ninguém, até mesmo o mais razoável dos nossos contemporâneos sente que ela, em um plano mais profundo, se não chega a ser levada a mal, é certamente mal interpretada, porque aponta para o mundo do padrão arquetípico do mal. Além disso, não se pode nem mesmo alegar que ela, vindo de fora, instalou-se em nós. De maneira unívoca ela, excrescência insignificante, emerge do interior da própria pessoa. Quem sempre lida com verrugas dispara essas escuras associações, de javalis e lagartos até bruxas más.
Diversas formas de terapia fazem com que aflorem novos dados quanto à interpretação das verrugas. As tentativas da medicina acadêmica, baseadas na violência crua, da cauterização e do ácido até a extirpação, destacam-se pelo altos índices de fracasso. Embora extraída totalmente e sem deixar restos, freqüentemente a verruga volta a emergir no mesmo lugar, trazendo a mesma mensagem do obscuro reino das sombras. Os métodos utilizados pela medicina popular são mais variados e mais bem-sucedidos. Todos eles se equivalem no que diz respeito ao principio mágico em que estão fundamentados. As verrugas são eliminadas com algum êxito por meio de magia ou orações em uma noite de Lua cheia, conjuradas com as mais variadas fórmulas mágicas, enfeitiçadas pela imposição de mãos ou outros pequenos rituais. Crianças que já têm uma relação com a qualidade mágica do dinheiro, às vezes deixam também que elas sejam compradas por uma quantia módica.
As verrugas nos confrontam com nosso próprio lado escuro, razão pela qual elas respondem tão bem aos tratamentos ocultos (oculto = escuro, escondido) correspondentes. Quando outros sintomas também respondem a fórmulas verbais e manipulações ou a medicamentos, isso mostra o quanto a antiga medicina, em sua totalidade, era mágica. Quando se pergunta em que as verrugas incomodam ou o que elas impedem, obtém-se indicações plausíveis quanto ao significado individual. Elas em geral impedem uma aparência imaculada, e é esta mácula que, escrita no rosto, incomoda consideravelmente. Quanto às verrugas na sola do pé pergunta-se, além disso, em que medida se está tropeçando inconscientemente no oculto sem reconhecer seu significado, embora ele se faça notar a cada passo. Finalmente trata-se, em qualquer caso, de se a pessoa o admite ou não. A solução está na conscientização. O reconhecimento do lado sombrio que acompanha os rituais mágicos é, portanto, superior aos métodos combativos. O principio da homeopatia, que trata aquilo que é misteriosamente obscuro com métodos misteriosamente obscuros, tem maior êxito e, sobretudo, esse é mais duradouro que a luta alopática contra a mensagem oriunda das próprias profundezas.

Perguntas
1. Em que medida a verruga me incomoda ou me atrapalha? Não posso ficar em pé ou andar sem sentir dores? Ou ela me desfigura, ou seja, evidencia algo de ruim que eu não quero ver e que, sobretudo, os outros não devem ver?
2. O que eu escondi quando a verruga apareceu?
3. Que papel desempenha para ruim o desentendimento com o lado escuro de minha vida?
4. Sou consciente do lado oculto de minha existência?


(Rüdger Dahlke - A Doença como Linguagem da Alma)

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publicado às 02:18



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