Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Há um enigma. Quantas pernas tem um cachorro se você chamar seu rabo de “perna”? Há pelo menos três respostas possíveis. Cinco: suas quatro pernas mais o rabo, agora chamado de “perna”. Uma: se seu rabo for chamado de “perna”, ele só tem um desse tipo. E quatro: chamar o rabo de “perna” não a transforma em uma. Qual é a melhor resposta? Bem, não importa. Sua resposta depende do que você quer dizer com a palavra “perna” e você é livre para anexar o significado que quiser, pelo menos para esse enigma.
Mas o que você quer dizer quando usa as palavras mais diretas na linguagem, ou seja, os nomes?
Às vezes nos referimos a uma coisa ao descrevê-la: “o homem que escreveu Hamlet”. Às vezes nos referimos à mesma coisa pelo nome: “Shakespeare”. A diferença é que o nome se refere à coisa sem, na verdade, descrevê-la de nenhuma maneira. Isso sugere uma resposta natural à nossa pergunta: nomes simplesmente significam as coisas às quais se referem.
Mas agora considere a frase “Papai-Noel não existe”. Triste, eu sei, mas é verdade. E se nossa sentença é verdadeira, então o Papai-Noel não existe, em cujo caso o nome “Papai-Noel” não se refere a nenhuma coisa verdadeira. Mas, por meio da nossa teoria natural, o nome “Papai-Noel”, agora se referindo a nada, não teria sentido, em cujo caso a frase original não teria sentido. E se a sentença não tem sentido, é difícil ver como poderia ser verdade – apesar de ser.
Então precisamos de uma teoria melhor.
O sentido de um nome, em outras palavras, deve ser algo diferente da coisa à qual se refere; então, “Papai-Noel” pode talvez ter sentido mesmo sem o cara gordo e feliz. Claro, é difícil dizer qual é o sentido de um nome se não for a coisa à qual ele se refere, mas pelo menos é claro que a teoria natural não consegue ficar com o rabo em pé.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:19


Comentar:

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

subscrever feeds