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Há um enigma. Quantas pernas tem um cachorro se você chamar seu rabo de “perna”? Há pelo menos três respostas possíveis. Cinco: suas quatro pernas mais o rabo, agora chamado de “perna”. Uma: se seu rabo for chamado de “perna”, ele só tem um desse tipo. E quatro: chamar o rabo de “perna” não a transforma em uma. Qual é a melhor resposta? Bem, não importa. Sua resposta depende do que você quer dizer com a palavra “perna” e você é livre para anexar o significado que quiser, pelo menos para esse enigma.
Mas o que você quer dizer quando usa as palavras mais diretas na linguagem, ou seja, os nomes?
Às vezes nos referimos a uma coisa ao descrevê-la: “o homem que escreveu Hamlet”. Às vezes nos referimos à mesma coisa pelo nome: “Shakespeare”. A diferença é que o nome se refere à coisa sem, na verdade, descrevê-la de nenhuma maneira. Isso sugere uma resposta natural à nossa pergunta: nomes simplesmente significam as coisas às quais se referem.
Mas agora considere a frase “Papai-Noel não existe”. Triste, eu sei, mas é verdade. E se nossa sentença é verdadeira, então o Papai-Noel não existe, em cujo caso o nome “Papai-Noel” não se refere a nenhuma coisa verdadeira. Mas, por meio da nossa teoria natural, o nome “Papai-Noel”, agora se referindo a nada, não teria sentido, em cujo caso a frase original não teria sentido. E se a sentença não tem sentido, é difícil ver como poderia ser verdade – apesar de ser.
Então precisamos de uma teoria melhor.
O sentido de um nome, em outras palavras, deve ser algo diferente da coisa à qual se refere; então, “Papai-Noel” pode talvez ter sentido mesmo sem o cara gordo e feliz. Claro, é difícil dizer qual é o sentido de um nome se não for a coisa à qual ele se refere, mas pelo menos é claro que a teoria natural não consegue ficar com o rabo em pé.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

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publicado às 23:19



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