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Uma cama cheia de gente

por Thynus, em 06.01.17
Sua cama de casal é um dos lugares mais cheios de gente da face da terra. Está transbordando de pessoas, algumas das quais você nunca viu, mas estão todas ali — todas afetando sua intimidade sexual, olhando por cima de seus ombros e moldando a qualidade do seu prazer sexual.

Não olhe atrás do travesseiro, mas saiba que seus pais estão espiando bem ali! E se você acha que isso é ruim, é melhor também se acostumar com seus sogros, que estão escondidos debaixo do travesseiro de seu cônjuge!

E o que dizer do pé da cama? Ah, ali estão seus irmãos e os de seu cônjuge. Debaixo da cama? É melhor nem começar!

Do que estou falando?

Você chega ao casamento com mais bagagem do que percebe. Essa bagagem formou aquilo que chamo de seu “regulamento” — crenças inconscientes, mas muito poderosas, que você tem sobre como as coisas devem ser feitas (especialmente na cama). Uma grande parte de minha prática de aconselhamento é dedicada a ajudar pessoas a entenderem seu regulamento, porque é ele que determina tudo o que se relaciona à vida de alguém, especialmente a sexualidade.

“Mas, dr. Leman”, você pode dizer, “eu não sabia que tinha um regulamento!”.

Poucos têm consciência disso, mas todos nós ficamos furiosos quando uma regra de nosso regulamento é quebrada. Um marido acabará pagando pelos erros de seu sogro, assim como a esposa pagará caro pelos erros de sua sogra. Você não está se casando com alguém sem passado. Você irá para a cama com uma pessoa que foi indelevelmente marcada pela ordem de nascimento, pelo estilo de criação de filhos adotado por seus pais e por suas experiências do início da infância. Ela pode vir nua para a cama, mas a última coisa que estará é sozinha.

Uma vez que trato em detalhes dos regulamentos em outro livro, Mais velho, do meio ou caçula, neste vou me limitar a falar sobre a maneira como os regulamentos nos afetam na cama.

Gente demais na cama
 

SEU REGULAMENTO SEXUAL

Sheila quer ser surpreendida pelo sexo; ela quer espontaneidade, criatividade e variedade. Ela se irrita com o tédio e quer que seu marido sempre a mantenha na expectativa. Uma das lembranças sexuais favoritas de Sheila é de um dia em que seu marido trouxe para casa um frasco de óleo de bebê e um tecido impermeável para colocar sobre os lençóis da cama. Os dois cônjuges rolaram um por cima do outro e fizeram uma bagunça, mas aquilo foi espontâneo, gerou muitas risadas e Sheila divertiu-se a valer.

Melissa odeia ser surpreendida. Ela quer saber o que vai acontecer com pelo menos 24 horas de antecedência. Se ela e seu marido vão ficar nus ao mesmo tempo, é preciso haver uma toalha debaixo de cada um antes que os parceiros troquem fluídos corporais, de modo a evitar que esses mesmos fluídos toquem o lençol. Os dois devem ter se banhado e todos os dentes devem ter sido escovados trinta minutos antes do início do sexo. A ideia de fazer uma enorme bagunça ou produzir ruídos altos a esfria, em vez de excitá-la. Se o marido de Melissa trouxesse para casa um frasco de óleo de bebê, ela diria: “E o que você acha que vai fazer com isso? Vou levar meio dia só para limpar essa sujeira! Você já tentou remover essa coisa?”.

Por que a diferença?

Téo deseja que sua esposa tenha a iniciativa sexual. Ele adora quando ela o empurra para a cama e pula em cima dele; é a coisa mais estimulante do mundo ver sua mulher participar ativamente do ato sexual e, na verdade, tentar encontrar a posição na qual ela receba maior estímulo. E quando ela expressa a intensidade do prazer que está sentindo, Téo mal pode conter seu entusiasmo.

André precisa estar no controle o tempo todo; ele considera qualquer iniciativa por parte de sua esposa como um desafio à sua masculinidade. Ele decide o que fazer, quando fazer e como fazer, sem dar chance para argumentações.

Por que esses dois homens são tão diferentes?

Uma das grandes armadilhas ao se escrever um livro como este é que não há dois homens ou duas mulheres iguais. Os homens podem ser tão diferentes um do outro quanto os gêneros podem diferir entre si. Ainda que possamos generalizar, todo estereótipo se mostrará falso para alguém, razão pela qual a comunicação individual é tão importante no casamento. Posso lhe dar um conselho sobre o que a maioria dos homens gosta, mas esse mesmo conselho pode, na verdade, enojar seu marido. De fato, não há troca melhor para um casal do que ler este livro em conjunto e discutir os capítulos à medida que eles aparecem.

Qual é a razão dessa grande variedade de estilos no ato de fazer amor? Em 90% dos casos, isso tem a ver com o regulamento de uma pessoa. O regulamento de Sheila diz: “O sexo é mais agradável quando é divertido e espontâneo; a vida é curta demais para fazer alguma coisa da mesma forma duas vezes”. O regulamento de Melissa diz: “O sexo precisa ser controlado por padrões rígidos, a fim de que não saia do controle”. O regulamento de Téo diz que “o sexo é mais significativo quando minha esposa me procura e mostra que me quer”, enquanto o de André diz que “o sexo só é bom quando estou no controle”.

Esses regulamentos são moldados pelas reações que tivemos a nossas experiências na infância, a nossa criação e a nossa ordem de nascimento. Dentro de famílias, os regulamentos normalmente têm algumas semelhanças, mas também terão diferenças marcantes. Em última análise, seu regulamento é algo bastante individual e determina praticamente tudo o que você faz.

A questão dos regulamentos é que eles, em geral, são inconscientes. É provável que Melissa não saiba explicar por que simplesmente precisa ter uma toalha embaixo de si, assim como André não conseguiria colocar em palavras por que ficaria louco se sua esposa tentasse assumir o controle. Mas essas regras inconscientes governam cada ato sexual do qual eles participem.



Entenda seu regulamento sexual

Influências dos pais

Para começar a descobrir quais são essas regras não escritas e frequentemente inconscientes, faça a si mesmo algumas perguntas:



    O que mais me irrita na cama?
    De modo geral, o que mais me satisfaz sexualmente?
    O que me faz perder todo o interesse no sexo?
    O que gera o maior interesse no sexo?
    Que pedido ou atitude sexual mais me amedronta?



Agora, dê um passo atrás e pergunte a si mesmo por que isso acontece. Por que a ideia de sexo oral me enoja, enquanto tantas outras pessoas o acham excitante? Por que deixar as luzes acesas me faz esfriar sexualmente, enquanto excita outras pessoas? Por que preciso que meu cônjuge seja a pessoa que sempre dá início à intimidade sexual?

Parte da resposta pode estar na maneira como você foi criado para pensar no sexo. Algumas pessoas, particularmente oriundas de lares muito religiosos, foram ensinadas que o sexo é algo sobre o que não se deve falar. “Sim, o sexo é necessário para povoar o mundo, mas vamos fingir que ele nem sequer existe no resto do tempo!” Se uma pessoa cresce nesse ambiente, talvez nunca se sinta plenamente livre para deixar isso de lado e desfrutar da experiência sexual em si.

Veja por que você precisa se questionar e trazer a “influência oculta” para a superfície: uma vez que entende a influência, pode decidir se ela é saudável ou não. Pode optar por mantê-la ou, se ela estiver atrapalhando seu casamento, livrar-se dela.

Portanto, faça perguntas a si mesmo. Seus pais eram afetuosos? Você teve o tipo de mãe que sempre batia na mão de seu marido quando ele tentava flertar com ela? Seu pai era excepcionalmente frio em relação a você e sua mãe? Ele usava a mão apenas para ferir e nunca para acariciar? E o mais importante: esse estilo de criação distorceu sua visão da expressão sexual?

Talvez você tenha tido o problema oposto, e seus pais o enojaram por serem libertinos. É possível que, ainda menina, você tenha encontrado alguma pornografia no quarto de seu pai, e a visão daquelas imagens a tenham repugnado, levando-a a dizer: “Nunca farei nada assim”. Ou, pior ainda: você pode ter sofrido abuso, o que a tornou praticamente incapaz de confiar em outro homem. Todo toque lhe parece uma violação, mesmo consciente de que seu marido a ama.

Infelizmente, muitos maridos nem mesmo sabem que a esposa sofreu abuso sexual. Não sei dizer quantas vezes em minha prática de consultório fui o primeiro a descobrir — a primeira pessoa com quem a mulher vítima de abuso conversou sobre sua desgraça. Fico impressionado por verificar que um homem que está casado há dez ou mesmo quinze anos não saiba quanto sofrimento há no passado de sua esposa. O marido acredita que sua mulher é frígida, sem perceber que ela foi paralisada pela dor e pela vergonha — e ele acaba pagando por isso.

A ironia é que uma mulher que sofreu abuso costuma correr para o casamento justamente como uma desculpa para dizer não ao sexo. Ela sabe que o marido não vai usá-la nem abusar dela, de modo que aceita a proposta de casamento com alegria, pensando que, uma vez que esteja dentro das fronteiras seguras do matrimônio, poderá dizer adeus ao sexo. O triste fato de tudo isso é que o homem que realmente ama uma mulher como essa é aquele que acaba enfadado (falaremos mais sobre isso daqui a pouco, mas se você sofreu abuso no passado, recomendo a leitura do livro Lágrimas secretas, do dr. Dan Allender, que considero ser o melhor livro disponível sobre o assunto. Outro livro que toda mulher precisa ler é Intimate Issues, de Linda Dillow.)

Seja qual for o caso, saiba que você foi moldado em profundidade, particularmente pelo pai do sexo oposto. Se o pai de uma mulher abusa dela — sexualmente ou em algum outro aspecto —, ela terá dificuldades para abrir-se sexualmente para seu marido, embora possa ter sido promíscua com muitos namorados. Se, por outro lado, ela teve um relacionamento bastante sadio com o pai, provavelmente terá menos problemas para chegar ao orgasmo, e a tendência é que tenha muito menos inibição na cama. Entregar-se de forma plena ao seu marido será algo natural e seguro para ela.

Um homem que viveu com uma mãe dominadora e controladora pode não gostar de uma esposa sexualmente agressiva. Um homem que recebeu amor bondoso de sua mãe e que foi ensinado a respeitá-la, em geral, não terá muito problema ao tornar-se sexualmente íntimo de sua esposa.



Ordem de nascimento

Seu regulamento também é um produto da ordem de seu nascimento. Se você estivesse em meu consultório, eu começaria lhe fazendo perguntas sobre seus irmãos. Se você for como André, o homem que precisa estar no controle, apostaria facilmente que é primogênito ou filho único. Se acha que sexo e diversão devem andar juntos na maior parte do tempo, imagino que você seja o caçula. Se costuma acolher seu cônjuge, mas raramente inicia o sexo — se é que o faz alguma vez — eu não me surpreenderia se você fosse um filho do meio.

Trato amplamente da questão da ordem de nascimento no livro Mais velho, do meio ou caçula, de modo que farei apenas um resumo aqui. Os caçulas crescem com um enorme e incessante senso de merecimento. Pelo fato de muitas vezes serem mimados e tratados como bebês — não apenas por papai e mamãe, mas também pelos irmãos mais velhos — os caçulas, em geral, crescem e se transformam em “pessoas populares”. São charmosos, com frequência muito engraçados e também claramente exibidos, pessoas que adoram ser o centro das atenções. Contudo, também podem ser manipuladores. Os caçulas tendem a adorar surpresas e estão muito mais abertos a riscos que seus irmãos mais velhos.

Na cama, isso normalmente resulta em desejo de surpresa, espontaneidade e alegria. Os caçulas, de modo geral, serão bastante afetuosos, mas gostarão de ser mimados e de receber cuidados. É melhor dar bastante atenção a cônjuges caçulas!

Os filhos do meio são mais misteriosos. Não temos tempo para explicar a razão disso, mas eles são os mais difíceis de definir, pois podem seguir em várias direções (na maior parte das vezes, essa direção é exatamente oposta à do filho logo acima deles). Em geral, porém, os filhos do meio gostam de paz a todo custo. São os negociadores, os mediadores e os transigentes. Normalmente não são tão assertivos quanto os primogênitos, mas também exigem menos “cuidado e comida” do que um caçula. São mais reservados e costumam ser altruístas ao extremo. Pode ser difícil fazer que um filho do meio de fato diga o que prefere na cama.

Os primogênitos (assim como os filhos únicos) são os representantes de classe, os grandes realizadores, aqueles que gostam de estar no controle e que estão convencidos de que sabem a maneira como tudo deve ser feito. São conhecidos como seres capazes e confiáveis, mas também são perfeccionistas, exigentes e amplamente lógicos. O desejo que têm por controle pode levar alguns a ser poderosos negociantes e outros a gostar de agradar. Se você fizer sexo com alguém do primeiro tipo, sentirá como se tivesse que fazer o possível e o impossível para que tudo dê certo, segundo o que for definido por ele. Se você está casado com alguém do segundo tipo, esse cônjuge vai fazer de tudo para ter certeza de que você se sinta bem — mas essa atitude pode rapidamente parecer mecânica ou forçada.

Existe todo tipo de exceção, mas, de modo geral, você pode aprender bastante sobre si mesmo e sobre seu cônjuge ao considerar a ordem de nascimento de cada um — e como essa ordem de nascimento moldou suas expectativas e seu regulamento sexual.



Primeiras lembranças

O último determinante de seu regulamento sobre o qual falaremos consiste de suas lembranças da infância.[1] Aqueles primeiros eventos (quando você estava no terceiro ano ou antes disso) ajudaram a moldar suas expectativas sobre a vida e sobre a maneira como as coisas devem ser feitas. Você aprendeu que o mundo pode ser um lugar seguro... Ou um lugar perigoso. Desenvolveu a suposição de que as pessoas irão tratá-lo com bondade... Ou irão traí-lo e ameaçá-lo. Por causa daquilo que lhe fizeram, você aprendeu a fazer todas as suposições que hoje considera como certas, e vê seu cônjuge através das lentes dessas lembranças.

Veja um exemplo característico. Um pai promete à filha pequena que vai levá-la para tomar sorvete depois que voltar da loja de ferragens. A filha espera junto à porta por duas horas. Finalmente, papai chega em casa, mas está cheirando a álcool e sua fala é confusa. Naturalmente, ele se esqueceu de tudo relacionado à sua promessa de levá-la para tomar sorvete.

Vinte anos depois, o marido dela promete levá-la para jantar. Ele está justificadamente atrasado quando o pneu do seu carro fura no caminho para casa. Quando enfim consegue chegar, 45 minutos depois do combinado, sua esposa o repreende com dureza. Ele não entende por que tanta irritação, pois não percebe que ela não está gritando apenas com ele — ela está gritando com o pai bêbado.

É vital reconhecer suas tendências baseadas em seu passado e obter um melhor entendimento dessas suposições implícitas. Você só será capaz de editá-las depois de conhecê-las.



Edite seu regulamento

Como palestrante que, nos finais de semana, está mais na estrada do que em casa, já carreguei mais malas do que deveria. Já tive uma mala que chegou a ter dezenas de etiquetas de bagagem. Como você sabe, as companhias aéreas pedem que o passageiro escreva seu nome e endereço naquele pequeno pedaço de papelão, que é preso à mala com um elástico. O problema é que a etiqueta é tão fina e frágil que normalmente dura apenas dois ou três voos antes de rasgar. Nunca removo as partes rasgadas; em vez disso, simplesmente coloco uma nova etiqueta. Assim, depois de alguns anos, acho que tenho mais de cinquenta pequenos pedaços de papel presos na alça da mala — o que faz a bagagem parecer velha e surrada.

Ao observar a vida das pessoas, como eu faço, é possível descobrir que muitas delas estão do mesmo jeito. Suas “viagens” pela vida deixaram marcas, as quais nem sempre são positivas. Elas foram maltratadas e curvaram sob o peso de viagens anteriores e, com o passar do tempo, adquiriram a aparência de estar caindo aos pedaços.

O problema surge quando se deseja reconstituir essas viagens e fazer isso apenas com fragmentos de informação! Sempre me maravilhei diante de eletricistas que conseguem abrir um aparelho ou uma caixa de força e fazer um reparo no meio de cinquenta cores diferentes de fio. Eu? Enxergo apenas preto e vermelho, e só. Vermelho significa positivo, preto significa negativo, e qualquer outra coisa diferente disso está além da minha capacidade!

Investigar o passado de uma pessoa é mais ou menos como tentar encontrar um curto-circuito no meio de centenas de fios: De onde vem este medo? O que deixou esta cicatriz? O que criou esta expectativa?

A vida de muitas pessoas está repleta de relacionamentos rompidos que deixaram para trás cicatrizes psicológicas. Às vezes um cirurgião precisa ir fundo para remover tecido cicatrizado porque este aumenta demais; de certa maneira, os psicólogos têm de fazer a mesma coisa. Se a área da cicatriz for particularmente profunda, será preciso conversar com um profissional — mas, mesmo assim, penso que esta seção vai ajudá-lo a caminhar na direção certa e levá-lo a fazer as perguntas adequadas.

A boa notícia é que você pode editar seu regulamento. A má notícia é que isso pode ser bem difícil e exigir grande quantidade de tempo. Como acabei de dizer, se você experimentou um trauma severo — abuso sexual, por exemplo —, então precisará de um terapeuta profissional para ajudá-lo a superar essas antigas lembranças e a trágica influência negativa dos pais. Mas muitos leitores podem alcançar melhorias por meio de pequenas escolhas.

Em primeiro lugar, assim que tiver compreendido seu regulamento, procure lembrar-se de que o simples fato de algo lhe ser confortável não faz disso um padrão. Um homem espontâneo precisa aprender que sua esposa pode se sentir ameaçada por sua espontaneidade. Em contrapartida, uma mulher controladora deve entender que sua falta de espontaneidade pode estar abrindo caminho para que seu marido caia diretamente nos braços de outra mulher. A maneira como você enxerga o sexo é a maneira como você enxerga o sexo, mas isso não a transforma na maneira certa, nem na única maneira de enxergar o sexo. Não estou dizendo que não existam absolutos morais; certamente creio que existem. Mas estou afirmando que aquilo que sentimos em relação ao sexo dentro do contexto do casamento pode ser algo bastante individual.

Aqui está um segredo que será explorado mais adiante no livro, mas que é relevante destacar aqui: bons amantes aprendem a conhecer seu parceiro melhor do que conhecem a si próprios. Você precisa parar de ver o sexo através de sua percepção apenas e começar a enxergá-lo através dos olhos de seu cônjuge. Se você entender o regulamento de seu cônjuge, praticamente todos os demais aspectos que vamos discutir neste livro vão se ajustar. Ter um sexo conjugal excelente é aprender a amar outra pessoa da maneira que ela quer ser amada.

Em segundo lugar, tome a decisão de não mais permitir que as falhas de seus pais afetem sua vida sexual conjugal. Pense em suas inclinações e nas áreas relativas à cama em que você sabe que deixa a desejar e pergunte a si mesmo: “É isso o que eu realmente quero dar ao meu cônjuge? Ou ele merece mais?”. Você pode então começar a praticar conscientemente a característica que espera adquirir. A mulher que precisa da toalha sob si deve tentar experimentar uma rapidinha na cozinha, ao menos uma vez. O homem que acha que tem de estar no controle deve deixar sua esposa tomar a iniciativa uma vez. Quando fizer isso, certamente vai descobrir que o mundo não para de girar porque você “quebrou uma regra”. Sua mãe não vai chamá-lo, de lá da sepultura, e lhe dar um sermão, dizendo:“Por que é que você não colocou uma toalha?”. O pastor de sua infância não aparecerá de repente na cozinha querendo saber por que vocês dois tentaram aquela posição. Na verdade, é possível que você descubra que quebrar uma regra pode levá-los a um dos mais agradáveis encontros sexuais que já tiveram nos últimos tempos!

Isso é algo que você precisa começar. Seu cônjuge não pode reescrever seu regulamento; é você que tem de fazer isso. Você precisa ser a pessoa que explora o regulamento, que o avalia e, então, faz planos para mudá-lo. Seja honesta, mas firme, consigo mesma: “Sei que isso me deixa desconfortável. Porém, mais do que o meu conforto, valorizo a felicidade do Felipe, de modo que, apenas desta vez, vou ver se consigo ser um pouco mais ousada”.

Por fim, você precisa se livrar do passado. A única maneira que conheço de ajudar alguém a fazer isso é reconectar-se ao poder de Deus em sua vida. Se pedirmos perdão, Deus removerá a mancha do nosso pecado e nos perdoará, deixando-nos psicologicamente renovados.

Essa é uma realidade espiritual que tenho visto acontecer muitas e muitas vezes. Na mesma medida em que alguns de meus colegas gostam de menosprezar o cristianismo e a fé religiosa em geral, descobri que esse pode ser o mais poderoso método para lidar com feridas, pecados e cicatrizes psicológicas do passado. Não me entenda mal: não sou cristão porque o cristianismo funciona. Sou cristão porque creio que o cristianismo é verdadeiro, mas o fato de que ele também funciona muito bem tem sido de grande auxílio aos meus pacientes e a mim.

Se deseja realmente começar de novo, você precisa se alinhar com os princípios de Deus. Isso significa, primeiro, que, se estiver vivendo com alguém sem que estejam casados, você precisa arrumar a vida para viverem separados. Comecem a namorar de novo, mas mantenham o sexo fora do relacionamento.

Do ponto de vista psicológico, isso é não apenas o ético, mas o correto a se fazer. Hoje em dia, é comum ouvir a expressão “virgens reciclados” — pessoas que um dia foram sexualmente promíscuas (sexualmente ativas, para nossos amigos politicamente corretos), mas que agora decidiram se abster até o casamento. Esse é um modelo bastante saudável a ser seguido por aqueles que perderam a virgindade. Esses casais precisam, para o próprio bem, ver Deus transformando suas vidas com o propósito de construir uma fundação mais forte para seu casamento. Eles precisam experimentar não apenas o perdão de Deus, mas também o poder que ele provê para nos ajudar a resistir à tentação.

Por que isso é tão importante? Deixe-me colocar a questão da seguinte maneira: as chances de sobrevivência de seu casamento se baseiam no seu nível de autocontrole e no de seu cônjuge. Certa vez aconselhei um jovem casal a parar de fazer sexo até que se casassem, e o rapaz respondeu com naturalidade:

— Não sei se consigo ficar três ou quatro meses sem sexo. Se Simone e eu deixarmos de fazer sexo, posso ser tentado a procurá-lo em outro lugar.

Sem nem sequer piscar, virei-me para aquela moça e disse:

— Se ele não consegue manter as mãos longe de você ou de qualquer outra mulher por três meses por falta de disciplina, que esperança pode haver depois que vocês se casarem e ele estiver trabalhando cinco dias por semana, enquanto você fica em casa cercada por filhos pequenos?

As coisas que Deus pede de nós como homens e mulheres solteiros são exatamente as mesmas que constroem em nós as qualidades de caráter de que precisamos como maridos e esposas. Se sabotarmos o processo, traímos a nós mesmos e entramos no casamento sem que estejamos devidamente preparados para um relacionamento feliz e duradouro. Quanto mais converso com casais, mais me convenço de que Deus sabia o que estava fazendo quando prescreveu abstinência de sexo antes do casamento e muito sexo de qualidade depois.

Além de tudo isso, existe de fato um enorme poder purificador em saber que Deus o perdoou por aquilo que você fez. Entretanto, também preciso delicadamente lembrá-lo de que, embora Deus remova a mancha, ele nem sempre remove as consequências. A realidade para muitos dos leitores é que, embora tenham sido perdoados, eles precisam ser como o alcoólico, cuja doutrina é “um dia por vez”. Se você feriu sua alma ao entregar seu corpo a muitos amantes, isso significa que precisará de terapia emocional, espiritual e relacional.

Como tudo na vida, será necessário prosseguir mediante pequenos sucessos. Se tiver lembranças de antigos parceiros sexuais, você precisará aprender, caso a caso, como desviar a atenção de volta para seu cônjuge (falarei mais sobre isso daqui a pouco). Você armazena forças ao aprender a dizer não quando quer dizer sim. Quanto mais fizer isso, mais forte se tornará, e mais autocontrole terá.

Uma vida disciplinada é uma vida alegre, porque, quando internaliza limites, você se protege das coisas que trazem maior dor à sua vida, ao seu casamento e à sua atividade sexual. Imagine-se envolvido em paixão com seu cônjuge e, de repente, outra pessoa lhe vem à mente, estragando uma sessão muito especial de amor.

Essa é a maior lástima. Uma trilha de atitudes sexuais tende a nos seguir. Algumas pessoas possuem tanta bagagem surrada em seu eu psicológico e sexual, tantas pequenas etiquetas com nomes que nunca foram completamente arrancadas, que fica muito difícil não comparar esse homem ou essa mulher que você ama e respeita profundamente com alguém com quem você se envolveu numa noite, muitos anos atrás.

Uma vez que, infelizmente, isso se tornou tão predominante em nossa sociedade, vamos conversar mais sobre como lidar com seu passado sexual.



SEU PASSADO SEXUAL: COMBATENDO AS LEMBRANÇAS

Gostaria de poder dizer que você não precisa se preocupar caso seja sexualmente ativo, pois pode voltar a ser como virgem de novo. Mas se eu dissesse isso, estaria mentindo. Deus vai perdoá-lo, seu cônjuge pode aceitá-lo. Mas, se você já teve uma experiência sexual anterior, é muito mais saudável ser realista. Um “virgem reciclado” ainda traz mais bagagem para o leito conjugal do que um virgem de verdade. Existem razões para Deus pedir que reservemos o sexo para o casamento, e há consequências por ultrapassarmos essa linha.

Para começar, você pode ter lembranças. Para quem já teve outros relacionamentos na vida, as memórias sexuais são um fenômeno natural. Infelizmente, elas podem causar interferência numa vida sexual conjugal sadia. Vários pacientes já me confidenciaram que as lembranças eram um problema significativo, particularmente para aqueles que tiveram uma criação rígida e que não corresponderam a ela. Para as mulheres, a culpa pode ser insuportável em alguns momentos. Ela está fazendo amor com o marido quando, de repente, um ex-namorado lhe vem à mente. Uma vez que o sexo é uma experiência bastante emocional para as mulheres, uma lembrança as priva do significado da relação e lhes rouba o momento.

Os homens, em contrapartida, tendem a comparar as reações físicas, e suas lembranças mais provavelmente se baseiam em comparação. E se uma antiga namorada sabia como tocar em você de uma maneira particularmente satisfatória? E se sua esposa estiver preocupada em não conseguir corresponder à altura? E quando ela toca no assunto, pode dizer que, por enquanto, não chegou perto de agradá-lo como a outra mulher costumava fazer? A dor de tal percepção é bastante profunda. Homens que têm experiências sexuais anteriores também podem ter dificuldades para valorizar a conexão emocional do sexo conjugal, uma vez que eles estão focados mais especificamente no prazer físico.

Não é fácil, mas você precisa começar de novo, e isso significa permitir que seu cônjuge comece de novo também. Lembre-se do que falamos antes: assim que você pediu perdão, Deus o perdoou. Percebo que é fácil ter esse entendimento, mas nem sempre é fácil aceitá-lo emocionalmente. Se eu soubesse como afastar pensamentos, não seria psicólogo: seria mágico! As coisas que desejamos reprimir e nas quais desejamos não pensar, normalmente, são aquelas que nos vêm à mente nos momentos mais impróprios.

Aqui está um pequeno truque: assim que tiver aquela lembrança, comece a conversar com seu marido, dizendo quanto o ama, quanto quer satisfazê-lo, o que ele significa para você ou quão excitada você se sente. Se essa última informação não for verdadeira, pegue as mãos dele e o ajude a agradá-la, de modo que todos os seus pensamentos e palavras conscientes se concentrem nele em vez de pensar em outra pessoa.

Em outras palavras, sua tarefa é reaprender como ter o melhor sexo possível com seu cônjuge. Toda vez que qualquer lembrança se intrometer em sua vida sexual atual, tente tornar o relacionamento sexual com seu cônjuge ainda mais satisfatório. Você se livra do velho ao se concentrar no novo. Esta é uma escolha consciente: “Não vou me concentrar naquela lembrança; em vez disso, vou fantasiar sobre como fazer meu cônjuge gritar de prazer”.

O sucesso dessa medida depende em parte da extensão do dano. Você pode ficar sem escovar os dentes de vez em quando, mas se negligenciar seus dentes por meses ou anos, acabará com gengivite. Se, no momento em que descobrir a doença, você de repente decidir que será o melhor passador de fio dental da vizinhança e começar a escovar os dentes depois de cada refeição, talvez consiga impedir infecções futuras, mas ainda assim precisará se recuperar do dano anterior.

É como um fumante que para de fumar. Como eu mesmo sou um ex-fumante, sei que sou muito mais saudável agora que não acendo um cigarro há mais de 35 anos. Mas embora eu seja muito mais saudável por ter parado, estaria muito melhor se nunca tivesse posto um cigarro na boca pela primeira vez.



CONTAR OU NÃO CONTAR?

Ao lidar com o passado sexual de um casal, a primeira pergunta que normalmente surge na sala de aconselhamento é: “Quanto do nosso passado devemos revelar?”.

Minha resposta é: “O menos possível”.

Seu cônjuge merece saber se está se casando com alguém virgem; também tem o direito de saber se você dormiu com apenas uma pessoa, ou se a sua promiscuidade os coloca na cama com múltiplos parceiros. Seu cônjuge tem esse direito, porque isso pode afetar a decisão dele de casar-se ou não com você — e com razão.

Entretanto, entrar em detalhes traz mais problemas que soluções. Falando de modo geral, não conte segredos sexuais do passado. A única coisa que isso provoca é insegurança; de repente, a conversa muda de “Quero saber tudo sobre você” para algo muito, muito mais feio: “O que você quer dizer quando fala que fez três vezes numa noite?”; “Achei que a ideia da banheira fosse nossa!”. Preste atenção: se Deus quisesse que soubéssemos o que todo mundo está pensando, teria nos feito com uma testa de vidro. É um presente para seu cônjuge deixar algumas lembranças morrerem no passado e continuarem apenas com você.

Uma abordagem muito mais sadia é apenas fazer uma confissão como: “Olha, querida, há algumas coisas no meu passado que eu simplesmente não gostaria que estivessem ali”, e deixar por isso mesmo. Contar qualquer detalhe (“Não tivemos relação, mas realmente passamos do limite naquela noite...”) é um pedido claro para ter problemas. Somente confesse: “Você não está se casando com alguém virgem. Eu gostaria, de verdade, que estivesse, mas não está”.

Se o parceiro insistir, use a mim como desculpa: “Um psicólogo que conheço sugere que o mais saudável para nós dois é que compreendamos que estamos nos casando com pessoas imperfeitas, com passados imperfeitos. Vamos começar do zero e construir o melhor casamento que pudermos, sabendo que, deste ponto em diante, o sexo é algo que será compartilhado exclusivamente entre nós — e quero lhe dar a melhor vida sexual possível”.

Em seguida, recomendo que vocês passem um tempo considerável conversando sobre como será maravilhoso quando finalmente se casarem. A seguir você lerá a carta que uma jovem escreveu para seu noivo apenas seis semanas antes de se casarem. Ao contrário dela, ele tivera experiência sexual, e ela notou a ansiedade dele para saber se ela seria sexualmente responsiva no casamento, especialmente porque, via de regra, era ela quem batia o pé para que eles não fossem longe demais.

A coisa maravilhosa nesta carta é a maneira como a noiva ajuda seu futuro marido a esperar pela intimidade sexual, ao mesmo tempo que cria expectativas para o leito conjugal.



Querido futuro marido

Feliz aniversário! Já se deu conta de que hoje faz exatamente dois anos que nos conhecemos? Tenho de confessar que jamais imaginei que pudesse encontrar um homem com quem me sentisse tão completamente à vontade como me sinto com você. Durante anos lutei com a ideia de que algum dia teria de me casar simplesmente porque essa era a coisa a se fazer. Nunca falei a ninguém sobre isso, mas jamais consegui entender por que alguém desejaria fazer sexo — até que encontrei você. Agora, tudo que posso fazer é manter minhas mãos longe do seu corpo!

Você fez brotar e despertou toda feminilidade que eu havia sepultado no fundo do meu coração. Você me fez querer ser a mulher que me tornei hoje. Quando me olha com aquele ar maroto, você faz meu coração sorrir e palpitar. Eu praticamente derreto de amor por você e o desejo muito.

Daqui a seis semanas, serei sua esposa. Nos dias de hoje, quando todo mundo tem de “se encontrar”, mal posso esperar para ser uma parte de você. A ideia de ser sua esposa me deixa animada e orgulhosa. O que torna tudo isso ainda mais especial é que você se esforçou bastante para nos manter puros. Acho que nunca lhe disse isso de verdade, mas para mim é muito difícil não querer tocá-lo inteiro. Preciso admitir: às vezes me pego fantasiando, eu, totalmente nua, enrolada em seus braços, e nós dois entregando-nos inteiramente um ao outro. Pense nisto: temos apenas seis semanas mais de espera e esse sonho se tornará realidade! Agora você já sabe, eu não pretendo reter nada, de modo que espero que esteja pronto!

Mas quero agradecer-lhe, do fundo do meu coração, por você ser tão disciplinado e por me amar da maneira como me ama, de modo que podemos entrar em nosso casamento com o começo mais positivo e sadio possível. Não consigo lhe dizer quanto seu amor significa para mim, e como você mudou toda a perspectiva que eu tinha sobre a vida. Nunca pude me imaginar desejando me entregar a um homem da maneira como quero me dar a você (você deve estar sorrindo neste momento enquanto lê esta mensagem). Amo você completamente.

Sua para sempre,

Anne



Que carta maravilhosa e que grande exemplo de como uma mulher pode dizer a um futuro marido um pouco impaciente como ela está ansiosa por explorar as delícias da intimidade sexual, ao mesmo tempo que também reforça a importância de esperar.

Alguns dos leitores casados podem ter percebido que, por conta de seu regulamento ou de seu passado sexual, não entregaram uma parte de si mesmos ao cônjuge. Você não entregou o corpo a seu cônjuge da maneira que esta mulher está prometendo entregar-se a seu futuro marido. Talvez você esteja sendo condescendente, mas não desejoso. Você sabe que não está investindo o tempo e a energia que seu marido ou esposa merece. Você permitiu que sua intimidade sexual diminuísse e, francamente, você considerou que o compromisso e a fidelidade de seu cônjuge eram favas contadas.

Posso lhe sugerir que escreva uma carta semelhante? Verifique o que você está retendo, peça perdão a seu cônjuge e então lhe diga o que espera fazer. Não deixe o passado ditar seu futuro. Seu Criador quer que você tenha uma vida sexual estimulante e plena. Com o perdão dele e um pouco de esforço da sua parte para encarar seu passado com honestidade, você pode mudar seu regulamento. Você pode se tornar o tipo de amante que deseja ser e que sabe que seu cônjuge merece.

O que está esperando?


(Kevin Leman - Entre Lençóis)

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publicado às 14:28



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