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TRÊS ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA

por Thynus, em 29.01.16
Tome cuidado com o que você ouve - pode ser que estejam lavando o seu cérebro.
Tome cuidado com que você vê - pode ser que estejam lavando seu cérebro.

Tome cuidado com o que você fala - pode ser que você esteja lavando o cérebro de alguém.

Tome cuidado com o que você escreve - pode ser que você esteja lavando o cérebro de alguém.

 
A (Des)Informação modela o seu cérebro
 
 
Ao longo da evolução, nossos ancestrais desenvolveram três estratégias fundamentais para garantir sua sobrevivência.
• Criar diferenciações – para estabelecer limites entre si e o mundo e entre um estado mental e outro.
• Manter a estabilidade – com o intuito de manter os sistemas físico e mental em um equilíbrio saudável.
• Abrir-se a oportunidades e fugir de ameaças – para obter coisas que propiciem a descendência e resistir àquelas que ameacem a prole.
Essas estratégias funcionaram bem para a sobrevivência, mas a Mãe Natureza não se importa com a forma como são sentidas.
Para motivarem os animais, incluindo nós mesmos, a seguir essas estratégias e transmitir seus genes para as gerações seguintes, as redes neurais evoluíram para criar dor e angústia sob certas condições: quando as diferenciações falham, a estabilidade é abalada, oportunidades são frustradas e ameaças são iminentes. Infelizmente, situações como essas acontecem o tempo todo, pois:
• tudo está conectado;
• as coisas estão em constante mutação;
• as oportunidades ou não são aproveitadas ou perdem seu encanto, e muitas ameaças são inevitáveis (como o envelhecimento e a morte).

NÃO TÃO SEPARADOS
Os lobos parietais estão localizados na parte posterior mais alta da cabeça. Para a maioria das pessoas, o lobo esquerdo determina que o corpo é diferente do mundo, e o direito indica onde o corpo é comparado a características de seu meio. O resultado é uma suposição automática e obscura do tipo Sou um ser isolado e independente. Embora isso seja verdade em algumas situações, em muitas circunstâncias importantes não é.

Não tão distintos
Para viver, o organismo precisa metabolizar: trocar substâncias e energia com seu ambiente. Consequentemente, ao longo de um ano, muitos dos átomos do corpo são substituídos por outros. A energia usada para beber um copo de água vem da luz solar que chega por meio da cadeia alimentar – no fim, a luz é que ergue o copo até seus lábios. O aparente muro entre seu corpo e o mundo é mais parecido com uma cerca vazada. E entre a mente e o mundo é algo como uma linha pintada na calçada. A linguagem e a cultura penetram e moldam sua mente desde o momento em que nasce (Han e Northoff 2008). A empatia e o amor sintonizam você naturalmente a outras pessoas, então sua mente e a delas entram na mesma frequência (Siegel 2007). Esses fluxos de atividade mental seguem em ambas as direções à medida que você influencia os outros.
Dentro da mente, não há nenhuma linha. Todos os conteúdos circulam uns para dentro de outros, sensações viram pensamentos, sentimentos, desejos, ações e mais sensações. Essa corrente de consciência se correlaciona com uma cascata de circuitos neurais transitórios, cada um se desfazendo e formando o próximo, geralmente em menos de um segundo (Dehaene, Sergent e Changeux 2003; Thompson e Varela 2001).

Não tão independentes
Estou aqui porque um sérvio nacionalista assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, desencadeando a Primeira Guerra Mundial – o que, por sua vez, levou ao improvável encontro entre meu pai e minha mãe num baile do exército em 1944.
Logicamente, há um milhão de razões para que qualquer pessoa esteja neste mundo hoje. Até que ponto do passado conseguimos chegar? Meu filho – que nasceu com o cordão umbilical enrolado no pescoço – está entre nós graças à tecnologia desenvolvida ao longo de centenas de anos.
Ou podemos ir bem mais longe: a maior parte dos átomos do corpo nasceu dentro de uma estrela. No universo remoto, o hidrogênio era praticamente o único elemento. As estrelas são reatores nucleares gigantescos que agitam átomos de hidrogênio, produzindo elementos mais pesados e liberando grande quantidade de energia no processo. Aqueles átomos da explosão da estrela nova lançaram seus conteúdos para todos os lados. Com o tempo, nosso sistema solar começou a se formar, e em cerca de 9 bilhões de anos a partir da origem do universo, havia átomos grandes em número suficiente para compor o planeta, as mãos que seguram este livro e o cérebro que compreende estas palavras. Na verdade, você só está aqui porque várias estrelas explodiram. Seu corpo é composto de poeira estelar.
Sua mente também depende de incontáveis causas anteriores. Pense nos acontecimentos da vida e nas pessoas que ajudaram a formar suas opiniões, sua personalidade, suas emoções. Imagine se tivesse sido trocado na maternidade e criado por lojistas pobres no Quênia ou por uma família abastada da área de petróleo no Texas – até que ponto sua mente seria diferente hoje?

O sofrimento da diferenciação
Como estamos todos conectados e temos uma relação de dependência mútua com o mundo, nossas tentativas de afastamento e independência são constantemente frustradas, o que produz sinais dolorosos de perturbação e ameaça. Mesmo quando nossos esforços são temporariamente bem-sucedidos, ainda causam sofrimento. Se você considera o mundo como “Não sou eu, de jeito nenhum”, isso pode ser arriscado, levando você a temê-lo e a resistir a ele. Mas, se você disser “Eu sou este corpo separado do mundo”, as fragilidades do corpo se tornarão suas. Se pensa que ele é uma carga muito grande ou que não parece bem, você sofre. Se ele é ameaçado por doença, envelhecimento ou morte – como são todos os corpos –, você sofre.
Somos sistemas dinamicamenteinconstantes
 

NÃO TÃO PERMANENTE
O corpo, o cérebro e a mente têm diversos sistemas que devem manter um equilíbrio saudável. O problema, no entanto, é que diversas mudanças perturbam continuamente esses sistemas, gerando sinais de ameaça, dor e angústia – ou seja, sofrimento.

Somos sistemas dinamicamente inconstantes
Vamos considerar um único neurônio, que libera o neurotransmissor serotonina. Esse minúsculo neurônio é ao mesmo tempo parte do sistema nervoso e um sistema complexo em si, que requer múltiplos subsistemas para se manter em funcionamento. Quando ele dispara, filamentos na extremidade de seu axônio liberam uma explosão de moléculas nas sinapses – as conexões – com outros neurônios. Cada dendrito contém em torno de duzentas pequenas bolhas chamadas vesículas, que são cheias do neurotransmissor serotonina (Robinson 2007). Sempre que o neurônio dispara, entre cinco e dez vesículas liberam seu conteúdo. Como um neurônio típico dispara cerca de dez vezes por segundo, as vesículas de serotonina de cada filamento são esvaziadas em intervalos curtíssimos.
Como consequência, atarefadas maquininhas moleculares devem produzir nova serotonina ou reciclar aquela que flutua solta ao redor do neurônio. Então, elas precisam formar vesículas, enchê-las com serotonina e deslocá-las para onde a ação ocorre, na ponta de cada filamento. São muitos os processos a ser mantidos em equilíbrio, com diversos fatores passíveis de dar errado – isso porque o metabolismo da serotonina é apenas um dos milhares de sistemas do corpo.

(Rick  Hanson com Richard Mendius - O Cérebro de Buda, neurociência prática para a felicidade)

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publicado às 17:20


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