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Não consigo conceber um Deus pessoal que tenha influência direta nas ações dos indivíduos ou que julgue as criaturas da sua própria criação... Minha religiosidade consiste numa humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se revela no pouco que conseguimos compreender sobre o mundo passível de ser conhecido. Essa convicção profundamente emocional da presença de um poder superior racional que se revela nesse universo incompreensível forma a minha ideia de Deus.
(Einstein) 
 
A emoção mais bela que podemos experimentar é o sentimento do mistério. É a emoção fundamental que está no berço de toda a verdadeira arte e ciência. Aquele que desconhece essa emoção, aquele que não consegue mais se maravilhar, ficar arrebatado pela admiração, é como se estivesse morto, é uma vela que foi apagada. Sentir que por trás de qualquer coisa que possa ser experimentada há algo que nossa mente não consegue captar, algo cuja beleza e solenidade nos atinge apenas indiretamente: essa é a religiosidade. Nesse sentido, e apenas nesse sentido, sou devotamente religioso.
 
 

(Para encontrar o nosso lugar no cosmos), para aprender a nele viver e nele inscrever as ações, é necessário antes conhecer o mundo que nos cerca. Essa é, como lhe disse, a primeira tarefa da teoria filosófica.
Em grego, ela se chama também theoria, e a etimologia da palavra merece nossa atenção: to theion ou ta theia orao significa “eu vejo (orao) o divino (theion)”, “eu vejo as coisas divinas (theia)”. Para os estoicos, de fato, a the-oria consiste exatamente em esforçar-se por contemplar o que é “divino” no real que nos cerca. Em outras palavras, a tarefa primeira da filosofia é ver o essencial do mundo, o que nele é mais real, mais importante, mais significativo. Ora, pela tradição que culmina no estoicismo, a essência mais íntima do mundo é a harmonia, a ordem, simultaneamente justa e bela, que os gregos designam pelo nome de cosmos.
Se você quer ter uma ideia exata daquilo que os gregos chamavam de cosmos, o mais simples é imaginar o todo do universo como se fosse um ser organizado e animado. Para os estoicos, de fato, a estrutura do mundo, ou, se você preferir, a ordem cósmica, não é apenas uma organização magnífica, mas também uma ordem análoga à de um ser vivo. O mundo material, o universo todo, é, no fundo, como um gigantesco animal do qual cada elemento — cada órgão — seria admiravelmente concebido e agenciado em harmonia com o conjunto. Cada parte do todo, cada membro desse corpo imenso está perfeitamente ordenado e, salvo catástrofe (às vezes elas acontecem, mas duram pouco e logo tudo volta à ordem), funciona de maneira impecável, no sentido próprio da palavra, sem defeito, em harmonia com os outros: é o que a teoria deve nos ajudar a desvendar e conhecer.
Em francês [como em português] o termo cosmos deu, entre outras, a palavra cosmético. Na origem, é a ciência da beleza dos corpos, que deve estar atenta à justeza das proporções, e, posteriormente, à arte da maquilagem que deve pôr em relevo o que é “benfeito” (e dissimular, caso seja necessário, o que é menos...). É essa ordem, esse cosmos como tal, essa estrutura ordenada do universo todo que os gregos chamam de “divino” (theion), e não, como para os judeus ou os cristãos, um Ser exterior ao universo, que existiria antes dele e que o teria criado.
É, pois, esse divino, que não tem nada de um Deus pessoal, mas se confunde com a ordem do mundo, que os estoicos nos convidam a contemplar (theorein) com a ajuda de todos os meios apropriados — por exemplo, estudando ciências específicas, a física, a astronomia ou a biologia e, além disso, multiplicando as observações que nos mostram como o universo todo (e não apenas esta ou aquela parte) é “benfeito”: o movimento regular dos planetas, a estrutura do menor organismo vivo, do mais ínfimo inseto, provam ao observador atento, àquele que pratica inteligentemente a “teoria”, como a ideia de cosmos, de ordem justa e bela, descreve de maneira adequada a realidade que nos cerca, desde que saibamos contemplá-la como convém.
Pode-se, portanto, dizer que a estrutura do universo não é apenas “divina”, perfeita, mas também “racional”, de acordo com o que os gregos chamam de logos (termo que dará em francês [como em português] a palavra “lógica”) e que designa justamente essa ordenação admirável das coisas. É por isso, aliás, que nossa razão vai se revelar capaz, justamente no exercício da theoria, de compreendê-la e decifrá-la, exatamente como um biólogo compreende a “significação” ou a função dos órgãos de um corpo vivo que ele disseca.
Para os estoicos, abrir os olhos para o mundo era, assim como para um biólogo, abrir os olhos para o corpo de um rato ou de um coelho, a fim de descobrir que tudo nele é perfeitamente “benfeito”: o olho admiravelmente constituído para “ver bem”, o coração e as artérias para bem irrigar todo o corpo com o sangue que o faz viver, o estômago para digerir os alimentos, os pulmões para oxigenar os músculos etc. Tudo isso é, para os estoicos, ao mesmo tempo lógico, racional no sentido do logos, e “divino”, theion. Por que esse termo? Não é para significar que um Deus pessoal teria criado todas essas maravilhas, mas, de preferência, para marcar o fato de que, primeiramente, se trata de maravilhas, e que nós também, os seres humanos, não somos absolutamente seus autores ou inventores. Ao contrário, nós apenas as descobrimos já completas, sem tê-las nós mesmos criado. O divino é o não humano quando é maravilhoso.
É o que Cícero, uma de nossas principais fontes para o conhecimento do pensamento dos primeiros estoicos, cujas obras, como já disse, foram quase todas perdidas, sublinha no ensaio dedicado à natureza dos deuses (I, 425). Nessa obra, ele caçoa dos pensadores, como Epicuro, segundo os quais o mundo, em oposição ao que dizem os estoicos, não é um cosmos, uma ordem, mas, ao contrário, um caos. Eis o que Cícero replica, justamente em nome do pensamento estoico:
Que Epicuro caçoe tanto quanto quiser [...] não deixa de ser verdade que nada é mais perfeito que o mundo... O mundo é um ser animado, dotado de consciência, inteligência e razão.
Citei esse pequeno texto para que você possa avaliar o quanto esse pensamento está afastado do nosso, de nós, Modernos. Se alguém hoje dissesse que o mundo é animado, quer dizer, que possui uma alma, e que a natureza é dotada de razão, passaria certamente por louco. Mas, se compreendemos bem os Antigos, o que queriam dizer não tem nada de absurdo: ao afirmar o caráter divino do universo todo, eles exprimiam sua convicção de que uma ordem “lógica” operava por trás do caos aparente das coisas, e que a razão humana poderia trazê-la à luz.
Aproveito para lhe dizer que é exatamente essa ideia, segundo a qual o mundo possui uma espécie de alma, que é como um ser vivo, que mais tarde se chamará de “animismo” (da palavra latina anima, que quer dizer “alma”). Falarei também a respeito dessa “cosmologia” (concepção do cosmos), de “hilozoísmo”, que quer dizer, literalmente, que a matéria (hylè) é como um animal (zoon), um ser vivo. É também a essa doutrina que daremos o nome de “panteísmo” (da palavra grega pan, que significa “tudo”, e theos, Deus), já que a totalidade do mundo é divina, e não um ser exterior ao mundo, que o teria criado, por assim dizer, de fora.
Se lhe apresento esse vocabulário, acredite que não é por gosto pelo jargão filosófico, mas, ao contrário, para que você possa ler as obras dos grandes autores sem ser impedido pela barreira, no fundo muito simples, desses termos “técnicos” que muitas vezes impressionam mais do que esclarecem.
Do ponto de vista da theoria estoica, o cosmos é, pois, com exceção de alguns episódios acidentais e provisórios que são as catástrofes, essencialmente harmonioso — o que terá, daqui a pouco veremos por quê, consequências importantes no plano “prático” (ou seja, nos planos moral, jurídico e político). É justamente porque a natureza inteira é harmoniosa que em certa medida vai poder servir de modelo de conduta aos homens. Assim, o famoso imperativo segundo o qual é preciso imitá-la em tudo vai poder se aplicar não apenas ao plano estético, da arte, mas também ao da moral e ao da política. Essa ordem harmoniosa, exatamente em razão dessa característica primeira, só pode ser justa e boa, como insiste Marco Aurélio em seu livro intitulado Meditações: Tudo o que acontece, acontece justamente; é o que descobrirás se observares as coisas com exatidão [...] como se alguém vos concedesse vossa parte segundo o que mereceis. Marco Aurélio pensa que a natureza, pelo menos em seu funcionamento normal, excetuando-se os acidentes ou catástrofes que às vezes nos submergem, faz justiça a cada um, tendo em vista que ela nos dota, quanto ao essencial, daquilo de que precisamos: um corpo que permite que nos movamos no mundo, uma inteligência que possibilita nossa adaptação a ele, e riquezas naturais que nos bastam para nele viver. De modo que, nessa grande partilha cósmica, cada um recebe o que lhe é devido.
Essa teoria do justo anuncia uma fórmula que servirá de princípio a todo o direito romano: “dar a cada um o que é seu”, colocar cada um em seu lugar — o que supõe consequentemente que haja para cada um como que um “lugar”, um “lugar natural”, como dizem os gregos, no seio do cosmos, e que esse próprio cosmos seja justo e bom. Você entende que, sob essa ótica, uma das finalidades últimas da vida humana será encontrar seu justo lugar no seio da ordem cósmica. Para a maioria dos pensadores gregos — com exceção dos epicuristas —, é perseguindo essa busca, ou melhor, realizando essa tarefa, que se pode conquistar a felicidade e a vida boa. Numa perspectiva análoga, a theoria possui também, de modo implícito, uma dimensão estética, já que a harmonia do mundo que ela desvela torna-se um modelo de beleza para os humanos. Evidentemente, assim como existem catástrofes naturais que parecem enfraquecer a ideia de que o cosmos seria justo e bom — mas dissemos que elas sempre são acidentes transitórios —, existem também no seio da natureza coisas que, pelo menos à primeira vista, parecem feias, até mesmo horríveis. É preciso, no entanto, segundo os estoicos, saber vencer as impressões imediatas e não permanecer na perspectiva comum das pessoas que não refletem. É isso que Marco Aurélio exprime com muita força em suas Meditações:
A juba do leão, a espuma que escorre da goela do javali, e muitas outras coisas, se observamos detalhadamente, sem dúvida estão longe de ser belas, e, no entanto, porque derivam do fato de terem sido engendradas pela natureza, são um ornamento e possuem encanto; se nos apaixonássemos pelos seres do universo, se tivéssemos uma inteligência mais profunda, sem dúvida, todos eles nos pareceriam sempre criaturas agradáveis. Mesmo em velhos e velhas, poderemos encontrar uma certa perfeição, uma beleza, como encontramos na graça infantil, se tivermos os olhos de um sábio.
Trata-se da mesma ideia que já se encontra em um dos maiores filósofos gregos no qual o estoicismo se inspira, Aristóteles, quando denuncia a ilusão daqueles que julgam o mundo mau, feio ou desordenado, porque só olham para o detalhe, sem chegar a uma inteligência conveniente da totalidade. Se as pessoas comuns pensam, de fato, que o mundo é imperfeito, é porque, segundo ele, cometem o erro de “dirigir ao universo todo observações que se referem apenas aos objetos sensíveis, e ainda assim poucos dentre eles. De fato, a extensão do mundo sensível que nos cerca é a única em que reinam a geração e a corrupção, mas ela nem chega, por assim dizer, a representar uma parte do todo. De modo que seria mais justo absolver o mundo sensível em benefício do mundo celeste do que condenar o mundo celeste por causa do mundo sensível”. Evidentemente, se nos limitamos a olhar nosso cantinho do mundo, não veremos a beleza do conjunto. Porém, o filósofo que contempla, por exemplo, o movimento admiravelmente regular dos planetas saberá elevar-se a um ponto de vista superior para compreender a perfeição do Todo do qual não somos senão um ínfimo fragmento.
Como você vê, nisso reside o caráter divino do mundo ao mesmo tempo imanente e transcendente.
Mais uma vez utilizo propositalmente as palavras do vocabulário filosófico porque elas lhe serão úteis mais adiante. Diz-se que uma coisa é imanente ao mundo, quando se situa em relação apenas a ele. Do contrário, diz-se que ela é transcendente. Nesse sentido, o Deus dos cristãos é transcendente em relação ao mundo, ao passo que o divino dos estoicos, que absolutamente não se situa em não sei que “além”, já que não é senão a estrutura harmoniosa, cósmica ou cosmética do próprio mundo, lhe é perfeitamente imanente.
O que não impede que, de outro ponto de vista, o divino dos estoicos possa ser do mesmo modo chamado de “transcendente”, não, com certeza, em relação ao mundo, mas em relação aos homens, tendo em vista que ele é radicalmente superior e exterior a eles. Estes, de fato, o descobrem maravilhados, pelo menos se são um pouco filósofos, mas não o inventam nem o produzem de modo algum.
A esse respeito, ouçamos Crisipo, aluno de Zenão e o segundo dirigente da escola estoica:
As coisas celestes e aquelas cuja ordem é sempre a mesma não podem ser feitas pelo homem.
Essas palavras são citadas por Cícero, que acrescenta, comentando o pensamento dos primeiros estoicos:
O mundo deve ser sábio, e a natureza, que comporta todas as coisas reunidas, deve exceder pela perfeição da razão [logos]; assim, o mundo é Deus, e o conjunto do mundo é englobado por uma natureza divina.
Podemos, pois, segundo os estoicos, dizer que o divino é “transcendência na imanência”, para melhor se perceber em que a theoria é uma contemplação de “coisas divinas” que, embora não inscritas em nenhum outro lugar a não ser no real, não deixam de ser inteiramente estranhas à atividade humana.
Gostaria que você observasse ainda, de passagem, uma ideia difícil, à qual voltaremos adiante, para melhor compreendê-la, mas que você já pode guardar num canto da memória: a theoria da qual nos falam os estoicos nos desvela, como acabamos de dizer, o mais perfeito e o mais “real” — o mais divino, no sentido grego — no mundo. Com efeito, você vê que o mais real, o mais essencial na descrição do cosmos, é sua ordenação, sua harmonia — e não o fato de que, em certos momentos, ele tenha defeitos, como por exemplo os monstros, ou as catástrofes naturais. É nisso que a theoria, que nos revela tudo isso e nos oferece meios de compreendê-lo, é ao mesmo tempo o que os filósofos chamarão mais tarde de “ontologia” (uma doutrina que define a estrutura ou a “essência” mais íntima do Ser) e uma teoria do conhecimento (um estudo dos meios intelectuais pelos quais se chega a esse conhecimento do mundo).
É importante perceber que a theoria filosófica, entendida nesse duplo sentido, não é redutível a uma ciência particular como a biologia, a astronomia, a física ou a química, por exemplo. Porque, embora recorra constantemente às ciências positivas, ela mesma não é nem experimental nem limitada a um objeto particular. Por exemplo, ela não se interessa apenas pelo ser vivo, como a biologia, ou apenas pelos planetas, como a astronomia, nem mesmo apenas pela matéria inanimada, como a física, mas tenta captar a essência ou a estrutura interna da totalidade do mundo. É algo bastante ambicioso, sem dúvida, e isso pode até mesmo parecer completamente utópico em face de nossas atuais exigências científicas. Contudo, a filosofia não é uma ciência entre outras, e mesmo que ela deva levar em conta os resultados científicos, seu propósito fundamental não é de ordem científica. Ela busca um sentido para este mundo que nos cerca, elementos que nos permitam nele inscrever nossa existência, e não apenas um conhecimento objetivo. Tudo isso ainda é bem difícil de se captar no estágio em que nos encontramos. Você pode, por enquanto, deixar esse aspecto de lado, mas saiba que precisaremos voltar a ele para demonstrar com precisão a natureza da diferença entre a filosofia e as ciências exatas. De qualquer modo, estou certo de que você já pressente que essa theoria, contrariamente às nossas ciências modernas que são, por princípio, “neutras”, visto que descrevem o que é e nunca o que poderia ser, vai ter implicações práticas nos planos moral, jurídico e político. É claro que a descrição do cosmos que acabamos de evocar não poderia deixar indiferentes os homens que se interrogam sobre o melhor modo de conduzir suas vidas.

(Luc Ferry - Aprender a Viver)

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