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TEM… ALGO… LÁ… FORA

por Thynus, em 24.04.17
Você conhece esses desenhos ambíguos – por exemplo, aquele que, de um modo, parece uma jovem e, de outro, parece uma velha? Digamos que é tentador imaginar qual é a figura verdadeira, mas, claro, a resposta é nenhuma das duas, ou ambas: depende como você, o observador, a vê.
Mas também depende todo o resto.
Compare a diferença entre ouvir um idioma que você entende e outro que não entende. Quando você ouve português, ouve palavras ou talvez até significados; quando ouve urdu, só ouve sons. Mas a diferença não está nos seus ouvidos, mas sim na sua mente, que pode interpretar os primeiros sons, mas não os segundos.
Da mesma maneira, meu gato vai olhar para meu computador e não verá um computador. Quando ele se espalha sobre minha mesa, não vê nem os papéis importantes que está empurrando para a ponta, nem minha irritação quando eu o empurro para a ponta da mesa. O problema não é que ele seja cego. O problema é que não possui esses conceitos relevantes: computador, papéis etc. No máximo, o que vê é algo como um padrão de luzes e cores. Sua mente limitada não consegue interpretar esses padrões como nós, que temos esses conceitos.
Na verdade, nós não conseguimos apreciar quanto trabalho nossas mentes fazem para construir nossa experiência do mundo. O mundo “objetivo” supostamente consiste em objetos físicos estáveis, que possuem propriedades “em si”, independentemente da percepção que os outros tenham deles. Mas sua experiência sensorial na verdade não fornece nada disso! O que os seus olhos “veem”, estritamente falando, é esta vasta flutuação de padrões de luzes e cores. É a sua mente, aplicando seus conceitos, que interpreta esses padrões – que parecem com mesa de jantar, uma banana no chão e as meias sujas das crianças.
Não estou dizendo que não existe um mundo fora das nossas mentes. Existe; mas o que esse mundo é, os precisos objetos que ele contém, em algum sentido “depende de nós”, de como nós, com quaisquer conceitos que possamos ter, interpretamos nossas sensações. Assim como “o que” você vê quando olha para uma imagem ambígua depende de como a olha, também, em outras palavras, acontece quando vê outras coisas em outros lugares. Há, na verdade, algo lá fora – mas o que é, exatamente, depende de quem está observando.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

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publicado às 22:09



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