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A sexualidade e o prazer sempre esteve muito próximo da Igreja, assim como uma extensa gama de implicações das duas realidades íntimas do elemento humano. São poucos os que duvidam de que a sexualidade na Igreja não tem credibilidade e que haja conflito a respeito. A sexualidade é uma espécie de patologia do cristianismo e da Igreja, para tanto basta mencionar o celibato (solteirismo) obrigatório dos presbíteros (que refuta a tradição e o princípio da autoridade, os jejuns, o Purgatório, os votos monásticos. Lutéro em rebeldia sacrílega destruia todas as crenças que constituía a alma da Idade Média), a valorização moral dos métodos de controle da natalidade e o trato pastoral aos divorciados que voltaram a se casar e seus filhos, o casamento de homossexuais, etc., a influência do estoicismo que só aceita o prazer sexual quando orientado para a procriação, o dualismo platônico, entendendo que o corpo é o cárcere da alma, o néo-platonismo com verdadeiras aberrações, além de assuntos não inerentes ao cotidiano religioso e que foram preocupações de Agostinho, Clemente de Alexandria, Tomás de Aquino e outros, além do ascetismo e a castidade como meios privilegiados para alcançar a vida pura e mais apta à contemplação.

Anedoticamente podemos contar o que se passava com uma personagem de Gabriel Garcia Márquez, que devia abster-se de toda relação sexual no domingo para comemorar a ressurreição de Cristo; segunda-feira, por ser consagrada aos mortos; quinta-feira por comemorar a paixão de Jesus; sexta-feira, por comemorar sua morte e o sábado, para honrar a Virgem. Terças e quarta-feiras ganhava o consentimento para a prática sexual. Parecia haver aí o dedo de Wilhelm Reich, que pretendia chegar à total superação de toda repressão sexual para encontrar desse modo o chamado “homem natural”.
A discussão sobre o celibato dos padres é deveras curioso. Não se pode  esquecer o romance entre a freira Lucrezia Buti e o pintor renascentista Fra Filippo Lippi (1406-1469). Em 1421, depois de fazer seus votos de monge carmelita no monastério de Santa Maria del Carmine, em Florença, Lippi descobriu sua vocação para a pintura e isto após interessar-se pelos afrescos de Masaccio (1401-1428) da capela local. Financiado pela família Médici, o artista executou trabalhos para conventos e igrejas. Em 1456, enquanto pintava no convento de Santa Margherita, em Prato, apaixonou-se pela freira Lucrezia. Esta posou  para um quadro do pintor como uma Madonna (em italiano: minha senhora!). O relacionamento escandaloso de ambos não foi oficializado até 1461, quando o papa Eugene, amigo de Lippi, o liberou de seus votos. O casal teve dois filhos, Alessandra e Filippino (1457-1504) que tornou-se pintor como o pai.
Na Igreja brasileira constam inumeros casamentos de religiosos. Este assunto mexe nos dias de hoje com a Igreja. No episódio em que Eva, a primeira mulher, desobedece a Deus e morde a fruta da árvore proibida, há metaforicamente uma reflexão sobre as conseqüências das escolhas que as pessoas fazem pela vida afora.

(Albertino Aor da Cunha – “A Mentira Nua e Crua”)

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publicado às 20:32

Quase todos os sacerdotes e religiosos (até há poucos anos) entravam no seminário menor aos 10-11 anos de idade, ou seja, depois do ensino básico. Como se preparavam para uma vida em que teriam de permanecer celibatários, logo nessa idade era negado qualquer impulso sexual, reprimido, racionalizado e, muitas vezes, não recebiam uma educação consentânea ao assunto sexo que era até visto como tabu, cada um se desenrascava por conta própria, uns melhor e outros pior. Não se educava, reprimia-se mesmo porque a sexualidade não podia encontrar espaço para expressão num ambiente fechado feito só para rapazes sem qualquer contato com o sexo oposto. Estes rapazes não tiveram condições de ter um bom desenvolvimento psicossexual como acontecia normalmente com os seus coetâneos. A repressão da sexualidade, a supressão da afetividade, a aridez emocional, a negação e demonização dos impulsos sexuais naturais que fazem as pessoas crescer e amadurecer e contribuir significativamente para a construção da sua identidade em relação ao outro foram substituídas por dados intelectuais, racionais que eram relacionados com conteúdos de fé e ideais de vida demasiado elevados e abstratos para aquela idade, e, deste modo, geradores de sentimento de pecado, identidade sexual não resolvida e agressividade reprimida.

Esses ambientes criaram pessoas afetiva e emocionalmente imaturas que se projetam em forma desviada em meninos e meninas da idade na qual o que seu crescimento foi bloqueado. É verdade que são anagraficamente adultos, mas também é verdade que a sua idade sexual e emocional se manteve fixa na fase da pré-adolescência ou da adolescência.

A pedofilia, pelo menos olhando para as queixas e as pessoas envolvidas no âmbito eclesiástico, é, em grande parte, obra de pessoas com tendências homossexuais e, portanto, envolve mais meninos que meninas. Mas nem por isso é honesto dizer-se que o celibato não tem nada a ver com a maioria dos casos de pedofilia.

Talvez haja muitos padres com tendências homossexuais porque nunca atingiram e passaram a fase de desenvolvimento em que os rapazes aprendem a relacionar-se com o sexo oposto, algo que para o adolescente é um obstáculo que deve superar e aprender a gerir . Abrir-se ao sexo oposto é um dos passos mais importantes da maturação sexual.

No seu livro Padres Amantes, o ex-padre F. Mariano Rodrigues fala que "a perturbação dos padres, pelo fato de conviverem o tempo todo com a sensualidade de suas ovelhas e não poderem toca-las, nem ao menos olha-las os leva para o caminho invariável do homossexualismo como válvula de escape para suas emoções sexuais reprimidas." O mesmo autor descreve a posição dos "padres, que durante a confissão dos fiéis se excitam com a narrativa dos pecados, ficam com seus membros eretos e muitos até se masturbam durante o ato sagrado da confissão. Outros padres se servem das freiras, que trabalham como suas secretarias em várias paróquias, todas belas e sensuais, jovens em sua maioria, se entregam com volúpia e lascívia perpetrando o jogo proibido(e, como tal, apetecido) do sexo entre os filhos do Senhor."

Como sabemos, os seminários bem como a imposição do celibato eclesiástico (tal como os confessionários) são frutos do obscurantismo medieval da Igreja. Não será hora da Igreja romana repensar a sua posição intransigente a respeito da sexualidade, da confissão auricular e da obrigatoriedade do celibato?
"É preciso que se entenda que a "castidade" não é e nem poderia jamais ser objeto de um "voto"; ou o homem é casto, ou o homem não é casto. Não se pode dominar essa prodigiosa força (sexual) através de um simples voto (uma intenção). E necessário que o homem se situe em uma esfera consciencial, muitíssimo elevada, para que possa transcendê-la. Todavia, não seria essa mesma esfera consciencial a que se poderia esperar, normalmente, de um verdadeiro "Representante de Deus"? No entanto, esse não é, em absoluto, o caso desses sacerdotes de "Cristo" que, em realidade, não passam de homens comuns que, conduzidos a essa elevada posição (?), vêem-se forçados a essa, absolutamente, desnecessária repressão sexual representada pela exigência do celibato. Como consequência disso, acabam por cair, invariavelmente, na prática desses desvios, abusos e aberrações" (in Regnum, Carlos Alberto Gonçalves).

Na mesma linha de pensamento, António Farjani, "A linguagem dos deuses", escreve:
O fato de essa energia transcendental advir da primitiva energia sexual é que deu origem à superstição de que o sexo é pecaminoso, tal como apregoa a religião cristã. A abstinência sexual dos iluminados não é professada por questões da moral profana, e sim como um recurso de canalizar energia para se obter um estado superior de consciência, que não é atingido sem se pagar um certo preço. A castidade imposta "de fora para dentro" através de regras morais obtusas, tal como a que se impõe aos padres católicos, não possui a menor utilidade prática nem tem o menor valor espiritual. Como já disse o próprio Paulo de Tarso, "é melhor casar-se do que viver abrasado". 
Arnaldo Jabor (Amor é Prosa, Sexo é Poesia) afirma que "A pedofilia na Igreja é conseqüência direta do celibato. É óbvio que se a força máxima da vida é esmagada, a Igreja vira uma máquina de perversões. Claro. E de homossexualismo, visível em qualquer internato religioso." E continua:  "Outro dia, o Contardo Calligaris escreveu com precisão que a pedofilia não está só na carne do jovem assediado; a pedofilia é mais geral, abstrata, no prazer do domínio sobre os mais fracos, na pedagogia infantilizante das jovens ovelhas — como nos chamam os pastores de Deus — imoladas em sua inocência. Eu vi o diabo naquele colégio: rostos angustiados, berros severos e excessivos nas aulas, castigos sádicos, perseguições a uns e carinhos protetores a outros. Eu mesmo fui assediado por um padre famoso (do qual muitos colegas meus da época se lembram) que era notório comedor de menininhos: ele fazia mágicas e teatrinhos, para ser popular entre os meninos, e, um dia, tentou me beijar num canto da clausura. Criado na malandragem das ruas, fugi em pânico. E falei disso em confissão com outro padre, que mudou de assunto, como se fosse uma impressão minha, como se a pedofilia fosse uma prática necessária à manutenção do celibato, exatamente como os cardeais americanos estão fazendo hoje. O problema da Igreja com o sexo leva-a a uma compreensão quebrada da vida, leva-a a aceitar a Aids, a condenar o aborto, o controle social da natalidade e a outros erros maiores." E conclui: "Uma das grandes desvantagens da Igreja Católica diante de outras religiões é o celibato. Daí, em cascata, surgem problemas que justificam a queda do prestígio da Igreja na era do espetáculo e da desconstrução de certezas. Rabinos casam, pastores protestantes casam. Budistas do it, xintoístas do it,hindus do it, mesmo muçulmanos do it. Let's do it, pobres padres trêmulos de desejo, no meu remoto passado jesuíta e no presente do sexo massificado."

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publicado às 11:03


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