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Padres gays, orgias e filhos clandestinos são parte da rotina do Vaticano, descreve jornalista italiano em livro

"Os dois acompanhantes lhe homenageiam, espremendo-o no meio, em um sanduíche. Envolvem-no em uma dança muito sensual. Esfregam-se, rodeiam, esmagam-se, abrem a sua camisa, o acariciam, tocam nele. Dirty dancing a três em uma variação homossexual. O grupo olha para eles de cima a baixo. Apreciam. Aplaudem. Incitam. Assobiam. Cutucam. O francês [no meio dos acompanhantes] é um padre. Poucos dias antes havia celebrado a missa da manhã na basílica de São Pedro. No Vaticano."
A cena é de uma festa em Roma, uma entre as muitas nas qual padres, bispos e cardeais exercem a sexualidade que as regras da sua própria Igreja Católica restringem e condenam, de acordo com a descrição feita pelo jornalista italiano Carmelo Abbate em seu novo livro, "Sex and the Vatican -  viaggio segreto nel regno dei casti" (em tradução livre, "Sexo e o Vaticano - viagem secreta no reino dos castos").
O fenômeno da sexualidade na Igreja Católica, segundo o autor, é gigantesco e complexo. Fazem parte deste mundo os padres gays que optam por uma vida dupla; os sacerdotes que se relacionam com mulheres clandestinamente; e mesmo os filhos desses relacionamentos, que são abortados, escondidos ou privados de um pai pela vida inteira, para que se evite escândalos.
“Entre os sacerdotes que não respeitam a castidade, há muitos que têm uma verdadeira vida paralela, uma companhia fixa com a qual não apenas fazem sexo, mas com quem vivem uma vida escondida, como marido e mulher", afirmou Abbate, em uma entrevista exclusiva ao UOL Notícias.
O jornalista conta que a investigação, nascida de uma reportagem publicada na revista italiana "Panorama", terminou como um extenso mergulho nesse mundo, munido de uma câmera escondida para garantir "provas sobre aquilo que iria contar".
E apesar de ter seu foco em Roma, Abbate garante que o cenário que ele descreve não está restrito ao núcleo do Vaticano. "Da Alemanha à França, da Espanha à Irlanda, da Suíça à Áustria, da Polônia à África, da América Latina aos Estados Unidos e ao Canadá. Acontece a mesma coisa em toda parte do mundo", afirma.
Procurada pela reportagem, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disse que não tinha conhecimento do livro e por isso não poderia comentar os temas citados.

Acompanhe os principais trechos da entrevista.

UOL Notícias: Em seu livro, o senhor denuncia vários casos de padres que têm uma vida religiosa tradicional ao mesmo tempo em que também exercem sua sexualidade. Como o senhor fez a investigação para chegar a essas histórias? Qual era o seu objetivo em publicar o livro?
Carmelo Abbate: Realizei a reportagem com uma câmera escondida, isso com o objetivo de ter provas sobre aquilo que iria contar. O objetivo do meu trabalho é trazer à tona a vida escondida de grande parte do clero católico, como padres que têm uma vida sexual secreta, tanto homossexuais quanto heterossexuais. Há padres que têm uma companhia fixa e até mesmo filhos.
E me choca especialmente a atitude da alta hierarquia eclesiástica, o comportamento dos bispos, quando tomam conhecimento das relações secretas dos religiosos, as tentativas de convencer as mulheres a abortarem, dar o filho para adoção, os contratos que garantem o sustento e compram o silêncio das mães com relação à identidade dos pais destas crianças.
UOL Notícias: O senhor diz que o Vaticano conhece a questão dos padres gays e mesmo dos abortos. Quais são as verdadeiras dimensões do fenômeno?
Abbate: Coletar dados para dimensionar o fenômeno é uma tarefa difícil. Difícil porque, como é óbvio, não há estudos e tabelas oficiais, é preciso se contentar com estimativas parciais, que não têm a pretensão de trazer a verdade científica, mas que podem ajudar a entender quão grande é o terreno sobre o qual caminhamos.
As tentativas mais articuladas vêm dos Estados Unidos. Segundo vários estudos do psiquiatra Richard Sipe, ex-monge beneditino e ex-sacerdote, 25% dos padres americanos tiveram relações com mulheres depois da ordenação. Outros 20% estiveram envolvidos em relações homossexuais ou se identificam como homossexuais ou se sentiram em conflito com essa questão.
No Brasil, o Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris) realizou uma pesquisa anônima com 758 padres católicos: 41% admitiram ter tido relações sexuais. Metade se diz contrária ao celibato.
Vamos à Europa. Eugene Drewermann, escritor, crítico, teólogo e ex-padre, afirma que na Alemanha, em um total de 18 mil sacerdotes, pelo menos seis mil vivem com uma mulher.
O jornal “The Guardian” fala de milhares de casos de filhos de padres católicos no Reino Unido. Segundo Pat Buckley, bispo irlandês que fundou um grupo de apoio para amantes de padres, pelo menos 500 mulheres na Irlanda têm uma relação com um padre católico.
E na Itália? Nada de nada. Ninguém nunca tentou esboçar qualquer levantamento. E tente entrar em contato com os psiquiatras que acompanham os casos mais difíceis de padres envolvidos em affaires sexuais. Evitam você como se fosse a peste.
UOL Notícias: Então seria possível afirmar que este é um fenômeno presente no mundo inteiro?
Abbate: Da Alemanha à França, da Espanha à Irlanda, da Suíça à Áustria, da Polônia à África, da América Latina aos Estados Unidos e ao Canadá. Acontece a mesma coisa em toda parte do mundo, não só em Roma e nas vizinhanças do Vaticano.
UOL Notícias: O seu livro conta de padres que procuram espaços para expressar a sexualidade, seja em bares, seja na internet, com perfis secretos no Facebook nos quais assumem a homossexualidade, mas que ao mesmo tempo não desejam abandonar a vida religiosa. Depois de tudo que o senhor conheceu, como vê exigência do celibato?
Abbate: O celibato não funciona, é óbvio. Nunca funcionou. O sexo é onipresente. Estão envolvidos nesses casos não só padres, mas bispos e cardeais. A cultura do sigilo que permeia a Igreja existe há milênios, ditada pelos eclesiásticos. Os eclesiásticos são um círculo restrito que controla toda a igreja e detém todo o poder, e o poder exige um nível de sigilo. O resto do mundo que fique na ignorância.
UOL Notícias: O Vaticano nega os casos? Como reage a Igreja?
Abbate: Para o Vaticano, o centro do problema é o escândalo, não o pecado individual. Porque o escândalo vai além da questão individual e alcança a instituição, alimenta uma série de dúvidas fortes sobre quem é envolvido. O escândalo coloca o problema de uma Igreja que mantém a seu serviço aqueles que não cumprem com sua missão universal, aqueles que traem essa missão. Em resumo, o escândalo afugenta os fiéis da Igreja.
Durante o tempo em que estive envolvido com essa questão, entendi uma coisa: a Igreja não quer problemas. O respeito aos pobres fiéis ingênuos, salvo raríssimas exceções, é fator secundário. Muito diligente nas declarações de princípio, muito hipócrita nas questões práticas: esta é hierarquia vaticana. Esta é a Igreja de Roma. Seu primeiro mandamento é salvaguardar sua espécie, uma espécie a caminho da extinção.
 
Uma pesquisa com câmera escondida, seguida por testes rigorosos e controles cuidadosos. Durante 20 dias Carmelo Abbate, jornalista da revista Panorama, acompanhado por um "cúmplice" gay, se infiltrou nas noites quentes de alguns padres que, em Roma, levam uma vida dupla incrível: de dia são sacerdotes em trajes clericais, e à noite, tirando a batina, são homens perfeitamente integrados nos ambientes homossexuais da capital. Daqui emergiu uma investigação sobre o campo que permitiu descobrir um realidade inédita e deveras inquietante: sacerdotes que participam de festas noturnas com os homens escort; que têm relações homossexuais com parceiros casuais; que frequentar clubes de bate-papo e encontros gay.
 Neste texto a seguir, o autor descreve como Michele, um italiano gay de 25 anos, conhece um padre francês em uma sauna de Roma. (Tradução livre do original)

Michele passa. Olha. Eles se olham. Depois volta. Passa de novo. A mão agarra na toalha e o puxa para dentro de uma cabine.
Beijam-se, tocam-se, amam-se. Não é um encontro de sexo casual como de costume. Tudo é muito suave, tranquilo, educado, leve. Belo. Alcançado o orgasmo, a mão se esgueira até Michele. Aconchega-se ao seu lado, o abraça, em silêncio. Cochilam.
O despertar não é desconfortável. Apresentam-se, a mão quer saber o que Michele faz da vida, onde mora, quantos anos tem.
- "E você, de onde é?", diz Michele.
- "Sou francês", diz a mão.
- "E o que faz em Roma?", diz Michele.
- "Estudo teologia", diz a mão.
- "Ah, vá!", diz Michele.
- "Sim", diz a mão.
- "Legal", diz Michele.
- "Mas você entendeu?", diz a mão.
- "Claro", diz Michele.
- "Se quer me fazer uma pergunta, pode fazer", diz a mão.
- "Você é um padre?", diz Michele.
- "Sim", diz a mão. 
(...)
Michele pergunta como pode um padre não conseguir seguir o ensinamento da Igreja. Como pode não ser coerente com as coisas que prega no púlpito. Não julga. Pergunta. A mão não se esquiva. Responde. Quer ser compreendido. Fala da beleza e da grandeza do Senhor, da importância do credo. E de como um padre é antes de tudo um homem, e só depois um padre.
(Thiago Chaves-Scarelli)


Como é que o lóbi 'gay' conseguiu infiltra-se nos muros do Vaticano? Como é que a Igreja católica romana ficou refém do lóbi 'gay'? Talvez a resposta esteja no relato do livro de Carmelo Abbate.

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publicado às 17:00


Os escândalos e a renúncia do papa

por Thynus, em 02.05.13

 

 

Em meio aos infindáveis papéis dos Arquivos Secretos do Vaticano é possível encontrar pérolas que podem esclarecer (e muito) como funciona a máquina do estado católico.
O que mais intriga é saber o real valor que os documentos do secretariado, que são arquivados lá e não veem a luz do sol por muitas décadas, são tão cobiçados a ponto de protagonizar escândalos difíceis de ser esquecidos, como o famoso caso Vatileaks, apontado como uma das principais razões que levaram à renúncia do hoje papa emérito Bento XVI.

Vatileaks
Por muitos anos, Joseph Ratzinger teve de lidar com três fatores principais que resultaram em seu ato, que há muito não acontecia na história da Igreja Católica. Os boatos, muito antes de anunciar sua renúncia, eram que ele sofreria de uma doença terminal ou que estava sendo vítima de chantagem originada pelo roubo dos documentos do citado Vatileaks, que veio ao conhecimento público graças à ação da mídia em 2012.
Mas o que vem a ser esse caso? Em resumo: vários documentos secretos (que muitos pesquisadores e jornalistas acreditam terem sido enterrados nos Arquivos Secretos longe dos olhos públicos) revelaram a existência de uma ampla rede de corrupção, nepotismo e favoritismo relacionados a contratos super faturados, que beneficiavam a Cúria Romana, "o aparato burocrático do Vaticano, interessado em desestabilizar um grupo de cardeais", segundo a revista Veja (edição de 20 de fevereiro de 2013). O caso recebeu a denominação de Vatileaks de seu porta-voz oficial, Federico Lombardi, que comparou a repercussão com o fenômeno Wikileaks (de vazamento de informações confidenciais e delicadas de diversos governos e empresas).
O escândalo apareceu pela primeira vez quando o jornalista italiano Gianluigi Nuzzi publicou cartas de Cario Maria Viganò, anteriormente o segundo administrador do Vaticano, em que ele implorava para não ser transferido por ter exposto uma suposta corrupção, que custou ao Vaticano "um aumento de milhões nos preços do contrato", segundo o site Euronews.
Nos meses que se seguiram, o escândalo aumentou com o vazamento de documentos para jornalistas italianos, que mostravam a existência de uma luta pelo poder no Vaticano. Foi mais ou menos nessa época que uma carta anônima apareceu e revelou uma ameaça de morte contra Bento XVI, conforme revelou o jornal The Independent. Em maio de 2012 foi publicado o livro Sua Santidade, as Cartas Secretas de Bento XVI, composto por cartas confidenciais e memorandos trocados entre o Papa Bento XVI e seu secretário pessoal.
Essa correspondência revela um Vaticano como foco de intrigas, confabulações e confrontos entre facções secretas. O livro revelou ainda detalhes sobre as finanças pessoais do então papa e incluiu alguns contos sobre subornos feitos para obter uma audiência com ele, segundo alguns sites como o Queerty, especializado na comunidade homossexual.

O mordomo e o escândalo financeiro
O jornalista Gianluigi Nuzzi, que publicou o citado livro descrito, teve um parceiro essencial nesse vazamento de informações: o mordomo do papa emérito, Paolo Gabriele, que exercia o cargo desde 2006. O mordomo foi preso em 23 de maio de 2012, depois que as cartas e os documentos foram encontrados em seu apartamento, no Vaticano. Ele alegou que encontrou os tais documentos no apartamento que dividia com sua esposa e três filhos.
Gabriele foi preso em julho e depois removido para uma prisão domiciliar. O juiz do Vaticano, Piero Antonio Bonnet, analisou as evidências do caso e decidiu que havia material suficiente para prosseguir com a realização de um julgamento. O mordomo foi indiciado pelos magistrados em 13 de agosto de 2012 por roubo agravado, mas teve indulto do papa emérito em 22 de dezembro. Em sua última apelação, ele declarou, segundo a agência Associated Press: "O que sinto mais fortemente dentro de mim é a convicção de que agi exclusivamente por amor, eu diria um amor visceral, pela Igreja de Cristo e seu representante".
Os problemas que levaram à renúncia do hoje papa emérito não se resumiram apenas aos documentos do Vatileaks que, caso não tivessem vazado, teriam encontrado refúgio nos recônditos Arquivos Secretos. Outro fator que está ligado aos documentos roubados é o escândalo de 2010, quando a Justiça italiana abriu uma investigação sobre o IOR (Instituto de Obras Religiosas), o nome oficial do banco central do Vaticano, e bloqueou 23 milhões de euros de suas contas por "suspeita de violação das normas do sistema financeiro contra lavagem de dinheiro".
O secretário do estado, que aparentemente esteve envolvido nessas falcatruas e que faz a Igreja parecer voltar ao tempo dos Bórgias, é o cardeal Tarcísio Bertone, descrito por muitos como ambicioso e em total discordância com as intenções de Bento XVI. O secretário, que seria o principal nome para gerar os documentos que fatalmente são arquivados nos Arquivos Secretos, está na mira de boa parte dos cardeais italianos, que o teriam responsabilizado por interesses ou omissão em casos como o do IOR ou do Vatileaks.

Bento XVI, o nazismo e os Arquivos Secretos
A decisão de canonizar Pio XII, apesar dos protestos da comunidade judaica, deu uma publicidade muito negativa para o então papa Bento XVI. O ex-papa esteve no Arquivo Secreto analisando a situação em junho de 2007, quando proferiu um discurso no qual defendeu o papel do Arquivo ante a polêmica do período da Segunda Guerra Mundial.
Segundo notícia divulgada pelo site ACI Digital, a Biblioteca Apostólica fechou as portas ao público durante três anos para restauração de uma ala localizada em um edifício renascentista, o que causou outra onda de comentários sobre os reais motivos de tal fechamento. Sobre o Arquivo Secreto, Bento XVI disse na ocasião:

Podem-se realizar não só pesquisas eruditas, em si mesmas muito dignas, concernentes a períodos longínquos, mas também relativas a épocas e tempos recentes, muito próximos a nós. Prova disso são os primeiros frutos da recente abertura que decidi em junho de 2006 aos pesquisadores do pontificado de Pio XII.

Ainda comentando o caso de Pio XII, Bento XVI afirmou que a abertura dos arquivos referentes ao seu antecessor teria sido pedida pelos "caluniadores judeus do pontífice, especialmente a controvertida Liga Antidifamação dos Estados Unidos". Esta última é uma referência a uma organização na ativa desde 1913, que se dedica a lutar contra o antissemitismo em todas as suas formas.
O ex-papa lembrou que seu antecessor direto, João Paulo II, havia aprovado a abertura de tais arquivos embora o período de reserva ainda não tivesse transcorrido por completo. Tais documentos foram colocados à disposição de um comitê de estudiosos católicos e judeus. Os envolvidos que pertenciam à comunidade judaica não encontraram nenhum tipo de prova incriminatória que impediria o processo de canonização de Pio XII, mesmo assim acusaram o Arquivo Secreto de retenção de provas.
O site ACI Digital afirma, na citada notícia, que Bento XVI elogiou "o serviço desinteressado e equânime" dos Arquivos Secretos. Disse que os envolvidos tinham deixado "a um lado estéreis e freqüentemente débeis conceitos unilaterais" e oferecido aos investigadores, "sem prejuízos, a documentação que possuem, ordenada com seriedade e competência".
Dom Pagano falou sobre o caso do polêmico papa quando o livro sobre Galileu foi publicado. Segundo ele, os documentos sobre o período totalizariam cerca de 700 caixas com papéis da Secretaria de Estado e das nunciaturas, que deixariam clara a caridade exercida por Pio XII durante a II Guerra Mundial. Para o prefeito dos Arquivos Secretos, a opinião sobre o papa polêmico é clara:

Todos aqueles que se dirigiram a ele (papa Pio XII) — militares, prisioneiros, párocos que tiveram suas igrejas destruídas, professores que haviam perdido o trabalho — o papa os ajudou com uma caridade incrível. A Santa Sé enviou grandes quantidades de dinheiro para obras de caridade, durante e depois da guerra.

Em meio a várias polêmicas, discussões e brigas para saber se aquele papa deveria ou não ser canonizado, o processo prossegue a passos largos. Dom Pagano disse também que entre os documentos estão incluídos um organograma de todos os italianos, das condições da guerra nos campos de prisão, além de cartas dos núncios que descrevem a situação dos prisioneiros, bem como textos que evidenciam as tais obras de caridade que foram citadas por ele e realizadas pela Igreja durante e depois da guerra.
A mais recente notícia sobre o caso relata que a abertura de tais arquivos será benéfica para melhorar a imagem de Pio XII junto ao grande público. Essa iniciativa partiu de uma organização chamada Pave the Way Foundation, "surgida para eliminar os obstáculos entre religiões, fomentar a cooperação e acabar com o abuso da religião para fins partidaristas".
Seus componentes entregaram para o Vaticano uma petição para digitalizar e colocar à disposição pela internet cerca de 5.125 documentos dos Arquivos Secretos, datados entre março de 1939 e maio de 1945. Gary Krupp, fundador e presidente da Pave the Way Foundation, anunciou que as Actes et Documents du Saint Siège relatifs a la Seconde Guerre Mondiale [Atas e Documentos da Santa Sede relativos à Segunda Guerra Mundial)] estarão disponíveis em breve para o estudo on-line, sem custo algum, no site da organização e na página oficial do Vaticano. Krupp, um judeu de Nova York, declarou:

No desenvolvimento da nossa missão, constatamos que o papado de Pio XII (Eugênio Pacelli) durante a Segunda Guerra Mundial é um motivo de atritos, provocando um impacto em mais de um bilhão de pessoas. A controvérsia se centra em se ele fez o suficiente para prevenir o massacre dos judeus nas mãos dos nazistas.


Pedofilia
Além dos citados fatos, há a abundância de casos recorrentes de pedofilia que Bento XVI tentou combater, mas acabou por se sentir abandonado por cardeais, bispos e padres em seus esforços para dar um basta nessa situação. "O corporativismo foi mais forte que o papa", afirmou o repórter Mário Sabino, revista Veja. Segundo a reportagem, são milhares de casos ocorridos entre 1996 e 2009 que chegaram a envolver, inclusive, crianças surdas-mudas. Inúmeros processos chegaram a ser abertos no Vaticano, mas nenhum deles segue com a velocidade que se esperava.
Em maio de 2010, o ex-papa Bento XVI recebeu bispos belgas para, juntos, analisarem medidas para "evitar abusos sexuais de clérigos a menores" no país correspondente, segundo relatório oficial do Vaticano datado de 21 de março de 2012.
Quem acompanha as notícias vai se lembrar que acusações de pedofilia passaram a ser relativamente comuns quando o assunto era a Igreja Católica, sendo possível mesmo traçar uma linha cronológica mostrando quais e quantos casos aconteceram. Porém, a onda de acusações passou a assumir proporções inimagináveis até mesmo para a própria Igreja. Um dos casos mais graves aconteceu na Bélgica, quando o bispo de Bruges, Roger Vangheluwe, foi cassado pelo então papa por pedofilia. O religioso reconheceu que havia abusado de um jovem quando era sacerdote.
Os bispos que encontraram o papa estavam lá para discutir não apenas as acusações de pedofilia, mas também falar sobre os eternos assuntos polêmicos com os quais a Igreja discute quase infinitamente, mas não chega a uma conclusão, como eutanásia e diálogo inter-religioso.
Segundo os jornais, a Bélgica é o segundo país europeu a aprovar uma lei para a eutanásia. Porém, o L'Obsservatore Romano diz que aquela nação "sofre" com os escândalos de abusos sexuais por parte de clérigos. E o país registrou, segundo o jornal, uma queda de 30% dos católicos. O chefe dos bispos belgas, André Joseph Leonard, afirmou que a Igreja belga adotou diferentes medidas para acabar com esses casos e pediu às vítimas que os denunciem perante a magistratura.
Entre outras medidas para impedir que os casos continuem a aparecer, há "uma formação mais profunda dos sacerdotes e seminaristas, começando com discernir se são confiáveis para o sacerdócio", segundo declaração oficial do relatório emitido pela comissão oficial do papa em 5 de maio de 2010.
Por mais que a Igreja se esforce para controlar as denúncias, muitos outros casos foram registrados até hoje. No final do mesmo mês de abril de 2010, um jornal belga divulgou a denúncia de um homem que assegurou ter sido "violado" quando tinha 15 anos, na década de 1980, por um sacerdote da diocese de Namur, e que o atual chefe da Igreja Católica belga teria encoberto o caso. Essa acusação, que está nos tribunais belgas, se juntou a outros casos registrados que acusavam as Igrejas dos Estados Unidos, Irlanda, Alemanha, Áustria, Holanda e Itália.
Há quem jure que os Arquivos Secretos do Vaticano possuem relatórios completos sobre as atividades dos pedófilos. Há, até hoje, suspeitas de que o próprio Vaticano sabia dessas atividades, mas as escondia de todos, para que ninguém soubesse como seus padres realmente agiam. Esse material, que até hoje é discutido à exaustão em fóruns de internet, gerou muitas lendas, ou seja, fatos não confirmados, que apresentam os padres de diversas maneiras, incluindo depravados que se valiam da confiança de jovens, a maioria do sexo masculino, para obter sexo de maneira ilícita.
Segundo notícias, o monsenhor Charles J. Scicluna, promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé, teria afirmado que houve 3 mil denúncias de abusos contra menores nos últimos dez anos, mas que não sabia afirmar o que teria acontecido com as denúncias, nem quantos religiosos foram considerados culpados e punidos.
É claro que ninguém jamais conseguiu uma prova concreta sobre as supostas atividades ilícitas, ou mesmo saber se haveria, de alguma forma, um arquivo no Vaticano que registrasse quem é pedófilo e onde atuaria. Porém, a fama de tal história está incontrolavelmente espalhada por todo o mundo.
O jornal The New York Times afirmou em reportagem que "o Vaticano havia sido informado a respeito dos abusos cometidos pelo padre Lawrence Murphy, que molestou cerca de 200 crianças de uma escola para surdos no estado do Wisconsin, ao longo de 24 anos, mas não tomou nenhuma providência".
Talvez a prova da culpa dos pedófilos esteja arquivada de fato nos Arquivos Secretos. Porém, essa será uma informação que poderá ser divulgada daqui a muitos anos ainda.

A renúncia do papa
A estratégia escolhida pelo papa emérito, ou seja, a renúncia, o tira da liderança da igreja e o coloca atrás das paredes de um convento para freiras no Vaticano, chamado mosteiro Mater Ecclesiae (Mãe da Igreja), construído em 1992, já usado antes por Ratzinger quando ele precisava fazer reflexões e leituras durante o papado de João Paulo II.
Os escândalos que vieram à tona foram listados a partir de uma investigação encomendada por Bento XVI a três cardeais octogenários fidelíssimos a ele, Julián Heranz Casado, JozefTomko e Salvatore De Giorgi. Os três cardeais investigadores escrutinaram documentos e recolheram depoimentos de dezenas de padres e leigos na Itália e em outros países, inicialmente por um questionário único enviado para todos os entrevistados e, depois, por meio de entrevistas individuais devidamente cruzadas.
Segundo matéria publicada na revista Veja, eles "concluem que altos integrantes da cúria eram chantageados por homossexuais beneficiados com dinheiro da Igreja e a nomeação para cargos de destaque na estrutura do Vaticano ou próximos dela". O relatório está dividido em dois volumes de mais de 300 páginas cada um. Bento XVI queria entregá-los ao seu sucessor, mas passou a considerar a divulgação de seu conteúdo antes mesmo que o conclave começasse. Com isso, ele tencionava neutralizar a influência de Bertone na eleição do novo papa, que queria eleger um "papa confiável" e continuar em seu posto.
O novo papa, ciente dos relatórios, deverá tomar as devidas providências sobre o assunto enquanto Bento XVI pairará como uma presença invisível. Se isso será o suficiente para livrá-lo da influência da "banda podre", como se passou a denominar os corruptos da Igreja, ninguém sabe. Porém, se consultarmos os Arquivos Secretos e voltarmos no tempo, poderemos ver que não é a primeira vez que ocorrem fatos dessa natureza na Santa Sé.

Os renunciantes
Bento XVI é o oitavo papa a renunciar em toda a história da Igreja Católica. Os outros sete estão listados no Dictionnaire Historique de La Papauté [Dicionário Histórico do Papado], obra assinada pelo eminente historiador francês Phillippe Levillain.
Pela ordem, os renunciantes são:
1. Martinho I (649-655)
2. Bento IV (900-903)
3. João XVIII (1003-1009)
4. Silvestre III (1045)
5. Bento IX (1047-1048)
6. Celestino V (1294)
7. Gregório XII (1406-1415)

A abdicação aceita
Um fato curioso é que, pouco antes de abdicar, Bento XVI esteve na Basílica Santa Maria di Colemaggio, em Aquila, para visitar o túmulo de Celestino V, um ídolo pessoal, um dos papas que abdicou. Sua renúncia foi a primeira a ter alguma controvérsia jurídico-teológica, pois a legitimidade de seu sucessor, Bonifácio VIII, teria sido questionada pela poderosa família romana Colonna, sob alguns argumentos: A autoridade pontifícia conferida por Deus por meio do Espírito Santo nos conclaves só pode ser retirada pelo próprio Deus. O "casamento" que une o papa à Igreja é indissolúvel. A renúncia de um pontífice não pode ser permitida porque abre flancos na Igreja.
Segundo registros oficiais, muitos dos quais estão nos Arquivos Secretos, Bonifácio VIII teve um papado sem maiores problemas.
A renúncia de um papa passou a ser prevista no Código de Direito Canônico, regulamento promulgado por João Paulo II que estabelece que o papa pode deixar o trono de Pedro apenas por vontade própria, como fez Ratzinger.
Os documentos referentes aos escândalos do pontificado de Bento XVI estão fatalmente fadados a ser trancados nos Arquivos Secretos. Quando eles vierem a público, talvez se esclareça de uma vez por todas o que levou um papa ao extremo de renunciar.
Porém, talvez já não estejamos mais vivos quando isso acontecer.

(Sérgio Pereira Couto - "Os arquivos secretos do Vaticano")

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publicado às 12:58

Per quanto riguarda la pedofilia, il triumvirato costituito da Giovanni Paolo II e dai cardinali Joseph Ratzinger e Tarcisio Bertone, rispettivamente prefetto e viceprefetto della Congregazione per la dottrina della fede, adottò un'autentica politica di contenimento per i casi in cui erano implicati sacerdoti. I tre consideravano la pedofilia un «problema» da nascondere, in cui i colpevoli dovevano essere protetti a ogni costo, senza preoccuparsi di prestare assistenza alle vittime.
Per loro, si trattava di un problema legale ed economico piuttosto che morale. Curiosamente, Giovanni Paolo II e Benedetto XVI, sempre propensi a dare la propria opinione su tutto quanto di umano e di divino accadeva, non pronunciarono mai un discorso né lanciarono un messaggio sul possibile legame tra l'obbligo dei sacerdoti a rispettare la castità ecclesiastica e la tendenza di molti di loro ad abusare di bambini.
Davvero curioso.
Il 18 maggio 2001, Ratzinger e Bertone inviarono dal Sant'Uffizio alle gerarchie ecclesiastiche sparse per il mondo una lettera in latino, in cui si davano ordini perentori e precisi su come affrontare «i delitti più gravi commessi dai propri membri contro la morale e la celebrazione dei sacramenti», cioè la pedofilia. La lettera era protetta dal «segreto pontificio».
Ratzinger e Bertone spiegavano che questi delitti sono di competenza del tribunale apostolico della Congregazione per la dottrina della fede; che, se un superiore viene a conoscenza di un delitto, deve comunicarlo alla Congregazione; che, nel caso in cui la Congregazione non abbia preso nessun provvedimento, il superiore è autorizzato a gestire il caso come ritiene più opportuno; che, se il superiore lo ritiene conveniente, può costituire un tribunale speciale composto solo da sacerdoti; che tutti i casi di pedofilia devono essere protetti dal «segreto pontificio» e di conseguenza tutte le risoluzioni devono rimanere segrete; che i delitti di pedofilia in cui sono coinvolti dei sacerdoti «devono rimanere segreti ed essere giudicati rigorosamente solo in un processo interno»; infine, che chiunque viola il «segreto pontificio» sarà sospeso a divinis. Che succede allora con il pedofilo? La Chiesa o l'autorità ecclesiastica competente deve denunciare i fatti alla polizia? Assolutamente no.
Un altro punto davvero delicato per Ratzinger era una disposizione inclusa nel testo, che diceva: «Si deve notare che l'azione criminale circa i delitti riservati alla Congregazione per la dottrina della fede si estingue per prescrizione in dieci anni. […] Ma in un delitto con un minore commesso da un chierico comincia a decorrere dal giorno in cui il minore ha compiuto il diciottesimo anno di età». Come dire che il delitto di pedofilia si prescrive, secondo il prefetto Ratzinger, quando la vittima dell'abuso compie ventotto anni.
Qualche anno dopo, questo testo mise in seria difficoltà Benedetto XVI durante la sua visita pastorale negli Stati Uniti.
Daniel Shea, un avvocato di Houston, difensore delle vittime di abusi commessi da sacerdoti, presentò una denuncia al tribunale federale per «ostruzione alla giustizia». Joseph Ratzinger doveva presentarsi per rispondere alle accuse, ma il cardinale era già diventato Sommo Pontefice di Roma e capo dello Stato della Santa Sede.
Il 23 agosto 2003 fu una data particolarmente significativa per la politica vaticana, colpita dallo scandalo dei casi di pedofilia commessi da sacerdoti negli Stati Uniti. Quel giorno, infatti, il sessantottenne sacerdote pedofilo John Geoghan fu strangolato nella sua cella nel carcere di Souza-Baranowsky, a nord di Boston, da un altro recluso, Joseph Druce.

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 Il sacerdote stava scontando una condanna a dieci anni perché aveva palpato i genitali a un bambino che giocava nella piscina di famiglia ed era in attesa di essere processato per altri centotrenta casi di abuso sessuale su minorenni. Il «caso Geoghan» scatenò una reazione a catena, portando alla luce numerosi casi di pedofilia e mettendo in crisi la Chiesa cattolica statunitense.

Nel gennaio del 2002, il prestigioso quotidiano Boston Globe fu il primo a rendere pubbliche le denunce contro Geoghan e il favoreggiamento da parte dell'arcidiocesi. Nella prima relazione del procuratore generale del Massachusetts erano stati identificati con nome e cognome 789 bambini e bambine vittime di abusi sessuali commessi da sacerdoti. (La cifra reale dei casi di abuso ad opera di circa 250 sacerdoti o altri membri secolari della Chiesa negli ultimi sessant'anni è di circa 1580 nell'area di Boston e di oltre 5000 in tutti gli Stati Uniti)
«Era chiaramente un'anima tormentata, un uomo malato e un prete predatore» disse di padre Geoghan Scott Appleby, storico delle religioni, nelle dichiarazioni rilasciate a diversi mezzi di comunicazione americani.
«Predatore sessuale» era la definizione più frequente che davano di Geoghan le sue vittime, delle quali ottantasei risolsero la faccenda fuori dai tribunali sporgendo denuncia all'arcidiocesi di Boston e ricevendo un indennizzo di dieci milioni di dollari ciascuno.
Le compulsioni sessuali di John Geoghan descritte dettagliatamente nei fascicoli dell'indagine giudiziaria sono impressionanti.
Il sacerdote sceglieva sempre la vittima più vulnerabile.
Patrick McSorley, un bambino di sette anni, fu portato a passeggio da Geoghan il giorno dopo la morte del padre. Il prete gli comprò un gelato e mentre lo riaccompagnava a casa prese a toccargli i genitali e a masturbarsi. La madre di Patrick, sconsolata e grata al sacerdote per il suo aiuto, gli affidò il figlio, che divenne per un periodo la vittima delle aberrazioni di Geoghan, il quale, tra le altre cose, lo sodomizzò. La stessa cosa fece con altri sette bambini, tutti appartenenti a una famiglia di Forrest Hills. Maryetta Dussourd, madre single e povera, apprezzava la generosità del parroco, che non mancava mai al suo appuntamento con i bambini. Li portava a passeggio, li teneva quando la madre doveva uscire e li metteva a letto. Era proprio in questa occasione che li toccava e li costringeva a toccarlo, di solito durante la preghiera. Helen, di soli quattro anni, fu costretta a fargli una fellazione. L'inizio degli abusi di Geoghan risale ai primi anni dopo l'ordinazione sacerdotale, avvenuta nel 1962. Tutti i delitti furono commessi a Boston e nei dintorni.
La gerarchia ecclesiastica, guidata da Giovanni Paolo II, dal cardinale Joseph Ratzinger, dal cardinale Tarcisio Bertone e dall'arcivescovo di Boston Bernard Law, permise a una persona come Geoghan di continuare a esercitare le sue funzioni nonostante le numerose denunce presentate a Law contro di lui. Ci fu un periodo in cui le autorità ecclesiastiche inviavano Geoghan in istituti di riabilitazione, ma quando veniva dimesso gli assegnavano nuovi incarichi, anche con i bambini.
Il pedofilo John Geoghan era perdonato come se gli abusi sessuali commessi su decine di bambini e bambine fossero peccati e non delitti. Il sacerdote John Geoghan non fu destituito fino al 1998, trentasei anni dopo aver commesso il primo reato sessuale contro bambini. Il 13 dicembre 2002, la permissività e l'indifferenza davanti al dolore delle vittime e delle loro famiglie costarono le dimissioni al cardinale Bernard Law, una delle personalità più importanti della Chiesa cattolica negli Stati Uniti. (Dopo le dimissioni, il cardinale Bernard Law fu nominato da papa Giovanni Paolo II arciprete della basilica di Santa Maria Maggiore a Roma).
Il Vaticano non fece nessuna dichiarazione ufficiale dopo aver appreso la notizia dell'assassinio di Geoghan, ma il cardinale spagnolo Julián Herranz, membro di rilievo dell'Opus Dei e presidente della Pontificia commissione per i testi legislativi della Santa Sede, dichiarò in un'intervista pubblicata sulla Repubblica del 25 agosto 2003: «L'assassinio di Geoghan è una sconfitta per tutti. […] Appena l'ho saputo ho pregato per la sua anima e per il suo aggressore [Joseph Druce]». Ma chi, in Vaticano, ha pregato pubblicamente per le innumerevoli vittime di Geoghan o per gli oltre 5600 tra bambini e bambine che hanno subito abusi sessuali da parte di religiosi, solo negli Stati Uniti? Nessuno. Silenzio assoluto, a divinis, per ordine di Giovanni XXIII, Paolo VI, Giovanni Paolo II e Joseph Ratzinger, futuro Benedetto XVI.
Una stima del prestigioso settimanale Business Week dimostrava che, in base agli indennizzi che la Chiesa cattolica aveva dovuto pagare negli Stati Uniti alle numerose vittime di pedofilia, l'arcidiocesi di Boston aveva avuto nel 2003 un deficit di cinque milioni di dollari, quella di New York di venti milioni e quella di Chicago di circa ventitré milioni di dollari. Le donazioni, inoltre, si erano ridotte drasticamente, poiché tre cattolici su quattro ritenevano veritiere le accuse di pedofilia rivolte ai religiosi e pertanto la Chiesa non meritava nessuna offerta di tipo economico. La stessa inchiesta dimostrava che il settantadue per cento dei cattolici statunitensi intervistati credeva che «la gerarchia cattolica avesse gestito male il problema della pedofilia» e il settantaquattro per cento che «il Vaticano pensasse soltanto a difendere la propria immagine e non a risolvere il problema».

All'elenco dei pedofili confessi si aggiungevano i nomi di prestigiosi membri della curia accusati di aver commesso, nella maggior parte dei casi, abusi su minorenni, di aver avuto relazioni omosessuali e rapporti sessuali con donne oppure, semplicemente, di aver dato copertura ai pedofili.
Ecco alcuni nomi:
- Anthony J. O'Connell, vescovo di Palm Beach, in Florida, ammise di avere abusato sessualmente di due ragazzi.
- J. Keith Symons, vescovo di Palm Beach, predecessore di O'Connell, fu costretto a dimettersi dopo aver riconosciuto di avere abusato di cinque chierichetti.
- Rembert Weakland, arcivescovo di Milwaukee. Si dimise quando si scoprì che aveva pagato 450.000 dollari a un ex amante, un uomo che lo accusava di averlo violentato.
- James Williams, vescovo di Louisville, in Kentucky. Fu accusato da un chierichetto di aver cercato di sodomizzarlo. Si dimise e, poco tempo dopo, si scoprì che ci aveva provato con altri novanta bambini.
- James McCarthy, vescovo ausiliare dell'arcidiocesi di New York. Si dimise dopo avere ammesso di avere avuto rapporti sessuali con diverse donne.
- John B. McCormack, vescovo di Manchester, nel New Hampshire. I pubblici ministeri stanno cercando di incriminarlo per favoreggiamento, avendo protetto i sacerdoti pedofili quando si trovava presso l'arcidiocesi
di Boston.
- Brendan Comiskey, vescovo di Ferns, in Irlanda. Lasciò l'incarico quando si scoprì che aveva dato copertura a ventitré sacerdoti della sua diocesi colpevoli di avere abusato sessualmente di bambini.
- Julius Paetz, arcivescovo di Poznan, in Polonia, amico di Giovanni Paolo II. Si dimise dopo avere ammesso di aver abusato sessualmente di decine di seminaristi.
- Pierre Pican, vescovo di Bayeux-Lisieux, in Francia. Condannato a tre mesi di carcere per avere coperto un sacerdote pederasta.
- Alphonsus Penney, arcivescovo di St. John di Terranova, in Canada. Si dimise per aver occultato decine di abusi commessi su una cinquantina di bambini e bambine da circa venti sacerdoti nella sua diocesi.
- Hubert Patrick O'Connor, vescovo di Prince George, in Canada. Fu ufficialmente accusato dalla polizia criminale canadese di aver violentato e aggredito sessualmente diverse donne.
- Eamon Casey, vescovo di Dublino, in Irlanda. Presentò le sue dimissioni quando saltò fuori che aveva un figlio adolescente e che si era appropriato di denaro della diocesi per darlo alla madre del ragazzo.
- Rudolf Bär, vescovo di Rotterdam, in Olanda. Accusato di essere omosessuale, fu costretto a dimettersi.
- Hansjörg Vogel, vescovo di Basilea, in Svizzera. Abbandonò la carica quando si scoprì che aspettava un figlio dalla propria amante.
- Roderick Wright, vescovo di Argyll e delle Isole Occidentali, in Scozia. Si dimise dopo una «scappatella» sessuale con una giovane parrocchiana.
- John Aloysius Ward, arcivescovo di Cardiff, in Galles. A causa della forte pressione popolare, Ward fu destituito dal Vaticano perché aveva coperto due preti pedofili arrestati per aver violentato undici bambini.
- Franziskus Eisenbach, vescovo ausiliario di Magonza, in Germania. Si dimise quando la docente universitaria Anne Bàumer-Schleinkofer lo accusò di avere abusato sessualmente di lei.
- George Peli, arcivescovo di Sydney, in Australia. Si dimise dopo l'accusa di tentata violenza sessuale su un bambino di dodici anni. Tre mesi prima era stato accusato ufficialmente di favoreggiamento per avere coperto sacerdoti pedofili quando era vescovo ausiliario di Melbourne, offrendo alle vittime denaro in cambio del silenzio.
- Edgardo Storni, arcivescovo di Santa Fe, in Argentina. Processato per avere abusato sessualmente di almeno una cinquantina di adolescenti, tutti seminaristi.

Ma il caso più eclatante fu quello del cardinale Hans Hermann Groèr, arcivescovo di Vienna che abusò di diversi minorenni.
Il prelato, ultraconservatore, aveva iniziato insegnando a un ragazzo come «pulirsi il pene per evitare infezioni» durante la doccia. A fare scattare le prime denunce fu proprio Groèr, quando in una lettera pastorale affermò: «I molestatori di bambini non erediteranno il Regno dei cieli».
Quella semplice frase aprì la porta alle denunce delle prime vittime contro il cardinale primate d'Austria. La cosa curiosa è chemolte vittime affermarono di aver già sporto denuncia agli inizi degli anni Settanta contro Pallora vescovo Groèr, ma che il Vaticano le aveva fatte passare sotto silenzio.
Per papa Wojtyla, Hans Hermann Groèr era una figura determinante, visto il ruolo acquisito dall'Austria nella politica estera vaticana. Tredici mesi dopo aver ricevuto la prima denuncia contro Groèr, Giovanni Paolo II lo aveva nominato arcivescovo di Vienna, la massima carica della Chiesa cattolica austriaca. Quando vennero alla luce le prime denunce, il nunzio Donato Squicciarini rilasciò una dichiarazione ufficiale di solidarietà nei confronti di Groér: «La Santa Sede ha molta esperienza [sic] in questo campo e quanto accade in Austria e già successo in altri paesi. Sono sicuro che anche il ‘caso Groér' non ha alcun fondamento. Tutto questo gli dà più coraggio per continuare a occupare la carica di presidente della Conferenza episcopale austriaca».
A questa dichiarazione ne seguirono altre, come quella del vescovo Kurt Krenn, che attaccò le vittime dicendo: «Sono anime malate e le loro accuse sono inconcepibili e maligne. Dovrebbero chiedere scusa al cardinale».
Alla fine, nel 1995, in piena polemica, il cardinale Groér cedette alle pressioni e presentò le dimissioni da arcivescovo di Vienna a papa Giovanni Paolo II, il suo più convinto sostenitore. Quando il 14 aprile 1998 Groér chiese al papa di accettare la sua rinuncia a tutte le cariche ecclesiastiche, il papa acconsentì, ma dichiarò:
«Spero che il tentativo di distruzione [della Chiesa austriaca] non abbia successo e che la zizzania seminata dal sospetto e dalla discordia non prevalga tra i cattolici». Il Vaticano chiuse l'indagine interna sul «caso Groér» alla fine del 1998.
Sembra che tutti i fatti denunciati siano realmente accaduti. Il cardinale Schònborn, successore di Groér e suo principale difensore, alla fine fu costretto ad ammettere: «Siamo arrivati alla convinzione morale che le accuse mosse all'arcivescovo emerito cardinale Hans Hermann Groér sono essenzialmente vere. Spero che il cardinale Groér sia in grado di pronunciare qualche parola chiarificatrice e liberatrice. Prego e invito a pregare affinché possa farlo». Il cardinale Groér morì il 24 marzo 2003, all'età di novantaquattro anni, a Sankt Pòlten, in Austria. L'anno successivo a quello in cui esplose il «caso Groér», quasi cinquantamila austriaci abbandonarono ufficialmente il cattolicesimo.
La sera del 2 aprile 2005, Giovanni Paolo II, il principale difensore e sostenitore del pederasta Groér, morì all'età di ottantacinque anni, dopo ventisei anni, dieci mesi e diciassette giorni alla guida della Chiesa cattolica. Il pontificato di Wojtyla lasciava in eredità una politica intransigente, contraria a rivedere le proprie posizioni sul celibato ecclesiastico, sul matrimonio tra omosessuali, sull'aborto, sulla ricerca sugli embrioni, sul controllo delle nascite e sul sacerdozio femminile.
Mantenne anche la struttura piramidale, rigida e chiusa, della gerarchia ecclesiastica, simile in tutto e per tutto alla più rigorosa delle monarchie assolute, quella di Luigi XIV, il Re Sole.
Inoltre, ebbe la pretesa di mettere a tacere, pagando ingenti somme di denaro, lo scandalo degli abusi sessuali commessi per decenni da religiosi su bambini. Nessuno dei colpevoli fu espulso dalla Chiesa. Senza dubbio, un grande esempio per un papa che molti vorrebbero già prossimo al sublime traguardo della canonizzazione. Santo subito!
Il papa che era riuscito a diffondere la parola di Dio attraverso la CNN, morì circondato dalla folla, proprio come aveva vissuto. Come dicono i suoi critici, Karol Wojtyla o Giovanni Paolo II «fu più vicino almessaggio che a Dio».

(Eric Frattini - "I papi e il sesso")

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publicado às 14:50


Igreja "casta e putana"

por Thynus, em 12.03.13
“Pregar a castidade é uma incitação pública à antinatureza. Qualquer desprezo à vida sexual, qualquer tentativa de maculá-la através do conceito de “impureza” é o maior pecado contra o Espírito Santo da Vida.”
  (O Anticristo, F. Nietzche)


Nenhuma religião no mundo debateu tanto a intimidade sexual como o catolicismo. Curiosamente, o teólogo moral por excelência, o Papa, o Sumo Pontífice, é o crente que na história mais rejeitou a máxima bíblica: "De fornicação e de toda a espécie de impureza ou de ganância não se fale entre vós, como deve ser entre os santos "(Ef 5:3). Pensei muito sobre a estrutura que deveria ter este livro, e se deveria começar com os capítulos sobre a Bíblia e sobre Jesus. A verdade é que estes símbolos do cristianismo são, juntamente com o do do Sumo Pontífice de Roma, os três grandes baluartes atrás dos  quais se abrigam mais de cem mil milhões de católicos em todo o mundo.

 

É por esta razão que este livro é um relato de como o sexo foi tratada desde o início, isto é das Sagradas Escrituras, até hoje, isto é, até ao Papa Bento XVI, e como os papas de Roma, enquanto condenavam e puniam o incesto, o homossexualismo, o estupro, o adultério, a pederastia, a sodomia e o concubinato eclesiástico, se dedicavam ao exercício de cada uma destas práticas, descaradamente, à sombra do poder da tiara e das chaves de Pedro, no silêncio e no segredo dos quartos papais.

 

O primeiro símbolo do cristianismo, a Bíblia, é em si um grande montão de histórias sobre sexo em que, mais uma vez, em nome de Deus, é permitido o incesto, os estupros em massa, os abusos contra as mulheres, a sodomia, a homossexualidade e assim por diante. No entanto, em alguns de seus capítulos controversos, enquanto por um lado era punida a homossexualidade, por outro lado era defendida a escravidão; enquanto se perdoava ao homem por ter dado a sua própria esposa para que fosse estuprada, punia-se a mulher porque ela tinha-se tornado "impura", após o estupro; enquanto, por um lado, se proclamava a necessidade de eliminar e destruir países inteiros, por outro lado, o Senhor não iria punir-te, se sacrificasses o teu filho para a sua maior glória.

 

Este absurdo tem governado a Igreja desde a sua mais tenra infância, do ano zero de nossa era até 2005, quando o Papa João Paulo II morreu e Bento XVI herdou o trono de Pedro. Este absurdo tem sido a característica da longa história do papado, em que as palavras "Deus" e "Igreja" sempre estiveram muito ligadas  à palvra "sexo".

 

Assim, Inocêncio III escutava a leitura do relatório do legado papal Arnaldo Amalric, que informava sobre o assassinato de sete mil albigenses, todos mulheres, crianças e idosos, enquanto fornicava com uma empregada doméstica; Inocêncio IV atiçava o fogo da Inquisição enquanto fornicava com escravos, tanto homens como mulheres, e, depois, mandava açoitá-los; João XII, estuprador de peregrinas, mulheres casadas, viúvas, meninas e crianças, morreu por causa de uma martelada na cabeça acertada por um marido ciumento; Bento VII foi assassinado pelo esposo, ciumento, da mulher com quem ele estava na cama; Inocêncio III entrou para a história como um dos mais famosos colecionadores de objetos e jogos eróticos da época; Inocêncio VIII, o papa que assinou a bula Summis desiderantes affectibus desencadeando uma das mais ferozez perseguições contra as bruxas, apreciava fazer prisioneiras jovens mulheres para depois deflora-las e enviá-las para a fogueira, evitando assim qualquer indiscrição; Leão X, papa homossexual, tinha que montar a cavalo sentado de lado por causa de úlceras anais de que sofria, como resultado de seus muitos encontros amorosos em becos escuros de Roma, e forçou mais de sete mil prostitutas da Cidade eterna a entregar uma parte de seus ganhos à mais alta autoridade da Igreja, ou seja, a ele mesmo; Paulo IV, finalmente, passava seus dias comissionando aos escritores obras eróticas com que preenchia suas longas noites, enquanto uma empregada doméstica ou uma nobre dama o masturbava.

 

Não se deve esquecer, nem mesmo os papas que transformaram a tiara em objeto do desejo de familiares e amigos: Bento IX era sobrinho de João XIX, que por sua vez tinha sucedido a seu irmão, Bento VIII, neto de João XII; João XI era filho ilegítimo de Sergio III; João XXIII era filho ilegítimo de um bispo; Paulo I sucedeu a seu irmão, Estêvão II; o Papa Silvério foi gerado a partir do sémen do papa Hormisdas; Inocêncio I foi fruto do sémen do Papa Anastácio I; Bonifácio VI era filho de um bispo; o papa Romano era irmão do Papa Martinho e ambos eram filhos de um sacerdote.
(Eric Frattini - "I papi e il sesso") 

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publicado às 02:16


Os Papas e o Sexo

por Thynus, em 11.03.13
A Santa Mãe Igreja não digere nem nunca digeriu insinuações sobre a conduta sexual dos seus membros, servos de Cristo. Tudo isso é rotulado como "fofocas", "difamações", "infâmias". Mas há quem nunca acreditou nesta versão, e que, após tomar conhecimento, já não poderá mais acreditar. Eric Frattini volta a desafiar a Igreja católica com um ensaio bem documentado e perturbador em que desfilam século após século, os papas e seus vícios inomináveis: pelo menos 17 papas pedófilos, 10 incestuoso, 10 rufiões, 9 estupradores. E para cúmulo, apesar das contínuas condenações da homossexualidade, do matrimónio e do concubinato entre os religiosos, dezenas de papas casados, homossexuais, travestis, concubinários, para não mencionar os sádicos e os masoquistas, voyeurs e assim por diante: por incrível que pareça, muitos destes foram mesmo canonizados. "Nenhuma religião do mundo discutiu tanto a intimidade sexual como o catolicismo", diz Frattini, e nenhuma impôs tão detalhamente os seus códigos de comportamento: até hoje, a tolerância zero para os casais de facto, o aborto, a contracepção e a inseminação artificial. Ora bem, desde as Sagradas Escrituras até Bento XVI, Frattini dá as boas-vindas à epopeia sexual da Igreja Católica.

 

Aqui vai um pequeno trecho:
"Os papas não eram apenas bispos de Roma, Vigários de Cristo, sucessores do Príncipe dos Apóstolos, princípes dos bispos, pontífices supremos da Igreja universal, primazes da Itália, arcebispos e bispos metropolitanos da província romana, servos dos servos de Deus (servus servorum Dei), pais dos reis, pastores do rebanho de Cristo e soberanos da cidade-estado do Vaticano, mas também homens casados e pederastas, estupradores e homossexuais, fetichistas e cafetões, nepotistas e ioncestuosos, sádicos e masoquistas, simoníacos e zoofilistas, “papi padri di papi e papi figli di papi”, papas filhos de padres e papas adúlteros, travestis e voyeurs, falsificadores e assassinos. Todos protegido por Deus e pelo Espírito Santo. Esta é a sua longa história."

 

Eric Frattini: Nascido em Lima no ano 1963, é professor universitário, jornalista e escritor eclético, apaixonado por história e política. Correspondente no Médio Oriente, analista político e morou por diversos anos na Polinésia, Paraguai, Líbano, Chipre e Israel. Dirigiu também numerosos documentários para as principais redes de televisão espanholas, com as quais colabora assiduamente. É autor de uma vintena de livros, traduzidos em todo o mundo.

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publicado às 03:05

Keith O'Brien pede "perdão" por comportamento que "ficou, por vezes, aquém dos padrões que se esperariam de um padre, de um arcebispo e de um cardeal".
O cardeal escocês Keith O'Brien, que se demitiu na segunda-feira do cargo de arcebispo, devido a acusações de conduta indecente, reconheceu hoje ter tido um "comportamento sexual" inapropriado, e pediu "perdão às pessoas que ofendeu".
"As últimas duas acusações que foram feitas contra mim tornaram-se públicas. No início, contestei-as devido ao seu caráter anónimo e impreciso. Agora, quero aproveitar a oportunidade para reconhecer que o meu comportamento sexual ficou, por vezes, aquém dos padrões que se esperariam de um padre, de um arcebispo e de um cardeal", declarou o alto dignitário, em comunicado.
"Àqueles que ofendi, apresento as minhas desculpas e peço perdão. À Igreja Católica e ao povo da Escócia, também peço desculpa", acrescentou o mais velho clérigo britânico da Igreja Católica, com 74 anos.
Estas declarações surgem após a publicação, a 24 de fevereiro, no jornal britânico The Observer, de um artigo em que três padres e um ex-padre acusavam o cardeal O'Brien de ter tido "comportamentos indecentes" para com eles, a partir dos anos 1980.
Um padre queixou-se de ter sido vítima de atenções indesejadas por parte do cardeal, após um serão "bem regado".
Um outro afirmou que O'Brien aproveitava as orações noturnas para ter atitudes impróprias.
O cardeal negou, então, tais acusações, mas um dia após a sua divulgação, anunciou, todavia, a demissão do cargo de arcebispo de Saint Andrews e Edimburg, na Escócia, e decidiu renunciar à participação no conclave destinado a eleger o sucessor do papa Bento XVI.

Lobby gay no Vaticano pode ter levado Papa a abdicar 

No momento de sua iminente despedida, voltam à tona os escândalos que marcaram o pontificado de Bento XVI. De acordo com o diário italiano de centro-esquerda La Repubblica, no dia 17 de dezembro de 2012, quando deitou os olhos sobre o dossiê elaborado por três cardeais octogenários incumbidos de investigar o chamado caso Vatileaks – o escrutínio de documentos papais –, Bento XVI tomou a decisão de que renunciaria. 

Em miúdos, o relatório de 300 páginas se baseia no não cumprimento de dois mandamentos, o sexto e o sétimo. O sexto mandamento proíbe o adultério, mas, como esse ato não é realizável no mundo dos prelados, fala-se em proibição da pederastia. 

Por sua vez, o sétimo mandamento refere-se a casos de corrupção, também identificados pelos cardeais liderados pelo espanhol Julián Herranz. Os outros dois cardeais, responsáveis pela investigação realizada entre abril e dezembro do ano passado, são o italiano Salvatore De Giorgi e o eslovaco Jozef Tomko. 

Segundo o inquérito, baseado em entrevistas com dezenas de bispos, cardeais e laicos, uma série de sacerdotes da Santa Sé teriam pecado, e, até prova em contrário, esses graves pecados poderão se transformar em delitos. 

O quadro piora quando o La Repubblica revela o seguinte: oficiais do Vaticano teriam, por conta de suas atividades mundanas, sofrido “influências externas” de laicos. 

Tradução: os oficiais do Vaticano estão sendo chantageados.

O escândalo, contudo, não pode ser visto como um complô de um diário de centro-esquerda, visto que o Corriere della Sera, prestigiado diário de centro-direita, também reportou sobre a gravidade do dossiê em 11 de fevereiro, data em que Bento XVI anunciou sua renúncia.
Difícil mesmo é saber se esse último escândalo foi, de fato, a gota d’água para o atual Papa.
Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, revelou que não haverá “nem desmentidos, nem comentários” sobre as “informações e opiniões” feitas pela imprensa às vésperas da resignação de Bento XVI.
O La Repubblica, é verdade, pode deixar o leitor por vezes perplexo. Por exemplo, diz que esta foi a primeira vez que a palavra “homossexualidade” foi pronunciada nos aposentos de Bento XVI.
O diário revela que os cardeais identificaram villas, saunas, e residências usados por um arcebispo italiano com seus amantes.
No entanto, casos gays não são novidades no Vaticano – e é difícil acreditar que a palavra “homossexualidade” nunca tenha sido citada pelo atual Papa. Angelo Balducci, um dos Cavalheiros de Sua Santidade, não foi afastado do cargo em 2010 porque tinha várias relações com homens, inclusive com o nigeriano Chinedu Thomas Ethiem, cantor de capela da basílica de São Pedro?
Bento XVI, diga-se, não permite gays ativos a estudar para o sacerdócio. Seria, portanto, interessante saber os termos utilizados pelo Papa ao tratar o caso Balducci.
A corrupção no relatório dos cardeais também parece endêmica, inclusive no Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Ettore Gotti Tedeschi, ex-presidente do IOR, foi despedido em maio de 2011. Seu crime: tentava, há mais de dois anos, limpar as finanças da Igreja. Tedeschi, que após sua demissão temia ser assassinado, escreveu um documento oficial para que sua luta fosse  continuada pelo seu sucessor. O cargo deixado por Tedeschi só foi preenchido nove meses mais tarde…
E, é claro, são numerosos os casos de pedofilia não resolvidos – e vítimas, por tabela, não conseguem processar padres culpados.
Devido “à idade avançada”, Bento XVI renunciará dia 28 de fevereiro. Até a Páscoa um novo Papa deverá ser escolhido. Ele terá de lidar com o dossiê de 300 páginas sobre os podres da Igreja que talvez tenham levado Bento XVI a abdicar.

( http://www.cartacapital.com.br/internacional/lobby-gay-no-vaticano-pode-ter-levado-papa-a-abdicar/ )

Eugene Drewermann (ex-padre) reconhece, fruto da sua experiência de psicoterapeuta, que a percentagem de homossexuais dentro da Igreja católica é grande, como consequência principal da sua moral repressiva e da atitude quanto ao celibato, quer entre religiosos de sexo masculino como do sexo feminino, chegando aos 25% os jovens seminaristas que, de forma permanente ou esporádica, se dedicam a práticas homossexuais. Homossexualidade que era considerada pela Igreja como uma das formas mais graves de pecado (os acusados pelo "crime nefando" eram sentenciados à fogueira pela Santa Inquisição). Se fosse agora, muito havia que queimar!
Também entre os Bispos e Cardeais ainda há muita gente que não se esqueceu do velho "viciozito".

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publicado às 23:10

Quem acompanhou o noticiário dos últimos dias acerca dos escândalos dentro do Vaticano, trazidos ao conhecimento pelos jornais italianos “La Repubblica” e o “La Stampa”, referindo um relatório com trezentas páginas, elaborado por três Cardeais provectos sobre o estado da cúria vaticana deve, naturalmente, ter ficado estarrecido. Posso imaginar nossos irmãos e irmãs piedosos que, fruto de um tipo de catequese exaltatória do Papa como “o doce Cristo na Terra” devam estar sofrendo muito, pois amam o justo, o verdadeiro e o transparente e jamais quereriam ligar sua figura a notórios malfeitos de seus assistentes e cooperadores.
         O conteúdo gravíssimo destes relatórios reforçaram, no meu entender, a vontade do Papa de renunciar. Ai se comprovava uma atmosfera de promiscuidade, de luta de poder entre “monsignori”, de uma rede de homossexualismo gay dentro do Vaticano e desvio de dinheiro do Banco do Vaticano. Como se não bastassem os crimes de pedofilia em tantas dioceses que desmoralizaram profundamente a instituição-Igreja.
         Quem conhece um pouco a história da Igreja – e nós profissionais da área temos  que estuda-la detalhadamente- não se escandaliza. Houve épocas de verdadeiro descalabro do Pontificado com Papas adúlteros, assassinos e vendilhões. A partir do Papa Formoso (891-896) até o Papa Silvestre (999-1003) se instaurou segundo o grande historiador Card. Barônio a “era pornocrática” da alta hierarquia da Igreja. Poucos Papas escapavam de serem depostos ou assassinados. Sergio III (904-911) assassinou seus dois predecessores, o Papa Cristóvão e Leão V.
         A grande reviravolta na Igreja como um todo, aconteceu, com consequências para toda a história ulterior, com o Papa Gregório VII em 1077. Para defender seus direitos e a liberdade da instituição-Igreja contra reis e príncipes que a manipulavam, publicou um documento que leva este significativo título “Dictatus Papae” que literalmente traduzido significa “a Ditadura do Papa”. Por este documento, ele assumia todos os poderes, podendo julgar a todos sem ser julgado por ninguém. O grande historiador das idéias eclesiológicas Jean-Yves Congar, dominicano, considera a maior revolução acontecida na Igreja. De uma Igreja-comunidade passou a ser uma instituição-sociedade monárquica e absolutista, organizada de forma piramidal e que vem até os dias atuais
         Efetivamente, o cânon 331 do atual Direito Canônico se liga a esta compreensão, atribuindo ao Papa poderes que, na verdade, não caberiam a nenhum mortal, senão somente a Deus: ”Em virtude de seu ofício, o Papa tem o poder ordinário, supremo, pleno, imediato, universal” e em alguns casos precisos, “infalível”.
         Esse eminente teólogo, tomando a minha defesa face ao processo doutrinário movido pelo Card. Joseph Ratzinger em razão do livro “Igreja:carisma e poder” escreveu um artigo no “La Croix”(8/9/1984) sobre o “O carisma do poder central”. Ai escreve:”O carisma do poder central é não ter nenhuma dúvida. Ora, não ter nenhuma dúvida sobre si mesmo é, a um tempo, magnífico e terrível. É magnífico porque o carisma do centro consiste precisamente em permanecer firme quando tudo ao redor vacila. E é terrível porque em Roma estão homens que tem limites, limites em sua inteligência, limites em seu vocabulário, limites em suas referencias, limites no seu ângulo de visão”. E eu acrescentaria ainda limites em sua ética e moral.
         Sempre se diz que a Igreja é “santa e pecadora” e deve ser “sempre reformada”. Mas não é o que ocorreu durante séculos nem após o explícito desejo do Concílio Vaticano II e do atual Papa Bento XVI. A instituição mais velha do Ocidente incorporou privilégios, hábitos, costumes políticos palacianos e principescos, de resistência e de oposição que praticamente impediu ou distorceu todas as tentativas de reforma.
         Só que desta vez se chegou a um ponto de altíssima desmoralização, com práticas até criminosa que não podem mais ser negadas e que demandam mudanças fundamentais no aparelho de governo da Igreja. Caso contrário, este tipo de institucionalidade tristemente envelhecida e crepuscular definhará até entrar em ocaso. Os atuais escândalos sempre houveram na cúria vaticana apenas que não havia um providencial Vatileaks para  trazê-los a público e indignar o Papa e a maioria dos cristãos.
         Meu sentimento do mundo me diz que  estas perversidades no espaço do sagrado e no centro de referencia para toda a cristandade – o Papado – (onde deveria primar a virtude e até a santidade) são consequência desta centralização absolutista do poder papal.  Ele faz de todos vassalos, submissos  e ávidos por estarem fisicamente perto do portador do supremo poder, o Papa. Um poder absoluto, por sua natureza, limita e até nega a liberdade dos outros, favorece a criação de grupos de anti-poder, capelinhas de burocratas do sagrado contra outras, pratica  largamente a simonía que é compra e venda de vantagens, promove  adulações e destrói os mecanismos da transparência. No fundo, todos desconfiam de todos. E cada qual procura a satisfação pessoal da forma que melhor pode. Por isso, sempre foi problemática a observância do celibato dentro da cúria vaticana, como se está revelando agora com a existência de uma verdadeira rede de prostituição gay.
         Enquanto esse poder não se descentralizar e  não outorgar mais participação de todos os estratos do povo de Deus, homens e mulheres, na condução dos caminhos da Igreja o tumor causador desta enfermidade perdurará. Diz-se que Bento XVI passará a todos os Cardeais o referido relatório para cada um saber que problemas irá enfrentar caso seja eleito Papa. E a urgência que terá de introduzir radicais transformações. Desde o tempo da Reforma que se ouve o grito: ”reforma na Cabeça e nos membros”. Porque nunca aconteceu, surgiu  a Reforma como gesto desesperado dos reformadores de fazerem por própria conta tal empreendimento.
         Para ilustração dos cristãos e dos interessados em assuntos eclesiásticos, voltemos à questão dos escândalos. A intenção é desdramatizá-los, permitir que se tenha uma noção menos idealista e, por vezes, idolátrica da hierarquia e da figura do Papa e libertar a liberdade para a qual Cristo nos chamou (Galatas 5,1). Nisso não vai nenhum gosto pelo Negativo nem vontade de acrescentar desmoralização sobre desmoralização. O cristão tem que ser adulto, não pode se deixar infantilizar nem permitir que lhe neguem conhecimentos em teologia e em história para dar-se conta de quão humana e demasiadamente humana pode ser a instituição que nos vem dos Apóstolos.
         Há uma longa tradição teológica que se refere à Igreja como casta meretriz,  tema abordado detalhadamente por um grande teólogo, amigo do atual Papa, Hans Urs von Balthasar (ver em Sponsa Verbi,  Einsiedeln 1971, 203-305). Em várias ocasiões o teólogo J. Ratzinger se reportou a esta denominação.
A Igreja é uma meretriz que toda noite se entrega à prostituição; é casta  porque Cristo, cada manhã se compadece dela, a lava e a ama.
          O  habitus meretrius da instituição, o vício do meretrício, foi duramente criticado pelos Santos Padres da Igreja como Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerônimo e outros. São Pedro Damião chega a chamar o referido Gregório VII de “Santo Satanás” (D. Romag, Compêndio da história da Igreja, vol 2, Petrópolis 1950,p.112). Essa denominação dura nos remete àquela de Cristo dirigida a Pedro. Por causa de sua profissão de fé o chama “de pedra”mas por causa de sua pouca fé e de não entender os desígnios de Deus o qualificou de “Satanás”(Evangelho de Mateus 16,23). São Paulo parece um moderno falando quando diz a seus opositores com fúria: ”oxalá sejam castrados todos os que vos perturbam”(Gálatas 5.12).
         Há portanto, lugar para a profecia na Igreja e para a denúncias dos malfeitos que podem ocorrer no meio eclesiástico e também no meio dos fiéis.
         Vou referir outro exemplo tirado de um santo querido da maioria dos católicos brasileiros, por sua candura e bondade: Santo Antônio de Pádua. Em seus sermões, famosos na época, não se mostra  nada doce e gentil. Fez vigorosa crítica aos prelados devassos de seu tempo. Diz ele: “os bispos são cachorros sem nenhuma vergonha, porque sua frente tem cara de meretriz e por isso mesmo não querem criar vergonha”(uso a edição crítica em latim publicada em Lisboa em 2 vol em 1895). Isto foi proferido no sermão do quarto domingo depois de Pentecostes ( p. 278). De outra vez,  chama os prelados de “macacos no telhado, presidindo dai o povo de Deus”(op cit  p. 348).  E continua:” o bispo da Igreja é um escravo que pretende reinar, príncipe iniquo, leão que ruge, urso faminto de rapina que espolia o povo pobre”(p.348). Por fim na festa de São Pedro ergue a voz e denuncia:”Veja que Cristo disse três vezes: apascenta e nenhuma vez tosquia e ordenha… Ai daquele que não apascenta nenhuma vez e tosquia e ordena três ou mais vezes…ele é um dragão ao lado da arca do Senhor que não possui mais que aparência e não a verdade”(vol. 2, 918).
         O teólogo Joseph Ratzinger explica o sentido deste tipo de denúncias proféticas:” O sentido da profecia reside, na verdade, menos em algumas predições do que no protesto profético: protesto contra a auto-satisfação das instituições, auto-satisfação que substitui a moral pelo rito e a conversão pelas cerimônias” (Das neue Volk Gottes,  Düsseldorf 1969, p. 250, existe tradução português).
         Ratzinger critica com ênfase a separação que fizemos com referencia à figura de Pedro: antes da Páscoa, o traidor; depois de Pentecostes, o fiel. “Pedro continua vivendo esta tensão do antes e do depois; ele continua sendo as duas coisas: a pedra e o escândalo… Não aconteceu, ao largo de toda a história da Igreja, que o Papa, simultaneamente, foi o sucessor de Pedro, a “pedra” e o “escândalo”(p. 259)?
         Aonde queremos chegar com tudo isso? Queremos chegar ao reconhecimento de que a igreja- instituição de papas, bispos e padres, é feita de homens que podem trair, negar e fazer do poder religioso negócio e instrumento de autosatisfação. Tal reconhecimento é terapêutico, pois nos cura de toda uma ideologia idolátrica ao redor da figura do Papa, tido como praticamente infalível. Isso é visível em setores conservadores e fundamentalista de movimentos católicos leigos e também de grupos  de padres. Em alguns vigora uma verdadeira papolatria que Bento XVI procurou sempre evitar.
         A crise atual da Igreja  provocou a renúncia de um Papa que se deu conta de que não tinha mais o vigor necessário para sanar escândalos de tal gravidade. “Jogou a toalha” com humildade. Que outro mais jovem venha a assuma a tarefa árdua e dura de limpar a corrupção da cúria romana e do universo dos pedófilos, eventualmente puna, deponha e envie alguns mais renitentes para algum convento para fazer penitência e se emendar de vida.
         Só quem ama a Igreja pode fazer-lhe as críticas que lhe fizemos, citando textos de autoridade clássicas do passado. Quem deixou de amar a pessoa um dia amada, se torna indiferente à sua vida e destino. Nós nos interessamos à semelhança do amigo e  de irmão de tribulação Hans Küng, (foi condenado pela ex-Inquisição) talvez um dos teólogos  que mais ama a Igreja e por isso a critica.
         Não queremos que cristãos cultivem este sentimento de  de descaso e de indiferença. Por piores que tenham sido seus erros e equívocos históricos, a instituição-Igreja guarda a memória sagrada de Jesus e a gramática dos evangelhos. Ela prega libertação, sabendo que geralmente são outros que libertam e não ela.
          Mesmo assim vale estar dentro dela, como estavam São Francisco, Dom Helder Câmara, João XXIII e os notáveis teólogos que ajudaram a fazer o Concílio Vaticano II e que antes haviam sido todos condenados pela ex-Inquisição, como De Lubac, Chenu, Congar,  Rahner e outros. Cumpre  ajuda-la a sair deste embaraço, alimentando-nos mais do sonho de Jesus de um Reino de justiça, de paz e de reconciliação com Deu e do seguimento de sua causa e destino do que de simples e justificada indignação que pode cair facilmente no farisaísmo e no moralismo.

Leonardo Boff

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publicado às 15:36


Repressão sexual

por Thynus, em 12.12.12

De modo geral, entende-se por repressão sexual o sistema de normas, regras, leis e valores explícitos que uma sociedade estabelece no tocante a permissões e proibições nas práticas sexuais genitais (mesmo porque um dos aspectos profundos da repressão está justamente em não admitir a sexualidade infantil e não genital). Essas regras, normas, leis e valores são definidos explicitamente pela religião, pela moral, pelo direito e, no caso de nossa sociedade, pela ciência também.
Justificativas diferentes, no decorrer da história de uma sociedade, decidem quanto à permissão e à proibição de práticas sexuais que possam conservar ou contrariar as finalidades que tal sociedade atribui ao sexo. Na maioria das vezes, as justificativas serão racionalizações (...).
Assim, por exemplo, numa sociedade que considera o sexo apenas sob o prisma da reprodução da espécie, ou como função biológica procriadora, serão reprimidas todas as atividades sexuais em que o sexo genitalfor praticado sem cumprir aquela função: masturbação ou onanismo, homossexualismo masculino e feminino (ou sodomia), sexo oral (felácio, cunilíngua), sexo anal, coito interrompido, polução sem penetração (voyeurismo).
Também são reprimidas as práticas que possam perturbar as finalidades atribuídas à procriação. É o caso, por exemplo, da transformação do adultério em crime previsto em lei, nas sociedades onde a família, juridicamente constituída, tem como função a conservação e transmissão de um patrimônio ou a reprodução da força de trabalho.
Embora, de direito, o crime de adultério se refira tanto a homens quanto a mulheres, a repressão social se dirige, de fato, para o adultério feminino. Tanto assim que, no Brasil, os chamados ”crimes passionais em defesa da honra”, isto é, o assassinato da esposa e do amante, mas sobretudo o da esposa, não são passíveis de punição (ainda que os movimentos feministas estejam tentando modificar essa situação). No caso da família de classe dominante, o adultério é punido porque nele há risco de geração de um bastardo que participará da partilha dos bens ou da gestão dos capitais; no caso da família de classe explorada, o adultério é reprimido porque há risco de gerar, para um outro, uma boca a mais a alimentar, sem que o gerador seja responsabilizado pela criança.


(Marilena Chaui – “Repressão Sexual”)

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publicado às 07:30

 

 

De modo geral, entende-se por repressão sexual o sistema de normas, regras, leis e valores explícitos que uma sociedade estabelece no tocante a permissões e proibições nas práticas sexuais genitais (mesmo porque um dos aspectos profundos da repressão está justamente em não admitir a sexualidade infantil e não genital). Essas regras, normas, leis e valores são definidos explicitamente pela religião, pela moral, pelo direito e, no caso de nossa sociedade, pela ciência também.
Justificativas diferentes, no decorrer da história de uma sociedade, decidem quanto à permissão e à proibição de práticas sexuais que possam conservar ou contrariar as finalidades que tal sociedade atribui ao sexo. Na maioria das vezes, as justificativas serão racionalizações (...).
Assim, por exemplo, numa sociedade que considera o sexo apenas sob o prisma da reprodução da espécie, ou como função biológica procriadora, serão reprimidas todas as atividades sexuais em que o sexo genital for praticado sem cumprir aquela função: masturbação ou onanismo homossexualismo masculino e feminino (ou sodomia), sexo oral (felácio, cunilíngua), sexo anal, coito interrompido, polução sem penetração (voyeurismo).
(...)Uma leitura dos livros de boas-maneiras para meninos e meninas das classes dominantes católicas é suficiente para percorrermos o minucioso controle do corpo, apresentado como boa-educação. Os meninos, por exemplo, não devem conservar as mãos nos bolsos. Conservá-las ali seria sinal de avareza? Talvez. Mas a proibição visa a outro fim: impedir a tentação da masturbação. As meninas não devem cruzar as pernas na altura dos joelhos, mas apenas na dos calcanhares. Sinal de elegância? Assim o diz a racionalização. Na verdade, trata-se de impedir que, pela fricção das coxas, a menina também se masturbe. Não se deve falar com superior fitando-o nos olhos. Sinal de modéstia e de obediência? Não. Risco de sedução sensual. Em suma, o ”templo do Espírito Santo” parece ter-se convertido num baú do diabo...
(...) A masturbação é pedagogicamente recomendada, pois a sexologia considera que só é possível amar outra pessoa quando se ama a si mesmo (nova versão do Segundo Mandamento e que os críticos julgam própria da civilização do selfservice).
(Marilena Chaui – “Repressão Sexual”)

Lembro-me de clientes em terapia que afirmavam sentir-se culpados com a masturbação porque, quando jovens, seus pais lhes ensinaram que isso era pecado. Às vezes um terapeuta “resolve” esse problema substituindo a autoridade dos pais do cliente pela sua própria e assegurando que a masturbação é uma atividade perfeitamente aceitável. Contudo, isso é assumir que a “culpa” é causada por uma concepçãoerrônea da moralidade da masturbação. Minha tendência é ver esse fato como o “problema da cortina defumaça”. O problema mais profundo é a dependência e o medo da auto-afirmação; mais especificamente, omedo de desafiar os valores de outras pessoas importantes. Portanto, trabalho primeiro para modificar adefinição do problema, assim: “EU não acho que a masturbação seja pecado, mas tenho medo dadesaprovação dos meus pais”. Reformulando o problema dessa maneira, nos afastamos da culpa e da autocondenação; damos ao problema uma definição mais útil e acurada. E o desafio passou a ser: “ESTOUPRONTO A ASSUMIR E A AGIR DE ACORDO COM MINHAS PRÓPRIAS PERCEPÇÕES E CONVICÇÕES?”. Essa disposição é um dos significados de “honrar o próprio ser”. Quando a pessoa aceita esse desafio, a autoestima aumenta. 
(Nathaniel Branden - "Auto-estima: como aprender a gostar de si mesmo")

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publicado às 12:51


...

por Thynus, em 05.12.12

"Na Grécia antiga, o homossexualismo masculino era não só permitido como altamente respeitado. O cristianismo veio condenar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, fazendo com que o homossexualismo fosse banido.
Na era vitoriana, até a existência da homossexualidade era negada. Se descoberta, era considerada obra do diabo e punida com severidade. Mesmo às portas do século XXI, as gerações ma
is antigas ainda acreditam que o homossexualismo seja um fenómeno "antinatural". Ele, na verdade, sempre esteve presente desde que o feto do sexo masculino deixou de receber a dose necessária de hormônio, A palavra "lesbianismo" vem da ilha grega de Lesbos e surgiu em 612 a. C. A homossexualidade feminina não é vista com tanto preconceito quanto a masculina, provavelmente porque está mais associada à intimidade do que ao que se considera "perversão." 

(Allam e Barbara Pease in "Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?)

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