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Durante uma visita oficial ao Chile, o secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, recusou a ligação entre os casos de pedofilia dos membros do clero e o celibato, relacionando-os antes com a homossexualidade: "Numerosos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não existe uma relação entre o celibato e a pedofilia e muitos outros provaram - e disseram-mo recentemente - que a relação é com a homossexualidade. Essa é a verdade, esse é o problema", afirmou o cardeal.
Por seu lado, associações de homossexuais e deputados chilenos desafiam o número dois do Vaticano a mostrar evidências científicas que associem a homossexualidade à pedofilia: "Adoraria conhecer os estudos científicos que ele diz possuir, pois não compartilho da sua opinião. Tenho em elevada consideração o cardeal Bertone, mas parece-me que, neste ponto, ele está enganado", afirmou o senador democrata cristão Patricio Walker (Chile). "Estudei o assunto e, sendo advogado, não psiquiatra, apresentei projetos de lei contra a pedofilia que hoje são legislação. A pedofilia é um problema mental de natureza sexual que tanto se revela em homossexuais como em heterossexuais", acrescentou.]
E a psiquiatra Tamara Galeguillos, da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, acrescenta: "Desafio o secretário de Estado do Vaticano, a hierarquia da Igreja Católica, a apresentar um relatório científico rigoroso, sério e independente da religião que comprove a referida ligação", sublinhou, manifestando uma posição apoiada nos meios científicos. "Parece-me impossível pensar numa relação direta entre homossexualidade e pedofilia, pelo menos com base na minha experiência", declarou a psiquiatra que, no âmbito do seu trabalho sobre delitos sexuais no Instituto Médico Legal, surgem tanto pedófilos homossexuais como heterossexuais.
“A Comunidade científica da Ordem dos psicólogos do Lazio rejeita firmemente as reivindicações do Secretário de Estado do Vaticano Tarcisio Bertone, que ligaram a homossexualidade com pedofilia.' A afirmá-lo foi o presidente da Associação de Psicólogos do Lazio, Marialori Zaccaria, para o qual, “as afirmações de uma voz tão autorizada vêm reforçar a existência de uma cultura homofóbica” no seio da Igreja.
"Se podemos compreender o desconforto da Igreja em relação aos numerosos incidentes de abuso que ocorridos dentro da Igreja Católica e denunciados pela imprensa internacional, não podemos aceitar a escolha de uma linha de defesa irresponsável pelos efeitos que pode causar".
No mínimo as declarações do senhor cardeal são irresponsáveis e criminosas. "Não faz sentido cientificamente e é intelectualmente desonesto", aponta Júlio Machado Vaz, psiquiatra e sexólogo e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.
Ao relacionar a pedofilia com a homossexualidade o cardeal pretendeu escamotear a questão do celibato obrigatório, uma pedra no sapato na Igreja romana. Também o Movimento Nós Somos Igreja defende que está na hora da Igreja pôr fim à proibição dos padres casarem. "O celibato deve acabar porque não é essencial para o desempenho das funções de padre", refere Alfreda Ferreira da Fonseca.
A professora de filosofia acrescenta que as denúncias de pedofilia no seio da Igreja Católica podem servir para a instituição "resolver as questões da sexualidade, que devem ser pensadas não com critérios medievais, mas com critérios contemporâneos".
O secretário de Estado do Vaticano pelos vistos perdeu mais uma grande oportunidade de ficar calado ao tentar esconder o sol com uma peneira. Ou será que o senhor cardeal ainda acredita e defende que o Sol gira em volta da Terra? Perdoai-lhe, Senhor, porque ele não sabe o que diz!

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publicado às 12:15

As violências sexuais cometidas por membros do clero, especialmente, contra os menores, estão ligadas a uma cultura impregnada de fobia sexual que tem como consequência directa que da fobia sexual se passe à violência sexual. O cardeal Ratzinger juntamente com o cardeal Bertone, que hoje são, um, Papa, e o outro, ministro das Relações Exteriores do Vaticano, decidem, através de uma carta "De Delicti Gravioribus" fazer saber aos bispos de todo o mundo, que o documento de 62 é ainda é válido.
Mas esse documento, ninguém o conhecia, era um documento secreto, e foi somente em 2001 que se tomou conhecimento da existência de um documento "secreto" que falava sobre como lidar com casos em que a Igreja chama de "crimes de solicitação" que soa melhor do que" Pedofilia ". Foi justificado pelo fato de que houve aumento dos casos que vieram a público, especialmente na América, mas não só.
Só que nos Estados Unidos havia uma justiça que funcionava, ou seja, fazia o seu dever, isto é, investigava, condenava, pedia indenização às Dioceses, porque então havia o costume, quando o bispo tomava conhecimento de que um padre fosse pedófilo, transferi-lo para outra paróquia, em vez de removê-lo e denunciá-lo. Este é um documento secreto para ser cuidadosamente guardado na Cúria, não deve ser comentado, deve ser somente aplicado.
Contém mais de 20 anexos, são as fórmulas com que os pedófilos podem reabilitar-se. Uma pouco de oração, alguma desculpa e recomeça-se de novo. Regulamentado nos mínimos detalhes "O carrossel da pedofilia" está lá. Não basta pedir desculpas, há responsabilidades, subjetivas, objetivas, a serem consideradas pela Justiça Civil.
Tínhamos chegado perto de 2005 na América, quando Daniel Shea, um advogado de Houston, chamou o então cardeal Ratzinger a tribunal para responder à sua carta de 2001. Daí a alguns meses, o cardeal Ratzinger, antes de ir a tribunal, foi eleito Papa. Logo depois, pediu às autoridades dos E.U.A. de poder usufruir da imunidade diplomática. Imunidade diplomática que o presidente Bush concedeu-lhe prontamente.
...
Se até hoje prevaleceu a defesa do "bom nome" da instituição a ser protegida dos escândalos e, portanto, do sacerdote "paternalmente protegido" pelo seu bispo, agora finalmente é a condição da vítima, a mando do Papa, a ser considerada em primeiro lugar. Isto significa que os bispos e “superiores” religiosos que se tornem conhecedores de abusos sexuais sobre menores, mesmo que não tenham a obrigação da denúncia, são obrigados a assegurar a plena cooperação com os investigadores, e a ajudar as vítimas e os próprios autores de crimes a fazer queixa às autoridades civis.
O convite é também a reconsiderar comportamentos concretos dos líderes das dioceses, desvalorizações, para não dizer verdadeiras e próprias coberturas dos padres "molestadores" mudados para paróquias onde não eram conhecidos e onde voltaram a cometer os seus abusos. Cedo ou tarde, devemos pedir responsabilidades à Igreja, que não vê, não ouve, não lê sequer os jornais, porque agora, também nos jornais de todo o mundo, tornou-se claro que há um problema!
Francesco Zanardi,
porta-voz das vítimas de abusos de Savona.

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publicado às 21:10


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