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SEXO E VIDA

por Thynus, em 18.12.16

 Duas atitudes extremas em relação a este relevante problema da vida devem ser evitadas pelos candidatos a uma vida feliz e saudável:

— castração psíquica;

— a desregrada e irracional gratificação.

A primeira é o caso dos que, por ignorância e erro, fazem do sexo um tabu, e por isso o evitam, condenam e, mesmo, o temem. Quem vê no sexo, uma imundície, uma ofensa à moral religiosa, portanto algo a ser temido; quem vê no ato sexual o "pecado original", que nos condenou ao inferno; quem vê no sexo um antideus, uma degradação, uma condenação à "vida sem Deus" ou uma vergonha a ser ocultada; quem vê no sexo uma fraqueza ou artimanha engendrada por belzebu, para tomar nossa alma; quem vê o sexo assim tão deformado, precisa mudar de idéia e começar a descobrir que, além de não ser pecado, nem ser proibido por Deus, é, ao contrário, uma expressão do próprio Deus Onipresente.

Esta castração nascida da mente é que mereceria ser chamada de belzebu. E tem sido tormento e desequilíbrio para muitos seres humanos.

É impossível, em poucas frases, demonstrar que, dentro dos limites da normalidade, o sexo é, não apenas benéfico, mas mesmo uma necessidade biológica, psíquica, moral e espiritual.

O próprio Yoga, mal interpretado, tem criado dificuldades àqueles que fanática e irracionalmente se decidem a cumprir um preceito chamado brahmacharya, que, ao pé da letra, quer dizer, caminho (charya) do Absoluto (Brahma). Esta palavra tem sido traduzida por quase todos os autores como "castidade" ou "celibato", sendo, portanto, interpretada como um veto ao sexo, uma repressão, que pode ser desastrosa aos homens vulgares.

Pobres daqueles que, sem as condições espirituais necessárias, fazem votos de castidade. Sob o peso das tensões e desequilíbrios de que caem presas, ou publicamente renunciam ao voto, ou resolvem a "coisa" na base da moral clandestina (para os outros, são renunciantes, mas, às escondidas, "dão suas voltinhas").

"Quem não pode com o peso não pega na rodilha", diz o refrão popular. Quem não tem condições espirituais para fazer renúncia ao sexo não deve fazê-la. Os verdadeiros Yoguis não reprimem por medo ou por considerarem o sexo um empecilho à realização espiritual. Eles o fazem com o fim de transformar ás energias sexuais em ojas, fulgor e força criadora do espírito e o fazem sem dar publicidade ao fato e sem qualquer violência contra a natureza. Eles não frustram ou recalcam a função 6exual que, para eles, já deixou de ser uma necessidade. Sua renúncia é resultado de maturação espiritual e, por seu turno, concorre para maior evolução.

No entanto, pode-se fazer o sexo e gozar de seus prazeres, procriando, em estado de pureza, com castidade. Para os casados, a castidade (brahmacharya) consiste em não corromper a cópula, transformando-a em divertimento excitante do qual a luxúria expulsou o amor.

O sexo é um fenômeno global, comportando vários patamares ou níveis do ser. O amor conjugai verdadeiro e santo, começa pela união em espírito e termina no nível genital. { Quando somente o último existe, estamos diante da ano- : malia, que nunca deixou de gerar decepção, desencanto, ciúme ( e crimes passionais.

A segunda atitude extremada em relação ao sexo é exatamente o abuso. É expressão de uma forma de primitivismo ou desequilíbrio psíquico, que costumo chamar geniíolatria, isto é, a busca desenfreada, inconseqüente de prazeres apenas genitais, sem qualquer participação dos níveis mais sutis e refinados do amor. O desvirtuamento, a exacerbação, a aberração da função sexual, é doença a requerer tratamento, e, infelizmente, tão freqüente, que chega a ser normal, ou t,**^., .<> o .& ,

Para terminar, eu diria que seu bem-estar e saúde psicossomática serão muito beneficiados se, sexualmente, você se comportar com pureza e castidade. Seja casto. Para isto, aprenda a amar integralmente, isto é, a partir do plano espiritual. Faça do ato sexual apenas uma parte do amor divinizado e divinizante. Seja natural. Atenda aos salutares e normais impulsos.

Evite o artificial, o antinatural. Defenda-se contra a dissipação engendrada pela erotização industrializada de nosso tempo.

Há nos dias atuais uma verdadeira indústria do erótico, em revistas, livros, filmes e teatro. Deixe isto para os outros. Que a vontade de copular seja o natural, concomitante e fruto do amor puro, limpo e santificante.

Quando você e o ser amado se extasiarem mutuamente num olhar cheio de divina ternura e apenas com isto se sentirem plenamente satisfeitos, não pensem em impotência. Ao contrário, exultem, pois estão alcançando, na vida sexual, um plano inacessível aos animais e aos imaturos.

Sendo você um praticante de Yoga, nem de leve receie impotência.

A impotência ou frieza pode ter causa anatômica ou fisiológica. Quanto à primeira, às vezes só o trabalho cirúrgico. Quanto à segunda, o Yoga resolve, quer se trate de anormalidade funcional, quer seja causada por desnutrição ou envelhecimento endócrino, quer seja de origem psíquica.

A prática de Yoga proporciona muita energia sexual, mas, ao mesmo tempo, tranqüilizando e reequilibrando a mente, vai corrigindo as causas psíquicas da genitomania.

O yoguin é rico em potencial, mas tem a tranqüilidade sóbria de quem é soberano. A soberania nasce da equanimidade.

 

(Hermógenes - Yoga para Nervosos)

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