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Seres de luz

por Thynus, em 28.04.17
Schroedinger descobriu que a qualidade da comida tem que ser medida em termos de sua capacidade organizativa, ele a chamava “megantropia da comida”: os humanos e os animais são mais ou menos “ladrões de ordem”. Nossa idéia era medir esta capacidade organizativa da comida mediante a interação de fótons, porque as plantas vivem da luz do sol. A luz do sol é uma comida natural das plantas, e também dos humanos e dos animais, no sentido de que se alimentam de plantas que têm fótons armazenados. Por exemplo, se separamos a glicose – o açúcar – em CO2 e H2O, ambos são componentes moleculares do açúcar, mas ambos contém luz do sol, armazenam luz do sol, e nosso corpo aproveita o CO2 e o H2O do açúcar, e o resto é luz do sol, que permanece em nosso corpo enquanto o CO2 e o H2O desaparecem. Portanto, também vivemos da luz e temos que encontrar como se realiza esta conexão entre a capacidade de armazenagem da comida e sua qualidade. É muito provável que a qualidade da comida seja melhor quanto maior seja sua capacidade de armazenar luz, e por isso medimos sua capacidade de armazenar luz. Isto parece muito simples explicado assim, mas é muito mais complexo.
(Dr Fritz Albert Popp, biofísico e cientista alemão)


FRITZ-ALBERT POPP ACHOU QUE HAVIA descoberto a cura do câncer. Estávamos em 1970, um ano antes da viagem de Edgar Mitchell à Lua, e Popp, um biofísico teórico da Universidade de Marburg, na Alemanha, vinha dando aulas sobre radiologia: a interação da radiação eletromagnética nos sistemas biológicos. Ele estivera examinando o benzo[a]pireno, um hidrocarboneto policíclico conhecido como um dos carcinógenos mais letais para os seres humanos e o iluminara com luz ultravioleta.
Fritz Albert Popp e a Comunicação Celular por meio de fótons
 
Popp brincava muito com a luz. Era fascinado pelo efeito da radiação eletromagnética sobre os sistemas vivos desde os tempos em que estudara na Universidade de Würzburg. Durante o período em que cursou a graduação, ele estudava na casa, às vezes na própria sala, onde Wilhelm Rontgen por acidente tropeçara no fato de que os raios de determinada frequência podiam produzir imagens das estruturas rígidas do corpo.
Popp estivera tentando determinar o que seria obtido se esse composto químico fatal fosse estimulado com luz ultravioleta (UV). Descobriu que o benzo[a]pireno possuía uma propriedade óptica bem estranha: absorvia a luz, mas em seguida a reemitia em uma frequência completamente distinta, como se um agente secreto da CIA interceptasse um sinal de comunicação do inimigo e o confundisse. Era uma substância química que também tinha a função de misturador, ou embaralhador, de frequências biológicas. Popp realizou então o mesmo teste no benzo [e]pireno, outro hidrocarboneto policíclico, que é praticamente idêntico sob todos os aspectos ao benzo[a]pireno, exceto por uma minúscula alteração na estrutura molecular. Essa diferença ínfima em um dos anéis do composto químico era fundamental, pois tornava o benzo [e]pireno inofensivo para os seres humanos. A luz passava inalterada por essa substância química particular.
Popp continuou perplexo com essa diferença e continuou a experimentar com a luz e com os compostos químicos. Ele realizou esse mesmo teste em 37 outras substâncias químicas, algumas causadoras de câncer e outras não. Depois de algum tempo, as coisas chegaram a um ponto em que ele era capaz de prever quais substâncias poderiam causar câncer. Os compostos químicos que eram carcinogênicos sempre recebiam a luz UV, absorviam-na e mudavam a frequência dela.
Esses compostos químicos tinham outra propriedade estranha: cada um dos carcinógenos reagia à luz apenas em um comprimento de onda específico: 380 nanômetros. Popp continuou a se perguntar por que uma substância causadora de câncer seria um misturador de luz. Ele começou a consultar a literatura científica, em particular a respeito das reações biológicas humanas, e se deparou com informações acerca de um fenômeno chamado "fotorreparação". E de conhecimento geral que, a partir de experiências biológicas de laboratório, se pudermos bombardear uma célula com luz UV de maneira que 99% dela, inclusive seu DNA, sejam destruídos, é possível reparar inteiramente o dano em um único dia apenas iluminando a célula com o mesmo comprimento de onda de intensidade muito fraca. Até hoje, os cientistas convencionais não entendem esse fenômeno, mas ninguém o questionou. Popp também sabia que os pacientes com um problema de pele chamado xeroderma acabam morrendo de câncer de pele porque o sistema de fotorreparação deles não funciona e, portanto, não repara o dano causado pelo Sol. Popp ficou aturdido ao descobrir que a fotorreparação obtém máxima eficiência a 380 nanômetros - o mesmo comprimento de onda que os compostos químicos causadores de câncer embaralham e ao qual reagem.
Foi aí que Popp deu seu salto lógico. A natureza era perfeita demais para que isso fosse uma simples coincidência. Se os carcinógenos só reagiam a esse comprimento de onda, ele precisava necessariamente estar de alguma forma relacionado com a fotorreparação. Se fosse este o caso, isso significaria que precisava haver alguma luz no corpo responsável pela fotorreparação. Um composto químico cancerígeno deve causar câncer porque bloqueia permanentemente essa luz e a embaralha, de modo que a fotorreparação não consegue mais funcionar.
Popp ficou profundamente perplexo ao pensar nisso tudo. Decidiu que essa seria a base de seu trabalho futuro. Redigiu sua dissertação, mas falou com poucas pessoas a respeito dela. Ficou contente, mas não propriamente surpreso, quando uma prestigiosa publicação especializada em câncer concordou em publicá- la.1 Nos meses que antecederam a publicação do trabalho, Popp ficou um tanto impaciente, preocupado com a possibilidade de a sua ideia ser roubada. Qualquer revelação descuidada de sua parte para um observador casual poderia levar o ouvinte a patentear a descoberta de Popp. Tão logo a comunidade científica se desse conta de que Popp havia descoberto a cura do câncer, ele seria um dos cientistas mais celebrados de sua época. Era sua primeira incursão em uma nova área da ciência, que iria proporcionar-lhe o prêmio Nobel.
Popp, afinal de contas, estava acostumado a homenagens. Até aquele momento, ganhara quase todos os prêmios que poderiam ser concedidos na vida acadêmica. Até mesmo conquistara o prêmio Rontgen por seu trabalho final na graduação, que consistiu na construção de um pequeno acelerador de partículas. Esse prêmio, que tinha o nome do herói de Popp, Wilhelm Rontgen, é concedido todos os anos ao melhor aluno da graduação de física da Universidade de Würzburg. Popp estudara como um jovem possuído. Terminara os exames bem antes dos outros alunos. Recebeu o seu doutorado em física teórica em tempo recorde, levando pouco mais de dois anos para concluir o curso, que costumava durar cinco anos para a maioria dos acadêmicos. Na ocasião de sua descoberta, Popp já era famoso entre os colegas como um jovem gênio, não apenas por causa de sua capacidade, mas devido à sua aparência jovem e elegante.
Quando a dissertação foi publicada, Popp tinha 33 anos e era bem apessoado, tinha o queixo erguido, os olhos azuis acinzentados, o olhar direto de um valentão de Hollywood e um rosto de menino que levava todos a supor que ele era anos mais jovem. Até mesmo sua esposa, sete anos mais nova, era frequentemente tida como mais velha do que ele. E na verdade, havia algo de valentão a respeito dele; Popp tinha a reputação de ser o melhor esgrimista do campus, condição que fora posta à prova em vários duelos, um dos quais o deixara com um corte ao longo do lado esquerdo da cabeça.
A aparência e a postura de Popp não correspondiam à seriedade de seus estudos. À semelhança de Edgar Mitchell, ele era ao mesmo tempo filósofo e cientista. Quando ainda era criança, tentara compreender o mundo, encontrar uma solução geral que pudesse aplicar a tudo na sua vida. Planejara inclusive estudar filosofia, até que um professor o convenceu de que a física talvez fosse um território mais fértil, já que ele desejava encontrar uma única equação que contivesse o segredo da vida. Não obstante, a física clássica, com sua afirmação de que a realidade é um fenômeno que independe do observador, o deixara profundamente desconfiado. Popp havia estudado Kant e acreditava, assim como o filósofo, que a realidade era a criação de sistemas vivos. O observador precisa estar no centro da criação de seu próprio mundo.
Popp foi exaltado por sua dissertação. O Deutsche Krebsfors- chungszentrum (Centro Alemão de Pesquisa do Câncer), em Heidelburg, convidou-o para falar diante de quinze dos principais especialistas em câncer do mundo durante uma conferência de oito dias sobre todos os aspectos do câncer. O convite para fazer uma palestra para um grupo tão distinto foi uma oportunidade incrível, que aumentou seu prestígio no campus universitário. Ele chegou vestindo um terno novo, era a presença mais elegante no congresso acadêmico, mas foi o pior orador, pois precisou se debater com o seu inglês para se fazer entender.
Tanto na apresentação como na dissertação, a competência científica de Popp era inatacável, exceto por um detalhe: o trabalho partia do princípio que uma luz fraca de 380 nanômetros estava de alguma maneira sendo produzida no corpo. Para os pesquisadores do câncer, esse detalhe era uma espécie de piada. Você não acha, perguntaram eles a Popp, que se houvesse luz no corpo, alguém, em algum lugar, já teria percebido?
Uma única pesquisadora, uma fotoquímica do Instituto Madame Curie, que estava trabalhando na atividade carcinogênica das moléculas, acreditava que Popp estava certo. Convidou-o para trabalhar com ela em Paris, mas morreu de câncer antes que Popp pudesse se juntar a ela.
Os pesquisadores desafiaram Popp a apresentar provas, e ele estava preparado com um contradesafio. Se eles o ajudassem a construir o equipamento adequado, ele mostraria de onde a luz vinha.
Pouco tempo depois, um aluno chamado Bernhard Ruth procurou Popp e pediu que ele orientasse sua dissertação de doutorado.
- Claro — respondeu Popp -, mas você precisa mostrar que existe luz no corpo.
Ruth achou a sugestão ridícula. É claro que não há luz no corpo.
- Tudo bem - disse Popp. — Apresente-me então uma evidência de que não há luz no corpo e você poderá obter seu diploma de doutorado.
Esse encontro foi excelente para Popp, pois Ruth revelou-se um excelente físico experimental. Ele se empenhou em construir um equipamento que iria demonstrar, de uma vez por todas, que nenhuma luz era emanada pelo corpo. Em dois anos, ele produziu uma máquina que lembrava um detector de raios X (EMI 9558QA selected typed), que usava uma fotomultiplicadora que lhe permitia contar a luz, fóton por fóton. Até hoje esse ainda é um dos melhores equipamentos da área. A máquina precisava ser altamente sensível, pois estaria medindo o que Popp supunha ser emissões extremamente fracas.
Em 1976, eles estavam prontos para o primeiro teste. Tinham cultivado pepinos que brotaram de sementes, que estão entre as plantas mais fáceis de cultivar, e os colocaram na máquina. A fotomultiplicadora detectou que fótons, ou ondas luminosas, de intensidade surpreendentemente elevada estavam sendo emitidas pelos pepinos. Ruth mostrou-se muito cético. Isso tinha alguma coisa a ver com a clorofila, argumentou ele — ponto de vista compartilhado por Popp. Decidiram que no teste seguinte, com algumas batatas, cultivariam as plantas no escuro, para que não fizessem fotossíntese. Mesmo assim, quando foram colocadas no foto- multiplicador, as batatas registraram uma intensidade de luz ainda maior.2 Popp deduziu que era impossível que o efeito tivesse qualquer relação com a fotossíntese. Além disso, esses fótons nos sistemas vivos que eles haviam examinado eram mais coerentes do que qualquer coisa que ele jamais vira.
Na física quântica, coerência quântica significa que partículas subatômicas são capazes de cooperar. Essas ondas ou partículas subatômicas não apenas têm conhecimento umas das outras, mas estão altamente interligadas por faixas de campos eletromagnéticos comuns, de modo que podem se comunicar em conjunto. Elas são como uma profusão de diapasões que começam a reverberar juntos. Quando as ondas entram em fase, começam a agir como uma única onda gigante e uma única partícula subatômica gigante. Torna-se difícil distingui-las. Muitos dos estranhos efeitos quânticos vistos em uma única onda se aplicam ao todo. Algo feito a uma delas afetará as outras.
A coerência estabelece a comunicação. E como uma rede telefônica subatômica. Quanto maior a coerência, melhor a qualidade da rede telefônica e mais refinados são os padrões de onda do telefone. O resultado final se assemelha um pouco a uma grande orquestra. Todos os fótons estão tocando juntos, mas com instrumentos individuais que são capazes de tocar partes solo. Não obstante, quando estamos ouvindo, é difícil distinguir um instrumento isolado.
Ainda mais impressionante era o fato de Popp estar testemunhando o nível mais elevado possível de ordem quântica, ou coerência, em um sistema vivo. Em geral essa coerência - chamada de condensado de Bose-Einstein — só é observada em substâncias materiais como os superfluidos ou supercondutores estudados em laboratório com ambientes extremamente frios - apenas poucos graus acima do zero absoluto —, e não no ambiente quente e desarrumado de um ser vivo.
Popp começou a pensar a respeito da luz na natureza. A luz, é claro, estava presente nas plantas, a fonte de energia usada durante a fotossíntese. É possível que quando comemos alimentos vegetais, pensou ele, absorvamos os fótons e os armazenemos. Por exemplo: se ingerirmos um pouco de brócolis, quando o digerimos ele é metabolizado em dióxido de carbono (CO ) e água, mais a luz armazenada do Sol e presente na fotossíntese. Extraímos o CO2 e eliminamos a água, mas a luz, uma onda eletromagnética, precisa ser armazenada. Quando recebida no corpo, a energia desses fótons se espalha, sendo depois distribuída por todos os espectros de frequências eletromagnéticas, da mais baixa à mais alta. Essa energia torna-se a força motriz de todas as moléculas do nosso corpo.
Os fótons ativam os processos do corpo como um maestro introduz cada instrumento individual no som coletivo. Em frequências diferentes, eles executam funções distintas. Popp descobriu, por meio de experiências, que as moléculas nas células respondiam a certas frequências e que uma amplitude de vibrações dos fótons causava uma variedade de frequências em outras moléculas do corpo. As ondas de luz também responderam à pergunta de como o corpo era capaz de realizar, instantaneamente, complicadas façanhas com diferentes partes do corpo ou fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo. Essas "emissões de biofótons", como ele estava começando a chamá-las, podiam fornecer um perfeito sistema de comunicação, transferir informações para muitas células do organismo. Mas a pergunta mais importante permanecia: de onde elas estavam vindo?
Um aluno muito talentoso de Popp o convenceu a tentar uma experiência. Sabe-se que quando aplicamos uma substância química chamada brometo de etídio em amostras de DNA, a substância se comprime no meio dos pares de bases da dupla hélice fazendo com que ela se desenrole. O aluno sugeriu que, após aplicar a substância, ele e Popp tentassem medir a luz que se desprendia da amostra. Popp descobriu que quanto mais ele aumentava a concentração da substância química, mais o DNA se desenrolava, e a intensidade da luz também ficava mais forte.3 Ele também descobriu que o DNA era capaz de emitir uma vasta amplitude de frequências e que algumas delas pareciam associadas a determinadas funções. Se o DNA estivesse armazenando essa luz, ele naturalmente emitiria mais luz quando se desenrolasse.
Essas e outras pesquisas demonstraram a Popp que um dos maiores depósitos de luz e fontes de emissões de biofótons é o DNA. Este último deveria ser como o diapasão principal no corpo. Ele acionaria uma frequência particular e outras moléculas seguiriam o exemplo. Era perfeitamente possível, compreendeu Popp, que ele tivesse tropeçado no elo perdido da atual teoria do DNA, que talvez pudesse explicar o maior milagre em toda a biologia humana: a maneira como uma única célula se transforma em um ser humano.
Um dos maiores mistérios da biologia é saber como nós e todos os outros seres vivos assumimos formas geométricas. A maioria dos cientistas modernos entendem por que temos olhos azuis ou como chegamos a ter 1,80 m de altura, e até mesmo como as células se dividem. No entanto, a maneira como essas células sabem exatamente onde se colocar em cada estágio do processo de formação para que um braço se torne um braço e não uma perna, assim como o próprio mecanismo que leva essas células a se organizarem e se reunirem, formando algo que se parece com uma forma humana tridimensional, são coisas bem mais difíceis de compreender.
A explicação científica habitual está relacionada às interações químicas entre as moléculas e com o DNA, a dupla hélice espiralada do código genético que contém um modelo das proteínas e aminoácidos do corpo. Cada hélice do DNA, ou cromossomo — e os 26 pares idênticos estão presentes em cada uma dos milhares de milhões de milhões de células do nosso corpo4 -, contém uma longa cadeia de nucleotídeos, ou bases, de quatro diferentes componentes (abreviados como A, T, C e G) dispostos em uma ordem única em cada corpo humano. A ideia preferida é que existe um "programa" genético de genes que operam coletivamente para determinar a forma ou, na perspectiva de neodarwinistas como Richard
Dawkins, que genes implacáveis, como os gângsteres de Chicago, têm poderes para criar a forma e que nós somos "máquinas de sobrevivência" - veículos robóticos programados para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes.5
Essa teoria promove o DNA como o homem da Renascença do corpo humano - arquiteto, mestre-de- obras e casa de máquinas -, cujas ferramentas para toda essa incrível atividade são um punhado de substâncias químicas que formam as proteínas. A visão científica moderna é que o DNA de alguma maneira consegue construir o corpo e liderar todas as suas atividades dinâmicas simplesmente desligando e ligando de modo seletivo determinados segmentos, ou genes, cujos nucleotídeos, ou instruções genéticas, escolhem certas moléculas de RNA, que por sua vez selecionam, em um grande alfabeto de aminoácidos, as "palavras" genéticas que criam proteínas específicas. Essas proteínas são supostamente capazes de desenvolver o corpo e ligar e desligar todos os processos químicos no interior da célula que controlam o funcionamento do corpo.
Sem dúvida, as proteínas desempenham um papel importante nas funções corporais. A falha dos darwinistas reside na explicação insuficiente de como o DNA sabe quando coordenar tudo isso e também como essas substâncias químicas, que colidem às cegas umas com as outras, conseguem operar mais ou menos ao mesmo tempo. Cada célula passa, em média, por cerca de cem mil reações químicas por segundo, um processo que se repete simultaneamente em cada célula do corpo. Em qualquer segundo considerado, ocorrem bilhões de reações químicas de um ou outro tipo. A cronometragem precisa ser muito refinada, pois se qualquer um dos processos químicos individuais em todos os milhões de células do corpo saísse de sincronia por uma fração insignificante de tempo, os seres humanos explodiriam em uma questão de segundos. Mas o que a maior parte dos geneticistas não abordara é: se o DNA é a sala de controle, qual seria então o mecanismo de feedback que possibilita que ele sincronize as atividades dos genes e células individuais de modo que ponham em prática os sistemas em uníssono? Qual é o processo químico ou genético que diz a certas células que elas devem se tornar uma mão e não um pé? E quais processos celulares ocorrem em que ocasião?
Se todos esses genes estão funcionando juntos como uma orquestra inimaginavelmente grande, quem ou o que é o maestro? E se todos esses processos são causados por uma simples colisão química entre moléculas, como podem funcionar rápido o bastante para serem responsáveis pelos comportamentos coerentes que os seres humanos apresentam em cada minuto de suas vidas?
Quando um ovo fertilizado começa a se multiplicar e produzir células-filhas, cada uma começa a adotar uma estrutura e uma função que está de acordo com seu futuro papel no corpo. Embora cada filha contenha os mesmos cromossomos, com as mesmas informações genéticas, certos tipos de células imediatamente "sabem" como usar diferentes informações genéticas para se comportar de um modo distinto das outras, de modo que certos genes precisam "saber" que é a sua vez de ser acionado. Além disso, cada célula precisa ser capaz de ter conhecimento das células vizinhas para descobrir como ela se encaixa no plano global. Isso requer nada menos do que um método engenhoso de comunicação entre as células em um estágio muito inicial do desenvolvimento do embrião, e a mesma sofisticação a cada momento de nossa vida.
Os geneticistas reconhecem que a diferenciação das células depende por inteiro do fato de as células saberem se diferenciar desde cedo e depois, de algum modo, lembrarem-se de que são diferentes e passarem adiante essa informação vital para as gerações subsequentes de células. No momento, os cientistas dão de ombros para como tudo isso pode ser realizado, ainda mais por acontecer em um ritmo tão rápido.
O próprio Dawkins admite o seguinte: "Como exatamente isso acaba conduzindo ao desenvolvimento de um bebê é uma história que levará décadas, talvez séculos, para ser solucionada pelos embriologistas. Mas que esse desenvolvimento acontece é um fato.""
Em outras palavras, à semelhança de policiais desesperados para encerrar um caso, os cientistas prenderam o suspeito mais provável sem se incomodar com o processo de recolher provas. Os detalhes dessa certeza absoluta, de como as proteínas poderiam realizar tudo isso sozinhas, são deixados sem solução.7 Quanto à orquestração dos processos celulares, os bioquímicos nunca de fato fazem essa pergunta.8
O biólogo britânico Rupert Sheldrake preparou um dos mais constantes e ruidosos desafios a essa abordagem, argumentando que a ativação dos genes e as proteínas não explicam o desenvolvimento da forma, assim como a entrega de materiais de construção no local de uma obra não explica a estrutura da casa que está sendo construída. A teoria genética atual tampouco esclarece, afirma ele, como um sistema em desenvolvimento pode autorregular-se ou crescer normalmente se uma parte do sistema for acrescentada ou removida, e também não explica como um organismo se regenera, substituindo estruturas ausentes ou danificadas.9
Em um ímpeto de febril inspiração enquanto estava em um ashram na índia, Sheldrake elaborou sua hipótese de causação formativa, que argumenta que a forma das coisas vivas que se auto-organizam - tudo desde moléculas e organismos até a sociedade e as galáxias - é moldada por campos mórficos. Esses campos possuem uma ressonância mórfica, uma memória cumulativa, de sistemas semelhantes através das culturas e do tempo, de modo que espécies de animais e de plantas não apenas "se lembram" de qual deve ser a aparência delas, mas de como devem agir. Rupert Sheldrake usa o termo "campos mórficos" e todo um vocabulário de sua própria criação para descrever as propriedades auto-organizadoras dos sistemas biológicos. A "ressonância mórfica" é, a partir do ponto de vista dele, "a influência de semelhante sobre semelhante através do espaço e do tempo". Ele acredita que esses campos (e acha que existem muitos deles) são diferentes dos campos eletromagnéticos porque reverberam através das gerações com uma memória inerente da forma e do formato corretos.10 Quanto mais aprendemos, mais facilidade os outros terão para seguirem nossos passos.
A teoria de Sheldrake é bela e elaborada de maneira simples. Não obstante, ele próprio admite que ela não explica as propriedades físicas de como tudo isso pode ser possível, ou de como todos esses campos podem armazenar essas informações.11
Popp acreditava que tinha, nas emissões de biofótons, uma resposta para a questão da morfogênese, assim como para a "gestaltbildung" — a coordenação e comunicação das células que só poderiam ocorrer em um sistema holístico, com um orquestrador principal. Popp demonstrou em suas experiências que essas fracas emissões de luz eram suficientes para orquestrar o corpo. As emissões precisavam ser de baixa intensidade porque essas comunicações ocorriam em um nível quântico, e as intensidades mais elevadas só seriam sentidas no mundo das escalas maiores.
Quando Popp começou a pesquisar essa área, percebeu que estava se apoiando nos ombros de muitas outras pessoas, cujos trabalhos sugeriam um campo de radiação eletromagnética que de algum modo orienta o crescimento do corpo celular. Foi o cientista russo Alexander Gurwitsch que teve o mérito de ser o primeiro a descobrir o que ele chamou de "radiação mitogenética" em raízes de cebola na década de 1920. Gurwitsch postulou que, provavelmente, um campo também era responsável pela formação estrutural do corpo, e não só pelas substâncias químicas. Embora o trabalho de Gurwitsch fosse em grande medida teórico, pesquisadores posteriores conseguiram demonstrar que uma radiação fraca dos tecidos estimula o crescimento das células nos tecidos adjacentes do mesmo organismo.12
Outras pesquisas antigas sobre esse fenômeno - hoje repetidas por muitos cientistas - foram conduzidas na década de 1940 pelo neuroanatomista Harold S. Burr, da Universidade Yale, que estudou e mediu campos elétricos ao redor dos seres vivos, em particular das salamandras. Burr descobriu que estas possuíam um campo de energia moldado como uma salamandra adulta, e que esse modelo existia inclusive no ovo não fertilizado.13
Burr também descobriu campos elétricos ao redor de todos os tipos de organismos, entre eles o mofo, as salamandras, as rãs e os seres humanos.14 As mudanças nas cargas elétricas pareciam estar correlacionadas com o crescimento, o sono, a regeneração, a luz, a água, as tempestades, o desenvolvimento do câncer - e até mesmo com as fases da lua.15 Em suas experiências com as plantas cultivadas a partir de sementes, por exemplo, ele descobriu campos elétricos que se pareciam com a planta adulta final.
Outra experiência preliminar interessante foi realizada no início dos anos 20 por Elmer Lund, pesquisador da Universidade do Texas, sobre as hidras, diminuto animal aquático que possui até doze cabeças capazes de se regenerar. Lund (e depois outros cientistas) descobriu que podia controlar a regeneração aplicando minúsculas correntes através do corpo da hidra. Ao usar uma corrente forte o bastante para neutralizar a força elétrica do animal, Lund conseguiu fazer com que uma cabeça se formasse onde deveria ter surgido uma cauda. Em pesquisas posteriores realizadas na década de 1950, G. Marsh e H. W. Beams descobriram que na presença de voltagens elevadas, até mesmo um platelminto intacto começa a se reorganizar, com a cabeça transformando-se em cauda e vice-versa.16 No entanto, outras pesquisas demonstraram que embriões muito jovens, privados de seu sistema nervoso e transplantados para um embrião saudável, sobreviverão, como um irmão siamês, nas costas dos embriões saudáveis. Outras experiências ainda demonstraram que a regeneração pode até mesmo ser revertida ao se passar uma pequena corrente através do corpo de uma salamandra.
O ortopedista Robert O. Becker se dedicou principalmente a um trabalho relacionado a tentativas de estimular ou acelerar a regeneração nos seres humanos e em outros animais. Entretanto, ele também publicou muitos relatos de experiências no Journal of Bone and Joint Surgery demonstrando uma "corrente de lesão" — onde animais como as salamandras, com membros amputados, desenvolvem uma mudança de carga no local do coto, cuja voltagem aumenta até que o novo membro apareça.17
Muitos biólogos e físicos apresentaram a ideia de que a radiação e as ondas oscilantes são responsáveis pela sincronia da divisão celular e por enviar instruções cromossômicas para todo o corpo. Talvez o mais conhecido deles, Herbert Frohlich, da Universidade de Liverpool e ganhador da prestigiosa Medalha Max Planck (prêmio anual da German Physical Society que visa homenagear a carreira de um físico importante), tenha sido um dos primeiros a introduzir a ideia de que algum tipo de vibração coletiva era responsável por levar as proteínas a cooperar umas com as outras e cumprir instruções do DNA e das proteínas celulares. Frohlich até mesmo previu que certas frequências (hoje chamadas de "frequências de Frohlich") situadas logo abaixo das membranas da célula poderiam ser geradas por vibrações nessas proteínas. A comunicação por onda era supostamente a forma pela qual as menores atividades das proteínas, o trabalho dos aminoácidos, por exemplo, seriam executadas e uma boa maneira de sincronizar as atividades entre as proteínas e o sistema como um todo.18
Em suas próprias pesquisas, Frohlich demonstrara que uma vez que a energia atinge certo limiar, as moléculas começam a vibrar em uníssono até alcançar um nível elevado de coerência. No instante em que as moléculas atingem esse estado de coerência, elas adquirem determinadas qualidades da mecânica quântica, inclusive a não-localidade. Elas chegam ao ponto em que podem funcionar em conjunto.19
O físico italiano Renato Nobili da Universita degli Studi di Padova acumulou provas experimentais de que frequências eletromagnéticas ocorrem em tecidos animais. Ele descobriu em experiências que o fluido nas células promove correntes e padrões de onda, e que eles correspondem a padrões de onda captados em leituras de eletroencefalograma (EEC) realizadas no córtex cerebral e no couro cabeludo.20 O russo Albert Szent-Gyorgyi, ganhador do prêmio Nobel, postulou que as células das proteínas atuam como semicondutores, preservando e passando adiante, como informações, a energia dos elétrons.21
Contudo, a maior parte dessas pesquisas, inclusive o trabalho inicial de Gurwitsch, havia sido em grande medida desconsiderado, principalmente porque não existia nenhum equipamento sensível o bastante para medir essas minúsculas partículas de luz antes da invenção da máquina de Popp. Além disso, quaisquer ideias a respeito do emprego da radiação na comunicação celular eram totalmente desprezadas em meados do século XX, devido à descoberta dos hormônios e ao nascimento da bioquímica, que propunha que tudo podia ser explicado por meio dos hormônios ou de reações químicas."
Na ocasião em que Popp teve à disposição sua máquina de luz, ele estava mais ou menos sozinho no que dizia respeito a uma teoria de radiação do DNA. Porém, continuou obstinadamente com suas experiências, aprendendo mais acerca das propriedades dessa misteriosa luz. Quanto mais ele testava, mais descobria que todas as coisas vivas — das plantas e animais mais básicos aos seres humanos e sua sofisticada complexidade — emitiam uma corrente permanente de fótons, que variavam de apenas alguns poucos a centenas. O número de fótons emitidos parecia estar relacionado com a posição do organismo na escala evolucionária: quanto mais complexo o organismo, menos fótons eram emitidos. Os animais e plantas rudimentares tendiam a emitir 100 fótons por centímetro quadrado por segundo, em um comprimento de onda entre 200 e 800 nanômetros, que corresponde a uma frequência muito elevada de onda eletromagnética, bem dentro da amplitude de luz visível, ao passo que os seres humanos emitiam apenas dez fótons na mesma área, no mesmo tempo e na mesma frequência. Popp também descobriu outra curiosidade. Quando a luz brilhava sobre células vivas, estas assimilavam a luz e, depois de algum tempo, passavam a brilhar intensamente - um processo chamado de "luminescência com retardo". Ocorreu a Popp que isso poderia ser um dispositivo de correção. O sistema vivo precisaria manter um delicado equilíbrio de luz. Nesse caso, quando estava sendo bombardeado com luz em demasia, ele rejeitava o excesso.
Muito poucos lugares no mundo podem ser considerados completamente escuros. O único candidato adequado seria um recinto onde permanecessem apenas um punhado de fótons. Popp tinha um lugar assim, uma sala tão escura que apenas um número bastante reduzido de fótons de luz podia ser detectado nela por minuto. Esse era o único laboratório próprio para a medição da luz dos seres humanos. Ele começou a estudar os padrões das emissões de biofótons de alguns de seus alunos. Em uma série de pesquisas, pediu a um deles - uma jovem saudável de 27 anos - que se sentasse na sala todos os dias durante nove meses, enquanto ele fazia leituras de fótons em uma pequena área da mão e da testa dela. Popp analisou então os dados e descobriu, para sua surpresa, que as emissões de luz seguiam determinados padrões definidos - ritmos biológicos em 7, 14, 32, 80 e 270 dias, quando as emissões eram idênticas, mesmo depois de um ano. As emissões das mãos esquerda e direita também estavam relacionadas. Quando havia um aumento no número de fótons emitidos pela mão direita, um acréscimo semelhante ocorria nos da mão esquerda. Em um nível subatômico, as ondas de cada mão estavam em fase. Sob o aspecto da luz, a mão direita sabia o que a esquerda estava fazendo.
As emissões também pareciam seguir outros ritmos biológicos naturais; similaridades foram observadas durante o dia ou à noite, por semana, por mês, como se o corpo também estivesse seguindo, além de seus próprios, os biorritmos do mundo.
Até então, Popp havia estudado apenas pessoas saudáveis, encontrando uma refinada coerência no nível quântico. Mas que tipo de luz estaria presente em uma pessoa doente? Ele experimentou a sua máquina em uma série de pacientes com câncer. Em todos os casos, os pacientes tinham perdido esses ritmos periódicos naturais, assim como a coerência deles. As linhas de comunicação interna estavam embaralhadas. Haviam perdido a conexão com o mundo. Na verdade, a luz delas estava se extinguindo.
Exatamente o oposto ocorria no caso da esclerose múltipla, um estado de ordem excessiva. As pessoas com essa doença estavam assimilando um excesso de luz, o que estava inibindo a capacidade das células desempenharem suas atividades. O excesso de harmonia cooperativa impedia a flexibilidade e a individualidade: é como um número excessivo de soldados marchando em sincronia quando atravessam uma ponte, fazendo com que ela desmorone. A coerência perfeita é um estado ideal entre o caos e a ordem. No caso do excesso de cooperação, era como se cada membro da orquestra não fosse mais capaz de improvisar. Os pacientes com esclerose múltipla estavam submergindo na luz.23
Popp também examinou o efeito do estresse. Em situações de estresse, a incidência de emissões de biofótons aumentava - um mecanismo de defesa destinado a tentar devolver o equilíbrio ao paciente.
Todos esses fenômenos levavam Popp a pensar nas emissões de biofótons como uma espécie de correção da parte de um sistema vivo de flutuações do campo de ponto zero. Todo sistema gosta de ter um mínimo de energia livre. Em um mundo perfeito, todas as ondas cancelariam umas às outras por meio da interferência destrutiva. No entanto, isso é impossível com o campo de ponto zero, onde essas minúsculas flutuações de energia constantemente perturbam o sistema. A emissão de fótons é um gesto compensatório, destinado a interromper esse distúrbio e tentar alcançar uma espécie de equilíbrio energético. No pensamento de Popp, o campo de ponto zero obriga o ser humano a ser uma vela. O corpo mais saudável teria a luz mais baixa e estaria mais próximo do estado zero, o estado mais desejável, o mais perto que as coisas vivas poderiam chegar do nada.
Popp reconheceu então que o objeto de sua experimentação era algo ainda maior do que uma cura para o câncer ou a gestaltbildung. Ele estava diante de um modelo que oferecia uma explicação melhor do que a teoria neodarwinista vigente para a maneira como os seres vivos evoluem no planeta. Em vez de um sistema de erro auspicioso, mas essencialmente aleatório, o fato de o DNA usar frequências de todo tipo como ferramenta de informação sugeriria, ao contrário, um sistema de feedback de perfeita comunicação, por meio de ondas que codificam e transferem informações.
Talvez isso pudesse explicar a capacidade de regeneração do corpo. Os corpos de inúmeras espécies de animais têm demonstrado a capacidade de regeneração de um membro perdido. As experiências com salamandras na década de 1930 demonstraram que um membro inteiro - pata, pulso, osso, antebraço - podia ser amputado e se regenerar por completo como se estivesse seguindo um projeto oculto.
Esse modelo talvez pudesse explicar também o fenômeno do membro fantasma, a forte sensação física que pessoas mutiladas têm de que uma perna ou um braço amputado ainda está presente. Muitos mutilados que se queixam de câimbras, dores ou coceiras no membro amputado talvez estejam experimentando uma sensação física verdadeira de algo que ainda existe - uma sombra do membro gravada no campo de ponto zero.24
Popp se deu conta de que a luz no corpo talvez pudesse até conter o segredo da saúde e da doença. Em determinada experiência, ele comparou a luz emitida de ovos caipira com aquela produzida por ovos de galinhas criadas em cativeiro. Os fótons nos ovos gerados pelas primeiras eram bem mais coerentes do que os encontrados nos ovos produzidos por galinhas criadas em cativeiro. O alimento mais saudável tinha a intensidade de luz mais baixa e mais coerente. Qualquer distúrbio no sistema aumentava a produção de fótons. A saúde era um estado de perfeita comunicação subatômica, e a doença era um estado em que a comunicação se interrompe. Estamos doentes quando as nossas ondas estão fora de sincronia.
Quando Popp começou a publicar os resultados que encontrou, começou a atrair a inimizade da comunidade científica. Muitos de seus colegas cientistas alemães acreditavam que a centelha brilhante de Popp havia se apagado. Na universidade onde trabalhava, os alunos que desejavam estudar as emissões de biofótons começaram a ser censurados. Em 1980, quando o contrato de Popp como professor assistente expirou, a universidade teve uma desculpa para pedir-lhe que fosse embora. Dois dias antes do término do prazo de permanência dele no cargo, funcionários da universidade entraram em seu laboratório e exigiram que ele entregasse todos os equipamentos. Por sorte, Popp tinha sido avisado da incursão e havia escondido a fotomultiplicadora no porão do alojamento de um estudante solidário. Ao deixar o campus, partiu com seu precioso equipamento intacto.
Popp foi tratado pela Universidade de Marburg como um criminoso condenado, e sem um julgamento justo. Tendo ocupado por alguns anos o cargo de professor assistente, Popp tinha direito a uma substancial indenização por seus anos de serviço, mas a universidade recusou-se a pagar o que lhe devia. Ele precisou processar a instituição para obter os 40 mil marcos que lhe eram devidos. Popp recebeu o dinheiro, mas sua carreira afundou. Ele era casado, tinha três filhos pequenos e aparentemente nenhuma possibilidade de conseguir um emprego. Na época, nenhuma universidade estava preparada para lidar com os estudos dele.
Parecia que a carreira acadêmica de Popp havia terminado. Ele passou dois anos na indústria privada, trabalhando na Roedler, fabricante farmacêutica de medicamentos homeopáticos, uma das poucas organizações a acolher suas extravagantes teorias. Não obstante, Popp, um obstinado autocrata em seus laboratórios, era igualmente obstinado em persistir em sua pesquisa, convencido de sua veracidade. Com o  tempo, conseguiu um protetor, o professor Walter Nagl, da Universidade de Kaiserslautern, que convidou Popp para trabalhar com ele. Uma vez mais, a pesquisa de Popp causou revolta na faculdade, que exigiu a renúncia dele, alegando que os estudos de Popp estavam manchando a reputação da instituição.
Por fim, Popp conseguiu um emprego no Centro de Tecnologia de Kaiserslautern, que é amplamente patrocinado por subsídios do governo para pesquisas aplicadas. Seriam necessários 25 anos para que ele reunisse adeptos na comunidade científica. Lentamente, alguns seletos cientistas do mundo inteiro começaram a pensar na possibilidade de que o sistema de comunicação do corpo pudesse ser uma complexa rede de ressonância e frequência. Mais tarde, eles iriam formar o Instituto Internacional de Biofísica, composto de quinze grupos de cientistas de centros de pesquisa do mundo inteiro. Popp encontrara escritórios para o seu novo grupo em Neuss, perto de Düsseldorf. O irmão de um ganhador do prêmio Nobel, um neto de Alexander Gurwitsch, um físico nuclear da Universidade de Boston e do CERN em Genebra, dois biofísicos chineses — finalmente cientistas de renome internacional começavam a concordar com ele. A sorte de Popp estava mudando. De repente, ele começou a receber ofertas e contratos para cátedras de respeitáveis universidades do mundo inteiro.
Popp e seus novos colegas prosseguiram o trabalho e passaram a estudar as emissões de luz de diversos organismos da mesma espécie, primeiro fazendo experiências com um tipo de pulga- d água chamada Daphnia. Eles descobriram algo que era nada menos do que impressionante. Testes realizados com uma fotomultiplicadora revelaram que as pulgas-d'água estavam absorvendo umas das outras a luz que emitiam. Popp repetiu a mesma experiência em peixes pequenos e descobriu que eles faziam a mesma coisa. De acordo com o fotomultiplicador, os girassóis eram como um aspirador biológico, avançavam em direção aos fótons mais solares a fim de aspirá-los. Até mesmo as bactérias absorviam fótons do meio onde fossem colocadas.25
Começou a ficar claro para Popp que essas emissões tinham um objetivo fora do corpo. A ressonância da onda não estava sendo usada apenas para a comunicação dentro do corpo, mas entre coisas vivas. Dois seres saudáveis estavam envolvidos na "absorção de fótons", como ele denominou o processo, permutando os mesmos. Popp compreendeu que essa troca poderia revelar o segredo de alguns dos enigmas mais persistentes do reino animal: como cardumes de peixes ou bandos de pássaros criam uma coordenação perfeita e instantânea. Muitas experiências sobre o instinto de retorno dos animais demonstram que essa capacidade não tem nada a ver com seguir trilhas habituais, com odores ou mesmo com os campos magnéticos da Terra, mas com uma comunicação silenciosa, que age como um elástico invisível, mesmo quando os animais estão a quilômetros de distância dos seres humanos.26 No caso dos seres humanos, havia outra possibilidade. Se podíamos assimilar os fótons de outros seres vivos, talvez pudéssemos também usar as informações contidas neles para corrigir a nossa própria luz se ela ficasse instável.
Popp começara a fazer experiências para verificar essa possibilidade. Se algumas substâncias químicas cancerígenas eram capazes de alterar as emissões de biofótons, poderia então ser o caso de outras substâncias poderem reintroduzir uma melhor comunicação. Popp se perguntou se determinados extratos vegetais pode- riam modificar o caráter das emissões das células cancerosas, fazendo com que elas começassem a se comunicar de novo com o resto do corpo. Começou a fazer experiências com várias substâncias não- tóxicas que supostamente conseguiam tratar o câncer. Exceto em um dos casos, as substâncias só fizeram aumentar os fótons das células com tumor, tornando-as ainda mais mortais para o corpo. A única história bem- sucedida foi a do visco, que pareceu ajudar o corpo a "ressocializar" a emissão de fótons das células tumorosas, fazendo-as voltar ao normal. Em um de inúmeros casos, Popp se deparou com uma mulher na casa dos trinta anos com câncer na vagina e na mama. Experimentou o visco e outros extratos vegetais em amostras do tecido canceroso da mulher e descobriu que um medicamento particular à base de visco criava uma coerência no tecido semelhante à do corpo. Com o consentimento de seu médico, a paciente começou a se tratar exclusivamente com o extrato de visco. Um ano depois, todos os seus exames de laboratório registravam que ela voltara ao normal. Uma mulher cujo caso de câncer tinha sido considerado terminal teve a sua luz adequada restaurada graças a um simples extrato feito de uma erva.27
Para Fritz-Albert Popp, a homeopatia era outro exemplo da absorção de fóton. Começara a pensar nela como um "absorvedor de ressonância". A homeopatia se baseia na ideia de que o semelhante é tratado com o semelhante. O extrato de uma planta que com sua força total pode causar urticária no corpo é usado em uma fórmula extremamente diluída para curá-la. Se uma frequência dissonante no corpo foi capaz de produzir certos sintomas, seguia- se que a alta diluição de uma substância que produz os mesmos sintomas ainda contenha essas oscilações. Como um diapasão em ressonância, a solução homeopática adequada poderia atrair e depois absorver as oscilações erradas, possibilitando que o corpo voltasse ao normal.
Popp achava que a sinalização molecular eletromagnética poderia até mesmo explicar a acupuntura. De acordo com a teoria tradicional da medicina chinesa, o corpo humano tem um sistema de meridianos que se estendem profundamente pelos tecidos do corpo através dos quais circula uma energia invisível que os chineses chamam de "ch'i", ou força vital. O ch'i supostamente entra no corpo através desses pontos da acupuntura e se dirige para estruturas mais profundas dos órgãos (que não correspondem às da biologia humana ocidental), fornecendo energia (e portanto a força vital). As doenças se manifestam quando ocorre um bloqueio dessa energia em qualquer lugar ao longo dos trajetos. Segundo Popp, o sistema de meridianos pode funcionar como um guia de ondas, transmitindo uma energia corporal particular para zonas específicas.
Pesquisas demonstraram que muitos pontos de acupuntura no corpo possuem uma resistência elétrica que é acentuadamente reduzida em comparação com pontos na pele ao seu redor (10 quilo-ohms no centro de um ponto, comparados com 3 mega-ohms na pele ao redor).28 Foi também revelado que endorfinas que aliviam a dor e o esteroide cortisol são liberados pelo corpo com uma estimulação de baixa frequência nos pontos, e importantes neurotransmissores reguladores da disposição de ânimo como a serotonina e a norepinefrina, com uma estimulação de alta frequência. O mesmo não acontece quando a pele ao redor desses pontos é estimulada.29 Também sabemos que a acupuntura pode dilatar o sistema circulatório e intensificar a circulação de sangue até mesmo em órgãos distantes do corpo.30 Outra pesquisa demonstra a existência de meridianos, assim como a eficácia da acupuntura para tratar vários distúrbios. O cirurgião ortopédico Robert Becker, que realizou uma grande quantidade de pesquisas sobre os campos magnéticos do corpo, desenvolveu um dispositivo especial de registro de eletrodos que rolava pelo corpo como um cortador de pizza. Depois de várias análises, o dispositivo mostrou cargas elétricas nos mesmos lugares em cada uma das pessoas testadas, todos correspondendo a pontos dos meridianos chineses.31
Havia muitas possibilidades para serem exploradas, algumas das quais poderiam ter êxito, outras não. Mas Popp estava convencido de uma coisa: a sua teoria do DNA e da emissão de biofótons estava correta e isso impulsionava os processos do corpo. Não havia nenhuma dúvida em sua mente de que a biologia era impelida pelo processo quântico que ele observara. Popp só precisava de outros cientistas com evidências experimentais para mostrar como isso ocorria.
 
(Lynne McTaggart - O Campo, Em busca da força secreta do universo)
 
 
A luz do sol é uma comida natural das plantas, e também dos humanos e dos animais, no sentido de que se alimentam de plantas que têm fótons armazenados.

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