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PSICOLOGIA OU MEDICINA?

por Thynus, em 13.02.17
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Orientador profissional esclarece
Quando fui fazer Psicologia, tinha a ilusão de encontrar uma ciência exata. Foi um enorme desaponto perceber o quão obscuras e divergentes eram as teorias apresentadas sobre a natureza humana. Eu até ficava contente com algumas explicações sobre o funcionamento dos neurotransmissores do cérebro, mas não enxergava onde aquilo somava com um entendimento maior do funcionamento do corpo. Então por que não fiz Medicina, já que meu pai é médico e poderia até me ajudar abrindo caminhos na hora de exercer a profissão? Na verdade, essa ideia de fazer Medicina passava pela minha cabeça, mas, quando pensava no tanto que teria que estudar para passar no vestibular, logo a abandonava. Acho que eu não queria tanto assim.
Eu também achava que a medicina ocidental era muito fragmentada.Ela também não tinha a “exatidão” que eu buscava.
As especialidades pareciam brotar em uma curva ascendente sem fim. Conhecemos cada vez mais as partes da máquina, mas não conhecemos o templo grandioso que é o corpo com toda a sua complexidade, com todos os outros níveis corpóreos de densidades mais sutis, como o corpo mental e o emocional.
Os pacientes têm que ir de especialidade em especialidade, pulando de galho em galho, porque o sintoma físico vai mudando de posição, de órgão, de localização, buscando encontrar algum equilíbrio torto. De fato, muitas vezes a raiz do problema está longe de ser descoberta. Hoje entendo que, como todos os outros temas do conhecimento, nada está concluído.
O conhecimento vai evoluindo e as ideias vão se aprimorando, as partes se juntando, as conexões se formando.
Mas uma coisa ainda me incomoda: não damos o valor e o poder que os pensamentos e os sentimentos merecem. Não damos a eles a dimensão e o impacto que exercem em nossa vida diária, em nossas escolhas e qualidade de vida.
Segundo a Psicossomática, a doença é, muitas vezes, um sintoma. A doença física pode representar um pensamento estragado, uma crença errada, um conflito inconsciente. Muito do que acontece com o corpo começou emoutro lugar. O corpo é nossa parte mais densa. É a única peça que conseguimos enxergar e a última impactada por nossos pensamentos.
As doenças começam nas emoções destrutivas não liberadas, não aceitas, não elaboradas.
Quando será que a ciência se fundirá com a espiritualidade? Sem esoterismo, a ciência (se é que isso já não acontece) irá desvendar aos poucos muito mais do que se sabe hoje.Como a tecnologia, que revelou para nós um mundo inteiramente novo, mesmo que já existisse antes. Acredito que a ciência poderá fazer a mesma coisa com a espiritualidade. Poderemos entender muito mais as relações entre mente, emoção e corpo,sem charlatanismo, sem exageros, generalizações, mas com maturidade de raciocínio. E por que não investigarmos mais esse tema? Por que não investirmos em pesquisas sérias? Acho triste a quantidade de dinheiro investida para se fazer descobertas espaciais. Bilhões de dólares...
Leio matérias sobre terem descoberto água em outros planetas e fico chocada. Tem gente que ainda pensa que somos os únicos no universo? Essas pessoas não têm ideia do tamanho desse negócio ainda? Por queseríamos os únicos? Por que não se despende esse dinheiro com coisas melhores? Educação, por exemplo? Por que não aprendemos na escola alguns conhecimentos colocando-os em prática, conhecendo nossas habilidades? Trocando o chuveiro, trocando pneu de carro, fazendo uma comida?
Não aprendemos nada sobre nutrição e nos alimentamos porcamente. Por que não ensinar sobre as emoções? Como se relacionar da melhor forma? Como se comunicar com os outros? Nosso currículo é antigo e não atende às necessidades do mundo de hoje. Por isso talvez eu não tenha me interessado pela matéria de Psicologia Escolar, que na época focava mais em como tentar “consertar” alunos “problemáticos”. Enquanto tivermos este sistema de ensino, enquanto a escola não oferecer um trabalho intenso para os pais, enquanto os pais colocarem a responsabilidade sobre a educação de seus filhos nas escolas, teremos cada vez mais problemas.
Hoje no Brasil, crianças especiais devem ser inseridas na escola comum. Mas, como, se elas tem necessidades especiais? Como, se para que elas se desenvolvam precisam de atenção especializada? Acredito que essa medida traz mais problemas do que soluções. Mas para mim é fácil falar, eu não vivo essas questões no meu dia a dia. Apenas escuto versões de colegas, pacientes e amigos.

(Graziela Bergamini - Viagens de uma Psicóloga em Crise) 

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publicado às 14:18



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