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PROSTITUIÇÃO INFANTIL

por Thynus, em 24.11.14
Incesto e pedofilia são profundamente reprovados hoje, mas não era assim no século XIX. Embora provoque náuseas aos moralistas, a prostituição infantil é então corrente, às vezes evocada com um humor que atualmente seria inaceitável. Oscar Wilde ridicularizava um impressor de livros eróticos: “Ele gosta das primeiras edições, particularmente de mulheres: as menininhas são sua paixão.”
Mas havia grandes contrastes sociais. As classes trabalhadoras revoltavam-se mais do que os ricos em relação a essas condutas: “Se sua filha disse a verdade, a guilhotina seria suave demais para o senhor!”, exclama uma vizinha de um trapeiro de Saint-Aignam, França (Muchembled, Robert, op. cit, p. 261).

A prostituição homossexual foi duplamente reprimida. Em nome da homofobia e da própria prostituição. No final do século XIX, em Nova York, funcionava o Golden Rule Pleasure Club, onde os interessados poderiam contratar um jovem disposto a tudo para satisfazer a sua clientela. Em Paris, não era menor o movimento de homossexuais se prostituindo. O que mais irritava as conservadoras autoridades francesas era a captação de soldados para entreter os gays ricos. Os rapazes da Garde Imperiale eram os preferidos desses senhores.

No século XIX, Paris e Londres assistem à chegada de multidões de prostitutas. Os principais perigos que as ameaçam são de engravidar — o Tâmisa carrega os cadáveres de milhares de crianças de que elas se desvencilham — e contrair uma doença venérea: a sífilis. Calcula-se que 66% das prostitutas da Europa tinham sífilis.
Não havia problemas com as prostitutas registradas, que trabalhavam em bordéis. Essas estavam sob controle. Mas aquelas que buscavam seus clientes nas calçadas e que dependiam unicamente de seu faturamento para comer tornaram a epidemia muito séria. Como vimos no capítulo anterior, em Londres, em 1880, havia o mito infeliz de que a relação sexual com mulheres virgens poderia curar a sífilis. Surgiram bordéis especializados.
Não era difícil encontrar babás ou balconistas, que sacrificavam sua virgindade por um guinéu de ouro. O arrependimento podia vir na hora do ato. Por essa razão os bordéis de virgens ficavam em locais afastados. Casas mais especializadas tinham seus próprios médicos que atestavam a veracidade da virgindade, uma vez que a indústria de falsas puras se ampliou bastante.
Em muitos bordéis, virgens profissionais eram “defloradas” várias vezes por semana. As casas que ofereciam defloramentos se espalharam durante a virada do século XIX e atuavam em Londres, Paris, Nova York e Berlim. O constante desejo, primeiro por virgens, e depois por adolescentes, fez surgir uma legislação mais dura, sem, contudo, inibir inteiramente essas práticas.
Na metade do século XIX existiam, em Londres, em torno de 1.500 prostitutas com menos de 15 anos, segundo a pesquisadora social Josephine Butler. A demanda de virgens do período provocou um outro problema, com o aliciamento que as famílias mais pobres faziam das próprias filhas. Mendigos passaram a vender suas crianças, aos 12 ou 13 anos de idade, a preço vil.

(Regina Navarro Lins - O Livro do Amor, vol.2)

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publicado às 17:21



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