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Hoje em dia ainda, Esculápio é quase sempre
representado com uma serpente na mão, e seu cetro, também chamado “caduceu”,
formado por um bastão em que se enrola uma outra serpente, serve de símbolo para os
que exercem essa difícil arte.
Você talvez se pergunte: por que a serpente e qual a história desse famoso caduceu,
que na França ainda é visto nos para-brisas dos automóveis de médicos e, apesar de
um pouquinho diferente (vou daqui a pouco dizer por quê), em fachadas de farmácias?
Não seria inútil acrescentar mais algumas palavras, pois esse símbolo é objeto de tanta
confusão que a informação não fará mal algum.
Na verdade, há na mitologia grega dois caduceus diferentes, tendo apenas um deles
relação com a medicina — mas às vezes eles foram confundidos, no decorrer do
tempo.
A palavra “caduceu” vem do grego kérukeion, que significa “cetro do arauto”, não
no sentido do herói que ganha batalhas e realiza façanhas, mas o arauto que anuncia
notícias, como Hermes, o mensageiro dos deuses. O primeiro caduceu merece bem o
nome que tem, pois é o emblema do deus Hermes. É constituído por duas serpentes se
enrolando num bastão que, por sua vez, tem no alto um par de asinhas. Os mitos
divergem neste ponto. Segundo alguns, Apolo teria dado seu cetro de ouro a Hermes,
em troca da flauta que este último havia inventado, depois da lira. Para outros, um dia,
Hermes, quando viu duas serpentes lutando — ou copulando? —, separou-as lançando
entre as duas um bastão (a vareta mágica de Apolo?). As serpentes se enrolaram nessa
vareta, e Hermes teria apenas acrescentado as asinhas, que são a sua marca pessoal,
pois lhe permitem atravessar o mundo em grande velocidade. Estranhamente, esse
mesmo caduceu de Hermes com frequência ainda serve de emblema para a medicina
nos Estados Unidos. Na verdade, porém, ele não tem laço algum com essa disciplina. É
bem provável que os amigos americanos tenham apenas confundido esse caduceu com
outro, o de Asclépio, provavelmente porque a medicina antiga (e muitas vezes também
a de hoje) é uma arte “hermética” que utiliza, como nas peças de teatro de Molière,
palavras eruditas, um jargão obscuro e, principalmente, porque as primeiras faculdades
de medicina se situavam nas proximidades de sociedades secretas. Um erro explicável,
então, mas um erro mesmo assim.
Pois o segundo caduceu, que realmente simboliza a medicina, não é o de Hermes, e
sim o de Asclépio. Mais uma vez, com relação a isso, os mitos são obscuros e
múltiplos. Duas linhas distintas de narrativa se disputam. Na primeira, Asclépio,
durante seus estudos com Quíron, que lhe ensinava medicina a pedido de Apolo, faz
uma estranha experiência, ao matar uma serpente que cruza o seu caminho. Surpreso,
ele constata que outra serpente vem em socorro da primeira, trazendo na boca um
raminho de erva que ela lhe dá para ingerir, despertando-a da morte. É de onde
Asclépio tira sua vocação para a ressurreição dos defuntos. Pela outra versão,
Asclépio toma como símbolo da sua arte a serpente por uma razão bem mais simples:
porque esse animal parece reiniciar uma nova vida ao mudar de pele. Basta um passeio
pelas terras pedregosas da Grécia para ver por todo lado peles de serpente
abandonadas. Daí para concluir que o animal morto renasce, basta um pequeno espaço,
que Asclépio atravessa. Como se pode ver, as duas histórias, no fundo, se juntam: nos
dois casos, efetivamente, a serpente simboliza o renascimento, a esperança de uma
segunda vida. Por isso também, ao fulminar Asclépio, Zeus o transforma na
constelação de Serpentário, aquele que carrega a serpente — o que é uma maneira de
tornar Asclépio imortal, de lhe oferecer uma apoteose (Asclépio consegue para si aquilo que ele não
pode mais dar aos outros. Recebe o que os gregos chamam “apoteose” — termo que,
literalmente, quer dizer “divinização”, uma transformação em deus (apo = em direção
de, e théos = deus). Por isso ele é considerado não só o fundador da medicina, mas
pura e simplesmente o deus dos médicos). Os médicos europeus,
diferentemente dos americanos, adotaram corretamente o caduceu de Asclépio como
símbolo da sua arte. Apenas acrescentaram um espelho, para simbolizar a prudência
necessária no exercício da profissão.
Depois disso, inventou-se um terceiro caduceu, o dos farmacêuticos. Na verdade, é
apenas uma variante do de Asclépio. É também constituído por uma serpente enrolada
num bastão, com a diferença de que, neste, a cabeça do animal está logo acima de uma
taça, em que ele cospe seu veneno. Essa taça é a de Higia, uma das filhas de Asclépio
(de onde veio a palavra higiene), irmã de Panaceia (o remédio universal), e o veneno
depositado na taça simboliza as preparações de medicamentos cujos segredos apenas
os farmacêuticos conhecem.
Último detalhe para concluir essa história: o maior médico grego, Hipócrates, se
remetia a Asclépio e se dizia seu descendente direto. Ainda hoje, todos os médicos,
antes de começarem a exercer a profissão, têm que prestar um juramento ético chamado
“juramento de Hipócrates”. Infelizmente, nem sempre são capazes de dar vida aos que
morrem e que gostaríamos de rever. Mas sabem que quando um ser humano se toma por
um deus, quando pretende para si o poder de dominar a vida e a morte, ameaçando
desse modo a ordem cósmica inteira, é preciso que um poder intervenha e o reponha
em seu lugar.
(Luc Ferry - A Sabedoria dos Mitos Gregos)

 
Todas as profissões buscaram em antigos Deuses e mitologias a simbologia para a sua prática. Na medicina não foi diferente, mas há alguma peculiaridade.

No nosso caso, constantemente encontramos dois símbolos diferentes que, devido a distintas histórias, tem seu porquê para representar a profissão médica. Afirmo de antemão que apenas um é o correto, mas antes sinto-me obrigado a contar a história do Caduceu de Hermes, do Bastão de Esculápio / Asclépio.

Antes que alguém já suba no palanque para esbravejar que apenas o Bastão de Esculápio é o verdadeiro símbolo da medicina, sinto-me no dever de explicar os detalhes que elevaram o Caduceu de Mercúrio (para os romanos e Hermes para os Gregos) a símbolo da medicina em alguns países e organizações. Primeiro comecemos pela história de Esculápio.
 

Asclépio e seu cajado

Quem foi Asclépio?
Asclépio foi provavelmente a pessoa de maior destaque que praticava medicina na Grécia, por volta de 1200 anos antes de Cristo (está descrito na "Ilíada" de Homero). Eventualmente, através do mito e das lendas ele se tornou adorado pelos gregos como o Deus da Cura.
As escolas médicas da época desenvolveram-se e normalmente eram conectadas a templos chamados de Asclépia/Asclépion. Esses lugares foram muito importantes na sociedade grega. Enfermos acreditavam que poderiam ser curados se dormissem nos Asclépion. Faziam visitas, ofereciam sacrifícios ao Deus e eram tratados por sacerdotes que curavam (chamados de Asclepidae). A adoração por Asclépio espalhou-se para Roma e continuou até o século VI depois de cristo.

Os Aclepidae eram uma ordem de sacerdotes/médicos que controlavam os segredos sagrados da cura, que eram passados de pai para filho. As inicentes Cobras de Esculápio eram mantidas nos templos/hospitais pelos gregos e posteriormente pelos romanos. Estas cobras foram achadas na posteridade não apenas nas regiões nativas, mas também em vários lugares como na Alemanha, Áustria e sul da Europa, onde alguns templos foram erguidos. Elas escaparam e reproduziram-se.

Lisa, brilhante e esbelta, a cobra tem um uniforme marrom  com uma faixa de cor mais escura atrás dos olhos. A barriga da cobra é amarelada ou esbranquiçada e tem escalas sulcadas que travam facilmente em superfícies ásperas, tornando-se especialmente adaptados para subir em árvores.

O Mito:
Asclépio é o Deus da Cura. Ele é filho de Apolo e da ninfa Coronis. Enquanto grávida de Asclépio, Coronis secretamente traiu apolo com um amante mortal. Quando Apolo descobriu, ele enviou Artemis para matá-la. Enquanto Coronis queimava na pira de seu funeral, Apolo teve pena e resgatou a criança não nascida do cadáver. Asclépio foi ensinado sobre medicina e a arte da cura pelo sábio centauro Cheiron ( Quírion ), e ficou tão bom nisso que conseguiu trazer um de seus pacientes de volta dos mortos. Zeus sentiu que a imortalidade dos Deuses estava ameaçada, e matou o curandeiro com um raio. Sob pedido de Apolo, Asclépio foi habitar a constelação de Ophiuchus, a portadora da serpente.

Meditrine, Hygeia e Panaceia
A filhas de Asclépio são Meditrina, Hygeia e Panaceia, que também são símbolos da medicina, Higiene e Cura ( litearalmente todas "saúde"), respectivamente. Dois dos filhos de Asclépio aparecem na "Iliada" de Homero como médicos do exército grego ( Machaon e Podalirius

Perceba agora que no juramento de Hipócrates é jurado "Por Apolo, o médico, Por Esculápio, Hygeia e Panacea..."

A provável origem do ícone da única serpente enrolada em uma barra de madeira:
Na antiguidade, as infecções decorrentes de vermes parasitas eram muito comuns. A filária ( Dracunculus medinendis ) percorre o corpo da vítima logo abaixo da pele. Médicos tratavam essas infecções fazendo uma pequena incisão na pele em cima do "caminho" do parasita. Quando o verme emerge pela incisão, médicos cuidadosamente enrolam-na em um palito para aos poucos retira-la totalmente. Acredita-se que devida a ordinariedade deste tipo de infecção que médicos começaram a usar isto como ícone de sua profissão.

A barra como símbolo médico:
Durante os séculos XVI e XVII o cajado de Asclépio e o Caduceu de Hermes foram amplamente impressos em diversas farmacopeias. Depois de algum tempo, o cajado com uma serpente tornou-se símbolo único da medicina.

Apesar de ser inequívoco o uso do cajado de Asclépio como representante da medicina, o Caduceu ( uma barra com duas cobras enrolados em dupla hélice e duas asas no topo) é muito popular nos Estados Unidos para representar a medicina, provavelmente devido a confusão entre as duas representações. Muitos norte-americanos usam a palavra Caduceu para referir-se ao Símbolo da Medicina.

(Fernando Carbonieri)

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publicado às 23:35



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