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Pondé assina o mais quente dos guias politicamente incorretos

Pouco é necessário dizer sobre a origem e a natureza da praga do politicamente correto. Muitos autores, e eu mesmo, já escrevemos contra ela: trata-se de uma forma de censura do pensamento, dos gestos e da linguagem, mediada por uma pauta política de esquerda herdada da new left (nova esquerda) americana das últimas décadas do século passado. Uma esquerda das universidades, sem a fibra para luta da esquerda clássica, que matou gente a rodo (mas era, pelo menos, feita de “cabras” sinceros), a new left americana é filha de Foucault e Derrida, gente que queria tomar vinho e criticar gestos, palavras e humores, sem aptidão para o combate a não ser via censura e humilhação pública dos outros, enfim, coisa de covarde (nos últimos tempos, essa esquerda covarde recebeu a bênção de dois nomes típicos da revolução queijos e vinhos francesa, Žižek e Badiou). Essa esquerda de campus visa destruir os inimigos e fortalecer os criadores dessa pauta correta, como toda forma de censura, aliás, sempre se dizendo em nome do bem, mas que tem como inimigo número um o risco que a liberdade sempre carrega em si mesma.
Acrescentaria apenas que o terreno da vida sexual é um dos campos em que ela, esta pauta do politicamente correto, faz maior estrago, tornando a vida sexual e afetiva um inferno maior do que já é, impondo-nos agendas políticas que são desejadas por uma minoria de pessoas mal-amadas de alguma forma. Tomando de assalto a vida acadêmica, o Estado e suas ferramentas de gestão da sociedade sobre a qual tem poder, a mídia e a arte, a praga cria uma cultura de ignorância e proibição que fere até as ideias que um dia podem tê-la animado, como o direito de pessoas viverem como querem viver sem dar muitas satisfações aos chatos do mundo. A praga do politicamente correto destrói, no campo do sexo e do afeto, uma miríade de relações microscópicas construídas ao longo de milhares de anos entre homens e mulheres a fim de dar conta dessa insustentável paixão que um tem pelo outro, seja nas suas formas legítimas, como casamento e família, seja nas suas formas ilegítimas, como o adultério e os segredos de alcova. As gerações mais jovens são cada vez mais educadas na ignorância do afeto, graças às taras teóricas de um bando de gente chata e sem repertório filosófico real, a não ser seu velho ressentimento contra a vida dos outros. Por isso, por ser gerado pelo ressentimento e rancor, o maior dano dessa praga é a vida moral: gente sem caráter adere facilmente ao politicamente correto porque ele funciona como o velho clero puritano e hipócrita, distribuindo punições e reunindo poderes nas instituições que ele domina. Entre elas, infelizmente, a mais combalida pela doença é a universidade, coitada, esmagada, por um lado, pela mania da burocracia a serviço da mediocridade, e, por outro, pelas pessoas ressentidas politicamente corretas. E, no centro dessa agonia, sua crescente irrelevância como agência de debate real sobre o mundo, devido justamente às suas manias ideológicas.
Dedico estes aforismos a todas as mulheres e homens que sobreviverão à estupidez do politicamente correto. No caso específico das mulheres, principalmente, às mais belas, que sofrem mais com essa praga. A falta de beleza numa mulher, signo de sofrimento constante, é quase um trunfo nas mãos dessa praga.

(LUIZ FELIPE PONDÉ -  GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DO SEXO)

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