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PLUGAR OU NÃO PLUGAR

por Thynus, em 24.04.17
Não existe nada mais importante, para muitas pessoas, do que descobrir o que é importante.
E como já vimos, podemos montar um bom caso sobre o fato de que nada importa mais, que não valorizamos mais do que a felicidade. Queremos várias coisas pelo bem da felicidade que nos traz, mas a felicidade queremos por si só. A vida moral genuína, correspondentemente, seria a voltada para trazer a maior quantidade de felicidade à maioria das pessoas.
Exceto por um problema.
Imagine que há uma máquina que poderia criar qualquer experiência que você deseja. Quando você a pluga em seu cérebro, ele é estimulado para poder sentir qualquer experiência que o faça feliz: sentir o deleite de uma praia quente, as sensações de uma ótima massagem ou, para os esportistas, a experiência de uma vigorosa e longa corrida de bicicleta. Ou talvez você tenha gostos mais elevados, então o que o deixaria feliz seriam as experiências de ter uma boa conversa com um amigo, ou entender os últimos avanços na física, talvez até ganhar o Prêmio Nobel. Ou talvez você seja, bem, um pouco diferente, e seria mais feliz experimentando algum sofrimento. Qualquer experiência que quiser, você só precisa se plugar e a máquina pode criar.
Você se plugaria nessa máquina – não meramente por uns poucos minutos, mas, digamos, pelo resto da sua vida?
A maioria das pessoas, quando perguntamos, estaria inclinada a dizer não. O que nos importa, parece, não é apenas ter certas experiências, mas na verdade fazer várias coisas. Queremos realmente fazer aquele passeio de bicicleta, não só ter a experiência sensorial. Queremos realmente ganhar o Prêmio Nobel, não só ter a experiência de ganhar – mesmo se, enquanto estivéssemos na máquina, nunca saberíamos que não era real. Não são somente as experiências que importam: é algo mais.
Portanto, a felicidade não deve ser o que fundamentalmente valorizamos, porque, se fosse, todos iriam querer se plugar na máquina que pode nos dar todas as formas de felicidade que procuramos.
Mas não nos plugaríamos.
Então há algo mais.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

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publicado às 23:28



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