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A vagina só podia ser reconhecida como órgão de reprodução, como espaço sagrado dos “tesouros da natureza” relativos à maternidade. Nada de prazer. As pessoas consideradas “decentes” costumavam se depilar ou raspar as partes pudendas para destituí-las de qualquer valor erótico. Frisar, pentear ou cachear os pelos púbicos eram apanágios das prostitutas. Tal lugar geográfico só podia estar associado a uma coisa: à procriação.
Em 1559, outro Colombo – não Cristovão –, mas Renaldus, descobria outra América. Ou melhor, outro continente: o “amor Veneris dulcedo appeletur ” ou clitóris feminino. Como Adão, ele reclamou o direito de nomear o que tivera o privilégio de ver pela primeira vez e que era, segundo sua descrição, “a fonte do prazer feminino”. A descoberta, digerida com discrição nos meios científicos, não mudou a percepção que existia, há milênios, sobre a menoridade física da mulher. O clitóris não passava de um pênis miniaturado, capaz, tão somente, de uma curta ejaculação. Sua existência apenas endossava a tese, comum entre médicos, de que as mulheres tinham as mesmas partes genitais que os homens, porém – segundo Nemésius, bispo de Emésia no século IV – “elas as possuíam no interior do corpo e não no exterior”. Galeno, que, no século II de nossa era, esforçara-se por elaborar a mais poderosa doutrina de identidade dos órgãos de reprodução, empenhou-se com afinco em demonstrar que a mulher não passava, no fundo, de um homem a quem a falta de perfeição conservara os órgãos escondidos.
(MARY DEL PRIORE - Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil)
 
Clitóris
A parte visível tem um aspecto semelhante a
uma ervilha, ou a um grão de milho. O
clitóris esconde-se por debaixo de um capuz,
na parte de cima da vulva, onde os pequenos
lábios se unem. O clitóris é formado por um
tecido esponjoso e eréctil muito sensível à
estimulação sexual. É a maior concentração
de fibras nervosas do corpo - são cerca de
8000 -, mais do que as existentes nas pontas
dos dedos, dos lábios, ou da língua e tem o
dobro de fibras nervosas do pénis. Quando a mulher se excita, 
o clitóris fica inchado (intumescido) e elástico.
Ao contrário do que se pensava, as raízes do
clitóris estendem-se interiormente, como
dois dentes, para além daquilo que é perceptível,
tornando a zona sensível e excitante
bastante mais abrangente do que se imaginava.
O clitóris é o único órgão feminino
que tem como função exclusiva: proporcionar prazer.
 
(Marta Crawford - Sexo sem Tabus)
 
Abaixo segue uma compilação de cenas que 
se repetem milhões de vezes todas as noites ao redor do mundo:
O homem finalmente consegue chegar lá embaixo
 e se atrapalha para colocar a mão onde importa.
O homem começa a fazer movimentos circulares 
ou aleatórios para cima e para baixo, rezando
para atingir o lugar certo e não parecer surpreso.
A mulher geme e o homem pensa que está se saindo bem.
A mulher para de gemer.
O homem muda de técnica e acelera, 
enquanto a mulher pede para ele ir um pouco mais devagar.
O homem vai mais devagar e, em exatamente 
cinco segundos de reação ligeiramente positiva, nada acontece.
O homem se sente como um cão tentando abrir a porta sem ter os polegares.
Se ele está ali para pegar o clitóris vivo ou morto,
como a maioria dos homens, a mulher
cuidadosamente impede o ataque a esmo depois de uns 10 minutos.
No melhor dos cenários, eles passam para algo 
que o homem consiga entender, como o pênis dentro da vagina.
Ele é um animal estúpido, pessoal. Tenham piedade.
Confusão clitoriana
O clitóris parece um pouco com a Guarda Imperial de Guerra nas estrelas.
Ele também é muito maior do que se pensa.
A glande do clitóris, à qual a maioria das pessoas se
refere como “clitóris”, estende-se para trás e se divide
num “V” invertido. Essas “pernas”, os ramos,
ficam escondidas sob os pequenos lábios.
Alguns pesquisadores acreditam que a estimulação do
“ponto G” nada mais é do que a estimulação do ramo e que
todos os orgasmos se originam da estimulação clitoriana.
Outros pesquisadores, geralmente homens, discordam.
Não há nada de novo nisso.
Os homens discutem o clitóris há cerca de 2.500 anos.
Dizem por aí que tudo começou em 1559.
Realdo Colombo, da Universidade de Pádua, na Itália,
anunciou a descoberta do clitóris e nele fincou sua bandeira:
“Como ninguém compreende essas
projeções e seu funcionamento,
se é possível dar nomes à coisa por mim descoberta, vou chamá-la
de amor ou doçura de Vênus.”
Gabriele Falloppio, sucessor de Realdo e mais tarde famoso pelas
trompas de Falópio, refutou a afirmação do seu antecessor,
como todos os italianos, dinamarqueses e todos os cromossomos Y.
Na verdade, Hipócrates havia saído na frente de Realdo
mais de 1.300 anos antes, mas o clitóris
parece cair periodicamente na obscuridade, geralmente durante décadas.
Ele existe mesmo? Ou é uma ilusão? Ele tem vida? Ou está morto?
Ninguém sabia até que ele ressurgiu de repente, assim
como Osama bin Laden na CNN.
Não é difícil entender por que os homens preferem ignorá-lo.
Se o clitóris não existe, ou se é
imprevisível, os homens podem considerá-lo
um problema feminino. E, se tudo não passa de um
problema feminino, os homens não podem ter seus
egos esmagados como uma uva entre as nádegas da Serena Williams.
(Timothy Ferriss - 4 Horas para o Corpo)
 

Suba os pequenos lábios e chegará onde eles se encontram, bem
abaixo do monte de Vênus. Ali, forma-se uma capa que protege a
glande sensível do clitóris, que é similar à glande (cabeça) do pênis no
que diz respeito à abundância de nervos sensíveis. Normalmente, a
glande está aninhada embaixo da capa, que pode ser vista puxando-a
gentilmente para trás. A glande é tão sensível que pouquíssimas mulheres
acham o estímulo direto doloroso. Estas mulheres preferem mais
o estímulo feito no eixo do clitóris, que se estende em direção do
monte e pode ser sentido logo abaixo da pele, como um tecido de estrias
salientes. Após o orgasmo, muitas mulheres acham que seu clitóris
continua sensível ao toque direto por vários minutos. Esta hipersensibilidade
é similar ao que os homens sentem após ejacular.
Como o pênis, o clitóris é feito de um tecido erétil, e a glande incha
com o sangue quando estimulada. Várias pessoas comparam o
clitóris com a cabeça do pênis, e com relação ao desenvolvimento, eles
se originam do mesmo tecido embrionário. O clitóris é inigualável,
pois é o único órgão que existe exclusivamente para o prazer sexual.
Chega de acreditar que as mulheres são mais fracas que os homens:
elas são as únicas que têm uma parte de seu corpo totalmente dedicada à excitação.

(Douglas Abrams & Mantak Chia - O Orgasmo Múltiplo do Homem)

 
Se ilustrações explícitas da anatomia feminina o incomodam, 
talvez você queira pular este capítulo.
É sério. Há vaginas em abundância.
As revistas masculinas contêm muito poucos 

conselhos porque os homens pensam: 
“Sei o queestou fazendo. Basta me mostrar uma mulher pelada.”
(Jerry Seinfeld)
 
 
 

Ainda que a sexualidade humana seja estudada há milhares de anos, existem alguns mistérios que foram revelados não faz muito tempo. Um dos segredos que permaneceram guardados por muitos séculos foi a complexidade do clitóris interno. Somente em 2009 os cientistas conseguiram entender alguns detalhes importantes da anatomia feminina.
Primeiramente, imagine o órgão sexual da mulher. Conseguiu? E se disséssemos que o que você está pensando é só a pontinha do iceberg? Na verdade, o clitóris é muito mais amplo que essa terminação nervosa conhecida como grandes lábios. Abaixo, você confere um modelo ilustrativo feito pela Ms. M, chefe e redatora do MoSex – blog oficial do Museum of Sex.
 

Entendendo o clitóris

O nome científico do “botãozinho” ou “bulbo” do clitóris é glande (glans clitoridis). Essa pequena estrutura contém aproximadamente 8 mil feixes de fibras nervosas – mais do que qualquer parte do corpo humano e duas vezes mais do que a quantidade encontrada na cabeça do pênis. Todavia, grande parte do clitóris é subterrânea, e constituída a partir de dois corpos cavernosos, duas crura (crus quando se refere a estrutura como um todo) e o bulbo clitoridiano.
A glande é conectada ao corpo ou eixo do clitóris interno, o qual é feito de dois corpos cavernosos. Quando esses tecidos ficam eretos, eles revestem a vagina de ambos os lados, como se estivessem enrolando-se e abraçando o órgão sexual da mulher.
 
Além disso, os corpos cavernosos se estendem muito além no corpo feminino, bifurcando-se para formar as duas crura. Essas duas pontas podem alcançar até 9 cm, sendo direcionadas para as coxas quando estão em estado relaxado e se encolhendo para espinha quando ficam eretas.

Os mistérios da vagina

Existem muitas razões que justificam a falta de entendimento sobre o órgão sexual feminino, porém, segundo um artigo publicado pela urologista Helen O’Connel em 2005, existem dois motivos principais. O primeiro deles seriam as descrições incompletas e erradas sobre o assunto, visto que muitos estudos só abordam a parte relativamente pequena e externa do clitóris.
Além disso, alguns se limitam a representar a anatomia com imagens bidimensional. Segundo O’Connell, esse tipo de representação fornece informações insuficientes para entender a estrutura completa.
Já a segunda razão é que ninguém nunca procurou entender o processo de excitação do clitóris até o fim da década de 1990, quando os pesquisadores finalmente decidiram utilizar métodos de ressonância magnética para analisar a estrutura interna de um exemplar vivo – a mesma estratégia já tinha sido usada para analisar a anatomia masculina na década de 1970.
 

Segundo Ms. M, somente em 2009 os cientistas Odile Buisson e Pierre Foldés produziram a primeira sonografia tridimensional de um clitóris ereto. “Eles desenvolveram esse trabalho durante três anos sem nenhum apoio financeiro”, explicou a redatora.
“Graças a eles, hoje em dia nós conseguimos compreender como o tecido teso do clitóris abraça e reveste os arredores da vagina – uma descoberta inovadora que explica porque antigamente considerávamos o orgasmo vaginal, quando na verdade ele é clitoriano”, conclui.

 (Mega Curioso)

publicado às 17:51


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