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"O que você deixa para trás não é o que é gravado em monumentos de pedra, 
mas o que é tecido nas vidas de outros."
(Péricles) 


Hoje acordei com vontade de filosofar. Filosofar sobre a vida. E como filosofar sobre a vida sem falar da morte? Aliás, esta é uma temática que, quando mencionada, muita gente “bate na madeira” ou se desvia do assunto, justamente pelo medo de tratar de um assunto que, a meu ver, é uma temática extremamente normal, natural.

Para falar sobre estas questões, é preciso que entendamos a vida. A vida não é nada mais que um breve “ciclo” de qualquer coisa que nasce, cresce, reproduz e morre. E, vista como um ciclo fechado sobre si mesmo, é uma coisa extremamente natural. Sem a morte, a vida simplesmente perderia sua beleza, sua razão de ser, enfim, deixaria de existir. A beleza da vida reside exatamente na essência da morte. Pensem sobre isto!

Grande quantidade de pessoas, para não dizer a maioria delas, foge desse assunto, esquiva-se, justamente porque não compreende a verdadeira essência de sua existência. O que separa o homem do restante dos seres vivos é exatamente sua capacidade de raciocinar. Isto é, sua capacidade de adquirir, compilar, reproduzir e organizar conhecimentos e saberes. Diante dessa condição e, em interação com a natureza e com os aspectos sócio-históricos, o homem forma sua consciência de estar no mundo, de “ser” em um mundo, onde, nos tempos atuais, predomina, equivocadamente o “ter”, em detrimento do “ser”. Existe aí a inversão total de uma lógica que se torna “ilógica” dentro da concepção de uma sociedade plural, composta por um coletivo, e não pela soma de “múltiplos individualismos”, como querem fazer crer alguns.

A única coisa que, de fato, consegue explicar as razões da vida, da existência humana, é a própria morte. Na verdade, aqueles que têm medo da morte, que se esquivam diante dela, só podem ter uma explicação: passaram pela vida simplesmente por passar. E isto é muito triste; passar pela vida simplesmente por passar! Não construir nenhum projeto coletivo, priorizar o individualismo, o consumismo, enfim, o “ter” em detrimento do “ser”. É, no mínimo, passar pela vida de uma maneira imensamente e gigantescamente covarde. Também aqueles que deixam as coisas ir como acham que já está determinado, “guiadas por um destino previamente traçado”, talvez passem pela vida de maneira ainda mais covarde que no primeiro caso. Aceitar as coisas como predeterminadas, como predestinadas, é se convencer de sua mediocridade, de sua incapacidade de criação, de enfrentamento das adversidades, enfim, é aceitar sua inferioridade de forma deprimente e grandiosamente covarde diante da vida, do mundo e das coisas do mundo. Esses sim! Esses têm que temer a morte, porque no final das contas jogaram fora sua única vida, jogaram no lixo toda sua única existência. E a vida, uma vez jogada fora, não há como voltar atrás.

Então, a morte é o ápice de uma existência, é o ápice da vida, de todo um processo de busca interior, de construção de projetos coletivos. Quem pensa nesta direção, quem possui esta compreensão, jamais temerá a morte, jamais terão medo dela, ao contrário, a respeitarão, darão a ela o respeito e dignidade que merece como o ápice de toda uma existência. Pois a morte é o momento de profunda reflexão, é o momento de se fazer o balanço de toda uma vida! E quem sabe que seu balanço é extremamente negativo, de fato, terá que temê-la, pois terá jogado fora a vida, no rejeito de sua efêmera existência. Por fim, meus caros (as) leitores (as), aqueles que temem a morte são os que, de fato, nunca viveram. Na verdade, estes já estavam mortos a longo tempo e sequer sabiam disso. Esses, verdadeiramente, nunca estiveram vivos, já nasceram mortos!

Valter Machado da Fonseca - Escritor, geógrafo, mestre e doutorando em Educação pela UFU, pesquisador das temáticas ambientais, professor da Universidade de Uberaba (Uniube)

A transfiguração da morte

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publicado às 16:22



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