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O que é o determinismo?

por Thynus, em 22.10.16
Não existe determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade.
 
É determinismo, sim. Mas seguindo o próprio determinismo é que se é livre. Prisão seria seguir um destino que não fosse o meu próprio. Há uma grande liberdade em se ter um destino. Este é o nosso livre-arbítrio.
 
O oposto do determinismo é o livre arbítrio. Como já descrito acima a vontade da natureza (de deus para alguns) nos impõem um rumo. Se há uma identificação entre o que a vida lhe impõe e o seu querer não existe problemas maiores, há apenas aceitação. No entanto, além de serem raros esse tipo de caso, a aceitação pode trazer o risco da inatividade e esta, levar ao tédio. Persistir e errar, persistir e sofrer e a ausência de momentos felizes, são indícios de que os rumos impostos à vida precisam ser repensados.    
                        Nesse contexto, a persistência não deve ser indicada, a reflexão sim. E a arte de indagar (philoterapia) deve iniciar com a pergunta: por que você quer imprimir um novo rumo a sua vida? Se a resposta for o tédio, então tem-se um bom motivo para apoiar a escolha de uma nova alternativa ou estilo de vida. O tédio é o inimigo a ser combatido pelo philoterapeuta. Então o método a ser aplicado é lançar o desafio, fortalecer argumentativamente a ação e gerar o movimento.  Compete também ao philoterapeuta o papel de abrir o leque de opções demonstrando que a força da natureza nos mostra um caminho mas que este caminho pode ser trilhado de diversas formas.
                        Um das situações mais complexas em relação ao determinismo está relacionado à crença. Quando o interlocutor apenas acredita, ou tem fé em algo, ele provavelmente não terá nenhuma outra argumentação para algumas questões. Sua postura, suas respostas, redundará quase sempre nas frases: eu acredito que assim seja, deus quer assim, é destino. O determinismo leva a crença no destino, ou seja, existe um caminho traçado previamente e dele não podemos fugir. Sofro porque assim deus quer, é carma, devo ter errado muito em vidas passadas e estou pagamento o preço, é azar, assim, estamos diante da lamúria.
                        A lamúria pode ser uma espécie de desabafo, mas também é sinal de fraqueza. Para o lamuriento, o mal é uma constante na sua vida e nele não vê nenhum benefício. É certo, não se pode confundir a ausência de alguma coisa como o oposto dessa mesma coisa. A ausência do bem pode não significar o mal. No entanto, a lamúria é, para o seu praticante, uma espécie de incompreensão da origem das coisas, principalmente da origem do mal.
                        A maior parte das questões acerca da liberdade humana, no sentido cristão, foram debatidas e elucidadas pelos diversos filósofos e teólogos cristãos, mas foi sobretudo Aurélio Agostinho (354-430), dentre eles, quem delas mais se ocupou. Assim, quando o philoterapeuta estiver diante das questões de fé, é importante lembrar este teólogo e filósofo.
                        Para Agostinho o livre-arbítrio e o mal, são questões interligadas. O primeiro está intimamente ligado ao exercício da vontade, pelo menos no sentido da ação voluntária; mas a vontade pode inclinar-se para o mal, principalmente se não obtiver o auxílio de Deus. A questão, então, passa a ser a do dever e a do poder. Querer ser livre é uma coisa e, ser verdadeiramente livre e outra. O problema não é tanto o que pode fazer o homem, mas sobretudo como pode o homem usar seu livre-arbítrio para ser realmente livre. Para isso, segundo Agostinho, é preciso conhecer o verdadeiro bem, e sempre lo escolhe para si. Neste contexto, não basta, de fato, saber o que é o bem: e necessário poder efetivamente inclinar-se para ele.
                        Diz Evans (1995) ao comentar a questão da vontade:
                      Quando a vontade  volta-se para seu próprio bem individual, ou algo exterior ou inferior, ela peca, mas permanece em si um bem; também as coisas buscadas são boas em si mesmas, pois tudo que existe é bom. O mal está na aversão, no afastar-se e não na natureza da vontade e de seus objetos, uma vez que é a criação de um Deus bom. (p. 173)
                        As explicações teológicas podem apoiar o philoterapeuta na compreensão da realidade do seu interlocutor, por isso é importante conhecê-las. No entanto, não de inspirar-lhe ao aconselhamento e menos ainda a instigação da fé. A philoterapia atua no âmbito do entendimento do mundo que nos rodeia e é neste âmbito que deve atuar.
                        Ainda sobre a questão da origem do mal, cabe-nos levantar uma questão essencial exposta por Agostinho no seu Livro Livre Arbítrio (1990) que iremos citar na íntegra.
                        Nenhuma outra realidade torna a mente escrava das paixões, senão a própria vontade e o livre arbítrio. Com efeito, a mente reinante e está na posse da virtude, qualquer agente, seja-lhe igual ou superior, em razão da sua própria virtude, não a faz escrava das paixões; e, qualquer agente que seja inferior, não o faz, em razão da sua incapacidade. 
                        Com esta rápida exposição, acreditamos ter fornecido o alerta necessário para tratar as questões de fé. O assunto é longo e requererá sempre muita habilidade do philoterapeuta, pois o que sustenta as questões de fé, são axiomas e não o entendimento ou a razão, será sempre uma dura batalha. 
                        Um outro aspecto importante relacionado ao determinismo diz respeito a sua antítese, ou seja, as escolhas. Afinal, existe ou não a possibilidade da escolha? Qual o nível de responsabilidade que temos em relação a elas? O filósofo indiano Bhagwan Shree Rajneesh, mais conhecido por Osho, diz o seguinte:
    
                      “Cada escolha é definitiva, em certo sentido. Você não pode deixar de fazê-la, não pode esquecê-la, você não pode recuar. Sua escolha torna-se seu destino. Permanecerá com você e será uma parte de você; você não pode negá-la. Mas sua escolha é sempre um jogo. Cada escolha é feita no escuro porque nada é certo. Eis porque o homem sofre de ansiedade. Ele está ansioso até as suas próprias raízes. O que o atormenta, para começar é: ser ou não ser? “Fazer ou não fazer, fazer isto ou fazer aquilo” (1990, p. 10)
                         
                        No contexto acima a não escolha é uma escolha. Assim, todos são forçados, em determinados momentos, a escolher. As escolhas podem ser coletivas ou individuais e a liberdade de escolha, principalmente quando no âmbito individual, exige, como contrapartida, um maior nível de responsabilidade. Então, quanto mais individual é a escolha, maior é a responsabilidade do escolhedor porque as escolhas criam destinos. Parte do texto a seguir pertence a uma crônica que publiquei num jornal local.
 
(Sérgio Peixoto Mendes - Philoterapia, desafiando o tédio individual e organizacional)
Determinismo versus Livre-arbítrio

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publicado às 22:57


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