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O que é o desejo?

por Thynus, em 15.12.14
Tudo o que você faz na vida começou com um desejo, uma ambição.
Se alguém chega à conclusão de que não precisa mais de nada na vida, conclui
também que está na hora de morrer.

Lair Ribeiro

"Desejo", latim de-si-derio; provém da raiz "sid", da língua zenda,
significando ESTRELA como se vê em sideral — relativo às estrelas.
Seguir o desejo é seguir a estrela — estar orientado — saber
para onde se vai — conhecer a direção...

ROBERTO SHINYASHIKI - A CARÍCIA ESSENCIAL

Kierkegaard dizia que algumas pessoas têm duplo
desespero, isto é, estão desesperadas, mas nem sabem. Você deve estar nesse
desespero duplo. Quero dizer o seguinte: grande parte do sofrimento de uma
pessoa vem por sentir desejo, realizá-lo, ter um instante de saciedade que
logo se transforma em tédio e, por sua vez, é interrompido pelo surgimento
de outro desejo. Schopenhauer achava que era essa a condição humana universal:
desejar, saciar-se, entediar-se e desejar outra vez
.
Irvin D, Yalom - A Cura de Schopenhauer

Escutar o orgasmo de uma mulher é
como o canto de uma sereia grega, faz-nos
dar o que ela quiser. Hoje, as mulheres
começam a sonhar com o dia em que eram
objeto de desejo masculino. Talvez, em
breve, os islamitas cheguem à conclusão de
que as mulheres não mais precisam usar
burca porque o desejo acabou.
..
Luis Felipe Pondé.- A Era do Ressentimento

"A maioria dos homens persegue
o prazer com tanta impetuosidade
que passa por ele sem vê-lo"

Sören Kierkegaard (1813 – 1855)
Desejo é um conceito amplo e pode ser dividido em diversas categorias. O conceito, muitas vezes, é confundido com prazer. São conceitos tão próximos que não se tem certeza se são os prazeres que geram os desejos ou se são os desejos que nos fazem buscar os prazeres. Como nos alerta Kierkegaard acima, a impetuosidade é tamanha que a satisfação do desejo, que em última instância deveria ser um prazer, passa despercebida. O desejo desenfreado de consumo, ou o transtorno da troca de um bem pelo outro, onde um bem se torna rapidamente obsoleto gerando a necessidade de substituição imediata, é uma característica típica do homem urbano. Dizem possuir como causa uma frustração não consciente. Nessa perspectiva, o consumo é uma fuga e ao mesmo tempo uma praga que pode pôr em risco uma relação, um casamento, uma amizade e, com certeza, seu crédito.
Os objetos do desejo podem enfeitiçar e levar o indivíduo ao descontrole. Mas afinal qual é a causa do fetiche? Pode ser a alienação, afirmou certa vez Marx (1818-1883). E sua origem reside no desconhecimento completo do processo produtivo de um bem o que pode transformar o homem em simples engrenagens. Chaplim (1889-1977) explorou muito bem este tema no filme Tempos Moderno ao alertar que “homens engrenagens” não possuem a visão do todo e, consequentemente, não conhecem aquilo que eles mesmos produzem. Como no filme, este homem, vai ser engolido e triturado pela força mesmo do seu desejo e pelo desconhecimento da causa do seu fetiche.
O desejo pode ser uma praga mas ao mesmo tempo é um forte aliado para combater o tédio. O desejo pode tirá-lo da cama pela manhã e fornecer a energia necessária para vivenciar mais um dia de experiências, seja no trabalho, seja no laser. Transformar o desejo em desafio é atribuição do philoterapeuta. Entretanto o desejo como antídoto do tédio precisa ser aplicado em doses calculadas para que os resultados possam ser um conjunto de ações concatenadas e planejadas.
Enfim, a compulsividade, o descontrole e a falta de desejo são os males que precisam ser combatidos. Compete ao philoterapeuta encontrar o ponto ideal, utilizando sua habilidade de inquirir e a gerência de conversa como método, para gerar um novo problema, ou seja, a própria busca do equilíbrio por parte do interlocutor.
Bertrand Russel (1977) coloca uma questão interessante acerca do desejo. “O que podemos descobrir introspectivamente acerca do desejo?” (p. 230). Para entender a resposta que oferece a questão, é importante ter em mente que o desejo é uma característica do comportamento e, segundo Freud, eles podem ser inconscientes. Mas, analisando os desejos explícitos pode-se perceber que os mesmos podem estimular o conhecimento colocando-o como meio para alcançar os fins, ou seja, ter o desejo atendido. Nesse contexto, segundo Bertrand Russel, os meios para alcançar um desejo também passam a ser desejados. Num desejo explicitamente consciente sempre existirá um objeto a ser conquistado. E ainda, o desejo inicialmente se manifesta como tendência cega para todos os tipos de atividades. Schopenhauer alerta sobre a positividade do desejo conforme descrito a seguir:
“Não nos apercebemos do seu valor senão quando os perdemos, porque somente a necessidade, a privação, o sofrimento, são positivos e se fazem sentir diretamente” (1985 p. 77).
A supressão de um desejo pode trazer alívio imediato mas pode, também, deixar o indivíduo mais próximo do tédio. Como num plano de projeto organizacional saltar etapas pode prejudicar os resultados finais do projeto. Ao quebrar a relação lógica das atividades ou pacotes de trabalho, pode-se ter consequências imprevisíveis para o escopo do projeto. Assim, conforme o texto de Schopenhauer citado acima, é necessário entender a positividade da necessidade (privação) para gerar as perguntas adequadas que viabilizarão o gerenciamento adequado da conversa. Mas, entender os fatos da maneira que se apresentam, pode exigir do philoterapeuta anos de estudo e experiência, o que faz da philoterapia um assunto sério.
 Algumas perguntas importantes acerca do desejo: o que fazemos com os objetos do nosso desejo? Quanto tempo de satisfação e prazer lhe proporciona este objeto? Qual a força motriz que impulsiona o seu desejo? O seu desejo é imposto ou é inerente a sua personalidade? Você trocaria um objeto pelo bem estar interior? Qual a força capaz de coisificar um desejo?

(Sérgio Peixoto Mendes - Philoterapia)
Corpo de desejo

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publicado às 01:43



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