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O que é o amor?

por Thynus, em 22.12.16
Os povos inuítes do Ártico possuem dúzias de palavras para neve, porque a neve em todas as suas formas – leve, pesada, quebradiça, acumulada e assim por diante – é central para sua vida e sobrevivência diária. Na nossa cultura, a julgar pelas músicas, livros e filmes, o amor é essencial para nossa vida e mesmo assim temos apenas uma palavra para um fenômeno que é infinitamente complexo e variado. O amor toma muitas formas. Existe o amor que sentimos pelos nossos pais, pelos nossos irmãos e pelos nossos amigos, mas, mesmo deixando de lado esse tipo de amor familiar e platônico e focando o amor romântico – objeto deste livro –, ainda há muitas variações. Todos têm uma opinião sobre o amor, mas será que essa emoção universal e caprichosa pode ser definida?
As pessoas vêm tentando entender e explicar o amor há milênios. Na minha opinião, uma das melhores observações sobre o amor vem dos antigos gregos. Há quase dois mil e quinhentos anos, o filósofo Platão falou sobre o amor em termos de completude. Em seu diálogo O Banquete, ou O Simpósio, ele sugeriu que todos nós buscamos nossa cara-metade na esperança de nos tornarmos um todo. Ele chamou esse desejo humano por completude de busca pelo amor. No mesmo diálogo, o mestre de Platão, Sócrates, disse: “Em nosso amante nós buscamos e desejamos aquilo que não temos”.
Todas as religiões têm uma opinião sobre o amor, visto que ele é essencial para nossas crenças espirituais. Se você participar de um casamento cristão, provavelmente ouvirá o que São Paulo disse aos Coríntios: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece”.
O judaísmo afirma que marido e mulher se complementam. De acordo com Rabbi Harold Kushner, o Talmude ensina que um homem não é completo sem uma esposa e uma mulher não é completa sem um marido. O Corão também sustenta a ideia de que o amor cria completude ao dizer que “Deus fez o homem e a mulher para se complementarem, assim como a noite completa o dia e o dia completa a noite”.

“Amor e compaixão são necessidades, não luxos. Sem eles a humanidade não pode sobreviver.”
Dalai Lama



O budismo compara o amor e o casamento à união do vazio com o êxtase. Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano, diz que: “Amor e compaixão são necessidades, não luxos. Sem eles a humanidade não pode sobreviver”.
Cientistas sociais abordam de forma mais analítica o entendimento do amor. Por exemplo, Richard Rapson e Elaine Hatfield, pesquisadores da Universidade do Havaí, dividem o amor em dois tipos principais, que eles chamaram de amor apaixonado e amor companheiro. Eles definem o amor apaixonado como um estado de desejo intenso e contínuo de união com outra pessoa, que envolve sentimentos sexuais e reações emocionais poderosas. O amor companheiro não é tão efusivo. É cultivar sentimentos delicados e crédulos por alguém. A pessoa se sente profundamente conectada e quer se comprometer com o outro.
Robert Sternberg, professor de psicologia e educação na Universidade de Yale, defende uma teoria triangular do amor, constituída por paixão, intimidade e compromisso. A paixão é a parte física – faz a pessoa se sentir estimulada e audaz, mas, às vezes, leva a decisões ruins. A intimidade é a alegria que você sente ao estar próxima e conectada com alguém, e o compromisso é o acordo mútuo de fazer o relacionamento funcionar. De acordo com Sternberg, diferentes combinações desses três componentes geram diferentes tipos de amor e, quando você consegue fazer todos os três pontos do triangulo funcionarem juntos, consegue um amor eterno.
 
As etapas do amor
O amor é tão difícil de definir porque não é uma coisa que você tem ou consegue, como um grande cobertor de plumas. Tampouco é uma profunda e quente piscina na qual você entra. O amor é um processo. É algo que você faz ou que acontece com você, são as emoções e as turbulências físicas que vêm junto com ele. O processo real de se apaixonar acontece com uma progressão natural, e passa por quatro etapas: atração, conexão, intimidade e compromisso. A primeira etapa trata principalmente da atração física e é acionada por sinais não verbais que fornecemos por meio de uma combinação de atitude, constituição física e vestuário – nossa aparência geral. As próximas etapas tratam principalmente da atração mental ou emocional, desenvolvimento de intimidade e compartilhamento de confidências. E quem diria que, com mais frequência do que imaginamos, tudo começa com um olhar e um sorriso?
O primeiro passo na formação de qualquer novo relacionamento é a atração. Sem atração, nada acontece. Os seres humanos passam a vida toda se avaliando – principalmente quando conhecem estranhos. É nossa natureza. A avaliação instantânea que fazemos quando encontramos alguém pela primeira vez é chamada de resposta de luta ou fuga, mas isso é um pouco equivocado: na verdade, é resposta de luta, fuga ou atração. Cada novo encontro representa uma ameaça ou uma oportunidade. Fazemos julgamentos instantâneos: esta pessoa é um amigo ou um inimigo, uma oportunidade ou uma ameaça, atrativa ou repulsiva? Todos temos nossas ideias e preferências, muitas das quais foram influenciadas pela sociedade, mídia, pais e amigos. Algumas pessoas nos fazem sentir ameaçados; outras nos fazem sentir confusos e outras imediatamente nos atraem. No geral, nos sentimos atraídos pelas pessoas que acreditamos possuir as mesmas preferências e ideais.
Se duas pessoas se conhecem e se sentem atraídas, ótimo. O caminho está traçado para o segundo passo em direção ao amor: a conexão. Enviar os sinais errados ou usar as palavras erradas pode fazer tudo desmoronar tão rápido quanto começou, mesmo se houver potencial. Enviar os sinais certos e dizer as coisas certas torna a conexão fácil e confortável. Depois é preciso passar ao próximo passo – criar algum tipo de intimidade. É nessa etapa que você deve fazer a pessoa falar e continuar falando.

Enviar os sinais errados ou usar as palavras erradas pode fazer tudo desmoronar tão rápido quanto começou, mesmo se houver potencial.

Existem dois tipos de intimidade: a emocional e a sexual. Este livro trata principalmente da intimidade emocional. Ensinaremos apenas algumas técnicas de paquera com carga sexual, mas deixaremos sua vida sexual em suas mãos. A intimidade emocional é alcançada tanto por meio de sinais verbais, tais como contato visual prolongado e toque incidental, quanto por um estilo de conversa chamado autoexposição, no qual você compartilha seu verdadeiro eu com outra pessoa. Quanto mais vocês dois revelam, mais identificam aspectos pequenos, porém cruciais, de vocês mesmos no outro, podendo provocar sentimentos de unidade e identidade. A partir daqui a transição para o compromisso com seu oposto compatível será tão natural como a própria autopreservação. Na verdade, é quase a mesma coisa. Nesse momento, você sabe que não está mais sozinha – sente-se completa, comprometida e viva.
 
Amor por acaso
Não seria ótimo se pudéssemos nos apaixonar pela pessoa certa à primeira vista? Às vezes isso acontece. Ela olha, ele olha, ela sorri, ele sorri – de repente paixões são provocadas, inibições são descartadas e bum! – Amor à primeira vista. Isso acontece quando duas pessoas imediatamente reconhecem algo na outra que elas absolutamente sabem o que querem. A atração é tão profunda que as compele a agir – na verdade, normalmente é tão forte que todo o cuidado e bom senso voam pela janela.
Pesquisas mostram que não é apenas uma atração física ou sexual, mas sim um reconhecimento mútuo de que as duas pessoas se complementam perfeitamente em termos de personalidade e temperamento.
O Dr. Earl Naumann, autor de Amor à primeira vista, entrevistou e analisou 1.500 indivíduos de todas as raças, religiões e trajetórias na América e concluiu que o amor à primeira vista não é uma experiência rara. Além disso, o Dr. Naumann afirmou que, se você acredita em amor à primeira vista, existe 60% de chance de que isso ocorra com você. Estes foram os pontos que o levaram a chegar a essa conclusão:

  • Quase dois terços da população acredita em amor à primeira vista.
  • Dos que creem, mais da metade já vivenciou essa experiência.
  • 50% das pessoas que já vivenciaram essa experiência se casou com o objeto de seu afeto.
  • Três quartos desses casais permaneceram casados.
Tomemos como exemplo a história de Francis e Eileen, pais de dois dos meus amigos mais próximos. Durante a Segunda Guerra Mundial, Francis era piloto do avião Spitfire e em uma noite participou de uma apresentação teatral para as tropas. “No momento em que Eileen entrou no palco, a sensação mais estranha tomou conta de mim”, Francis me contou. “Eu pensei: ‘Aquela é minha mulher’. Não tive a menor dúvida. Não tinha ideia de quem ela era, mas sabia que aquela mulher ficaria comigo pelo resto da minha vida. Quando o show terminou, fui até os bastidores e apresentei-me. Nossos olhares se encontraram e senti uma enorme explosão de amor que me deixou sem ar. Lembro que pensei que aquele momento único fez toda a minha vida valer a pena”.
Francis e Eileen estão casados há 48 anos e têm dois filhos e cinco netos. Curiosamente, muitos anos depois seu filho Martin, que hoje é um bem-sucedido homem de negócios, estava sentado em um bar de Chicago quando três aeromoças entraram no local. “O tempo parou”, ele me contou. “Eu virei para um colega e disse ‘Aquela é minha mulher’”. Ele estava certo. Hoje, 24 anos depois, eles têm três lindos filhos adolescentes.
 
Ninguém quer ficar sozinho
Por que ter alguém especial é tão importante para os seres humanos? Não é só pelo companheirismo, pela segurança ou pela conveniência, mas também porque temos uma necessidade de nos expressarmos emocional e intelectualmente. Todos nós precisamos de alguém em quem confiar para conversar, compartilhar experiências e expressar nossas ideias. Queremos alguém com quem possamos compartilhar os prazeres da vida e, o mais importante, alguém que nos dê uma resposta – que reaja ao que dizemos e nos diga como estamos indo. Precisamos de alguém que nos observe, que nos valide e nos faça sentir completos.
Quando duas pessoas se comunicam de forma aberta e regular, expressando seus sentimentos e emoções, elas oferecem segurança, esperança e conexão para um futuro. Encontramos tudo isso e mais quando nos expressamos no amor. Cientistas comprovaram que a resposta emocional compartilhada entre duas pessoas apaixonadas equilibra, regula e influencia o ritmo vital do seu corpo e as mantém saudáveis. A frequência cardíaca, a pressão sanguínea, o equilíbrio hormonal e a absorção de açúcar no sangue melhoram quando duas pessoas se unem emocionalmente no amor. Em outras palavras, aquela antiga expressão “Eles têm uma verdadeira química” não é meramente uma metáfora. Pessoas apaixonadas simplesmente não se tornam mais cheias de vida, elas têm uma tendência a permanecer vivas e ter uma vida mais rica, mais saudável e mais empolgante.
 
Em busca do amor
Se o amor é essencial para nossa saúde e bem-estar, por que às vezes é tão difícil encontrá-lo? Para começo de conversa, muito do que Hollywood vem nos mostrando sobre o parceiro perfeito é uma grande baboseira. A mídia em geral nos orienta muito mal quando se trata de encontrar uma pessoa que possa nos completar. Se você lê revistas femininas ou assiste à televisão ou a filmes, é fácil acreditar que deve ter uma determinada aparência, um determinado cheiro, conversar sobre determinadas coisas e aspirar a determinados objetivos financeiros e profissionais limitados se quiser entrar na corrida por um companheiro.
As pessoas que você vê na televisão e nas revistas, na verdade, são como você e eu. Sei disso, pois costumava fotografá-las. Elas são pessoas normais com boas roupas, boa maquiagem e bom foco. Falam palavras escritas por outras pessoas, vestem roupas que outras pessoas escolheram para elas, passam metade da vida fazendo dietas e às vezes passam por dolorosas cirurgias. Seu glamour faz parte de uma ilusão que permitimos que seja imposta sobre nós. A ironia é que, quando você levanta as cortinas, descobre que todo o estilo, a tonificação e o bronzeamento não agregam muito à autoestima dessas pessoas. Por dentro, elas são como todos nós.
Na tentativa de satisfazer os ideais da mídia, fomos ludibriados a usar máscaras e a gostar de pessoas que também usam máscaras. Será que é mesmo uma surpresa o fato de que, quando as máscaras caem e vemos o que há atrás delas, encontramos incompatibilidade, frustração e raiva? E é uma surpresa o fato de a taxa de divórcio atualmente ser de 50%?
Não estou sugerindo que você se acomode – é exatamente o contrário; aproveite ao máximo o que tem. Só quero que perceba que não há nada de errado com você se não se parecer com as pessoas da televisão e das revistas, porque nem elas se parecem com elas mesmas. Seja autêntica, maximize o que você tem e livre-se das máscaras. Você poderá descobrir que está escondendo o que realmente tem para oferecer.
Também fomos condicionados a acreditar que nosso príncipe ou princesa entrará na nossa vida como num conto de fadas, mas, na maior parte do tempo, não é assim que funciona. Claro, o amor à primeira vista acontece (ver box “Amor por acaso”), mas não é prudente contar com isso. Se você perder seu emprego e simplesmente ficar esperando alguém bater na sua porta oferecendo um cargo maravilhoso, talvez espere uma eternidade. Você precisa se expor – conversar com pessoas , explorar oportunidades, fazer conexões. É aí que entra o amor por encomenda.
O amor por encomenda é uma série de passos que a ajuda a se conectar com seu oposto compatível. Não é frio ou calculista e não se contenta com qualquer coisa. É a compreensão do processo de se apaixonar pela pessoa certa e de dar passos deliberados para fazer que isso aconteça.
O amor por encomenda se aproveita das experiências das pessoas que acertaram e estão em um relacionamento feliz e duradouro, mas, como os erros normalmente são os melhores professores, ele também se aproveita das pessoas que constantemente se equivocaram. O amor por encomenda usa uma rica linguagem corporal e técnicas linguísticas para ajudar você a fazer o melhor uso do seu corpo, da sua personalidade e das suas habilidades de comunicação. Você começará avaliando sua conversa consigo mesma, seu diálogo interno, seus valores e motivações, além de analisar o tipo de pessoa que você pensa que é. Depois analisará sua personalidade e características comportamentais. Você é extrovertida ou introvertida? Racional ou emocional? Visual, física, sinestésica ou auditiva? Depois que tiver um bom entendimento sobre si, você poderá descobrir que tipo de pessoa tem mais probabilidade de amar e ser amada.
Quando souber o que está procurando, poderá ajustar sua autoapresentação para causar uma ótima primeira impressão. Você pode aperfeiçoar suas habilidades de compreensão para acelerar sua habilidade de conectar-se com alguém e encontrar afinidades. A partir daí, poderá deslizar rapidamente para a intimidade por meio da autoexposição, compartilhando o tipo de informação confidencial que cria laços entre as pessoas. Ensinarei você a gerenciar o tempo, o risco e a agitação em tudo isso, para que possa avançar da forma mais efetiva e natural possível.
 
EXERCÍCIO 1
Quem é você? Como você é?
Dedique alguns minutos para refletir sobre as seguintes perguntas sobre como você se vê, como acredita que os demais a veem e quais qualidades considera importantes nos demais.

  1. Quais são as cinco palavras que você utilizaria para se descrever?
  2. Quais são as cinco palavras que você acha que outras pessoas usariam para a descrever?
  3. As palavras são similares? Se não, por que você acha que há uma diferença?
  4. Com exceção de comentários sobre sua aparência, qual foi o melhor elogio que alguém poderia fazer a você?
  5. Em sua opinião, quais são as três qualidades mais importantes em um amigo? Em um parceiro de negócios? Em companheiro de uma relação amorosa?
 
 (Nicholas Boothman - Como fazer Alguém se apaixonar por você em 90 minutos?)

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publicado às 13:33



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