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Com certeza, muito do que aprendemos sobre o mundo se dá por meio da experiência sensorial. Isso pode tentá-lo a pensar que no nascimento nossa mente como uma lousa em branco: vazia de conteúdo, esperando para ser preenchida pelas experiências. Mas enquanto nosso corpo está realmente nu ao nascermos, nossa mente não está: chegamos a este mundo com um saudável estoque de ideias inatas.
A prova é o fato de que quando adultos somos possuídos por ideias de que a experiência sensorial em si simplesmente não poderia nos fornecer.
Há conceitos morais, por exemplo, como “certo” e “errado”. Como vimos, nossos sentidos não estão simplesmente equipados para detectar esse tipo de coisa: nossos olhos só veem luz e cor, não “certo” e “errado”.
Há conceitos matemáticos. Não estamos falando dos avançados; até mesmo os acessíveis, como os números, devem ser inatos. Porque, apesar de podermos ver três laranjas ou três árvores, nunca literalmente vemos o número três propriamente dito. Na verdade, como já notamos, os números parecem ser conceitos em nossa mente que aplicamos ao que vemos, não conceitos que tiramos do que vemos.
Da mesma maneira, temos o conceito de “ego”, de nós mesmos, mas nossos sentidos não conseguem nos mostrar nada assim. Certamente não percebemos isso com nossos olhos, ouvidos ou nariz. No melhor dos casos, “refletimos” e “olhamos para dentro” a fim de descobri-lo. Mas mesmo essa reflexão não resolve: todos nós estamos conscientes, na verdade, de um fluxo de pensamentos, percepções, memórias em incessante transformação, e por aí vai. Nunca estamos conscientes da pessoa ou do ego que tem estes pensamentos e percepções; ou seja, quem na verdade está refletindo sobre eles.
E, finalmente, há a ideia de Deus. Você pode não acreditar na existência de Deus, mas ainda possui o conceito, quer dizer, o de um ser infinito. Mas o conceito de infinidade certamente não vem da experiência sensorial, porque tudo que experimentamos é finito.
A experiência, então, pode nos dar muitas coisas. Mas não nos dá o que já temos dentro de nós – incluindo o infinito.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

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publicado às 22:21



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