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2012
Como eu, você deve ser um dos 845 milhões de usuários do Facebook no mundo. O Brasil é o quarto
país que mais frequenta a rede, com mais de 42 milhões de pessoas conectadas. Um a cada cinco
brasileiros está ligado naquela página azul. Segundo o site SocialBakers, 60% dos usuários
brasileiros têm entre 18 e 34 anos. E as mulheres são maioria (54%).
Como viciado, resolvi contabilizar o que aparece por lá. Não é um levantamento científico. Apenas o
retrato de um momento. Em mil posts no Facebook, contei basicamente o seguinte:
1 - Clipes musicais - 18,7%
2 - Animais - 10%
3 - Clipes de notícia - 8,3%
4 - Frases - 7,4%
5 - Piadas e frases de humor - 5,9%
6 - Divulgação de trabalho pessoal - 5,6%
7 - Fotos de si mesmo ou da família - 5,5%
Veja como o conteúdo varia. Tem a futilidade e a objetividade, o humor e a seriedade, a divulgação
do próprio trabalho, as frases úteis e inúteis, notícias e piadas.
Abaixo dessas sete primeiras colocações temos a riqueza da diversidade humana. Os que promovem
causas. Os posts político-doutrinários. Os trechos de filmes e programas de TV. Os poemas. Os status
pessoais ("tô cum sono!"). As fotos de comida. O combate entre religiosos e ateus militantes. As
declarações de amor e de ódio. Os relatos de festas e baladas. As provocações do futebol. E os
"kkkkkkkkkkkkkkkkk".
Com o tempo, vemos o Twitter se firmar como um poderoso instrumento de divulgação. Já o LinkedIn tem foco profissional. E o Google+ ainda não se firmou - e talvez nunca se resolva.
Mas o Facebook virou um lugar onde as pessoas se soltam. É um "bar virtual" onde pensamentos e
sentimentos ganham passe livre.
Um usuário escreve: "Eu declaro, a quem interessar possa, que todas as noites oro fervorosamente
para que Deus conceda uma morte lenta e dolorosa a todos os funcionários da empresa X, seus
familiares, entes queridos e mais os 50 vizinhos da direita e os 50 vizinhos da esquerda".
Ele teria coragem de dizer essa barbaridade ao vivo na TV ou pessoalmente? No Face ele tem. É
uma declaração fortíssima, agressiva ao máximo, capaz de chocar uma pedra pela sua malevolência.
No Face, pode.
A invenção de Mark Zuckerberg virou uma máquina insaciável de cultivo e retroalimentação de
carência afetiva. O Facebook nos faz oferecer alguma coisa no altar da popularidade - uma foto, uma
música, uma frase de consolo - e esperar ansiosamente pela contagem de usuários que curtiram,
compartilharam ou cutucaram. Medimos nossa aceitação contando vogais: "Adooooorooooooo!".
Zuckerberg está multiplicando pela humanidade sua guerra contra a rejeição, tão bem retratada no
filme A Rede Social. Cumplicidade mútua é o que vale para que se ganhe a cobiçada mãozinha azul
fazendo sinal de positivo. E essa sede de empatia cria processos estranhos.
Coloque um post com o título "Descoberta a vacina contra o câncer" e você terá meia dúzia de
apoios. Escolha a foto bonitinha de uma lua no horizonte e escreva "boa noite a todos". 1.872
curtirão isso.
O Facebook virou o maior laboratório de relacionamentos pessoais do mundo. E nós somos suas
mais de 845 milhões de cobaias voluntárias.
 

O que postar no Facebook pra todo mundo curtir


O Panorama em 2015:
O Facebook virou o tsunami que conhecemos: no momento em que escrevo conta com mais de 1,4
bilhões de usuários ativos. Quase todos nós passamos a frequentar o Face com ansiedade. E isso
começou a me incomodar. Virou quase obrigação social. No início de 2013 uma pesquisa confirmou
minha suspeita: o Facebook estava causando ondas de ansiedade e depressão. E começava a cansar.
Em 2014 sua população está envelhecendo com os mais jovens procurando outras redes sociais.
Mesmo assim o Face continua imbatível. E obrigatório, às vezes pautando as nossas vidas. Mas uma
análise estatística realizada pela universidade Princeton indicou que o Facebook pode perder 80 por
cento dos seus usuários entre 2015 e 2017.

(Dagomir Marquezi - Alma Digital)

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publicado às 01:42



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