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O ESQUECIMENTO DO SER

por Thynus, em 21.06.16
Voltamos ao sequestro. Ao confinar uma pessoa, o sequestrador atenta contra a sua identidade. Ao negar-lhe a liberdade do corpo, uma série de outras liberdades será comprometida. A liberdade emocional é uma delas. O mal-estar que decorre dessa privação compromete a articulação que precisamos fazer de nossas possibilidades e limites.
No cativeiro, o limite deixa de ensinar, pois estando apartada de seu horizonte de sentido, dos que ama, estando privada de frequentar o retalho de mundo que a coloca ao lado dos que a ajudam a compreender os nãos da vida, a pessoa é condenada ao vazio.
O cativeiro a priva dos direitos e deveres que decorrem de seu papel existencial. Quem é pai deixa de exercer o papel de pai, quem é filho deixa de exercer o papel de filho e assim por diante. Veja bem, deixar de exercer o papel não acarreta deixar de ser. Um pai será sempre pai, mesmo distante do filho que ama. Da mesma forma que a mãe será sempre mãe, ainda que exilada e sem o direito de desempenhar o papel de mãe. Mas o sofrimento provocado pelo distanciamento pode desencadear o esquecimento do ser. Recorde-se. Antes de abordar a questão da identidade, falâvamos que o cativeiro pode levar a pessoa a ausentar-se de si mesma. O que vem a ser isso? É o pior vazio que podemos experimentar. Trata-se de um estado paralisante em que a pessoa não se encoraja, pois é como se o motor da existência estivesse ausente do corpo.
Estando ausente de si mesma, a pessoa se desprende de sua identidade, adentra o território do esquecimento do ser. Estando fora de seu horizonte de sentido, negada no direito de conviver com os elementos de sua identificação, ela vai se tornando indiferente à vida. Exilada dos outros e de si mesma, a saúde emocional vai se fragilizando, o corpo vai se rendendo ao domínio do algoz, e a pessoa vai rompendo lentamente com os motivos que antes a faziam prosseguir.
É o ponto alto das consequências nefastas do sequestro. Já estando ausente de si mesma e esquecida de ser quem é, a pessoa sequestrada se rende à condição de vítima.

(Fábio de Melo - "Quem me roubou de mim")

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publicado às 20:12



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