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As células não ficam aflitas com seu mundo interior. Não são neuróticas ou ansiosas em relação ao futuro. Elas não sentem remorso (embora certamente carreguem as marcas do passado – pergunte ao fígado de um alcoólatra ou ao estômago de um ansioso crônico). Por não reclamarem, é fácil aceitar que as células não têm vida interior, mas elas têm. O que divide o interior e o exterior é a membrana celular. De várias maneiras, ela é o minicérebro da célula, porque a célula recebe todas as suas mensagens nos receptores que se amontoam aos milhares na membrana celular. Esses receptores deixam algumas mensagens entrar, outras não. Como plantas aquáticas flutuantes, elas se abrem para o mundo, mas têm raízes sob a superfície.
Por dentro, essas raízes permitem que diversas mensagens se dirijam aonde forem necessárias. Se você passar por processos de negação ou repressão, ou a censura de certos sentimentos e a erupção de outros, ou se sentir o tranco do vício e a inflexibilidade de hábitos, tudo isso poderá ser observado na membrana celular. Os receptores estão sempre mudando, satisfazendo a necessidade de manter os mundos interior e exterior em equilíbrio. Esta é mais uma face do dom da adaptabilidade. Deepak gosta de dizer que nós não apenas temos as experiências; nós as metabolizamos. Toda experiência se transforma em um sinal químico codificado que irá alterar a vida das células, seja de maneira significativa ou não, seja por alguns minutos ou por muitos anos. O problema é quando uma pessoa tranca seu mundo interior e não consegue combiná-lo com o mundo exterior. Há dois extremos aqui. Em um estão os psicóticos, cuja única realidade é seu pensamento distorcido e suas alucinações. No outro, os sociopatas, que não têm consciência e mal possuem um mundo interior; seu foco é explorar as pessoas “lá fora”. Entre esses dois polos, há uma gama de comportamentos. Os mundos interno e externo se desequilibram por meio de todo tipo de mecanismo de defesa. Ou seja, colocamos uma tela de proteção que separa o mundo exterior da maneira como reagimos a ele. Entre os tipos de telas mais comumente utilizadas estão:
• Negação – a recusa em enfrentar como você realmente se sente quando algo dá errado.
• Repressão – a insensibilidade a sentimentos, de modo a não ser atingido por eventos “de fora”.
• Inibição – o controle das emoções, segundo a lógica de que sentimentos contidos são mais seguros e mais aceitos pela sociedade.
• Mania – a liberação total dos sentimentos, sem se preocupar com as repercussões na sociedade; o oposto de inibição.
• Vitimização – a negação em se dar prazer, porque outros não vão proporcioná-lo a você, ou aceitar a dor por achar que a merece.
• Controle – tentar erguer um muro entre os mundos externo e interno, para que nenhum limite seja ultrapassado.
• Dominação – usar a força para manter os outros em posição inferior, enquanto você se perde em sua própria fantasia de poder.
Como seria para você viver sem essas telas? Em poucas palavras, você teria resiliência emocional. Estudos com pessoas que viveram com saúde até os 100 anos revelam que seu maior segredo é a capacidade de se manter resiliente. Centenários sofrem os mesmos contratempos e decepções que todo mundo, mas eles parecem se recompor mais facilmente e deixar o passado pesar menos sobre eles. A resiliência emocional sugere que os mecanismos de defesa não estão muito presentes, porque, quando estão, a pessoa se apega a velhas feridas, nutre ressentimentos secretos e incorpora o estresse em vez de se livrar dele. O corpo paga o preço por cada defesa que se constrói.
As células não agem de qualquer uma dessas formas distorcidas. Ao contrário, há um fluxo de entrada e saída, o ritmo natural da vida. A resposta interna da célula equivale aos eventos externos. Restaurar esse ritmo dentro de si exige consciência. Todo mundo tem uma carga psicológica, e nossa tendência é ou proteger nosso self de mais sofrimento ou ignorar nossa vida interior porque é muito difícil de encarar. O caminho que leva a um equilíbrio entre o “aqui dentro” e o “lá fora” deve ser mais ou menos assim:
A sensação não é boa. Não quero lidar com isso.
Não é seguro mostrar como me sinto.
O mundo é um lugar assustador. Todos têm o direito de se proteger.
Vou lidar com meus problemas amanhã.
As coisas não parecem estar melhorando por conta própria.

Talvez eu tenha que encarar minhas atitudes obscuras e sentimentos reprimidos.
Olhei para dentro de mim e vi que há muito o que fazer. Mas não é tão assustador quanto imaginei.
É um alívio me libertar de problemas antigos.
Estou começando a me sentir mais à vontade no mundo e muito mais seguro.


(DEEPAK CHOPRA, RUDOLPH E. TANZI - Super Cérebro)

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publicado às 20:41



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