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A suposta falta de direitos dos animais, a ilusão de que nosso comportamento para
com eles não tenha valor ético ou de que, como se diz na linguagem daquela moral, não
haja deveres para com eles são uma brutalidade e um barbarismo próprio do Ocidente,
cuja origem se encontra no judaísmo.
  (Arthur Schopenhauer - A ARTE DE INSULTAR) 
 
 
Outro erro fundamental do cristianismo [...], absolutamente inexplicável e que manifesta diariamente suas terríveis conseqüências, é o fato de ele, contra a natureza, ter arrancado o homem do mundo animal ao qual pertence em essência e ter dado valor apenas a ele, considerando os animais até mesmo como coisas [...]. O referido erro fundamental é, porém, a conseqüência da criação que parte do nada, segundo a qual o Criador (cap. 1 e 9 da Gênese) entrega ao homem todos os animais — como se estes fossem coisas e sem nenhuma recomendação de bons tratos, como faz o vendedor de cães quando se separa dos seus filhotes — para que ele os domine, ou seja, faça com eles o que bem entender; em seguida, no segundo capítulo, o criador eleva o homem ao grau de primeiro professor de zoologia, encarregando-o de escolher os nomes que os animais teriam de carregar para sempre, o que novamente constitui apenas um símbolo da sua total dependência do homem, em outras palavras, a privação de seus direitos. Sagrada Ganga! Mãe de nossa espécie!
Um anúncio do tão benemérito Círculo de Munique para a proteção dos animais, com data de 27 de novembro de 1852, empenha-se com a melhor das intenções para citar da Bíblia "os preceitos que pregam a consideração pelos animais" e menciona os seguintes trechos: Provérbios de Salomão 12, 10; Eclesiástico 7, 24; Salmos 147, 9; 104, 14; jó 39, 41; Mateus 10, 29. Mas tudo isso não passa de uma pia fraus que conta com o fato de que ninguém irá procurar tais passagens na Bíblia: apenas a primeira, bastante conhecida, diz algo a respeito, ainda que tenuamente. As restantes certamente falam dos animais, mas não da consideração por eles. E o que diz o primeiro versículo? "O justo sente compaixão pelo próprio rebanho." — "Compaixão!" — Que expressão! Tem-se compaixão de um pecador, de um malfeitor, não de um animal inocente e fiel, que freqüentemente provê o ali-mento do seu dono e não recebe nada em troca a não ser uma forragem escassa. "Compaixão!" Não compaixão, mas justiça é o que se deve aos animais.

 (Arthur Schopenhauer - A ARTE DE INSULTAR)

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publicado às 22:55



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