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O absurdo do amor 1

por Thynus, em 02.12.15

Amamos a vida não porque estamos acostumados à vida, mas a amar. 
Há sempre alguma loucura no amor, mas há sempre também alguma razão na loucura.
Friedrich Nietzsche

Tanto nos homens quanto nas mulheres, a oxitocina e a vasopressina liberadas no cérebro depois do sexo produzem amor e atração. A oxitocina é liberada inclusive nos abraços, em especial pelas mulheres, razão pela qual um mero toque físico casual pode levar a sensações de proximidade emocional até na ausência de uma ligação consciente ou intelectual entre os participantes. 
(Leonard Mlodinow – “Subliminar,Como o inconsciente influencia nossas vidas”) 

Tenha sempre em mente que as preocupações com a morte freqüentemente se disfarçam em trajes sexuais. O sexo é o grande neutralizador da morte, a antítese vital absoluta da morte. (...)
O termo francês para orgasmo, la petite mort ("pequena morte"), aponta para a perda orgásmica do self, que elimina a dor da separação — o "eu" solitário desaparecendo no "nós" fundidos.
(Irvin D. Yalom - Os desafios da terapia)

"É UM ERRO CASAR. O SEXO É COISA DO DIABO E EU TAMBÉM"
Há algum tempo conversei com uma jovem de 22 anos de idade. Haviam-lhe
ensinado que era pecado dançar, jogar cartas, nadar e sair com homens. Era
ameaçada por sua mãe, que lhe dizia que arderia eternamente no fogo do inferno
se desobedecesse à sua vontade e aos ensinamentos religiosos. Essa jovem usava
sempre vestido preto e meias pretas. Não usava rouge, batom ou qualquer outra
espécie de pintura, pois sua mãe dizia que essas coisas eram pecaminosas. A mãe
disse-lhe também que os homens eram diabólicos e que o sexo era uma coisa do
diabo, uma devassidão simplesmente diabólica.
Essa jovem teve de aprender a perdoar-se, pois estava dominada por um
sentimento de culpa. Perdoar significa renunciar. Ela teve de renunciar a todas
as suas falsas crenças nas verdades da vida e criar uma nova avaliação de si
mesma. Quando saía com jovens do escritório em que trabalhava, tinha uma
profunda sensação de culpa e pensava que Deus iria puni-la. Inúmeros rapazes
propuseram-lhe casamento, mas ela me afirmou: "O casamento é um erro.
O sexo é. coisa do diabo e eu também". Era a voz da sua consciência ou
condicionamento anterior falando.
Passou a visitar-me uma vez por semana, durante dez semanas, tendo eu
explicado o funcionamento das mentes consciente e subconsciente (...)
Gradualmente, essa jovem foi compreendendo que fora submetida a uma terrível
lavagem cerebral, mesmerizada e condicionada por uma mãe, ignorante,
supersticiosa, intolerante frustrada. Ela rompeu inteiramente com sua família e
iniciou uma nova e maravilhosa vida.
Por sugestão minha, mudou de guarda-roupa e até de penteado. Tomou lições de
dança com um homem e também aprendeu a guiar automóveis. Aprendeu a nadar, a
jogar cartas e teve inúmeros encontros com rapazes.
Começou, em suma, a amar a vida. Rezou por um companheiro perfeito, pedindo
ao Espírito Infinito que lhe atraísse um homem que com ela se harmonizasse
integralmente. Isso veio finalmente a ocorrer. Certa tarde, quando deixava meu
consultório, havia um homem esperando para ver-me e eu casualmente apresentei-os.
Estão agora casados e vivem em perfeita harmonia um com o outro...

(Joseph Murphy - O poder do Subconsciente)
 
Mas, e sobre o amor?
 
O que é mais romântico do que um jantar íntimo à luz de velas? Mas antes os dois precisam escolher se vão jantar no subúrbio ou ir até o centro. Jantar perto de casa restringe as opções de restaurantes, mas dispensa a viagem até o centro e permite um aperitivo no conforto do lar. O centro oferece mais opções, mas envolve uma viagem em transporte público e um aperitivo num bar barulhento e caro da cidade.
Esta noite, o casal decide não viajar, mas os restaurantes locais são do século passado. Quantas décadas faz que as cozinhas italiana, chinesa e indiana estavam na moda? E esses antiquados restaurantes locais parecem nunca ter ouvido a expressão “new wave”. O que o bairro precisa é de um bom restaurante vietnamita.
Depois, ele quer escolher o restaurante com antecedência e fazer uma reserva, mas ela argumenta que isso pode significar o horror de jantar num restaurante vazio!
“O que tem de errado num restaurante vazio?”
A pergunta é tão incrivelmente obtusa que ela ergue os olhos para o céu, pedindo força e paciência, até conseguir um heroico autocontrole para dizer, com toda a calma: “A gente podia andar por aí e encontrar alguma coisa”.
Então eles caminham, de cara fechada, dando uma olhada nos cardápios. Sabendo que o desejo secreto dele é um restaurante chinês, ela diz, com frieza: “Aqui vai ser tudo um grude gordurento”. Sabendo que o desejo secreto dela é a comida indiana, ele solta uma risada implacável: “Aqui a gente paga 4 libras só para ler o cardápio”. Então sobra o italiano, que nenhum dos dois deseja e onde eles encontrarão de novo aquele maître horroroso que consegue ser ao mesmo tempo obsequioso e dominador. Certa vez, o sujeito lhes ofereceu uma mesa no porão. E agora ele pergunta se eles fizeram reserva, sabendo perfeitamente que não. Ela pede uma mesa perto da janela, e o maître, com absoluta falsidade, pede desculpas, mas a mesa está reservada. O que é que esse cara está pensando? Um casal sofisticado e atraente como eles devia até ser pago para se sentar à janela e atrair outro tipo de clientela que não seja essa gente que faz o lugar parecer o refeitório de um asilo de velhos.
Mas não deu, e eles precisam se espremer até uma mesinha apertada entre duas outras, que estão ocupadas e onde até um sussurro pode ser ouvido pelos vizinhos. É intimidade demais! E ele, que estava pensando em sugerir um filme pornô mais tarde – nada grosseiro, naturalmente, mas uma produção de bom gosto que as mulheres adoram e que ele passou um tempão procurando. Ela, por sua vez, pretendia conversar sobre a diminuição de libido que vinha sentindo ultimamente.
Já se encaminhando para a cadeira que tinha vista para a sala, ela diz: “Você se importa?” Ele ri com ironia: “Estou acostumado a olhar para as paredes”.
Então chegam o cardápio e a carta de vinhos. Ele chama a atenção para a diferença considerável entre o tinto da casa e os outros vinhos. Ela lembra que o tinto da casa invariavelmente tem gosto de vinagre. Ele pede uma garrafa do caro Chianti Riserva, que o garçom traz e lhes serve, causando outro problema. Os garçons têm o hábito de se apressar a servir o vinho, roubando dos clientes a autonomia, obrigando-os a beber rápido demais e recompensando aqueles que bebem depressa. Criar uma confusão ou aceitar o aborrecimento?
Na hora de escolher a comida, no interesse do bom teatro, uma parte essencial do jantar, ela prefere que eles peçam pratos diferentes e troquem garfadas num clima romântico. Mas eles gostam dos mesmos pratos – afinal, essa é uma união simbiótica. Por isso ele adotou a estratégia de escolher e anunciar sua escolha num nanossegundo. Agora, entendendo o truque dele, ela diz, com frio desdém: “Então essa é sua nova tática”.
“Por que não podemos escolher o mesmo prato se é isso que queremos?”
 Como tantas outras perguntas dele, essa não merece uma resposta. Então, ela abre mão de sua preferência, pede uma entrada, um prato diferente do dele e fecha o cardápio com uma pancada. E só agora que o garçom os deixou eles notam que não há uma vela sobre a mesa. Em todas as outras mesas cintila uma chama. Então, esse garçom insiste em servir o vinho, que, além de desnecessário, é irritante, e esquece a única coisa essencial. Traga uma vela, imbecil.
Mas, mesmo à luz de velas, o romance não é fácil.
Na verdade, são tantas as ilusões, dificuldades, exigências, ressentimentos, apreensões e tensões que abalam os relacionamentos contemporâneos que a surpresa não é o fracasso de tantos deles, mas que algum consiga sobreviver. No entanto, nunca tantos procuraram um relacionamento com tanta urgência e entraram nele com tão altas expectativas. Porque, já que os relacionamentos atuais se transformaram em negócios de curto prazo, a crença no amor eterno como pré-requisito essencial ficou cada fez mais forte. Nos românticos anos 1960, 40 por cento das mulheres estavam dispostas a aceitar um casamento sem amor, mas, nos pragmáticos anos 1980, apenas 15 por cento aceitavam a segurança financeira sem amor.1 Parece ocorrer um efeito inverso, estranho e catastrófico: quanto menos tolerante a prática, mais exigente a teoria. Os amantes esperam mais, mas estão dispostos a oferecer menos. No entanto, os desastres inevitáveis raramente refreiam esses românticos. Os buscadores do amor vindos do ciberespaço não se deixam intimidar pelo constante fracasso passado. Em qualquer outro campo, os desnorteados e frustrados desistiriam, ou pelo menos fariam perguntas investigativas. Mas a magia do potencial, o principal elemento facilitador de nossa época, é mais forte na atração sexual. O amor – ou melhor, a experiência do amor – é de fato cego.
A principal ilusão é a de que é fácil estabelecer um relacionamento. O assunto é tratado por Erich Fromm no início de seu clássico A arte de amar: “Essa ideia – de que nada é mais fácil que o amor – continuou predominando, apesar das avassaladoras provas do contrário”.2 E apaixonar-se e amar é apenas uma questão de encontrar a pessoa certa, que imediatamente porá fim a qualquer dificuldade, insegurança e solidão, oferecendo amor eterno e protetor.
Essa crença de que é só uma questão de encontrar a pessoa certa é estimulada pela fuga à responsabilidade, a tendência de procurar fora a satisfação da demanda em vez de encontrar dentro a obrigação de satisfazê-la. Como cabe ao outro oferecer amor, quando o relacionamento se rompe a culpa deve ser do outro. Afinal, aquela não era a pessoa certa, e a solução é reiniciar a busca com maior urgência. É incrível que aqueles que têm uma sequência de relacionamentos fracassados raramente aceitam que são no mínimo parte do problema.
Ainda mais inacreditável é que a sucessão de fracassos não faz outro fracasso parecer mais provável. A série de desastres é, na verdade, uma garantia de sucesso da próxima vez. Porque, depois de tantos fracassos dolorosos, o sucesso é merecido. A sensação de merecimento é fortalecida pelo sofrimento: Eu merecia que desse certo dessa vez. Assim, em vez de cuidado, há precipitação. Parece um jogador apostando pesado para recuperar as perdas.
E quando esse apostador encontra parceiros, lançam-se os dois no relacionamento com desesperada impulsividade, acreditando que o amor significa entrega e fusão com o ser amado, uma espécie de união mística. Inunda o outro de elogios, promessas, presentes e favores sexuais, apresenta-lhe a família, os colegas e amigos, raramente sai sem sua companhia e, quando estão separados, bombardeia o amante com mensagens românticas – uma entrega total que estimula um relacionamento sadomasoquista sem que nenhum dos parceiros tenha consciência disso. Na verdade, essa dependência é quase sempre excitante a princípio, uma libertação do fardo e da ansiedade da solidão. Então, o dominador pensa que terá sempre o controle, e o dominado, que suas necessidades serão sempre satisfeitas pelo dominador. E, quando surgem os problemas, os dois amantes ficam desnorteados – como é possível que esteja dando errado se me entreguei completamente? Mas a entrega que devia garantir o amor na verdade o torna impossível. O resultado é a perplexidade, a raiva e a impaciência – e a conclusão de que aquela, afinal, não era a pessoa ideal.
Como, devido à sua intensidade, o relacionamento tem sido inconscientemente provisório, não existe mais permanência, nem no casamento. E, embora decisões reversíveis pareçam atraentes, satisfazem muito menos que as irreversíveis e permanentes. Portanto, é uma profecia autorrealizável.
Há ainda outro problema: nas cidades contemporâneas, o relacionamento a dois pode ser a única fonte de conexão, estrutura, significado e encantamento. Nas sociedades tradicionais havia as religiões para conferir significado e magia, rituais para estruturar o ano, comunidades para oferecer fortes ligações e grandes famílias para oferecer apoio. Hoje o pobre e combalido relacionamento tem que oferecer tudo isso, suportar em suas costas enfraquecidas todo o peso da vida. Não admira que desmorone sob tanta pressão.
E há também o problema de que a fase inicial do relacionamento é sempre mais excitante, em especial numa época que adora a fantasia e é enfeitiçada pelo charme do potencial. Na verdade, a primeira fase é tão diferente da fase posterior que elas são definidas por nomes diferentes. Seria mais acurado descrever a fase inicial como paixão e a fase posterior como amor. E o erro crucial é que todo mundo afirma estar procurando amor, quando na verdade procura apenas paixão.
Isso não chega a surpreender. Quase todas as chamadas histórias de amor são na verdade casos de paixão. Existe algum romance ou filme que retrate um amor maduro e feliz? Todo mundo diz que deseja essa felicidade, mas ninguém quer ler ou ver retratado esse tipo de amor.
Na verdade, a ideia ocidental de amor romântico baseia-se frequentemente na impossibilidade de convivência. Dante mal conhecia Beatriz. Abelardo logo perdeu seu membro viril e foi assim poupado do tédio de viver com Heloísa. Tristão foi traiçoeiramente assassinado sem nunca conviver com Isolda. O amor cortês dos trovadores estava reservado às damas casadas e inatingíveis – eles não podiam nem mesmo tocar, que dirá dividir a mesma casa com suas amadas. Romeu e Julieta morreram depois de uma noite de amor (a ideia de uma única noite de êxtase é eternamente popular nas histórias de paixão, de Tristão e Isolda ao romance e filme Cold Mountain). O jovem Werther(Personagem do romance Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe.) apaixona-se por Charlotte, que está convenientemente comprometida com outro homem – e evita confusão suicidando-se. Em O morro dos ventos uivantes, Cathy e Heathcliff tiram prazer dos seus enfrentamentos. E na clássica análise da paixão Do amor, Stendhal baseou-se numa paixão não correspondida por uma mulher chamada Mathilde Dembowski.
Stendhal descreve a paixão como um processo de cristalização do ser amado. Como um galho atirado numa mina de sal abandonada se cobre de “diamantes cintilantes”, também o amor “extrai de tudo o que acontece novas provas da perfeição do ser amado”.3 Em outras palavras, o apaixonado cria uma fantasia que tem pouco a ver com a pessoa real, que é apenas uma criação sua: “No amor, apreciamos apenas a ilusão que criamos para nós mesmos”.4 Então, o amor na verdade é amor de si mesmo, uma forma de narcisismo. E ele floresce na maioria das vezes na antecipação. Como nota Stendhal, encontrar o verdadeiro amor pode se tornar um embaraço desnecessário.
O mundo se encolhe e o ser amado se expande até que eles se fundem numa imagem impressionante que ofusca tudo o mais. Portanto, a paixão não é uma maneira de aceitar a responsabilidade, mas de fugir a ela – os amantes têm o direito de evitar as tediosas obrigações que vão além do ser amado. Na lenda de Tristão e Isolda, a influência das poções desculpa o comportamento irresponsável dos amantes – e, no mundo moderno, a sanção é a natureza involuntária, até mesmo irracional, da paixão. É um distúrbio clínico, algo que os amantes não podem evitar.
Mas a paixão só parece irracional porque as forças que a dirigem não são compreendidas. Ela pode ser um encontro delirante de patologias, como quando um sádico encontra um masoquista. Ou o ser amado pode ser escolhido inconscientemente para reencenar um assunto obscuro da infância. Pode haver também uma motivação social inconsciente. Por exemplo, jovens da classe operária que obtêm uma educação superior sentem-se fatalmente atraídos por princesas de classe média – exatamente o tipo de mulher que tem maior probabilidade de menosprezá-los e ridicularizá-los. O apaixonado gosta de acreditar que é uma vítima da flecha de Cupido, quando provavelmente é vítima de carência, solidão e insegurança, alguém que está louco para renunciar à responsabilidade e tem mais talento para a fantasia do que para a consciência ou a compreensão. Mas o que isso importa se eles estão dominados por um êxtase que envolve a vida e o mundo de tanto esplendor? Não é verdade que os apaixonados têm um relacionamento sexual maravilhoso e muita diversão? O problema é que a paixão não dura. Há um consenso geral de que dura no máximo dois anos, ou talvez bem menos, com uma duração média de pouco mais de um ano. Mas, como os apaixonados não têm a menor consciência desse limite de tempo, o desencanto é um choque. Por que a paixão tem que ter fim? É um estado transcendente, uma perda do self, e estados transcendentes não podem durar. Aquele que transcende sempre volta à terra. A realidade e o self sempre recuperam o controle.
Uma recente pesquisa neurocientífica confirmou a distinção entre paixão e amor. A antropóloga Helen Fisher usa os termos “amor romântico” e “afeto” para as duas fases e identificou o amor romântico em todas as 175 culturas que estudou. Para investigar como funciona a velha magia, ela encarregou uma equipe de neurocientistas de escanear o cérebro de pessoas em diferentes fases de amor. Essas tomografias revelaram que o amor romântico e o afeto envolvem circuitos e neurotransmissores cerebrais totalmente diferentes. O amor romântico está associado a altos níveis de dopamina e baixos níveis de serotonina, enquanto o afeto está associado à oxitocina nas mulheres e à vasopressina nos homens, dois neurotransmissores envolvidos no acasalamento de animais. As conexões cerebrais e o alto nível de dopamina nos amantes românticos são semelhantes aos dos usuários de todas as principais drogas que causam dependência. Fisher conclui que o amor romântico é uma forma de vício.5 Isso confirma a visão de Stendhal de que esse amor, que se apresenta como a atividade mais altruísta, é na verdade egoísta. O amante está apaixonado não pelo outro, mas pela euforia que a paixão provoca. O ser amado é de fato excitante – da mesma forma que uma carreira de cocaína é excitante para um viciado. Isso também explica por que a paixão nunca dura. O vício cria tolerância – e doses cada vez mais altas são necessárias para produzir o mesmo efeito. Mas a dosagem da paixão não pode ser aumentada além de certo ponto, de modo que a euforia acaba se esgotando. Outra equipe de neurocientistas investigou o tempo de duração do auge do amor e concluiu que a percepção popular está correta: a paixão dura em geral de doze a dezoito meses.6
 
(Continua na parte 2)

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