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ALGUNS MESES ATRÁS uma amiga mostrou-me um e-book que ela baixara para ajudar a explicar as inúmeras mudanças que sua filha poderia experimentar durante a puberdade. Era uma versão moderna dos antiquados folhetos com títulos como Você está crescendo! que recebíamos em nossa pré-adolescência, muitas vezes num consultório médico ou numa aula de educação para a saúde, cheios de ilustrações de trompas de Falópio cor-derosa e do crescimento de pelos pubianos. Ao folheá-lo, fiquei impressionada com o conteúdo. Em um dos capítulos o autor escreveu: “Seu cérebro guia todas essas mudanças usando mensageiros químicos chamados hormônios. Os hormônios afetam muitas partes diferentes do seu corpo … Essas substâncias químicas também atuam sobre seus pensamentos e suas emoções e afetarão tudo que você diz e faz.”1
Tudo que você diz e faz. Desde nossos primeiros anos dizem-nos que os hormônios podem influenciar tudo, de nossos seios (ou testículos, conforme o caso) a nossos comportamentos, passando por nossos cérebros.
Os hormônios inundarão nosso sistema. Assumirão o comando e se tornarão incontroláveis. E esse impacto vai além dos altos e baixos comportamentais extremos de um adolescente. Recorremos aos hormônios para explicar por que um menino de dois anos gosta de brincadeiras agitadas, por que nossos humores adultos oscilam e por que um amigo lança notórios olhares amorosos para um membro do sexo oposto. Nossos hormônios, dizem-nos, são uma força motivadora por trás de nosso desejo de procurar amor e consumá-lo. Mas a palavra-chave aqui é motivar.
Os dois hormônios que nos ajudam ao longo da jornada da infância à vida adulta também estão envolvidos no amor e nos comportamentos sexuais: a testosterona e o estrogênio. Os dois são muitas vezes mencionados como se fossem específicos de um sexo – a testosterona para os meninos e o estrogênio para as meninas –, mas, como no caso da oxitocina e da vasopressina, as coisas não são tão simples assim. Ambos os sexos possuem fartas quantidades de cada um deles no corpo, bem como vários tipos de receptores para cada um por todo o cérebro.
Ambos trabalham em conjunto e separadamente para nos ajudar a crescer e a acasalar.
O trabalho de Donatella Marazziti demonstrou que não há mudanças significativas no estrogênio ou na progesterona em pessoas que se apaixonam. Mas ela encontrou mudanças nos níveis de testosterona.2 É possível que os hormônios sexuais façam jus a seu nome e estejam mais envolvidos na mediação de comportamentos sexuais que no arrebatamento amoroso.
É isso mesmo – o que eles fazem é mediar. Nossos comportamentos não são regulados pelos hormônios. Isso fica claro quando vemos um animal como um rato comum de fato sob o poder do estrogênio e da testosterona. Os hormônios realmente controlam o comportamento sexual nessa espécie – não medeiam ou motivam, mas controlam. O ciclo de ovulação da rata dura de quatro a cinco dias. Quando a fêmea está em seu momento de maior fertilidade, seus níveis hormonais se elevam e ela empina o traseiro, expondo suas partes íntimas para o mundo.
Isso é chamado de lordose reflexa e é um sinal para todos os ratos machos de que a garota está pronta para transar (para não mencionar que essa lordose torna muito mais fácil para o macho montar e executar a proeza). A rata não precisa considerar se está em condições de fazer sexo após um longo dia percorrendo labirintos no laboratório. Ela não pensa na própria disposição emocional nem se está gorda ou magra. Seus níveis hormonais lhe dizem que está na hora de entrar em ação, e é o que ela faz. Caso contrário, não aceita ser importunada. É simples assim.
Para os machos as coisas são ainda mais fáceis. Eles tentam se acasalar com todas as fêmeas férteis que farejam. Desde que não haja outro macho nas proximidades, a lordose significa que nosso rapaz não terá muita dificuldade. Tudo de que ele precisa está bem ali, aberto e à sua espera. Em suma, os hormônios regulam o que constitui uma relação sexual em ratos. Ao fazê-lo, eles asseguram que esses animais sejam reprodutores prodigiosos.
Podemos ver efeitos hormonais semelhantes, embora não tão regulatórios, em outras espécies. Cadelas entram no cio. Os traseiros das fêmeas dos babuínos incham e ficam vermelhos para deixar os machos saberem que elas estão férteis e prontas. Em machos, níveis elevados de testosterona dão a certas espécies de aves uma plumagem mais brilhante e cantos mais bonitos para cortejar as fêmeas. Esses são sinais externos do que está acontecendo dentro do corpo e do cérebro, tornando fácil para os animais saber quando terão sorte. Não há lugar para jogos quando seu corpo revela abertamente seu estado hormonal.
Em pessoas, porém, as coisas não são tão claras. Nosso comportamento sexual durante os últimos 100 mil anos foi emancipado de nossos hormônios. As mulheres não consentem em transar apenas durante os dias férteis de seus ciclos, uma fase chamada estro; com frequência estamos muito dispostas, não importa qual seja a fase do mês. E os homens não parecem fazer nenhuma objeção em fazer sexo conosco mesmo quando não estamos ovulando. Não me entenda mal: estrogênio, testosterona e outros hormônios continuam sendo muito necessários para a reprodução. Qualquer casal que se submete a tratamentos para a fertilidade pode lhe dizer isso. Mas eles não decidem quando e onde vamos fazer sexo.
“Os hormônios não são reguladores absolutos do comportamento”, disse Kim Wallen, um neuroendocrinologista do Yerkes National Primate Research Center da Universidade Emory. “A função deles é alterar o equilíbrio do comportamento numa direção ou noutra. A presença de certos hormônios não significa que vamos exibir certo comportamento, apenas aumenta a probabilidade de que o façamos.”
Essa probabilidade aumentada manifesta-se de maneiras interessantes. Embora você possa associar a ovulação ao inchaço e à irritabilidade, sintomas característicos da síndrome pré-menstrual, as pesquisas sugerem que ela pode fazer uma mulher se sentir muito sexy. Kristina Durante, psicóloga social da Universidade de Minnesota, descobriu que a ovulação está associada, em mulheres, à compra de mais roupas reveladoras, à manifestação de maior interesse por homens viris e à tendência inconsciente de frequentar boates. Uma vez nessas boates, mulheres que estão ovulando são mais receptivas à atenção masculina. Nicolas Guéguen, pesquisador da Universidade de Bretagne-Sud, na França, descobriu que mulheres no auge de seu ciclo são mais propensas a aceitar o convite de um desconhecido para dançar.3 Se por acaso elas trabalham numa boate, como dançarinas exóticas, por exemplo, elas obterão gorjetas maiores depois de uma lap dance quando estão mais férteis.4 Os homens classificam constantemente mulheres que estão ovulando como tendo odor corporal, traços faciais e simetria física mais atraentes. E vários estudos relataram que mulheres com níveis elevados de estradiol, uma forma de estrogênio, são mais propensas a trair seus parceiros.
Os homens também são influenciados pelos hormônios. Embora estudos de machos castrados tenham mostrado que a falta de testículos (e, portanto, de testosterona) nem sempre os impede de fazer sexo e alcançar o orgasmo, uma quantidade maior ou menor de testosterona foi associada a mudanças em comportamentos agressivos, enfrentamento de riscos, níveis de energia e libido.
Em seres humanos, está claro que os hormônios sexuais trabalham de maneiras sutis, tão sutis que alguns biólogos evolucionários afirmaram que as fêmeas humanas têm um “estro oculto”. Mas, seja o estro oculto ou não (e, dados os resultados de alguns desses estudos, ele não parece tão oculto assim), os hormônios sexuais continuam influenciando o comportamento – tanto no lado doador quanto no receptor. Os cientistas acreditam que os hormônios podem fazer isso por meio de ação direta sobre o cérebro.
Hormônios e prazer
 
A recepção de hormônios no cérebro
Os hormônios sexuais não estão simplesmente circulando por toda parte em nossa corrente sanguínea, sem direção. Como alguns cientistas constataram, há receptores para eles espalhados pelo corpo. Quando eu estava na biblioteca do Kinsey Institute for Research in Sex, Gender e Reproduction, li os trabalhos inéditos de John Money, pesquisador pioneiro do sexo na Universidade Johns Hopkins nos anos 1950.5 Num de seus trabalhos não publicados sobre sexualidade e gênero, ele lamentou que ainda não compreendêssemos o pleno impacto dos hormônios sobre o erotismo e o comportamento sexual. Sua esperança era que o futuro trouxesse a explicação. E de certo modo isso aconteceu. Sabemos que o cérebro está cheio de receptores para esteroides sexuais, e que esses hormônios agem sobre as células cerebrais tanto como mediadores – ajudando outras substâncias químicas a fazer seu trabalho na sinapse – quanto por sua própria ação direta. Podem agir como neurotransmissores por sua própria conta, e, além de fabricados no cérebro, operam nele sua mágica de sinalização.6 Mas o que eles fazem, precisamente? Ainda não descobrimos.
“É escandalosamente complicado”, disse Paul Micevych, um biólogo molecular que estuda a sinalização do estradiol no cérebro na Universidade da Califórnia em Los Angeles. “Não há apenas uma modalidade de sinalização por estrogênio.” O mesmo pode ser dito sobre a testosterona. Vários tipos de receptores foram identificados para ambos os hormônios sexuais; no entanto, provavelmente há muitos outros que ainda precisam ser descobertos – e esse não é o único fator complicador.
Como a oxitocina e a vasopressina, o estrogênio e a testosterona são compostos muito semelhantes. Muito semelhantes. Na verdade, jogue um pouco de aromatase, um tipo de enzima, sobre uma testosterona androgênica e ela mudará a estrutura química da molécula – transformando-a em estrogênio. O cérebro masculino tem muita aromatase, e por essa razão toda essa testosterona no sangue pode não chegar ao cérebro no mesmo estado. Ela tampouco está envolvida apenas em comportamentos reprodutivos.
7 “Muitas das atividades que pensamos serem androgênicas são de fato, em última análise, estrogênicas”, disse Micevych. “Isto é, a testosterona andrógena é convertida em estradiol por aromatase. Em seguida o estradiol liga-se a um receptor nos circuitos neurais que afetam o comportamento. Não é um prevalecendo sobre o outro, são ambos.”
Um exemplo disso é a agressividade. Muitos estudos associaram níveis elevados de testosterona a comportamentos agressivos. Pensamos nisso como um fenômeno puramente androgênico. Mas sabe de uma coisa? Se você inativar receptores de estrogênio no cérebro de um camundongo, o comportamento agressivo global diminui.
O que mais sabemos então sobre a sinalização de estrogênio no cérebro? Até hoje, dois receptores de estrogênio foram conclusivamente identificados, o receptor de estrogênio alfa e o receptor de estrogênio beta, embora haja um terceiro suspeito e provavelmente alguns outros ainda por ser descobertos. É a versão alfa, no hipotálamo, que parece estar diretamente envolvida em comportamentos reprodutivos. Mas, enquanto não conhecermos todos os tipos de receptor, a verdadeira compreensão dos efeitos da molécula continuará elusiva. Ainda assim, nos dois receptores conhecidos, parece que o estrogênio ajuda o cérebro a processar informação. “Os estrogênios trabalham no cérebro como se estivessem abrindo um portão”, afirmou Micevych. “As mesmas deixas químicas e ambientais estão lá, quer o estrogênio esteja ou não. Mas, quando o cérebro é exposto ao estrogênio, ele abre esse portão, por assim dizer, e permite à informação fluir para os pontos certos e influenciar um comportamento particular.”
Assim, talvez o estrogênio nos torne mais propensos a captar subconscientemente deixas sociais. Pode realçar o som de uma voz masculina atraente ou acentuar a sensação do toque de uma mulher. Micevych adverte, contudo, que ainda temos muito a aprender no nível molecular antes de sequer pensar em traduzir a sinalização hormonal no cérebro para o nível comportamental de uma maneira mecanicista. É algo muito difícil de estudar, em razão daquelas múltiplas vias de sinalização, dos tipos de receptor não caracterizados e da transformação de androgênios em estrogênios. E tudo isso antes de acrescentarmos a interferência de outros mensageiros neuroativos. Porque, é claro, o estrogênio e nossa velha amiga oxitocina interagem em áreas do cérebro, como o hipotálamo. 8
Micevych, um homem alto com um rosto interessante, anguloso, e voz áspera, ficou feliz em continuar discutindo essas questões quando me aproximei dele numa conferência de neurociência. “Não é nem interferência direta – os dois de certa forma ativam um terceiro tipo de receptor, chamado receptor metabotrópico de glutamato, no hipotálamo, a área do cérebro que regula o comportamento sexual”, disse ele. “O receptor de estrogênio e o receptor de oxitocina competem para ativar esse terceiro receptor. O estradiol e a oxitocina levam à ativação do receptor metabotrópico de glutamato, e a resposta é a mesma, quer o estrogênio ative esse receptor primeiro, antes da oxitocina, quer ocorra o contrário. Curiosamente, não há aumento da sinalização se eles forem ambos aplicados ao mesmo tempo. Parece haver um controle interno da sinalização de oxitocina pelo estradiol e da sinalização de estradiol pela oxitocina.”
Talvez o dr. Money tenha alimentado a esperança de que, a esta altura, houvesse respostas mais concretas sobre o papel exato que os hormônios desempenham no comportamento sexual. Mas, ao que parece, as pesquisas trouxeram à tona tantas novas questões quanto respostas. E lembre-se, não se trata apenas de biologia: o ambiente também desempenha um papel. O comportamento sexual, e portanto a atividade desses hormônios, depende do contexto. O ambiente importa – e muito.
“Estudos mais antigos mostram que, se homens mais jovens jogam futebol e vencem, seus níveis de testosterona sobem”, comentou Julia Heiman, diretora do Kinsey Institute. “Não é tão diferente do que acontece quando um novo macaco de baixo status é introduzido num grupo. À medida que ele ganha status no grupo, seus níveis de testosterona se elevam também.” Isto suscita uma boa ideia. Uma vez que é difícil examinar a influência de hormônios sobre o comportamento sexual humano, com ou sem contexto, como os pesquisadores podem aprender mais sobre como contexto e hormônios interagem para resultar em diferentes comportamentos? Na verdade, há muito a aprender através da simples observação do comportamento sexual de macacos.

Amor apimentado entre macacos
Como eu disse, estudar o comportamento sexual pode ser difícil. Sei que estou me repetindo, mas este é um ponto importante. Seres humanos não são lá muito chegados a convidar pesquisadores para seus quartos, e os conselhos de ética das universidades não admitem que pessoas façam sexo em laboratórios acadêmicos. Talvez fiquemos intimidados pela ideia de jalecos e anotações frenéticas, ou talvez seja a ideia de que nossas vidas sexuais não são da conta de mais ninguém – mas, embora o sexo seja abertamente discutido em muitas revistas e muitos de nossos programas de televisão favoritos, ainda não nos sentimos à vontade para falar nós mesmos sobre ele, muito menos para examinar seus detalhes. Certamente não de uma maneira científica neutra. Embora minhas amigas e eu tenhamos dissecado alguns atos sexuais durante coquetéis, eu não poderia lhes dizer com alguma precisão quantos parceiros sexuais cada uma delas teve, ou que atos constituem “sexo” para elas individualmente. Afinal, fomos educados para acreditar que sexo é privado, se não francamente imoral, e pode ser difícil nos livrarmos dessas noções. Até hoje, grande parte dos dados de que dispomos sobre comportamento sexual foram coletados mediante levantamentos anônimos. Embora dados desse tipo possam dar aos pesquisadores uma ideia das tendências e dos temas gerais do comportamento sexual humano, eles não fornecem muitos detalhes. E é sobre detalhes que gostaríamos de saber mais.
Para esse fim, os pesquisadores começaram a procurar em outros lugares, isto é, entre nossos primos evolucionários, as espécies primatas. Afinal, os macacos estão livres dos constrangimentos que nós humanos temos em relação ao sexo. Eles parecem ter uma compreensão implícita do sexo como um ato natural que ocorre sem julgamento, e o fato de serem observados lhes é indiferente. Não têm medo do que seus pais, seus amigos ou os pesquisadores poderiam dizer se soubessem o que estão fazendo, como estão fazendo ou com quem estão fazendo. E não parecem se preocupar em evitar gravidez, em saber se o pênis é grande o bastante ou se aqueles dois quilos extras vão desencorajar por completo um novo parceiro. Eles simplesmente fazem sexo. Reconfortante, não?
Pesquisadores interessados na sexualidade podem observar esses animais a fim de descobrir mais sobre os comportamentos exibidos. Podem também usar modelos animais para examinar mais que comportamentos propriamente ditos e medir coisas como níveis hormonais e atividade cerebral associados ao sexo. Esse tipo de estudo não permite de maneira alguma uma comparação perfeita com a sexualidade humana, mas, até que estejamos mais dispostos a nos abrir para observação, temos de nos contentar com ele.
Para aprender sobre como os primatas nos ajudam a compreender o comportamento sexual, em particular a motivação sexual, visitei o Yerkes National Primate Research Center para conversar com Kim Wallen. Eu queria descobrir mais sobre o que o abandono de considerações sobre disposição de ânimo, escrotos excessivamente bambos e “adequação” geral pode nos ajudar a descobrir sobre o comportamento sexual humano. Wallen, um homem de aparência rude com uma bem-cuidada barba grisalha, conduziu-me até um grupo estabelecido de macacos Rhesus, a fim de observar o que aconteceria quando quatro novos machos fossem introduzidos ao conjunto. “Você teve sorte”, disse-me ele, subindo numa guarita que nos permitiria ter uma visão de cima do cercado. “Isto é o que corresponde a excitação por aqui.”
Quase imediatamente, Wallen apontou para uma fêmea marrom e branca que se abancara, confiante, diante de um macho num canto do cercado. Quando uma das pessoas presentes aproximou-se demais, ela usou as mãos para dar tapas no ar e fazer gestos ameaçadores em direção à cerca. “Vê as mãos dela? Ela está na verdade solicitando sexo do macho. Está usando aquelas pessoas como um realce, ameaçando como se houvesse um desafio real ali”, explicou Wallen. “Nunca entendi completamente por que isso funciona, mas as fêmeas costumam usar gestos agressivos e ameaçadores direcionados a outros para incitar o macho a acasalar.”
“Talvez para parecerem mais atraentes”, sugeri, “para fazer o papel da donzela em perigo e levar o macho a sentir que ele é necessário.”
O macho, um bonito cavalheiro de cara vermelha que eu de imediato apelidei de Casanova, não caiu em seu jogo. Abaixou a cabeça e moveu-se timidamente para o lado. “Ele está pedindo para ser penteado”, disse Wallen. “Está dizendo: ‘Sei que você está interessada em sexo, mas eu só quero realmente que me penteie.’”
“Quero só carinhos”, acrescentei com um sorriso. “Não sou um pedaço de carne.” A fêmea consentiu, até com impaciência. Começou a passar os dedos na cabeça de Casanova, emitindo outro sinal de que ainda estava disposta a passar um bom momento quando ele estivesse pronto.
“Minha impressão após observar muitos macacos Rhesus envolvendo-se em comportamento sexual é que as fêmeas estão intensamente interessadas em sexo, e os machos só querem ser penteados”, disse Wallen. “Tendemos a pensar que são os machos que perseguem as fêmeas para tentar convencê-las a fazer sexo. Na verdade, as fêmeas têm de fazer um grande esforço para convencê-los.”
A fêmea parou de pentear e mais uma vez mostrou seu traseiro para Casanova. Ele olhou para longe, como se não estivesse recebendo o equivalente Rhesus de uma lap dance com final feliz garantido. Quando ela se sentou de novo, ele fez um movimento com a cabeça – pedindo novamente para ser penteado. Pude quase ouvir o suspiro resignado da fêmea quando ela se virou e voltou a pentear o macho, embora com um pouco menos de entusiasmo. Essa dança, fêmea mostrando o traseiro para solicitar sexo e macho sacudindo a cabeça pedindo para ser penteado, aconteceu três outras vezes nos minutos seguintes. Novo nesse grupo, Casanova já havia dominado a arte de jogar duro para conquistar. Na cultura Rhesus, a fêmea inicia e controla o sexo. Elas querem o que querem quando querem. Os machos, se almejam ter sexo, devem se submeter aos caprichos e desejos das fêmeas. No entanto, os machos não são completamente impotentes nesse cenário. Eles podem dizer não, e o fazem. Como meu amigo Casanova. Garoto novo na cidade, ele observou a paisagem atentamente. Como as colônias de macacos Rhesus são uma espécie de clube das mulheres – Casanova não seria um membro aceito da família até ser acolhido pelas fêmeas do grupo –, ele sabia que era do seu interesse estudar a configuração do terreno antes de concordar com qualquer travessura.
De repente ouvimos um grito estridente. Uma segunda fêmea, berrando e pulando, enxotou a primeira amante de Casanova. Depois de se assegurar de que vencera a competição, ela se sentou diante dele e fez sua própria tentativa de conquistar sua afeição. Por um momento Casanova pareceu confuso, depois reassumiu sua postura de desinteresse. Uma ligeira virada da cabeça – outro pedido para ser penteado – foi o único sinal de que ele notou a mudança de companhia.
“A ideia de que a única coisa que machos têm na cabeça é sexo praticamente desaparece neste contexto”, diz Wallen com uma risada. Novo no grupo e ainda tentando entender a estrutura social, Casanova estava com níveis de testosterona bastante baixos. Até que ele encontrasse seu lugar dentro da comunidade, seus níveis do hormônio continuariam pequenos. Mas o garoto não estava totalmente desprovido de testosterona correndo por seu corpo, e seria de imaginar que, com várias opções de sexo disponíveis, seus hormônios o impeliriam para a façanha mesmo sendo ele o novo cara no pedaço. Uma outra apresentação do traseiro pela fêmea, um pedido de “penteie-me” mais enfático, e esses dois macacos tornaram-se objeto de minha firme atenção. Tive a impressão de estar assistindo a um episódio do antigo seriado Friends. Esses dois macacos estavam tendo seu próprio momento de Ross e Rachel bem ali no recinto dos macacos Rhesus. Ficando impaciente, perguntei a mim mesma quantas vezes essa fêmea precisaria mostrar a Casanova que estava interessada. Como ele podia simplesmente ignorar essas tentativas de conquistar sua atenção? E, principalmente, o que teria de acontecer para que esses dois parassem com aqueles joguinhos e fossem às vias de fato? Expressei essa ideia em voz alta quando vi, numa outra parte do cercado, um dos outros machos recém-introduzidos já chegando lá.
“Por vezes é realmente como assistir a uma telenovela”, disse Wallen, rindo. “Há muita coisa em jogo aqui. Se ele se acasalar com a fêmea errada, e as outras fêmeas do grupo o rejeitarem, está morto. Na natureza ele seria expulso do grupo. Mas aqui o grupo o atormentaria e atacaria a ponto de feri-lo.” Por fim a fêmea decidiu que não estava mais interessada em joguinhos. Ignorando o pedido de Casanova para ser penteado, mostrou de novo o traseiro com impaciência. Depois de novo. Em seguida uma terceira vez. Casanova simplesmente olhava para longe, a cabeça virada para o lado num ângulo coquete.
“Agora eles estão num beco sem saída”, disse Wallen. “Ela sabe o que ele quer, mas não vai lhe dar isso.” Ela ignorava os repetidos pedidos de Casanova para ser penteado. Iria esperar. No instante em que pensei que havia desistido, ela solicitou sexo novamente. Mais um pedido de “penteieme”. Soltei um resmungo. Quem iria finalmente ceder? Estávamos num impasse, e nem Casanova nem sua namorada pareciam interessados em dar o menor passo para superá-lo.
Então, exatamente quando pensei que toda esperança estava perdida, a fêmea cedeu e deu uma penteadela rápida e superficial em torno da cara de Casanova. Os movimentos não duraram mais que dez a quinze segundos. Se eu não estivesse olhando com tanta atenção, poderia me ter escapado. Com igual rapidez, ela apresentou o traseiro para ele de novo. Casanova não esboçou nenhuma reação. Sem se deixar perturbar por toda essa rejeição, ela o apresentou de novo. Casanova respondeu obstinadamente com outro pedido para ser penteado. Esse macaquinho era determinado. Não cederia, por mais tentador que fosse, até estar completamente pronto.
“Penso que o padrão de promiscuidade em Rhesus talvez reflita o que seria o padrão do comportamento sexual humano se removêssemos as limitações culturais”, disse Wallen. “Não é difícil tomar a promiscuidade e moldá-la em algo que se assemelha ao tipo de monogamia a que nós seres humanos finalmente chegamos.” Ele fez uma pausa. “A monogamia humana é muito menos rigorosa do que pensamos.”
Obstinadamente, com óbvia irritação, a fêmea apresentou seu traseiro de novo. Era como se estivesse dizendo: “Ok, garoto, última chance. Leve-me para a cama ou me perca para sempre.” Desta vez, no lugar de pedir para ser penteado, Casanova simplesmente olhou para outro lado e começou ele mesmo a se pentear. Era o gesto final de rejeição: se não vai me pentear, não preciso de você. A fêmea afastou-se com passos rígidos, provavelmente em busca de uma companhia mais receptiva.
Casanova não ficou muito tempo sozinho. Antes que eu pudesse sequer fazer um comentário sobre a partida abrupta de sua última namorada, uma terceira fêmea sentou-se perto dele. E esta era uma dama; ela solicitou seus favores com muita sutileza, como uma vitoriana que mostra delicadamente os tornozelos ao se sentar. Casanova mais uma vez pediu para ser penteado. Ela consentiu, mas apenas por um momento. Era fácil ver que pentear não era sua atividade favorita. Dama ou não, ela estava em busca de alguma ação. Mais uma vez Casanova pareceu completamente desinteressado. Soltei um suspiro de aborrecimento.
“O que acha disso?”, perguntou Wallen. “Francamente, eu me pergunto que diabos Casanova está esperando!” Três fêmeas diferentes, todas bem bonitonas à maneira Rhesus, haviam lhe oferecido o que supostamente todo macho deseja: sexo. Como ele ousa recusar todas elas?
“Isso é bastante típico”, explicou Wallen. “Um macho e uma fêmea podem levar uma hora e meia até realmente fazerem sexo. Mesmo então, podem começar a acasalar, parar, se separar e então se juntar novamente. Depois que o acasalamento começa, o macho pode levar uma hora ou mais para realmente ejacular.”
A ideia deixou-me exausta. Com todos esses jogos, mesmo na população de macacos Rhesus, como bebês chegam algum dia a ser gerados? Mas, antes que eu pudesse começar a gritar com Casanova para que parasse de fazer pose e fosse ao que interessava imediatamente, guinchos irromperam abaixo de mim. Pulando e gritando de maneira ameaçadora, um grande grupo de macacos rumou decididamente para o canto onde Casanova e seu grupo de amigas estivera. Eles estavam perturbados com um animal diferente, um dos outros novos machos, e uniram-se em grande número para dar-lhe uma lição. Wallen desceu correndo para apartar a briga antes que um dos animais se machucasse.
Quando a calma foi restaurada, levei um minuto para encontrar Casanova. Logo o avistei, escondido debaixo de uma espécie de grande trepa-trepa, amedrontado e sozinho. Nenhuma fêmea se aproximava dele agora. Depois que retornou à guarita, Wallen explicou que Casanova tivera bons motivos para se abster de sexo: com a introdução de quatro machos no grupo ao mesmo tempo, havia muitas incertezas sobre o que os novos membros fariam com a estrutura social existente. “Agora sabemos por que ele estava tão hesitante”, disse Wallen. “Estava apavorado. É realmente difícil conseguir uma ereção quando se está petrificado de medo de ser atacado.”
O membro mais graduado de qualquer grupo de Rhesus é sempre um macho. Mesmo assim, trata-se de um clube de mulheres, com regras impostas por elas. É a fêmea alfa que escolhe o macho alfa ao se acasalar com ele. Se ele a ofende de alguma maneira, pode sempre ser substituído. Enquanto nossos olhos estavam sobre Casanova, a fêmea alfa ainda estava tentando decidir quem era digno de sua afeição. O macaco sob ataque era o macho que cometera a gafe de se divertir antes que ela fizesse sua escolha. A estrutura social do grupo, inclusive suas regras, sua cultura e sua liderança, ainda estava por ser decidida. Era de interesse vital para Casanova esperar que isso ocorresse – não só para o caso de a fêmea alfa decidir conceder-lhe o prêmio máximo, mas também para se assegurar de que não estava ofendendo inadvertidamente alguém que teria influência depois que a ordem fosse estabelecida. Sexo não é o prêmio máximo quando pode acarretar sua expulsão do grupo. Apesar de todos aqueles hormônios agindo de maneira descontrolada em meu amigo Casanova, ele foi capaz de manter a cabeça fria e pensar nas consequências. Até um macaco tem o poder de suplantar seus hormônios.

A influência da sociedade sobre nossos hormônios
Agora que o espetáculo de Casanova terminara, Wallen e eu nos dirigimos para outra área da estação de campo, onde uma de suas alunas de pós-graduação, Shannon Stephens, observava um grupo menor de macacos Rhesus. Nesse recinto mais estreito, os animais podiam correr e brincar, aparentemente esquecidos de nós enquanto os observávamos do alto. Para meus olhos não treinados, eles não pareciam diferentes dos que Wallen e eu havíamos observado antes. Mas havia uma diferença significativa nos cérebros de alguns, que apresentavam padrões pintados nas costas.
Shannon estava estudando diferenças comportamentais nesses animais após amigdalectomia neonatal, um procedimento cirúrgico que extraía a amígdala após o nascimento. Em particular, ela e Warren estavam interessados em verificar se a remoção dessa região cerebral em forma de amêndoa, responsável pela memória emocional, podia afetar o início da puberdade em jovens fêmeas.
A idade média da menarca humana, ou o começo da menstruação, reduziu-se nos últimos cem anos. Alguns estudos epidemiológicos sugeriram como possíveis causas a abundância de alimentos gordurosos em nossa dieta e as quantidades maiores de hormônios que ingerimos. Mas igual número de pesquisas focalizou o papel do ambiente social. Abuso sexual, a presença de uma figura masculina não aparentada, como um padrasto morando na casa, a exposição a estímulos sexuais, tudo isso foi associado à menarca precoce. A menstruação mais tardia parece ocorrer em famílias maiores, ou quando uma menina tem uma relação mais estreita com seu pai biológico, embora os “porquês” e os “comos” desse fenômeno sejam desconhecidos. Aí está o contexto novamente, interferindo em nossos hormônios e confundindo-os. Tomados em conjunto, os achados sugerem que o ambiente pode alterar a maneira como nossos hormônios são expressos – e, por extensão, nossos comportamentos.
Embora não haja nenhum evento hormonal específico que desencadeie a primeira menstruação de uma menina, foi observado um nível mais elevado de estrogênio. O mesmo ocorre no Rhesus. O fluxo de estrogênio que precede a menarca é um passo decisivo para a fertilidade do animal. O ambiente social também é importante. A posição social no grupo é um fator que permite prever se o início da puberdade será precoce e em que medida. Mais uma vez, ambiente e contexto estão influenciando nossos hormônios, não o contrário. “Fêmeas de alta posição são mais propensas a passar pela puberdade mais cedo que as de baixa posição”, disse Wallen. “Uma hipótese sobre a amígdala é que ela imprime o contexto social na memória emocional. … Assim, uma vez que a puberdade em fêmeas é socialmente mediada, neste caso pela posição social, indagamos qual seria o efeito se removêssemos a amígdala.”
O que acontece com a expressão hormonal quando removemos a capacidade de interpretar o contexto social? Dos oito macacos que sofreram amigdalectomias neonatais, seis já haviam passado pela puberdade, um ano inteiro mais cedo que as fêmeas íntegras que apresentam uma menarca mais precoce. Mais interessante para Stephens e Wallen, porém, foi que o primeiro macaco a ser submetido ao procedimento apresentou ciclos ovulatórios normais, mas um completo e absoluto desinteresse em solicitar sexo, um importante comportamento social em fêmeas Rhesus. “Ela não demonstrava nenhum interesse pelos machos”, comentou Wallen. “Eles a solicitavam, e nada acontecia.” Diferentemente daquelas assanhadas que exibiam audaciosamente seus traseiros para mostrar a Casanova que estavam a fim, Opie, a primeira fêmea a ter sua amígdala removida, nunca acertou os passos da dança do acasalamento. Não ficou claro se ela chegava a compreender o contexto social o suficiente para entender que havia uma dança. Ela apresentava ciclos normais e os níveis certos de hormônio para ter cria, mas nunca se aproximava de machos ou lhes solicitava sexo. A falta da amígdala significava que a compreensão do ambiente social, em especial no tocante a rituais de acasalamento, estava acima dela. Foi uma revelação assombrosa.
O estudo de Stephen continua; o grupo espera para ver se os outros macacos que tiveram suas amígdalas removidas vão se comportar como Opie. Mas, segundo Wallen, os estudos preliminares reforçavam o que ele sempre dissera: não somos escravos de nossos hormônios. Muitos fatores, inclusive o contexto social, desempenham um enorme papel. Os hormônios falam conosco, não há dúvida. Mas suas mensagens não são ordens peremptórias. “Na minha concepção dos hormônios, elas são de fato apenas sugestões”, explicou-me Wallen. “De um ponto de vista evolucionário, a única coisa que fazem é aumentar a probabilidade de virmos a querer sexo no momento certo para a reprodução.”
Isso parece estar em conformidade com a declaração de Micevych de que, no nível celular, os hormônios abrem portões a fim de que tenhamos mais acesso a informação. Mas eles não insistem num curso de ação particular, nem nos tiram a capacidade de escolher como nos comportamos. Em última análise, sejam quais forem nossos níveis hormonais ou nosso grau de motivação para fazer sexo, ainda temos o poder de decidir se o faremos, mesmo que, como no caso de Casanova, uma oportunidade garantida se apresente bem na nossa frente. Como disse Wallen: “Não temos mecanismos regulatórios hormonais. O que nós, seres humanos, temos são meros mecanismos motivacionais. E motivações podem ser facilmente ignoradas ou levadas em conta, dependendo do contexto e do ambiente.”
Os hormônios exercem uma grande influência, não resta dúvida, mas estamos longe de ser seus escravos.

(Kayt Sukel - Sexo na cabeça, Como o cérebro influencia o amor, o desejo e os relacionamentos)
Hormônio do prazer
 
Notas:
1. Ashby, E.A. Puberty Survival Guide for Girls. Lincoln, Neb., iUniverse, 2005.
2. Marazziti, D., e Canale, D. “Hormonal changes when falling in love”, Psychoneuroendocrinology, 29(7), 2004, p.931-6.
3. Guéguen, N. “Menstrual cycle phases and female receptivity to a courtship solicitation: An evaluation in a nightclub”, Evolution and Human Behavior, 30(5), 2009, p.351-5.
4. Miller, G., Tyber, J.M., e Jordan, B.D. “Ovulatory cycle effects on top earnings by lap dancers: Economic evidence for human estrus?”, Evolution and Human Behavior, 28, 2007, p.375-81.
5. Money, J. Arquivo inédito de John Money na Kinsey Institute for Research in Sex, Gender, and Reproduction Library, Bloomington, Ind. 714/784
6. Micevych, P., e Dominguez, R. “Membrane estradiol signaling in the brain”, Frontiers in Neuroendocrinology, 30(3), 2009, p.315-27.
7. Garcia-Segura, L.M. “Aromatase in the brain: Not just for reproduction anymore”, Journal of Neuroendocrinology, 20(6), 2008, p.705-12.
8. Kuo, J., Hariri, O.R., e Micevych, P. “An interaction of oxytocin receptors with metabotropic glutamate receptors in hypothalamic astrocytes”, Journal of Neuroendocrinology, 21(12), 2009, p.1.001-6.

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