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Se as células opinassem sobre a forma como conduzimos nossa vida, sem dúvida se mostrariam pasmas diante da quantidade de toxinas que toleramos. Por natureza, as células expelem substâncias tóxicas imediatamente ou as neutralizam. A principal atribuição do sistema imunológico é diferenciar os invasores nocivos dos inofensivos. A função dos rins é filtrar as toxinas do sangue. Uma grande flora bacteriana está presente nos intestinos, e lá deve permanecer (tomar antibiótico elimina indiscriminadamente a maior parte das bactérias do corpo e prejudica a digestão por um tempo, às vezes dramaticamente), e uma igualmente vasta variedade de bioquímicos corre no sangue. O sistema imunológico evoluiu para distinguir os bons dos maus. A inteligência de seu corpo está bem acostumada com a toxicidade e se protege contra ela. Para o ser humano, a mesma lição é mais difícil de aprender.
Quando a medicina convencional ignorou a campanha por uma alimentação mais saudável e contra aditivos em alimentos, prestou um desserviço ao bem-estar público. Depois que as indústrias de carne e de laticínios começaram a adicionar hormônios massivamente para acelerar a produção de carne e aumentar drasticamente a quantidade de leite que as vacas leiteiras dão, houve mudanças suspeitas na saúde pública, como o início precoce da menstruação em meninas e o aumento de casos de câncer de mama. (O tecido mamário é muito sensível a substâncias estranhas e pode confundi-las com sinais hormonais.) Mesmo atualmente, um médico mediano tem uma instrução mínima sobre nutrição. Só que os médicos deveriam ter aderido à campanha contra a contaminação potencialmente tóxica do ar, da água e dos alimentos. Populações com água contaminada e saneamento inadequado são vulneráveis a todos os tipos de epidemia e têm expectativa de vida menor. Porém, ainda não estudamos a correlação entre expectativa de vida e aditivos na dieta americana “normal”. O governo monitora o uso de pesticidas e inseticidas por lei, mas raramente persegue ou processa violações. Forças mercadológicas imensas promovem o fast food, carnes preparadas, alto teor de açúcar e uma grande variedade de conservantes. Mas ninguém tem que esperar os estudos para detectar qual aditivo é tóxico e qual não é. Uma alimentação rica em gordura e açúcar já é um risco. Ter cautela é a melhor atitude; uma dieta natural faz mais sentido. Por que não diminuir ao máximo a toxicidade em sua alimentação?
Isso não deve levar a extremismos. Até agora, nenhum estudo comprovou que pessoas que tomam obsessivamente grandes quantidades de suplementos ou que consomem rigorosamente alimentos orgânicos vivem mais do que as que têm uma alimentação normal e balanceada. Toxina é uma palavra assustadora, mas uma abordagem equilibrada é melhor do que uma pureza total motivada pelo medo.
Pesticidas e inseticidas são legalmente obrigados a se decompor até o momento em que o alimento chega ao mercado, e são lavados quando o produto é processado para venda – de qualquer maneira, lavar frutas, legumes e verduras em casa deve ser uma prática padrão. É sensato não confiar totalmente na indústria alimentícia, que garante que não ingerimos conservantes, aditivos e pesticidas em grau suficiente para nos fazer mal. No decorrer da vida, você é o que come. Isso já serve de alerta.
A campanha por uma alimentação melhor faz parte da tendência geral de buscar maior coerência (se pelo menos se espalhasse mais rápido), e os maiores problemas são as toxinas invisíveis que degradam o bem-estar. Estas, também, são bastante divulgadas: estresse, ansiedade, depressão, violência doméstica e abusos físico e emocional. Não dá para ver ou provar essas toxinas, mas a mesma dificuldade – a incoerência – predomina. As pessoas toleram estilos de vida tóxicos além da conta. Elas se comportam de modo a ter um impacto muito grande no corpo, ou aturam comportamentos semelhantes de seus familiares, amigos e colegas. A solução é a autoconsciência, olhando-se de verdade no espelho e descobrindo uma maneira de eliminar toxinas invisíveis de sua vida. O processo é parecido com este:
Sou forte e saudável. Posso comer tudo o que quiser.
Nada parece estar errado.
Coisas “naturais” são para ex-hippies e pessoas que se preocupam demais.
Analisei isso bem e há mais toxinas do que eu imaginava.
É melhor estar seguro do que me arrepender depois.
Tenho que mudar hoje se quiser ser saudável amanhã.
Posso me desacostumar a consumir comida processada, se eu tentar.
Eu mereço sentir bem-estar. Terei que me dedicar, mas valerá a pena.

 Para livrar sua vida de toxinas invisíveis, o caminho é diferente, mas não tanto. Você deixa de pensar “Eu consigo continuar com isso” e passa a pensar “Minha vida está sendo prejudicada”, até, finalmente, “Eu mereço me sentir bem”. Racionalização e inércia são coisas muito poderosas. Somos capazes de passar anos ingerindo toxinas porque nossa mente encontra motivos para não mudar. Admita o quanto essas forças são poderosas e respeite-as. Você não precisa armar um ataque frontal para tentar purificar sua vida. Basta voltar-se para a direção certa. A sabedoria que levou bilhões de anos para evoluir nas células merece alguns poucos anos de consideração da sua parte.

(Deepak Chopra - Super Cérebro)

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publicado às 14:04



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