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Morte precoce do tempo emocional

por Thynus, em 25.11.14
O tempo para a emoção não é o mesmo que para a física. Uma das mais graves consequências da SPA é a morte precoce da emoção, ou melhor, da percepção do tempo. Para explicar esse fenômeno, deixe-me exemplificá-lo. Vivemos mais ou menos que os habitantes da Idade Média? A resposta é óbvia. Biologicamente, vivemos muito mais, o dobro. Naqueles tempos, a expectativa média de vida era de 40 anos. Uma amigdalite poderia gerar grave infecção, pois não havia antibióticos. Hollywood retrata de maneira distorcida as mulheres da corte da época, glamorosas, reluzentes. Na verdade, muitas princesas, aos 20 anos de idade, já haviam perdido os dentes e tinham que andar com os lábios cerrados.
Hoje, vivemos, em média, de 70 a 80 anos e estamos progredindo, mas permita-me fazer outra pergunta: do ponto de vista emocional, vivemos mais ou menos do que os gregos, romanos ou do que se vivia na Idade Média? A Síndrome do Pensamento Acelerado nos leva a viver uma vida tão rápido em nossa mente, que distorce nossa percepção do tempo. Vivemos mais tempo biologicamente, mas morremos mais cedo emocionalmente. Oitenta anos hoje passam mais rápido que vinte anos no passado. A medicina prolongou a vida, e o sistema social contraiu o tempo emocional.
Não parece que dormimos e acordamos com a nossa idade? Não parece que nossa existência passou rapidíssimo? Estamos tão atolados com atividades mentais e profissionais que não temos tempo para desfrutar, digerir e assimilar as experiências existenciais. Como disse, estamos na era do fast-food emocional, engolimos nosso nutriente. Não sabemos amar, dialogar, ouvir, sonhar, interiorizar, jogar conversa fora.
Você não sente que os meses e os anos voam? Isso é grave. Um dos nossos maiores desafios é dilatar o tempo. Mas quem tem um Eu treinado para expandir a percepção do tempo? Não sabemos sequer o que fazer com o tédio. As crianças estão tão aceleradas que, quando ficam cinco minutos sem atividade, já reclamam: “Não tem nada para fazer nesta casa!”. Estamos viciados em atividades, viciados em informação, viciados em celulares, viciados em asfixiar o tempo, viciados em pensar.
Devemos viver as experiências lenta e suavemente, como quando saboreamos um sorvete ao sol escaldante do verão. Nosso Eu deve fazer de um dia uma semana, de uma semana um mês, de um mês um ano. As pessoas ansiosas, impacientes, inquietas, que detestam a rotina e querem tudo imediatamente não verão a vida passar; elas são os piores inimigos da sua emoção. E eu? E você?

(Augusto Cury - ANSIEDADE, como enfrentar o mal do século)

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publicado às 16:25



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