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METÁFORAS LEGAIS

por Thynus, em 24.04.17
Nossa linguagem está até a boca de metáforas. Estamos sempre falando (por exemplo) da boca de um rio, uma sobremesa rica ou de estar cheio até a boca. É difícil, como vimos, entender o sentido literal das palavras como nomes próprios; mas os problemas só ficam maiores quando nos voltamos aos significados das metáforas.
Quais significados, exatamente, expressam uma metáfora?
Uma ideia plausível poderia ser esta: uma metáfora é uma comparação abreviada, assim o significado metafórico de uma expressão seria capturada por uma sentença afirmando literalmente a comparação explícita. Por exemplo, dizer “Meu ex é uma pedra de gelo”, é dizer algo cujo sentido metafórico poderia ser expresso por “Meu ex é como uma pedra de gelo”. A sentença original, portanto, possui dois significados: um literal, que é falso (“Meu ex é uma pedra de gelo”), e um metafórico (expresso por “Meu ex é como uma pedra de gelo”), que pode ser verdade.
E, mesmo assim, essa teoria não funciona bem.
Porque ainda não atacamos o sentido da metáfora, na verdade. Quando alguém diz “Meu ex é uma pedra de gelo”, o que significa, por meio da nossa teoria, que seu ex é como uma pedra de gelo. Mas em que sentido? Talvez por ser duro e frio, mas claro que seu ex não é literalmente duro e frio (assumindo que ele esteja vivo!). Ainda temos algumas metáforas aí para entender, então novamente devemos traduzir essas metáforas em algo como: “Meu ex é como coisas duras e frias”. Outra vez, de que maneira? Talvez por ser cabeça-dura e pouco emocional. Mas não há nenhum sentido em falar que uma pedra de gelo é literalmente “cabeça-dura” e “pouco emocional”, assim como a maioria dos objetos inanimados. E se for assim, não temos nenhuma explicação real sobre por que alguém diz “Meu ex é uma pedra de gelo” em vez de dizer, por exemplo, “Meu ex é a narina esquerda de Barack Obama” – porque seu ex não é nem de perto literalmente como o gelo ou a narina. O que significa que não conseguimos entender a metáfora original.
Metáforas, ao que parece, são bastante impenetráveis.
Mais ou menos como pedras de gelo.
 
 
(Andrew Pessin - Filosofia em 60 segundos : expanda sua mente com um minuto por dia!)

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publicado às 23:22



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