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Metafísica

por Thynus, em 14.01.17
A palavra metafísica tem pedigree na filosofia, seja para defendê-la, seja para atacá-la. Por exemplo, Platão, pai fundador da filosofia, era um metafísico, Nietzsche detestava a metafísica, entre outros nomes grandiosos. Às vezes significa um ensino historicamente datado, como no caso de Platão ou Aristóteles, às vezes significa um tipo de temperamento dado a crenças ou emoções ligadas a um mundo além da matéria, por exemplo, como no caso de muitos religiosos, místicos ou românticos.

A ideia de metafísica nasce com Platão com seu “mundo das ideias perfeitas e imateriais” a partir das quais nosso mundo da matéria teria sido feito como uma cópia imperfeita e corruptível. Para Platão, as imperfeições do mundo e da vida seriam fruto de incompetência do demiurgo (um deusinho vagabundo) que inventou este mundo copiando as ideias eternas e plenas do mundo das ideias. A consequência, ainda que ele nunca tenha usado a palavra metafísica em sua obra (quem usou foi Aristóteles, para dar o título de sua obra sobre o “Ser”), foi fundar todo um campo de reflexão acerca do imaterial, invisível e eterno, coisa que judeus, cristãos e muçulmanos adoraram quan do leram, porque viram nesse mundo a “cabeça de Deus”, ou, no mínimo, sua casa. Quando Aristóte les afirma que existe um “primeiro motor imóvel que tudo move sem ser movido, que tudo condiciona sem ser condicionado, que tudo causa sem ser causado”, e chama isso de theos, e inventa uma parte de seu livro Metafísica (ao pé da letra “o que vem depois da física”, logo, do material) à qual dá o nome de teologia, os religiosos não resistem e dizem: olha aí, Aristóteles conhecia Deus, porque reconhecer Deus é fruto do pensamento!

A metafísica se tornou uma espécie de primeira ciência (no sentido de primeiro saber), que exploraria o mundo das verdades eternas e não materiais, a parte “filosófica” da crença no invisível e imaterial porque Deus, deuses e espíritos seriam imateriais e invisíveis (a menos que quisessem se fazer materiais e visíveis para nós). A metafísica virou um nome usado para se referir a esse mundo das “substâncias imateriais”.

Outra coisa que atormentou e atormenta muita gente é se existe mesmo (como existia para Platão) um bem imaterial e eterno; portanto, se o bem seria algo não criado pelo homem e sua história. Pessoalmente, acho que sim, é criado pelo homem e sua história, mas não acho que saibamos como fazemos isso. Então, apesar de sermos nós que fazemos, parece algo de outro mundo, porque não temos o controle desse processo, ao contrário do que pensam os bobos marxistas e foucaultianos. A ideia de que exista um bem imaterial e eterno alimenta a alma religiosa e metafísica porque ela associa esse bem a Deus. A própria ideia de alma é com frequência vista como metafísica, por isso imaterial e eterna. Mas quando pensamos em alma assim, estamos chegando perto do que podemos chamar de “sobrenatural”, algo que veremos no próximo capítulo.

A filosofia moderna e contemporânea criticou muito a metafísica, chegando mesmo a destruí-la, de certa forma, dizendo que é uma espécie de viagem de platônicos de todos os tipos. Com o nascimento da ciência, a ideia de um mundo imaterial se tornou meio fora de moda, porque o pensamento moderno é muito preocupado com a eficácia e os resultados, e a metafísica não serve para nada, a não ser para nos ajudar a crer em alguma forma de um mundo melhor do que esta em que vivemos, o que pode significar que a metafísica não passa de pânico diante do nada – como pensava um dos maiores antiplatônicos da história da filosofia, Nietzsche.

 (Pondé, Luiz Felipe - Filosofia para corajosos) 

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publicado às 23:31



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