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.. "É a organização minuciosa da execução que confere à fome, ao terror ucraniano, o carácter de um genocídio, o segundo do nosso século, após o da Arménia e antes dos Judeus. Durante o Outono de 1932, os campos ucranianos adquirem o aspecto de um campo da morte.“ 
(Alain Besançon
 
 
A doença da luta de classes
 
Existe atualmente um acordo bastante geral, pelo menos entre os membros do Instituto, sobre o grau de conaturalidade entre o comunismo de tipo bolchevique e o nacional-socialismo. A meu ver, é correta a expressão de Pierre Chaunu: gêmeos heterozigotos. Essas duas ideologias tomaram o poder no século XX. Elas têm como objetivo chegar a uma sociedade perfeita extirpando o princípio maligno que a bloqueia. Em um caso, o princípio maligno é a propriedade, então os proprietários, e depois, como o mal subsiste após a “liquidação enquanto classe” destes, a totalidade dos seres humanos, corrompidos pelo espírito do “capitalismo”, que resulta em penetrar até no próprio partido. No outro caso, o princípio maligno está situado nas raças chamadas “inferiores”, em primeiro lugar os judeus, depois, o mal continuando a subsistir após o seu extermínio, é preciso persegui-lo nas outras raças e na própria “raça ariana”, cuja “pureza” foi maculada. Comunismo e nazismo invocam para a sua legitimidade a autoridade da ciência. Eles se propõem reeducar a humanidade e criar um homem novo.
Essas duas ideologias se pretendem filantrópicas. O nacional-socialismo quer o bem do povo alemão e declara prestar serviço à humanidade ao exterminar os judeus. O comunismo leninista quer diretamente o bem de toda a humanidade. O universalismo do comunismo lhe dá uma imensa vantagem sobre o nazismo, cujo programa não é exportável. As duas doutrinas propõem “ideais elevados”, próprios para suscitar o devotamento entusiástico e atos heróicos. No entanto, elas ditam também o direito e o dever de matar. Citando Chateaubriand, profético neste caso: “No fundo desses diversos sistemas repousa um remédio heróico confesso ou subentendido: esse remédio é matar.” E Hugo: “Você pode matar este homem com tranqüilidade.” Ou categorias inteiras de homens. Justamente o que essas doutrinas fizeram quando chegaram ao poder, em uma escala desconhecida na história. É por essa razão que, aos olhos dos que são estranhos ao sistema, nazismo e comunismo são criminosos. Igualmente criminosos? Por ter estudado um e outro, conhecendo também os auges em intensidade no crime do nazismo (a câmara de gás) e em extensão do comunismo (mais de 60 milhões de mortos), o gênero de perversão das almas e dos espíritos operado por um e por outro, creio que não se pode entrar nessa discussão perigosa, que é preciso ser respondida simples e firmemente: sim, igualmente criminosos.
O que nos leva a um problema: como é possível que hoje, isto é, em 1997, a memória histórica os trate desigualmente a ponto de parecer ter esquecido o comunismo? Sobre o fato dessa desigualdade não é necessário nos estendermos. Desde 1989, a oposição polonesa, com o primado da Igreja à cabeça, recomendava o esquecimento e o perdão. Na maioria dos países que saíam do comunismo, não se falou sequer em castigar os responsáveis que haviam matado, privado de liberdade, arruinado, embrutecido as pessoas, durante duas ou três gerações. Salvo na Alemanha Oriental e na República Tcheca, os comunistas foram autorizados a permanecer no jogo político, o que lhes permitiu retomar aqui e ali o poder. Na Rússia e em outras repúblicas, o pessoal diplomático e policial continuou nos seus postos. No Ocidente, esta anistia foi julgada favoravelmente. Comparou-se a confirmação da nomenklatura à evolução termidoriana dos antigos jacobinos. Há algum tempo nossa mídia voltou a falar com boa vontade da “epopéia do comunismo”. O passado do Komintern do partido comunista, devidamente exposto e documentado, não o impede de forma alguma de ser aceito no seio da democracia francesa.
Ao lado disso, a damnatio memorice do nazismo, bem longe de conhecer a mínima prescrição, parece se agravar a cada dia. Uma ampla biblioteca se enriquece todos os anos. Museus e exposições mantêm, e com razão, o horror do crime.
Consultemos na internet o serviço de documentação de um grande jornal. Selecionemos os “temas” chamados por palavras-chave, que foram tratados de 1990 a 14 de junho de 1997, data da minha consulta:
para “nazismo”, 480 ocorrências; para “stalinismo”, 7;
para “Auschwitz”, 105; para “Kolyma”, 2;
para “Magadan”, 1; para “Kuropaty”, 0;
para “fome na Ucrânia” (5 a 6 milhões de mortos em 1933), 0.
Esta sondagem tem apenas um valor indicativo. Alfred Grosser (em seu livro Im Mémoire et 1’Oubli), declarava, em 1989: “O que eu peço quando se pesa a responsabilidade dos crimes passados é que sejam aplicados os mesmos critérios a todo mundo.” Certamente, mas é muito difícil e é como simples historiador e não como juiz que eu gostaria somente hoje, sine ira et studio, de tentar interpretar esses fatos. Não posso ter a pretensão de esgotar o tema. Mas pelo menos posso enumerar uma lista não limitativa de fatores.
1) O nazismo é mais bem conhecido que o comunismo, porque o número dos cadáveres foi amplamente divulgado pelas tro
pas aliadas, e vários povos europeus tiveram uma experiência dire
ta do fenômeno. Pergunto frequentemente a estudantes se eles tiveram conhecimento da fome artificial organizada na Ucrânia 
em 1933. Eles nunca ouviram falar. O crime nazista foi principalmente físico. Ele não contaminou moralmente suas vítimas e suas testemunhas, às quais não se exigia uma adesão ao nazismo. Ele é então visível, flagrante. A câmara de gás concebida para exterminar industrialmente uma porção delimitada da humanidade é um fato único. O gulag, o laogai permanecem envoltos em brumas e continuam sendo um objeto distante, conhecido indiretamente. Uma exceção: o Camboja, onde hoje se abrem os ossários.
2) O povo judeu assumiu a memória da Shoah. Era uma obrigação moral para ele que se inscrevesse na longa memória das perseguições; uma obrigação religiosa ligada ao louvor ou ao questionamento apaixonado, à maneira de Jó, do Senhor que prometeu proteger seu povo e que puniu a injustiça e o crime. A humanidade inteira deve então render graças à memória judaica por ter conservado piedosamente os arquivos da Shoah. O enigma está do lado dos povos que esqueceram, e deles falarei em seguida. Acrescentemos que o mundo cristão procede desde o evento a um exame de consciência e se sente atingido intimamente pela indelével ferida.
3) A inserção do nazismo e do comunismo no campo magnético polarizado pelas noções de direita e de esquerda. O fenômeno é complexo. Por um lado, a ideia de esquerda acompanha a entrada sucessiva das classes sociais no jogo político democrático. Mas é preciso observar que a promoção da classe operária americana excluiu a ideia socialista, e que as classes operárias inglesa, alemã, escandinava, espanhola, fortalecendo-se, opuseram uma recusa majoritária à ideia comunista. Apenas na França e na Tchecoslováquia, no imediato pós-guerra e mais tarde na Itália, o comunismo pôde pretender se identificar com o movimento operário e assim se tornar um dos membros de direito da esquerda. Acrescentemos que, na França, historiadores como Mathiez, admiradores da Grande Revolução, fizeram de forma completamente natural um paralelo entre outubro de 1917 e 1792, e o terror bolchevique em paralelo com o terror jacobino.
Por outro lado, muitos historiadores de vanguarda mantêm uma consciência viva das raízes socialistas ou proletárias do fascismo italiano e do nazismo alemão. Considero como testemunha o livro clássico de Elie Halévy, Histoire du socialisme européen, escrito em 1937. O capítulo 111 da quinta parte é consagrado ao socialismo da Itália fascista; o capítulo IV ao nacional-socialismo. Este último regime, declarando-se anticapitalista, expropriando ou eliminando as antigas elites, dando-se uma forma revolucionária, tinha com alguma razão que figurar, o que hoje seria inconcebível, em uma história do socialismo.
4) A guerra, ao estabelecer uma aliança militar entre as democracias e a União Soviética, enfraqueceu as defesas imunitárias ocidentais contra a ideia comunista, muito forte, no entanto, no momento do pacto Hitler-Stalin, provocando um tipo de bloqueio intelectual. Para fazer a guerra com convicção, uma democracia tem necessidade de que seu aliado possua um certo grau de respeitabilidade; caso conttário, ela lhe atribui. O heroísmo militar soviético assumia, com o incentivo de Stalin, uma forma puramente patriótica, e a ideologia comunista, deixada de lado, escondia-se. À diferença da Europa Oriental, a Europa Ocidental não teve a experiência direta da chegada do Exército Vermelho. Este foi visto como libertador, no mesmo nível que os outros exércitos aliados, o que não sentiam nem os bálticos, nem os poloneses. Os soviéticos foram juizes em Nuremberg. As democracias consentiram sacrifícios muito pesados para liquidar o regime nazista. Elas aceitaram em seguida sacrifícios menores para conter o regime soviético, até o fim, para ajudá-lo a sobreviver, com uma preocupação de estabilidade. Ele desmoronou por si mesmo e sobre o seu próprio nada, sem que as democracias tivessem algo a ver. Sua atitude não podia ser a mesma, nem seu julgamento igual, nem sua memória imparcial.
5) Um dos maiores sucessos do regime soviético foi o de ter difundido e aos poucos imposto sua própria classificação ideológica dos regimes políticos modernos. Lenin os vinculava à oposição entre socialismo e capitalismo. Até os anos 30, Stalin conservou esta dicotomia. O capitalismo, chamado também de imperialismo, englobava os regimes liberais, os regimes socialdemocratas, os regimes fascistas e, finalmente, nacional-socialistas. Isso permitia aos comunistas alemães manter uma balança equilibrada entre os “sociahfascistas” e os nazistas. Mas, aprovando a chamada política das frentes populares, a classificação tomou-se a seguinte: o socialismo (isto é, o regime soviético), as democracias burguesas (liberais e socialdemocratas) e, finalmente, o fascismo. Sob o nome de fascismo eram compreendidos conjuntamente o nazismo, o fascismo mussolinista, os diversos regimes autoritários que vigoravam na Espanha, em Portugal, na Áustria, na Hungria, na Polônia etc., e, finalmente, as extremas-direitas dos regimes liberais. Uma cadeia contínua ligava, por exemplo, Chiappe a Hitler, passando por Franco, Mussolini etc. A especificidade do nazismo se perdia. Além disso, ele era fixado na direita, sobre a qual projetava sua sombra negra. Ele se tornava a direita absoluta, ao passo que o sovietismo era a esquerda absoluta.
O fato assustador é que, em um país como a França, essa classificação se tenha incrustrado na consciência histórica. Consideremos nossos manuais de história para uso dos ensinos secundário e superior. A classificação geral é: o regime soviético; as democracias liberais, com sua esquerda e sua direita; os fascismos, isto é, o nazismo, o fascismo italiano, o franquismo espanhol etc. E uma versão atenuada da vulgata soviética. Em compensação, não se encontra quase nunca nesses manuais a classificação correta, aquela sobre a qual existe o consenso entre os historiadores atualmente, mas que já tinha sido proposta desde 1951 por Hannah Arendt, a saber: o conjunto dos dois regimes totalitários, comunismo e nazismo, os regimes liberais, os regimes autoritários (Itália, Espanha, Hungria, América Latina) que provêm das categorias clássicas da ditadura e da tirania, organizadas por Aristóteles.
6) A fraqueza dos grupos capazes de conservar a memória comunismo. O nazismo durou doze anos; o comunismo europeu, conforme os países, entre 50 e 70 anos. A duração tem um efeito auto-anistiante. De fato, durante esse tempo imenso a sociedade civil foi atomizada, as elites foram sucessivamente destruídas, substituídas, reeducadas. Todo mundo, ou quase, de cima a baixo, traficou, traiu, degradou-se moralmente.
Mais grave ainda, a maior parte dos que estariam em condições de pensar foi privada
de conhecer sua história e perdeu a capacidade de análise. Lendo a literatura da oposição russa, que é a única verdadeira literatura do país, ouve-se um lamento dilacerante, a expressão tocante de um infinito desespero, mas quase nunca se encontra uma análise racional. A consciência do comunismo é dolorosa, mas ela permanece confusa. Atualmente, os jovens historiadores russos não se interessam por esse período, votado ao esquecimento e à repugnância. O Estado, aliás, fecha os arquivos. O único meio que poderia ter sido portador da memória lúcida do comunismo é o da dissidência, nascida por volta de 1970. Mas ela rapidamente se decompôs em 1991 e não foi capaz de participar do novo poder. É por isso que o seu empreendimento do Memorial não pôde existir nem se desenvolver. E de fato necessário que o órgão que tenha como função manter a memória consiga uma certa massa crítica, pelo número, pelo poder, pela influência. Os armênios não conseguiram de forma alguma obter essa massa crítica. Muito menos ainda os ucranianos, os cazaquis, os chechenos, os tibetanos, entre tantos outros.
Nada é tão problemático, depois da dissolução de um regime totalitário, quanto a reconstituição, no povo, de uma consciência moral e de uma capacidade intelectual normais. A esse respeito, a Alemanha pós-nazista se achava em melhor posição que a Rússia pós-soviética. A sociedade civil não teve tempo de ser destruída em profundidade. Julgada, punida, desnazificada pelos exércitos ocidentais, ela foi capaz de acompanhar esse movimento de purificação, de se julgar a si mesma, de se recordar e de se arrepender. Não foi bem assim no Leste Europeu, e o Ocidente tem a sua parte de responsabilidade. Quando os comunistas russos transformaram sua posse geral de bens em propriedade legítima, quando legitimaram seu poder de fato pelo sufrágio universal, quando substituíram o leninismo pelo nacionalismo mais chauvinista, o Ocidente julgou inoportuno de sua parte pedir-lhes contas. Era o pior serviço que ele poderia prestar à Rússia. A ubiquidade das estátuas de Lenin nas praças públicas da Rússia é apenas o sinal visível de um envenenamento das almas cuja cura levará anos. Do lado ocidental, a vulgata histórica deixada pelo Komintern das Frentes Populares está longe de ter sido apagada. O envolvimento da ideia leninista pela ideia de esquerda, que tinha no entanto horrorizado Kautsky, Bernstein, Léon Blum, Bertrand Russell e até Rosa Luxemburgo, faz com que atualmente essa ideia por vezes seja assimilada a um avatar maravilhoso ou a um acidente de alguma forma meteorológico dessa mesma esquerda, e, agora que ela desapareceu, essa ideia permanece como um projeto honroso que não deu certo.
7) A amnésia do comunismo e a memória do nazismo se exa peram mutuamente quando a simples e justa memória basta para condená-los a um e outro. É uma característica da má consciência ocidental, há séculos, que o lugar do mal absoluto deve-se encontrar em seu seio. A opinião variou sobre essa localização. O mal foi às vezes situado na África do Sul do apartheid, na América da guerra do Vietnã. Mas ele sempre permaneceu com seu centro na Alemanha nazista. Rússia, Coréia, China e Cuba eram sentidas como exteriores ou levadas para o exterior na medida em que se preferia desviar os olhos. O vago remorso que acompanhava esse abandono era compensado por uma vigilância, uma concentração feroz da atenção sobre tudo o que havia entrado em contato com O nazismo, sobre Vichy em primeiro lugar, ou, atualmente, sobre essas ideias perversas que supuram em certos núcleos das extremas direitas européias.
 
*
 
Uma das características do século XX é a de que não só a história foi horrível, do ponto de vista do massacre do homem pelo homem, mas também que a consciência histórica – e isto explica aquilo – teve uma dificuldade particular em se orientar corretamente. Orwell observava que muitos haviam se tomado nazistas por um horror motivado do bolchevismo, e comunistas por um horror motivado do nazismo. Isso realça o perigo das falsificações históricas. Vemos uma em vias de formação, e seria uma pena que legássemos ao próximo século uma história falseada.
Para concluir, uma esperança e um receio. Foram necessários anos para se tomar consciência completa do nazismo, porque ele excedia o que se julgava possível e que a imaginação humana era incapaz de percebê-lo. Poderia acontecer o mesmo com o comunismo de tipo bolchevique, cujas obras abriram um abismo tão profundo, e que foram protegidas, como Auschwitz o foi até 1945, pelo inverossímil, pelo incrível, pelo impensável. O tempo, cuja função é revelar a verdade, fará talvez, lá também, o seu trabalho.
 
(ALAIN BESANÇON - A INFELICIDADE DO SÉCULO, SOBRE O COMUNISMO,
 O NAZISMO
 E A UNICIDADE DA SHOAH)
Comunismo e Nazismo: Farinha do mesmo saco
 

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publicado às 22:24



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