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Filósofo alemão que desenvolveu uma ontologia do ser que situava o homem em um contexto temporal, exigindo que o significado fosse encontrado no contexto do ser-para-amorte.

 Martin Heidegger é o filósofo europeu mais controverso pós-Hegel. A maioria dos filósofos continentais vê seu trabalho como um marco de inovação na história do pensamento; a maioria dos filósofos analíticos, por outro lado, rejeitao como uma completa bobagem. Sua principal contribuição para o pensamento europeu é uma ontologia na qual ele situa o Dasein, ou o ser do homem, no fluxo do tempo, movendo-se em direção ao nada da morte. O homem define a si mesmo nesse contexto, em que confronta a oportunidade de um ser autêntico.
Em 1933, Heidegger caiu sob o feitiço de Adolf Hitler e se juntou ao partido nazista, embora depois de 1934 tenha sido marginalizado pelos nazistas como alguém pouco confiável. Após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, o tribunal aliado de desnazificação baniu Heidegger do ensino até 1950; ele nunca se desculpou por suas ações.
 

A influência do catolicismo
Heidegger nasceu em uma família católica romana de poucos recursos no sudoeste da Alemanha. Seu pai era um sacristão, e desde a infância Heidegger foi educado para seguir a carreira do sacerdócio. Em paralelo à sua vocação católica, Heidegger cultivava um interesse pela filosofia que, no princípio, servia à sua compreensão do catolicismo romano, mas que, depois, acabou se chocando com ela. Heidegger deixou a Igreja (embora sempre houvesse reconhecido sua importância e tenha tido um funeral católico).
Como seu mentor Edmund Husserl, Heidegger foi influenciado pelo trabalho de Franz Brentano (1838-1917), o filósofo alemão que se tornou padre jesuíta. O jovem Heidegger foi profundamente influenciado pelo ensaio de Brentano Das múltiplas significações do ser em Aristóteles (1862). Também leu (e releu diversas vezes) as Investigações lógicas (1900-1901) de Husserl. Husserl, por sua vez, recebeu grande influência do trabalho de São Tomás de Aquino (1225-74), especialmente do conceito tomista de intencionalidade, que ele transformou no conceito central da sua própria filosofia fenomenológica. Assim, Heidegger, desde cedo, desenvolveu as três influências que iriam se combinar para alimentar sua própria filosofia: uma crença de que somente os gregos – e Aristóteles em particular – haviam capturado o sentido de admiração e espanto que é o início de qualquer investigação filosófica; uma virada mental de inclinação tomista para entender como nós constituímos o mundo; e a fenomenologia de Husserl, que fornecia um ponto inicial e um método para suas próprias pesquisas ontológicas.
Heidegger foi noviço da ordem jesuíta, mas a abandonou, mencionando como causa uma “doença no coração” recorrente; seu biógrafo, Rüdiger Safranski, sugere que talvez o coração de Heidegger já não estivesse voltado à Igreja. Depois de estudar teologia por dois anos em Freiburg, Heidegger mudou para a filosofia, obtendo o doutorado em 1913. Sua tese foi sobre “A doutrina do juízo no psicologismo” (1914). Heidegger estava de olho na cátedra de filosofia católica em Freiburg e tentou conseguir o cargo por meio de relações políticas, qualificando-se com a dissertação “A doutrina das categorias e do significado em Duns Escoto” (1916). Ele ficou amargamente decepcionado quando um candidato melhor qualificado conseguiu a vaga. Descontente, Heidegger continuou como professor em Freiburg. No entanto, sua sorte mudou em 1916, quando Edmund Husserl entrou na faculdade. O impacto da Primeira Guerra Mundial adiou o começo da relação pessoal de Heidegger com Husserl. Durante a guerra, Heidegger serviu como meteorologista – um trabalho importante para o planejamento de ataques de gás venenoso contra tropas americanas (seria um desastre para os alemães se o vento estivesse soprando na direção errada).
 

Assistente de Husserl
Após a guerra, Heidegger executou duas importantes mudanças em sua vida. A primeira foi sua rejeição formal do catolicismo romano. Ao fazer isso, ele quebrou o voto de educar seus filhos na fé católica, que era uma condição para o casamento com sua noiva protestante, Elfriede Petri. Elfriede havia sido aluna de Heidegger; era uma antissemita severa que expressava suas opiniões pública e ruidosamente.
A segunda mudança na vida de Heidegger aconteceu quando ele se tornou assistente de Edmund Husserl, sucedendo Edith Stein (1891-1942). Trabalhar para Husserl era penoso, mas fornecia a Heidegger um pequeno e muito necessário estipêndio (ele não recebia salário por seu cargo de professor em Freiburg). A situação financeira de Heidegger havia sempre sido precária. Ele havia usado doações da Igreja católica para pagar sua educação universitária, e agora o trabalho para Husserl contribuía para os cofres da família. A essa altura, Heidegger estava casado e tinha dois filhos (dos quais o primeiro havia nascido de um caso que sua esposa Elfriede tivera com o médico da família).
Husserl era um incansável escritor e revisor do seu trabalho. Ele escrevia em taquigrafia e frequentemente saltava de um tópico a outro, deixando ao assistente o trabalho de dar sentido a pilhas confusas de papel. Parte da função de Heidegger era pôr em ordem os pensamentos d’O Mestre (como lhe chamavam seus alunos). Como resultado, Heidegger desfrutava o privilégio de ter uma visão muito próxima do modo como sua grande mente funcionava. Observar em primeira mão como Husserl elaborava seu método fenomenológico seria fundamental para a formação de Heidegger como filósofo.
Heidegger sentiu-se atraído pela fenomenologia “científica” inicial de Husserl, que possuía como mantra um chamado para “as coisas mesmas”. Foi esse método fenomenológico inicial de investigação das coisas que interessou Heidegger. Nas coisas mesmas, ele experimentou uma presença resplandecente que era surpreendente; percebeu a existência das coisas de um modo tão poderoso que podia ser aterrador. Não acreditava, como Kant, ou Husserl em sua maturidade, que os seres humanos atribuíam significado às coisas. As coisas já possuíam ser. O homem podia manipular o significado das coisas, mas elas já estavam lá, sendo elas mesmas, antes e depois do homem. Em seu desejo de evitar o neokantismo, Heidegger rejeitou amplamente a tradição idealista alemã e retornou a Aristóteles para constituir seu ponto de partida.
Ser e tempo
Com o tempo, a empolgação de auxiliar Husserl diminuiu, e Heidegger passou a desejar a promoção que ele considerava cabível a um filósofo do seu calibre. Havia vagas abertas em Marburg e Göttingen. Heidegger não havia publicado nenhum trabalho enquanto trabalhava para Husserl, então, na tentativa de conseguir o emprego em Marburg, ele escreveu rapidamente o ensaio Interpretação fenomenológica de Aristóteles: Indicação da situação hermenêutica, apresentado como uma série de palestras em Freiburg de 1921 a 1922 (mas não publicado até 1985). Heidegger foi nomeado professor e assumiu a tarefa de mudar a filosofia na Alemanha. Começou a desenvolver os temas que resultariam em sua obra-prima, Ser e tempo (1927), que definiu as visões de Heidegger sobre o ser em todas as suas manifestações: o ser dos objetos e a natureza da existência humana. O homem sempre procede do seu passado e existe em um presente que é eternamente transformado em passado à medida que se dirige ao futuro. O futuro contém a morte. Diante da morte iminente, o homem encontra ansiedade ou temor. Aqui, Heidegger mostra a influência recebida do filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard, cujos livros Temor e tremor (1843), O conceito de angústia (1844) e Doença até a morte (1849) foram os primeiros trabalhos a explorar a situação do homem diante da morte a partir do que mais tarde seria denominado uma perspectiva existencialista. A outra importante influência recebida por Heidegger durante a composição de Ser e tempo foi Friedrich Nietzsche. Nietzsche havia proclamado a “morte de Deus”; Heidegger foi um dos primeiros a descrever a situação do homem nessa nova situação e como ele deveria proceder. Dasein, como Heidegger denomina a existência do homem, ocorre em um rio de tempo. À medida que Dasein corre para o futuro, em direção ao nada, ele alcança autenticidade por meio do reconhecimento dessa facticidade (Faktizität), ou do ser-lançado (Geworfenheit), como Heidegger o chamava, da qual procede.
Heidegger e Arendt
Em Marburg, Heidegger daria aulas para dois dos seus mais famosos alunos: Hans- Georg Gadamer e Hannah Arendt. Gadamer viria a desenvolver a hermenêutica filosófica dos últimos trabalhos de Heidegger em um ramo filosófico próprio. Arendt desenvolveria o método fenomenológico de Heidegger em diversos trabalhos importantes, incluindo A condição humana (1958) e As origens do totalitarismo (1951). O segundo destes livros tem importância tripla porque, como judia, Arendt fugiu da Alemanha para salvar a própria vida em 1933, ao mesmo tempo em que Heidegger se filiava ao partido nazista, após romper o caso secreto que mantinha com ela.
Desde o momento em que a conheceu, em 1924, Heidegger havia se encantado por Arendt, e ela havia retribuído. O caso amoroso dos dois durou vários anos, até mesmo depois de Arendt deixar Marburg para estudar com Karl Jaspers (1883-1969). Jaspers e Heidegger haviam sido amigos, mas o casamento de Jaspers com uma judia e o apoio de Heidegger aos nazistas tornaram a relação tensa. Após a guerra, Arendt perdoou Heidegger por sua ligação com o partido nazista. Ele havia implorado pelo perdão dela, assim como buscou “reabilitação” junto aos seus alunos, colegas e discípulos – Jaspers e Sartre, no entanto, recusaram.
Heidegger, Dilthey e o destino alemão
O máximo que pode ser dito para atenuar o nazismo de Heidegger é que ele não era um filósofo nazista nos moldes de Alfred Rosenberg (1893-1946), que defendia a tese de superioridade dos arianos e inferioridade dos judeus. O que Heidegger via em Hitler era uma renovação do espírito alemão, além da oportunidade pessoal de se tornar um filósofo que lideraria e definiria o pensamento alemão com a chegada de seu momento histórico (como se a filosofia alemã não houvesse sido dominante desde Kant!). Heidegger era um filósofo grande demais para se preocupar com as tendências gêmeas do socialismo e do fascismo, que dominavam a paisagem política dos anos 1930 na Europa. Sua preocupação estava voltada a um intervalo muito mais amplo da história, que, em sua visão, levava diretamente de Aristóteles até ele próprio. Além de Aristóteles, São Tomás de Aquino e Husserl, o filósofo que é central para o tratamento que Heidegger dá ao “seu” momento histórico é Wilhelm Dilthey.
Dilthey (1833-1911) foi o avô de uma hermenêutica moderna que se desenvolveria por meio de Heidegger e depois Gadamer, e ele forneceu a Heidegger o entendimento ousado de que o significado se origina no homem e em sua história. Embora evitasse o romantismo alemão pós-kantiano, Heidegger aderiu à sua versão kitsch conhecida como Volkstum, o que ficava evidente pelas batas camponesas especialmente desenhadas que ele vestia ou quando ele aparecia para dar aulas com um par de esquis sobre os ombros. Depois de se filiar ao partido nazista, ele comandou um “acampamento estudantil”, em parte voltado para a juventude hitlerista, em parte um acampamento de verão tradicional, no qual o ar da montanha, discussões filosóficas e a pureza alemã eram experimentados ao redor de uma fogueira com o acompanhamento de um violão.
Após proclamar sua visão de que Hitler seria o salvador da Alemanha, Heidegger planejou e abriu caminho – com sucesso, dessa vez – para sua nomeação como reitor da Universidade de Freiburg. Ele impediu o progresso de colegas judeus e recusou-se a aceitar alunos de graduação judeus. Ele fazia a saudação nazista com um triplo Sieg Heil. Ele mostrou desprezo por seu mestre Husserl, que, assim como sua esposa, tinha ascendência judaica, embora acreditasse no cristianismo. Heidegger não foi ao enterro de Husserl em 1938 e, quando uma nova edição de Ser e tempo foi publicada em 1941, ele cedeu à exigência do censor nazista de que ele retirasse a dedicatória ao professor, que fora colocada na primeira edição.
Depois da Segunda Guerra Mundial, Heidegger foi brevemente impedido de dar aulas nas universidades alemãs. Seu antigo amigo Karl Jaspers não foi tão complacente em relação ao nazismo de Heidegger quanto Hannah Arendt havia sido. Em agosto de 1945, Jaspers afirmou ao conselho da Universidade de Freiburg, que analisava o caso de Heidegger: “O modo de pensar de Heidegger, que me parece fundamentalmente contra a liberdade, ditatorial e incomunicativo, teria efeito muito deletério em alunos no momento atual”.

Julgando Heidegger
Por um lado, o caso de Heidegger não foi o único, uma vez que quase a metade dos filósofos da Alemanha se juntou ao partido nazista depois de 1933. Mas Heidegger continua a perturbar a filosofia no século XXI, porque foi provavelmente o maior pensador de seu tempo e porque seu exemplo é execrável. Entre os que apoiam a opinião de que ele foi um grande pensador, estão George Steiner (1929-) e Hannah Arendt. Steiner somente sobreviveu ao Holocausto porque seu pai se mudou com a família da França semanas antes da ocupação alemã, em 1940; Arendt fugiu da Alemanha em 1933 e depois, da França, pouco depois da ocupação. Para Steiner, Heidegger é um filósofo cuja grandeza está em sua forma única de fazer questionamentos sobre o ser e em seu foco no papel da linguagem no pensamento. Para Arendt, Heidegger é simplesmente um dos maiores filósofos de todos os tempos.
O filósofo britânico Gilbert Ryle (1900-76) está entre aqueles que rejeitam Heidegger por conta de seu comportamento. Embora ele tenha elogiado Ser e tempo em uma crítica escrita para a Mind em 1930, sabe-se que Ryle mais tarde observou que Heidegger não pode ter sido um bom filósofo, uma vez que foi um mau homem. Outros afirmaram que a filosofia de Heidegger é “ruim”, especialmente Rudolf Carnap (1891-1970), o pai do positivismo lógico. Ele rejeitava o trabalho de Heidegger como uma completa bobagem. A. J. Ayer (1910-89) aderiu a esta visão em seu best-seller Linguagem, verdade e lógica (1936). Bertrand Russell (1872-1970) absteve-se até mesmo de mencionar Heidegger na popular História da filosofia ocidental (1945), assim como Anthony Kenny (1931-) em seu História concisa da filosofia ocidental (2006).
Talvez o dilema em torno de Heidegger esteja melhor refletido na visão de Emmanuel Levinas (1906-95), o filósofo judeu e estudioso do Talmude, francês nascido na Lituânia, que foi aluno de Husserl e Heidegger. Levinas via muito a ser apreciado em Heidegger, mas sentia que ele falhou em não tratar a questão da ética que se encontra por trás de investigações puras sobre o ser. Levinas afirmou certa vez que, embora fosse possível perdoar muitos alemães após a Segunda Guerra Mundial, era impossível perdoar Heidegger.

Temas duradouros
Heidegger foi sempre crítico em relação ao sujeito. Ele rejeitou a virada de Husserl em direção ao ego transcendental, preferindo ficar com “as coisas mesmas”; com isso, sua metafísica se desenvolveu em uma direção muito distinta da de Husserl. Heidegger, mais tarde, se distinguiu de Husserl por meio de seu interesse na linguagem. Os últimos anos de sua filosofia examinaram o papel da linguagem de um modo que ajudou a inaugurar a era do sujeito descentrado, que define o pensamento pós-estruturalista (linguagem falando através do homem, a morte do autor etc.). Michel Foucault, Jacques Derrida, Jacques Lacan, Julia Kristeva e qualquer outro que tenha trabalhado no meio pós-estruturalista entraram por uma porta aberta por Heidegger.
Heidegger criticava a tecnologia porque acreditava que ela deslocava o homem em relação ao tempo. Ele achava que a Europa estava espremida entre as pinças de um mal gêmeo: o “triste frenesi tecnológico” dos Estados Unidos e da União Soviética. Em Uma introdução à metafísica (1935), ele falou sobre como a tecnologia levava à “organização irrestrita do homem médio”. A tecnologia fornece ferramentas de exploração, transformando a terra em lucro. A tecnologia conduz a uma aceleração dos homens e das informações, fazendo o tempo ser distorcido em mera “velocidade, instantaneidade e simultaneidade”. Como resultado, “o tempo, como história, desapareceu das vidas de todas as pessoas”. Alguns veem no trabalho de Heidegger as primeiras sementes do movimento verde. No entanto, a desconfiança que Heidegger nutria pela tecnologia era acompanhada por uma crença romântica em “sangue e solo”, que se encaixava na ideologia nazista da Pátria. Em uma palestra dada em Bremen, em 1949, Heidegger conseguiu combinar seus pensamentos sobre tecnologia e a Terra com sua única menção registrada a respeito do Holocausto. Disse ele: “A agricultura é agora uma indústria alimentícia motorizada – em sua essência, está a mesma coisa que estava na produção de cadáveres nas câmaras de gás, a mesma coisa dos bloqueios e redução de países à fome, a mesma coisa da fabricação de bombas de hidrogênio”.
Afirmamos agora que o ser é o verdadeiro e único tema da filosofia. Isto não é uma invenção nossa; é apenas uma maneira de tratar o tema que surge com o início da filosofia, na antiguidade, e que assume sua forma mais grandiosa na lógica de Hegel. Atualmente, afirmamos apenas que o ser é o verdadeiro e único tema da filosofia. (Martin Heidegger, Os problemas básicos da fenomenologia, 1927)
O que caracteriza o pensamento metafísico que estabelece a base para os seres é o fato de que o pensamento metafísico, começando no que é presente, representa-o em sua presença e, assim, exibe-o como algo estabelecido por sua base. (Martin Heidegger, O fim da filosofia e a tarefa do pensamento, 1969)
Para Heidegger, o significado de Ser é Tempo: passando e acontecendo. Para ele, não existe ideal de permanência do Ser; de fato, ele sustenta que a tarefa do pensamento é tornar o homem sensível à passagem do tempo. (Rüdiger Safranski, Martin Heidegger: Entre o Bem e o Mal, 1998)
  (Trombley, Stephen - 50 pensadores que formaram o mundo moderno)
Não morrer é condenar-se a ter sede sem nunca poder encontrar a água borbulhante.

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publicado às 21:22



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