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"Dentro de cada um de nós há um outro 
que não conhecemos. Ele fala conosco por meio dos sonhos."
Carl Jung

Quando fazemos qualquer coisa – tomamos o café da manhã, fazemos amor, pensamos sobre o universo, escrevemos uma canção –, nossa mente pode estar em um dos três seguintes estados: inconsciente, consciente ou autoconsciente. Quando estamos inconscientes, nossa mente está recebendo de forma passiva a corrente constante de informações do mundo exterior, com reações mínimas e nenhuma criatividade. Quando estamos conscientes, prestamos atenção a essa corrente de informações. Selecionamos, decidimos, classificamos, processamos e assim por diante, escolhendo o que devemos aceitar ou rejeitar. Quando estamos autoconscientes, acessamos o que estamos fazendo e perguntamos “Como isso é para mim?”. Em dado momento, os três estados coexistem. Não sabemos se isso ocorre com criaturas como o beija-flor. Quando o coração dele acelera a mais de 1000 batimentos por minuto, será que está pensando “Estou cansado”? Essa pergunta brota da autoconsciência. Estará ele pensando “Meu coração bate muito, muito rápido”? Essa é uma afirmação de simples consciência. Não sabemos, mas supomos que um beija-flor não seja autoconsciente, e talvez não seja nem consciente. Sua vida pode ser vivida inconscientemente.

 

Os seres humanos vivem nos três estados. Qual deles vai predominar num dado momento depende de cada um. Para ter um supercérebro precisamos saber reduzir nossos momentos inconscientes e aumentar a consciência e a autoconsciência. Considere este item: “Tenha consciência de suas emoções e de onde elas nascem”. A primeira parte da frase diz respeito à consciência, e a segunda, à autoconsciência. “Estou com raiva” é um pensamento consciente, ao passo que ter um acesso de fúria é inconsciente. É por isso que não interferimos quando alguém tem um acesso de raiva depois de um acidente de carro. Não levamos a sério o que a pessoa diz até que a raiva passe e ela se acalme. Alguns sistemas jurídicos perdoam a inconsciência nos chamados “crimes passionais”. Se você encontrar sua mulher na cama com outro homem e reagir estrangulando-o, estará agindo inconscientemente.
É bom ter consciência, mas estar autoconsciente é ainda melhor. “Estou com raiva” leva você longe só se seu objetivo for controlar a raiva. Saber de onde vem a raiva adiciona o componente da autoconsciência. Permite que você observe um padrão no seu comportamento. Leva em conta que acessos passados não funcionaram. Talvez sua mulher o tenha abandonado por causa disso, ou alguém tenha chamado a polícia. Quando você introduz a autoconsciência, a realidade muda. Você começa a assumir o controle, e o poder de mudar está começando.
A consciência irrefutavelmente penetra o mundo animal. Os elefantes se reúnem ao redor de um elefante bebê que morreu. Permanecem ali e até chegam a voltar aos locais onde ocorreram mortes um ano depois. Eles se aconchegam em volta da mãe que perdeu o filhote. Se a empatia existir fora da definição humana, os elefantes parecem se preocupar uns com os outros. Pelo que sabemos, um minúsculo beija-flor que migra por milhares de quilômetros do México a Minnesota pode ter consciência da rota que está percorrendo, inclusive de sinais visuais, do movimento das estrelas e até do campo magnético da Terra.
No entanto, atribuímos a autoconsciência apenas a nós. (Mas esse orgulho pode acabar. Quando repreendemos um cão por ter feito xixi no tapete, ele dá a impressão de estar envergonhado. Essa seria uma reação autoconsciente.) Nós temos consciência de ter consciência. Em outras palavras, nosso nível de autoconsciência transcende o simples aprendizado e a capacidade de memória do cérebro.
A neurociência reducionista não explica como a consciência pode permitir nos separarmos da atividade do cérebro. O reducionismo reúne dados e revela fatos. Em sua pesquisa, Rudy assume uma posição reducionista, uma vez que seu principal campo de pesquisa é o mal de Alzheimer e os genes ligados a essa doença. Mas a neurociência reducionista não explica quem na verdade experimenta sentimentos e pensamentos. Existe uma lacuna entre consciência e autoconsciência. “Recebi o diagnostico de Alzheimer” é uma afirmação que parte da consciência. Alguém que estivesse inconsciente não perceberia que algo está errado com sua memória. “Odeio e tenho medo do Alzheimer” é uma afirmação que brota da autoconsciência. Portanto, os fatos da doença envolvem os três estados – inconsciente, consciente e autoconsciente –, sem explicar como nos relacionamos com eles. O cérebro simplesmente faz o que faz. Para relacionar os fatos, a mente é necessária.
Naturalmente, essa “consciência de estar consciente” também é possibilitada pelo cérebro. Não alegamos saber, em termos reducionistas, onde a consciência e a autoconsciência podem estar localizadas no cérebro. Elas provavelmente não estão confinadas a uma região específica. Ninguém ainda decifrou esse enigma. Enquanto o cérebro produz sentimentos e pensamentos com os quais nos identificamos, o supercérebro apela para nossa capacidade de sermos o observador, ou a testemunha, distanciado dos pensamentos e sentimentos produzidos pelo cérebro.
Se uma pessoa sujeita a acessos de raiva não é capaz de dar um passo atrás e observar o que acontece durante o acesso, é porque sua raiva está fora de controle. Ela não tem consciência de onde a raiva vem, nem do que fazer com ela, até adquirir um certo grau de distanciamento. Nos exames de imagem, vários centros do córtex cerebral se acendem ou se ofuscam, dependendo de a pessoa ter ou não controle sobre suas emoções. Para muitas pessoas, talvez a maioria, a ideia de se distanciar de suas emoções provoca uma visão assustadora de uma existência estéril e sem paixão.
Mas as emoções mudam dependendo do nosso estado.
Inconsciência: nesse estado, as emoções estão sem controle. Surgem espontaneamente e seguem seu curso. Os hormônios são despertados, levando quase sempre a uma reação de estresse. Se permitidas, as emoções descontroladas criam um estado de desequilíbrio no cérebro. Os centros superiores de tomada de decisão ficam enfraquecidos. Impulsos de medo e raiva não têm quem os controle. Daí pode resultar um comportamento destrutivo, e hábitos emocionais condicionam os circuitos neurais fixos.
Consciência: nesse estado, a pessoa é capaz de dizer “Estou sentindo X”, que é o primeiro passo para equilibrar X. O cérebro racional oferece a capacidade de julgamento, colocando a emoção em perspectiva. A memória nos diz se essa emoção funcionou bem ou mal no passado. Segue-se então uma afirmação mais integrada, com a contribuição dos circuitos superiores e inferiores do cérebro. Quando a pessoa deixa de se descontrolar emocionalmente e é capaz de dizer “Estou sentindo X”, alcançou o primeiro grau do distanciamento.
Autoconsciência: quando alguém está consciente, pode ser qualquer pessoa. Mas, quando está autoconsciente, torna-se uma pessoa única. “Estou sentindo X” transforma-se em “O que acho de X? Aonde isso está me levando? O que isso significa?”. Alguém que esteja com raiva pode controlá-la, fazendo até pouco uso da autoconsciência. Um chefe irritado que dá bronca em seus subordinados ano após ano com certeza tem consciência de que se enraivece. Mas, sem autoconsciência, não consegue ver o que está causando a si mesmo e aos outros. Pode voltar para casa um dia e ficar surpreso de ver que a esposa o deixou. Quando a autoconsciência desponta dentro de você, as perguntas que você se faz sobre o que pensa e sente não têm limite. Perguntas decorrentes da autoconsciência são fundamentais para fazer a consciência se expandir, e, quando isso acontece, as possibilidades são infinitas.
As emoções não são inimigas da autoconsciência. Cada emoção tem o seu papel no todo. Elas são necessárias para dar significado aos acontecimentos. A emoção faz uma lembrança se fixar na mente. É muito mais fácil lembrar o primeiro beijo do que o preço da gasolina pago naquela mesma noite. Como “grudam”, as emoções não são desapaixonadas. Mas o distanciamento permite que nos afastemos de nossas emoções (razão pela qual nem todo primeiro beijo leva a gerar um bebê). Isso pode parecer friamente clínico, mas o distanciamento tem suas alegrias. Uma vez que nossas experiências não ficam tão “grudadas”, podemos transcendê-las e atingir um nível mais alto de experiência, no qual tudo o que existe na vida é importante. Atentos a nossos pensamentos e sentimentos, começamos a criar novos caminhos, que registram não apenas raiva, medo, felicidade e curiosidade, mas sentimentos espirituais de bem-aventurança, compaixão e deslumbramento. A criação da realidade não tem limite. Quando partimos do pressuposto de que a realidade é um prêmio, o que estamos aceitando na verdade não é o mundo “lá de fora”, mas nossas limitações “aqui de dentro”.

(DEEPAK CHOPRA & RUDOLPH E. TANZI  - SUPERCÉREBRO, Como expandir o poder
transformador da sua mente)

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