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Todas as formas de pensamento do senso comum, da ciência, da filosofia, da religião fazem essa pergunta e se esforçam em dar-lhe uma resposta. Cuidado para a cilada de defender uma compreensão fechada, acabada, estática de uma delas!
 
Que é a vida?
Qual a sua origem?
Como surgiram os seres vivos que nos rodeiam?
Como surgiu o homem?
E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
 
Desde os tempos imemoriais, o problema da origem da vida atrai a compreensão humana. Todas as formas de pensamento do senso comum, da ciência, da filosofia, da religião fazem essa pergunta e se esforçam em dar-lhe uma resposta.
As respostas a essa pergunta fundamental ao espírito humano foram diversas, conforme as épocas e o grau de desenvolvimento das diversas civilizações. Podemos, no entanto, dizer que duas vertentes de opiniões principais, sempre antagônicas e em permanente discussão, se digladiaram: uma que se pode denominar idealista e outra, materialista.
Realmente, costuma-se distinguir na natureza dois mundos - o da matéria bruta, inorgânica e o dos seres vivos. O primeiro, o reino mineral, inanimado; e o segundo, o reino vegetal, animal, humano, onde impera a vida. O mundo vivo é constituído por uma infinidade de espécies vegetais e animais e, apesar de suas inúmeras diferenças, aparenta uma coisa em comum, que o distingue, desde a mais simples forma elementar de vicia até o homem, dos objetos inanimados. Essa alguma coisa é o que se denomina vida.
E, então, o que é a vida? Sua essência é material, como o resto do mundo, ou estará constituída por um princípio imaterial, espiritual, inacessível à experiência? Se a vida for material, ao compreendermos melhor as leis que regem a matéria, teremos a possibilidade de criá-la ou transformá-la? Teremos a oportunidade de criar e transformar os seres vivos? Tudo isso realizado de forma consciente e dirigida?
Se a vida foi criada por um principio espiritual e se sua natureza é insondável, só nos resta contemplá-la e permanecer impotentes diante do mistério de sua criação e das manifestações de seus fenômenos?
Os idealistas sempre consideraram e continuam a considerar a vida como a manifestação de um princípio espiritual e imaterial. Para eles a matéria é em si mesma algo inerte e privado de vida, servindo apenas de material para a construção dos seres vivos. Esses seres vivos só podem nascer e existir quando esse material tiver recebido uma alma que lhe confira forma e estrutura convenientes.
Essa concepção idealista da vida é a base de todas as religiões do mundo. E todas elas, apesar de suas inúmeras divergências, concordam em afirmar que o ser supremo, Deus, insuflou uma alma viva à carne inanimada e inerte e que esta parcela eterna da divindade é o vivo, aquilo que move o ser e o mantém com vida. Quando ela se esvai, só permanece o invólucro material vazio, um cadáver que se decompõe e se putrefaz. A vida seria uma manifestação da divindade, e eis porque o homem não pode penetrar em sua essência e muito menos aprender a dirigí-la. Esta é a conclusão principal de todas as religiões sobre a natureza da vida. A premissa básica que as sustenta é a esperança do ser humano na possibi-lidade de sua reintegração com Deus.
Os materialistas, por seu turno, ensinam que a vida, como todo o mundo, é de natureza material e que não há necessidade de apelar para nenhum princípio espiritual ou sobrenatural para explicá-la. A vida não seria mais que uma forma particular de existência, cuja origem e destruição obedeceriam a leis determinadas. A prática, a experiência objetiva e a observação da natureza viva constituiriam o caminho certo que nos levaria ao conhecimento da vida.
A Biologia, um ramo da ciência, apoiando-se em observações objetivas, na experiência, na prática histórica e social, vem apresentando uma cadeia ininterrupta de vitórias científicas que mostram que a natureza viva é passível de ser modificada e transformada em benefício do homem. No entanto o problema da origem da vida continua um enigma.
Observa-se diariamente que os seres vivos nascem de outros semelhantes. Todavia nem sempre ocorreu assim. A Terra, nosso planeta, teve um começo, surgiu em determinada época. De onde, pois, provieram os antepassados mais remotos das plantas e dos animais?
Segundo a Religião, todos os seres vivos foram originariamente criados por Deus. Graças a esse ato de criação divina, os antepassados das plantas e dos animais que atualmente povoam a terra teriam surgido de súbito e com aspecto definitivo. O primeiro homem, do qual descenderiam todos os outros, teria sido criado por um ato divino especial.
Na Grécia Antiga, muitos filósofos materialistas recusaram a explicação religiosa da origem dos seres vivos. Platão (427-347 a.C.), uma das maiores figuras da filosofia de todos os tempos, discípulo de Sócrates (469-400 a.C.), nascido em Atenas, pontificou que os vegetais e os animais não vivem por si mesmos, mas só são animados quando uma alma imortal, a "psique", neles se aloja.
Aristóteles (384^322 a.C.), discípulo de Platão, nascido em Estagira, na Trácia, cuja doutrina fundamentou a cultura medieval e que dominou o pensamento humano durante cerca de 2.000 anos, asseverou que os seres vivos, como aliás todos os objetos concretos, são formados pela reunião de certo princípio passivo, a matéria, com um princípio eficiente, a forma. A forma é unia "enteléquia", uma alma, para os corpos vivos. Ela é que modela o corpo e lhe dá movimento. A matéria é, pois, inerte, mas a vida dela se apodera, imprime-lhe a forma conveniente e a organiza graças a uma força espiritual. Para ele, os seres vivos tinham surgimento espontâneo. As concepções aristotélicas tiveram grande influência em toda a história ulterior do problema da origem da vida. Todas as escolas filosóficas posteriores, gregas ou latinas, compartilhavam inteiramente da opinião de Aristóteles sobre a geração espontânea dos seres vivos.
Plotino (205-270 d.C.), nascido em Licópolis, no Egito, e falecido em Roma em 270, foi o fundador e o principal expoente do neoplatonismo, sistema desenvolvido em Alexandria depois do platonismo judaico (com Fílon) e do cristão (com Clemente e Orígenes). Fez uma síntese do pensamento filosófico com o pensamento religioso, ou uma síntese da filosofia de Platão com as religiões pagãs orientais. Ensinava que, outrora como hoje, os seres vivos provinham da animação da matéria por um espírito.
O cristianismo primitivo, para explicar a origem da vida, se baseou na Bíblia, que, por sua vez, copiara as lendas místicas do Egito e da Babilônia e, combinando essas lendas com a doutrina neoplatônica, elaborou sua concepção mística sobre a origem da vida, integralmente conservada até nossos dias por todas as igrejas cristãs.
Basílio de Cesaréia, bispo que viveu em meados do século IV de nossa era, ensinava, em suas prédicas sobre a criação do mundo em seis dias, que a própria terra gerara, pela vontade de Deus, as diversas ervas, raízes e árvores, bem como as lagostas, insetos, rãs, serpentes, ratos, aves e enguias. "Esta vontade divina", dizia, "continua a agir atualmente com toda a força".
Agostinho de Hipona (354-430 d.C.), o "santo" Agostinho, contemporâneo de Basílio, autor de uma síntese filosófico-religiosa de extraordinária força e beleza, exerceu uma influência incalculável em todo o pensamento filosófico e teológico posterior. Representou uma das autoridades mais influentes da Igreja Católica e esforçou-se por demonstrar em suas obras a geração espontânea dos seres vivos, segundo a concepção cristã Para ele, a geração espontânea dos seres vivos (animação da matéria inerte por um espírito criador) constituía uma manifestação da onipotência divina. Desse modo, estabeleceu a plena correspondência da teoria da geração espontânea com os dogmas da Igreja Cristã.
A Idade Média pouco acrescentou a esta concepção. Nessa época, uma ideia filosófica não podia existir senão em um invólucro teológico, sob o manto de uma doutrina da Igreja. Os problemas das ciências naturais estavam relegados a segundo plano. Os fenômenos da natureza eram julgados não com base nas observações e na experiência, mas segundo o que deles diziam a Bíblia e as obras teológicas. Apenas algumas noções de matemática, astronomia e medicina, provindas do Oriente, penetraram na Europa.
Apesar das obras de Aristóteles terem chegado aos povos europeus através de traduções muito desfiguradas, a Igreja, através dos teólogos cristãos, interpretou a origem da vida como animação da matéria inerte pelo espírito divino, eterno.
O século XIII é reconhecido por todos os estudiosos como o século de ouro da Idade Média. Nele, a civilização medieval atingiu pontos culminantes em todos os campos - nas artes, na literatura, na política, na teologia e também na filosofia, expressos pelo perfeito equilíbrio entre fé e razão, entre a autonomia do homem e a sua mais completa submissão a Deus.
Tomás de Aquino (1225-1274 d.C.) foi uma das figuras dominantes deste período e um dos maiores filósofos e teólogos de todos os tempos. Sua doutrina é até hoje reconhecida pela Igreja Católica como a única filosofia verdadeira. Ele também ensinava em suas obras que os seres vivos são devidos à animação da matéria inerte, e assim é que se formam as rãs, as serpentes e os peixes pelo apodrecimento do lodo marinho e da terra estrumada. Mesmo os vermes, que - sentenciava - torturam os pecadores no inferno, resultam da putrefação dos pecados. Foi sempre um defensor e propagandista da demonologia militante. Achava que o Diabo realmente existia e que era chefe de toda uma coorte de demônios. Os parasitas nocivos ao homem provêm, a seu ver, não só da vontade divina como das artimanhas do Diabo e dos espíritos do mal que lhe são subordinados. Essa prática foi expressa nos processos, tão frequentes na Idade Média, contra "feiticeiras" acusadas de enviar aos campos ratazanas e outros animais nocivos com a finalidade de destruir as colheitas.
A Igreja Cristã ocidental transformou em dogma a doutrina de Tomás de Aquino sobre a geração espontânea dos organismos, teoria segundo a qual os seres vivos provêm da matéria inerte animada por um princípio espiritual.
As autoridades teológicas da Igreja oriental sustentavam os mesmos princípios. Assim, por exemplo, Demétrio, bispo de Rostov, que viveu nos tempos do tzar Pedro I, defendia em suas obras o princípio da geração espontânea, de modo demasiado curioso para nossas ideias atuais. Segundo ele, durante o dilúvio universal, Noé não embarcara, em sua arca, ratos, sapos, escorpiões, baratas ou mosquitos, isto é, nenhum destes animais que "nascem da putrefação, da água estagnada ou do orvalho do céu". Durante o dilúvio, todos esses bichos pereceram e, depois do dilúvio, "tornaram a gerar-se daquelas mesmas substâncias".
Nos nossos tempos, a religião cristã e todas as outras continuam a sustentar que os seres vivos surgiram, e surgem, por geração espontânea e, no seu aspecto definitivo, mercê de um ato de criação divina sem qualquer ligação com o desenvolvimento da matéria.
A evolução do conhecimento humano, no entanto, evidenciou a inexistência da geração espontânea, e desde meados do século XVII provou-se que os vermes, insetos, répteis e anfíbios não são produzidos por ela. Investigações posteriores confirmaram o mesmo quanto a organismos mais primitivos que, embora invisíveis a olho nu, nos cercam por todos os lados, povoando a terra, a água e o ar.
A partir daí ruiu uma crença imposta pelos representantes das diversas religiões, que postularam, durante séculos e séculos, a criação da vida a partir da animação da matéria inerte por um espírito criador — teoria da geração espontânea.
Durante o século XIX foi assestado outro golpe demolidor nas ideias religiosas relativas à origem da vida. Charles Darwin e os sábios que o sucederam, entre os quais os investigadores russos K. Timiriázev, os irmãos A. e V. Kovalevski, I. Metchníkov e outros, demonstraram que nosso planeta nem sempre foi povoado pelos animais e vegetais que nos cercam atualmente, tal como nos ensinam as sagradas escrituras. Os animais e os vegetais superiores, inclusive o homem, não surgiram prontos na Terra, ou simultaneamente, mas apareceram em épocas posteriores, graças ao desenvolvimento de seres vivos de constituição mais simples, os quais, por sua vez, originaram-se de outros organismos ainda mais simples que viveram em épocas anteriores, e assim sucessivamente até os seres mais primitivos.
O estudo dos fósseis dos animais e das plantas que povoaram a Terra há milhões de anos demonstraram-nos, incontestavelmente, que os seres que então a habitavam não eram semelhantes aos de hoje e que, quanto mais recuamos na profundeza dos séculos, mais vemos que essa população é cada vez mais simples e menos diferençada.
Descendo gradualmente, de escalão a escalão, e estudando a vida das formas cada vez mais antigas, chegamos, finalmente, aos micro-organismos de nossos dias, que, em outros tempos, eram os únicos seres que povoavam a Terra. E aí surge uma questão inevitável: de que fontes provêm as manifestações mais simples, mais primitivas, da vida, ou os primeiros ancestrais dos habitantes da Terra?
Engels apontou aos biologistas o caminho que deviam seguir em suas pesquisas, um caminho que foi proveitosamente trilhado pela biologia soviética. Defendeu a ideia de uma origem da vida independente das condições de desenvolvimento da natureza e patenteou a unidade da natureza viva e da natureza inerte. Afirmou a vida como o produto do desenvolvimento da matéria, de sua transformação qualitativa, historicamente preparada pelas modificações graduais surgidas na natureza durante o período que antecedeu ao aparecimento da vida.
Darwin, por seu turno, usou o método científico e cunhou uma concepção materialista, onde explicou o surgimento das plantas e dos animais superiores, mediante o desenvolvimento progressivo do mundo vivo, aplicando o método histórico à solução dos problemas biológicos.
Posteriormente, com a descoberta da genética e dos genes, erigiu- se a tese segundo a qual as partículas de uma substância especial concentrada nos cromossomas do núcleo celular detêm a hereditariedade e todas as outras propriedades da vida Essas partículas teriam surgido na Terra em um passado longínquo e conservado quase intacta sua estrutura geradora durante todo o desenvolvimento da vida.
A questão da origem da vida ficou assim reduzida pela ciência na explicação simplista segundo a qual a molécula do gene apareceu por acaso, graças a uma feliz combinação de átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e fósforo que, por si próprios, se agruparam para formar esta molécula estruturada de maneira extremamente complexa, possuidora desde o primeiro momento de todos os atributos da vida.
Todavia um feliz acaso desse gênero é de tal modo excepcional e inusitado que só poderia ter ocorrido uma vez em toda a existência da Terra. A partir desse momento só se realiza uma constante multiplicação do gene, desta substância especial que surgiu uma única vez e que é eterna e imutável.
E claro que tal explicação não explica coisa alguma. A particularidade característica de todos os seres vivos, sem exceção, é sua organização interna extremamente bem adaptada ao exercício de certas funções vitais: nutrição, respiração, crescimento e reprodução em determinadas condições de existência. Como, pois, essa adaptação interna de todas as formas vivas, mesmo as mais primitivas, poderia ser fruto do acaso?
O impasse continua. Se rejeitarmos o determinismo da origem da vida, considerando fruto do acaso esse acontecimento tão importante para os destinos de nosso planeta, cairemos inevitavelmente na concepção idealista (mística) da existência de uma vontade criadora primitiva de origem divina e de um plano predeterminado de criação da vida.
O idealismo e seus representantes (Schrõdinger, Alexander) continuam a afirmar sem rebuços que o aparecimento da vida é devido à vontade criadora de Deus.
O materialismo assegura que a natureza da vida é material, embora a vida não seja uma propriedade inerente a qualquer matéria. Ela é atributo apenas dos seres vivos, não existindo nos objetos e substâncias do mundo inorgânico. A vida é uma forma particular do movimento da matéria. Mas esta forma não existiu sempre, nem está separada da matéria inorgânica por um abismo intransponível. Pelo contrário, decorre desta mesma matéria da qual é uma qualidade nova, surgida no decorrer de seu desenvolvimento. Ensina que a matéria nunca permanece em repouso, mas, pelo contrário, está em constante movimento, desenvolve-se e, evoluindo, eleva-se a níveis cada vez mais altos e adquire formas de movimento cada vez mais complexas. Ao elevar-se de um degrau a ou-tro, a matéria adquire novos atributos. Um deles é a vida, cujo surgimento marca uma etapa da matéria.
O materialismo defende, assim, que o caminho mais seguro para a solução do problema da origem da vida é o estudo do desenvolvimento da matéria. Durante o decorrer desse desenvolvimento é que surgiu a vida, como uma nova qualidade. Assegura que a vida não surgiu de súbito, porque mesmo os seres vivos mais simples têm uma estrutura a tal ponto complexa que não poderiam ter surgido de golpe, por exigirem que as matérias que entram em sua composição sofressem longas e sucessivas transformações. Tais transformações ocorreram em épocas extremamente longínquas, quando a Terra ainda se estava formando, nas eras iniciais de sua existência. Dai decorre que, para encontrar ajusta solução para o problema da origem da vida, cumpre estudar essas trans-formações, bem como a história da formação e do desenvolvimento de nosso planeta.
A Ciência postula que a vida teve origem no fundo dos mares. Na aurora da vida, no começo da era eozóica, tanto as plantas como os animais eram minúsculos seres vivos unicelulares, semelhantes às bactérias, às algas azuis e às amebas. Através de uni mecanismo simples, esses seres vivos mantinham a sua homeostase e buscavam a sua adaptação ao meio. Via pressões seletivas do meio foram diferenciando-se e adquirindo padrões de comportamento mais complexos. Essa complexificação exigiu uma especialização do organismo no sentido de uma captação máxima do meio exterior, pela categorização dos estímulos que dele provêm, além do desenvolvimento de um meio interno em moldes adequados à nova situação.
O aparecimento dos organismos pluricelulares foi um grande acontecimento na história do desenvolvimento da matéria viva. Os organismos vivos se diversificaram e se complexificaram cada vez mais. Durante a era eozóica, que perdurou milhões de anos, a população do oceano primitivo modificou-se consideravelmente tomando-se irreconhecível. Imensas algas povoavam as águas dos mares e dos oceanos, e apareceram medusas, moluscos, equinodermos e gusanos marinhos. A vida entrou em uma nova era, a paleozóica. Podemos julgar esse desenvolvimento durante essa era através dos restos fósseis dos seres vivos que povoam nosso planeta há milhões de anos.
Há mais de 500 milhões de anos, no período cambriano, toda a vida se concentrava nos mares e oceanos. Não havia nesta época nenhum vestígio dos vertebrados atuais (peixes, batráquios, répteis, pássaros, mamíferos). Não havia flores, ervas, nem árvores. Então, o mundo vegetal só compreendia algas, e o mundo animal, celentérios, espongiários, anelídeos, trilobitas lembrando os crustáceos e equinodermos de diversas espécies.
Durante o siluriano, que se seguiu ao cambriano, surgiram na Terra as primeiras vegetações e, no mar, os primeiros vertebrados, que lembravam as atuais lampreias. Diferiam dos peixes por serem desprovidos de mandíbulas. Muitos deles tinham o corpo recoberto por uma couraça óssea.
Há 350 milhões de anos, durante o devoniano, nas lagoas primitivas e nos cursos de água, surgiram os primeiros peixes verdadeiros. Pare- ciam-se com os atuais tubarões e são os seus antepassados remotos. Não havia ainda verdadeiros peixes telósteos, como a perca, a tenca e o lúcio.
Cem milhões de anos mais tarde, na era carbonífera, a Terra já estava recoberta de florestas e fetos gigantes, o "rabo-de-cavalo" e o licopódio. Pelas margens dos lagos e rios arrastam-se numerosos anfíbios, de diversas categorias. Como os peixes desovavam na água, sua pele úmida e viscosa secava facilmente ao ar e não lhes permitia afastar-se muito tempo da água. Mas, no fim do carbonífero, já surgiam os primeiros répteis. Sua pele endurecida protegia-os do ressecamento. Não mais dependiam da vizinhança da água e podiam povoar amplamente a Terra. Já não desovavam na água, mas punham ovos.
O permiano principiou há 225 milhões de anos. As felicíneas foram sendo deslocadas paulatinamente pelos predecessores das atuais coníferas, os sagueiros. Os anfíbios aquáticos cedem lugar aos répteis, mais adaptados ao clima seco. Surgem os antepassados dos primeiros sáurios, terríveis, ou dinossauros, répteis gigantescos que, nas eras seguintes, predominavam na Terra. Nessa época não existiam ainda, porém, nem as aves nem as feras.
O reino dos répteis sobre a Terra conheceu a maior expansão nos períodos jurássico e cretáceo. Surgiram então as árvores, as flores e as plantas, semelhantes às espécies atuais. Nesta época, os répteis ocupavam a terra, o ar e a água. Dinossauros gigantes andam pela terra; "dragões alados" ou pteranodontes cruzam os ares; e nas águas dos mares nadavam animais carniceiros, como as serpentes do mar, os ictiossauros e os plesiossauros.
Há 35 milhões de anos principiou o reinado das aves e das feras. Em meados do período terciário já se havia extinguido a maioria dos grandes répteis, surgindo numerosas espécies de aves e mamíferos, que ocupavam uma posição dominante entre todos os animais. Todavia os mamíferos de então eram muito diversos dos atuais. Não existiam ainda os macacos, os cavalos, os touros, as renas e os elefantes que vivem hoje em dia.
No decorrer da segunda metade do período terciário, os mamíferos vão, cada vez mais, se parecendo com os atuais. No fim desse período já existem verdadeiras renas, touros, cavalos, rinocerontes, elefantes e diversas feras. No princípio da segunda metade desse período, surgem os macacos: primeiro, os cinocéfalos ou macacos inferiores, e, posteriormente, os antropóides, ou macacos superiores.
Há um milhão de anos, nos limites dos períodos terciário e quaternário (último período que dura até hoje), surgiram na Terra os pitecantropos, transição entre o macaco e o homem. Já sabiam servir-se dos instrumentos mais simples. Os pitecantropos desapareceram. Seus sucessores foram nossos antepassados. No quaternário, durante a última glaciação, na idade do mamute e da rena, a Terra já estava povoada por diversos seres que em nada se distinguiam, quanto à estrutura corpórea, dos homens contemporâneos.
Uma singela recapitulação do longo caminho de desenvolvimento da matéria e do aparecimento da vida na Terra e do homem, vista pelo ângulo da ciência, pode ser resumida assim:
De início, o carbono dispersado sob a forma de átomos isolados na atmosfera incandescente. A seguir, o descobrimos na composição dos hidrocarbonetos que se formaram na superfície da Terra. Os hidrocarbonetos, por sua vez, transformaram-se em derivados nitrogenados e oxigenados, que são as primeiras substâncias orgânicas. Nas águas do oceano primitivo, essas substâncias formaram compostos mais complexos. Surgiram as albuminas e matérias albuminóides.
Dessa maneira, formou-se a matéria da qual se constituem os corpos animais e vegetais. Primeiramente, essa matéria estava simplesmente dissolvida, depois separou-se sob a forma de gotas de coacervato. As primeiras gotas coacerváticas eram de estrutura relativamente simples, mas, com o tempo, operaram-se modificações importantes em sua estrutura. Complexificaram-se e aperfeiçoaram-se cada vez mais e tomaram-se, finalmente, os primeiros seres vivos, antepassados de tudo o que vive na Terra.
E o desenvolvimento da vida continuou. A princípio, os seres vivos não possuíam estrutura celular. Mas, em determinada etapa do desenvolvimento da vida, surgiu a célula, formaram-se organismos unicelulares e, a seguir, seres pluricelulares, que povoaram nosso planeta.
A ciência refuta, assim, a concepção religiosa sobre o princípio espiritual da vida e a origem divina dos seres vivos. Os progressos da ciência moderna evidenciaram as leis que supostamente presidiram à origem e ao desenvolvimento da vida e seus achados, mas, apesar de grandiosos, não são suficientes ainda para desbancar a concepção idealista e metafísica.
 
O cérebro humano na evolução das espécies
Assim, durante a filogênese (processo de evolução das espécies), os seres vivos desenvolveram desde o protoplasma dos organismos unicelulares menos elaborados (simples protoplasma, carente de estrutura diferenciada, porém irritável) até o homem, com um cérebro dotado de pensamento abstrato.
A forma mais elementar de sistema nervoso está presente nos celenterados (anêmona-do-mar, estrela-do-mar, medusa) sob a forma de sistema nervoso difuso, onde a excitação difunde-se por todo o corpo do animal com intensidade decrescente. Praticamente não há um órgão dominante neste tipo de organização nervosa, embora na estrela-do-mar possa um dos raios assumir uma dominância: amputando-se esse raio, o seu vizinho passará a ser o dominante. A ausência de um órgão central dominante com capacidade de receber, processar, codificar e elaborar programas de comportamento torna esses animais bastante limitados do ponto de vista comportamental.
Na próxima etapa da evolução, surge o sistema nervoso em cadeia ou ganglionar nos invertebrados mais simples (vermes). A extremidade frontal do verme está aparelhada com receptores químicos e tácteis, que são capazes de captar mudanças químicas, térmicas, de luminosidade e de umidade do meio. Estes sinais captados do meio exterior são encaminhados através de filamentos a um gânglio frontal ("centro nervoso").
Nesse gânglio frontal - espécie de centro nervoso rudimentar que prefigura os centros encefálicos especializados dos organismos superiores -, os sinais são codificados e programas de comportamento são elaborados, sendo difundidos sob a forma de impulsos pela cadeia de gânglios nervosos. Neste tipo de sistema nervoso, ficam evidentes a cefalização e certo grau de dominância ou comando de um gânglio em relação a outras massas ganglionares.
Nos invertebrados superiores, particularmente nos insetos, o sistema nervoso ganglionar atinge sua complexidade máxima. Ao lado disso, os insetos estão aparelhados com receptores altamente diferenciados (nas antenas, cavidade bucal, pernas), culminando com o aparecimento do olho. E importante assinalar que, nos seres menos evoluídos, os fotorreceptores apenas proporcionam a noção da fonte de luz, enquanto o olho, além de reagir à fonte de luz, permite também a identificação de objetos e formas.
Os vertebrados inferiores do meio aquoso, de modo semelhante aos insetos, apresentam índice de procriação muito elevado. Esta reprodução exagerada assegura aos peixes, cujos programas de comportamento são pouco mutáveis, a preservação da espécie. Já os vertebrados terrestres, que vivem num meio mais mutável (menos homogêneo), com condições de alimentação mais complexas e com taxa de reprodução bem mais baixa, necessitam de um sistema nervoso que lhes proporcione uma certa variabilidade (plasticidade) de comportamento para uma adaptação adequada ao seu meio.
Orientado, então, por um duplo mecanismo de solicitação — complexidade orgânica crescente e adaptação a novas condições do meio circundante (na terra e/ou no mar) -, o sistema nervoso vai-se diferenciando para cumprir novas tarefas.
Embora o cérebro dos vertebrados inferiores represente um avanço considerável em relação ao sistema nervoso dos invertebrados, o comportamento destes vertebrados é estereotipado, ordenado por programas rigidamente estruturados do ponto de vista genético. Assim, uma rã, que apresenta um cérebro constituído principalmente por formações do tronco superior e corpo quadrigêmeo, apresenta diante de situações diversas sempre as mesmas reações, limitadas e instantâneas.
Nos animais mais evoluídos, vertebrados superiores e especialmente os mamíferos, há necessidade de uma maior plasticidade de ação ao lado dos programas de comportamento "instintivo" de cunho inato. Só a formação do cérebro, no longo processo de evolução, é que vai assegurar novas formas individualmente variáveis de comportamento.
Os vertebrados são dotados de uma carapaça na extremidade cefálica, com a finalidade de proteger o cérebro. Esta formação é um esboço do crânio, que nas espécies superiores protege o cérebro. O cérebro vai-se diferenciando nas várias espécies, assumindo a forma de estruturas sobrepostas: inicialmente sobre o tronco sobrepõem-se o sistema tálamo-estriado (estruturas subcorticais) e o córtex primitivo (olfativo), e, finalmente, sobre estas estruturas edificam-se os volumosos hemisférios cerebrais, que, ao assumir um grande desenvolvimento, passam ater uma dominância sobre as funções de nível inferior.
Nos vertebrados inferiores, destituídos de membros e mandíbulas, observa-se já um desenvolvimento do cérebro com o aparecimento dos três espessamentos correspondentes ao proscérebro (cérebro anterior), mesocérebro (cérebro médio) e rombencéfalo (cérebro posterior). Nos vertebrados superiores, estas estruturas vão dar origem aos lobos olfativos, lobos ópticos, cerebelo, gânglios da base, tálamo, córtex cerebral.
Evidentemente, cada espécie animal tem suas especialidades ditadas pelas condições do meio e modo de vida, e os programas de comportamento refletem, de certo modo, as peculiaridades de sua ecologia. Assim, uma espécie desenvolve suas neurotecnologias para apurar suas estratégias de vida e, em consequência, sua capacidade de sobrevivência.
 
(Carlos Vieira - Manual de sobrevivência do ser humano)
 
A evolução criativa de de Deus e de conhecimento humano

 

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publicado às 16:11


1 comentário

De A Direção a 20.04.2015 às 16:53

 À pergunta do seu post, uma resposta muito singela. A evolução das espécies ,que produziu o Homem, foi criada pelo todo que é mais do que a soma das partes e que vulgarmente é designado pela palavra Deus. Desde já, os melhores cumprimentos.

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