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História do beijo

por Thynus, em 06.02.16
“Estávamos sentados juntos e, de repente, vi um brilho em seus
olhos, que nunca havia percebido antes. Meus lábios se
aproximaram dela e nos beijamos. Impossível descrever
exatamente o que senti naquele momento, mas parecia
que a minha vida inteira estava resumida naquele
maravilhoso momento de prazer."

(Oscar Wilde)

 
Há beijos de todo jeito — respeitosos, melosos, românticos, falsos, voluptuosos. Por isso mesmo, também foi representado de centenas de maneiras. Na  escultura quase minimalista de Brancusi, datada de 1907, o casal enlaçado demonstra sua paixão com boca na boca, olho no olho, tudo em poucos traços.
O beijo não é apenas prazer dos lábios, é a representação da vida (Deus criou Adão com um sopro) e o símbolo da morte (o último suspiro); além de apontar a traição (o beijo de Judas em Jesus no Getsêmani). Desde tempos imemoriais, existe a crença de que através do beijo é possível se apoderar da vida e da alma de outra pessoa. A célebre história de Drácula, do inglês Bram Stocker, é uma recriação desse mito. Nela, o conde Vlad precisa do sangue de mulheres jovens para viver eternamente. Isso só é possível depois de um beijo terrível, no qual crava seus caninos no pescoço das amantes. Elas morrem, mas têm uma compensação: ganham a vida eterna ao se transformarem em vampiras.
Um beijo é geralmente a primeira vez em que dois povos têm um contato próximo um com o outro. Uma fonte anônima, no Livro dos Beijos, de William Bastão, descreve um beijo como algo que você não pode dar sem fazer exame e não pode fazer exame sem dar. Uma outra fonte anônima diz que você não deve esperar para conhecer melhor alguém antes de beijá-la; você deve beijá-la primeiramente para depois então conhecê-la melhor.
A beleza do beijo é que traduz cada língua e religião. Jr. de Vaughn Bryant, professor do departamento de antropologia no Texas A&M, dita que o primeiro beijo erótico foi trocado aproximadamente 1500 a.C. na Índia. Antes desse tempo não há nenhuma evidência (tabuletas de argila, pinturas em cavernas ou registros escritos) que indiquem o histórico do beijo. Bryant disse também que o ato de friccionar e pressionar os narizes e a troca das línguas entre amantes, se popularizou aproximadamente em 1500 a.C.
Foram os romanos que descobriram o beijo. Eles beijavam-se cumprimentando uns aos outros, beijavam as vestes e os anéis de seus líderes e estátuas dos deuses, mostrando submissão e respeito.
É um fato científico que beijar estimula nosso cérebro a produzir o oxytocina, um hormônio que nos dá aquela ótima sensação que sentimos ao beijar.
Sabe-se também que a química provocada faz com que um beijo alerte outro. Quando beijamos, os interiores de nossas bocas e as bordas de nossos lábios produzem uma substância química que aclama para mais beijos.
Um estudo em 1997, na Universidade de Princeton, concluiu que nossos cérebros estão equipados com os neurônios que nos ajudam a encontrar os lábios de nossos amantes no escuro. Não é nenhuma novidade que muitos casais apreciem se beijar em um teatro escuro.
Acredita-se que o beijo tenha surgido 1.500 anos a.C, época em que os amantes começaram a ser retratados nas esculturas e nos murais dos templos de Khajuraho, na Índia. Mas o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) em sua teoria das espécies, afirma que a origem dessa carícia é mais antiga. Segundo ele, trata-se de uma sofisticação das mordidas que os macacos trocavam em seus ritos pré-sexuais.
Há também uma tese de que seria uma evolução das lambidas que o homem pré-histórico dava no rosto dos companheiros para suprir a necessidade de sal em seu organismo. Ou um ato de amor da mãe na época
das cavernas. Sem utensílios para cortar os alimentos, elas mastigavam a comida antes de depositar na boca de seus filhos pequenos.
De lá para cá o beijo na boca ganhou várias conotações. Na Idade Média, era visto como uma forma de selar acordos. Com a boca fechada, os homens se beijavam com firmeza. O toque leve demonstrava traição. Com o tempo foi perdendo a força devido às pestes que dizimavam populações.
Aos poucos o beijo ficou restrito ao convívio amoroso.
Entre os persas, na Antigüidade, o beijo na boca era usado para saudar um amigo. Mas só valia para pessoas do mesmo nível. Na Grécia, beijo na boca é só entre família — pais e filhos ou irmãos — ou amigos, muito amigos.
Esses hábitos, de um jeito ou de outro, chegaram até nós. Vai dizer que não? Mais para frente, na Inglaterra, lá pelo século XII, o beijo era um pacto entre o vassalo e seu senhor, que por sua vez o protegia. O beijo selava o pacto e só se quebrava com a morte de um dos dois.
O beijo é uma das mais antigas demonstrações de carinho da humanidade.
Beijo, beijinho, beijoca, ósculo... Vários podem ser os termos para um dos gestos mais afetuosos do ser humano. É muito comum o bebê aprender a dar beijinhos antes mesmo de falar. Na infância, já sabendo o que é o beijo, a criança depara com histórias como a da Bela Adormecida. Na préadolescência, o beijo ganha, de fato, uma relação mais sensual. A menina passa a imaginar que aquele príncipe de faz-de-conta se parece muito com o colega da carteira ao lado. E vice-versa.
Assim como os relacionamentos, o beijo também amadurece. Basta se lembrar do primeiro. Qual adolescente não se desesperou pelo fato de não saber beijar na iminência do primeiro encontro? "Treina na laranja", aconselham os amigos. Depois, os mais experientes não conseguem entender como alguém pode achar que beijar e chupar laranja são a mesma coisa.

Gesto carinhoso
Para Akemi Nishikawa2, 17, de Hadano (Kanagawa), o beijo é uma demonstração de carinho, que permite uma melhor comunicação com a pessoa amada. Seu primeiro beijo na boca aconteceu aos 14 anos. "Achei legal", se recorda, apesar do nervosismo, por medo do parceiro descobrir sobre a sua inexperiência. Hoje, mais experiente, explica que há diversos tipos de beijo: "Tem o técnico (no espelho), o rolinho, o estalinho, o peixinho, o selim e vários outros. Tem gente que treina na laranja, no espelho, no gelo e até na maçã, mas no meu caso não deu tempo. Meu paquera me pegou de surpresa", lembra. A garota revela que depois do primeiro, muitos beijos rolaram.
Akemi conta que, depois de assistir ao filme Amor ou Amizade, no qual a mocinha esperava receber o primeiro beijo aos 13 anos, passou a se identificar com a protagonista e a sonhar com o seu príncipe encantado. "Cada beijo tem um significado e não adianta ficar treinando, pois na hora é a emoção que fala mais alto", conclui.
No Japão, desde o início de 1997, Juliana Higa3, 14, de Hiratsuka (Kanagawa), diz que "beijar é muito bom", um dos gestos mais importantes para demonstrar o carinho para a pessoa amada. Ela diz que o beijo que mais a marcou foi o de Julia Roberts e Campbell Scott, no filme Tudo por Amor. A adolescente afirma que nunca pensou em treinar, como muitos recomendam. "Na hora rola, não há necessidade de treinar", opina. 

Salada mista
Henrique Suzuki da Motta Prado4, 21, de Hadano, deu o seu primeiro beijo aos 10 anos, brincando de salada mista. Nessa brincadeira, a pêra representa o aperto de mão, a uva um abraço, a maçã um beijo no rosto e a salada mista, um beijo na boca. "Foi um beijinho selim, bem rápido", lembra ele e diz que, apesar de rápido, ficou "elétrico."
Ele acredita que entre os jovens, o normal é buscar prazer, ficar junto. O beijo, a seu ver, é uma dessas manifestações. "Beijar é bom e dá prazer.
O homem pode beijar sem ter amor, porque a mulher também beija sem ele. É uma forma de aproximação", opina e diz que o beijo tem uma conotação mais carnal para o homem e mais sentimental para a mulher.
  
História
Eduardo Lambert, autor de A Terapia do Beijo (Editora Pensamento), conta que na Suméria, região da antiga Mesopotâmia hoje Ásia, as pessoas costumavam enviar beijos para os céus, endereçados aos deuses. Na Grécia e Roma antigas, era observado entre os membros de uma família, amigos íntimos ou entre guerreiros no retorno de um combate, muitas vezes com conotação erótica.
Os gregos adoravam beijar, mas foram os romanos que popularizaram o beijo. Para explicar o beijo, o latim tem três palavras distintas: osculum, beijo na face; basium, beijo na boca; e saevium, beijo leve e com ternura.
Já no século XIX, o surgimento do Romantismo favoreceu ardentes romances e tórridas paixões. Conseqüentemente, os beijos ganharam tremendo espaço e popularidade. Com o feminismo, a mulher, muito mais liberada, não tem mais vergonha de expor seus desejos. E a literatura oriunda dessa época, além das produções cinematográficas de Hollywood, ajudaram a disseminar o simples e sublime ato de beijar. Quem não se lembra da cena protagonizada por Vivian Leigh e Clark Gable em ...E o Vento Levou, mesmo depois que a atriz revelou sobre o mau hálito do ator.
O beijo tornou-se importante na Idade Média, até que a Igreja Católica se encarregou de reprimi-lo caso a intenção fosse libidinosa em vez de apenas a execução automática de um gesto de etiqueta. Assustavam-se na época com o prazer que o beijo podia transmitir. Faz sentido. Os cientistas contemporâneos comprovaram que o beijo possui uma química especial, uma espécie de marca enviada ao parceiro por meio do hálito, da língua, dos lábios e da saliva.
Na Roma antiga, os adoradores jogavam beijos a seus deuses. O beijo era usado para cumprimentar não apenas amigos ou família, mas também estrangeiros com quem se cruzasse nas ruas, até mesmo os vendedores de porta em porta.
Na mesma época, no Egito, mal se ouvia falar do beijo. Acredita-se que Cleópatra, famosa por seus muitos amantes, nunca tenha beijado nenhum deles.
Durante a Idade Média, na Itália, se um homem beijasse uma mulher em público, tinha que casar com ela.
A grande praga que assolou Londres em 1665 pôs fim ao popular hábito de beijar. O medo de pegar essa doença fatal de um vizinho ou amigo fez com que as pessoas começassem a tirar o chapéu, curvar-se, fazer reverências e apertar as mãos como novos gestos populares de cumprimento.
A história do beijo
 

"No verão de 1981, participava de um grupo jovem da Igreja Santa Mônica e, com 14 anos, era um dos mais novos. O que gostava mesmo no grupo era da "social": festa no sábado e tocar violão na missa aos domingos. Andava com meu violão para cima e para baixo, tocando o tempo todo e logo descobri que isso me aproximava mais das meninas. Estava "a fim" de uma menina chamada Adriana, e sabia que ela também estava "a fim" de mim. E foi numa dessas festas que venci minha timidez e chamei-a para conversar na janela. Na hora certa a beijaria, e se tudo corresse bem, ainda sairia de lá namorando.
Mas qual seria a hora certa? O pavor de ser rejeitado me deixava sem coragem, imóvel e petrificado. Como beijá-la sem antes falar nada? O que falar antes de beijar? Parecia estar à beira de um precipício tomando coragem para pular. Então murmurei: "posso te dar um beijo?" Antes que ela pudesse responder, me aproximei, abracei-a e encostei meus lábios nos dela, podendo sentir pela primeira vez a maciez de uma boca e o cheiro da respiração de uma mulher, uma mistura do seu hálito doce com um delicioso aroma que vinha de seus pulmões. Ficamos abraçados nos beijando de leve, nossos lábios pouco se abriam e nós mal nos encostamos, mas não poderia estar mais feliz, havia beijado na boca e provavelmente já estava namorando. Muitos beijos se passaram e até hoje adoro tocar violão para elas, mas, na hora de dar o primeiro beijo, ainda me sinto à beira de um precipício, tomando coragem para pular."
(Carlos Coelho - Guitarrista Biquíni Cavadão)

(Pedro Paulo Carneiro - Dossiê do beijo: 484 formas de beijar)

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publicado às 20:18


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