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Fungos

por Thynus, em 01.09.14
Muitos organismos no mundo visível também eram mal servidos pela divisão tradicional.
Os fungos, o grupo que inclui cogumelos, bolor, mofo, levedura e a bufa-de-lobo,
eram quase sempre tratados como objetos botânicos, ainda que nada neles – como
se reproduzem e respiram, como se formam – corresponda a algo do mundo vegetal.
Estruturalmente têm mais em comum com os animais, já que suas células
são formadas de quitina, um material que lhes dá a textura característica.
A mesma substância é usada para formar as carapaças dos insetos e as garras dos mamíferos,
não obstante não seja tão saborosa num besouro como em champignons.
Acima de tudo, diferentemente das plantas, os fungos não realizam a fotossíntese;
assim, não têm clorofila e portanto não são verdes. Em vez disso, eles crescem diretamente
na fonte de alimento, que pode ser quase tudo. Os fungos podem comer o enxofre
de uma parede de concreto ou a matéria em decomposição entre os dedos dos pés
– duas coisas que nenhuma planta fará. Praticamente a única qualidade
em comum que eles têm com as plantas é o fato de lançarem raízes.
(BILL BRYSON - Breve história de quase tudo)
Os fungos do reino vegetal vivem sobretudo de matéria orgânica em decomposição, mas colonizam também partes moribundas de plantas vivas. Eles são parasitas declarados, que se aproveitam da vida alheia e não dão nada em troca. Essa má reputação fez com que fossem colocados na lista de alimentos proibidos de muitos grupos espirituais. No reino animal e humano, os fungos colonizam na verdade estruturas vivas, mas que já estão enfraquecidas e no caminho degenerativo que leva à morte. Os fungos podem ocorrer praticamente em todas as partes onde os tecidos desistem da luta pela vida, sendo ao mesmo tempo anunciadores da morte. Todos os microorganismos que nos visitam requerem as condições correspondentes, com a capacidade de defesa reduzida. Somente quando o organismo retira sua energia de uma estrutura, eliminando da consciência a temática que ela representa, é que ela se torna vulnerável ao conquistador correspondente. Enquanto os menores, os vírus, na maioria dos casos buscam a decisão em um surto agudo, as bactérias optam por procedimentos agudos lentos e insidiosos, embora conheçam também a convivência simbiótica pacífica, como por exemplo as bactérias do intestino. Os fungos, exceto em casos de colapso total das defesas do organismo, tendem a ataques executados lentamente, nos quais conquistam território passo a passo sem ameaçar seriamente seu hospedeiro. Eles não trazem a morte, mas a anunciam (à área afetada).
O fungo que ataca os pés é um parasita inofensivo em si mesmo que não causa dor, praticamente não atrapalha e, apesar disso, leva muitas pessoas ao desespero. Os seres estranhos colonizam justamente nossas garras, mostrando quão pouco respeito têm por nossas armas. Uma comparação com o macrocosmos esclarece o dilema. É como se um bando de ladrões, inofensivo no que se refere ao armamento, atacasse um país e lá se instalasse, justamente, nos quartéis. Parasitando e oferecendo uma imagem extremamente desagradável para o exterior, ele domina o sistema bélico e o vai minando lenta mas constantemente, de tal maneira que logo nenhum inimigo tem mais qualquer respeito por ele.
O fato de que os fungos unicamente se atrevam a atacar áreas que estão nas últimas lança uma luz significativa sobre a situação das unhas em questão: elas devem estar prestes a morrer, ou estar desvitalizadas em grau máximo, para poder servir de alimento aos parasitas. A partir do momento em que os fungos deitam raízes, eles se destacam pela tenacidade e negam-se a se retirar até mesmo diante da artilharia mais pesada, tais como antimicóticos químicos. Uma retirada tática, ao contrário, é mais fácil de ser alcançada. Mas assim que o ataque propriamente dito cede, os desmancha-prazeres voltam a apresentar-se e voltam a perturbar a paz anímica, mostrando ao mesmo tempo com isso como o afetado é vulnerável. Os fungos alimentam-se das garras já que, com toda a calma, as devoram pouco a pouco. Essa maneira insidiosamente agressiva, à qual se é entregue indefeso, é sobretudo extremamente irritante. Além disso, naturalmente desempenha seu papel o fato de que as armas devoradas dessa maneira já não são de forma alguma ornamentos. Foram-se o brilho e o polimento. Chega-se a um deselegante impasse entre as unhas e os parasitas. Os primeiros substituem pouco a pouco o que os últimos devoram aos poucos. Com isso, a unha disputada se torna mais espessa e mais irregular, lembrando uma lâmina golpeada inúmeras vezes e cheia de dentes que volta sempre a ser afiada. Quando os fungos exageram e a unha cai ou é arrancada por um proprietário desesperado, a história não acaba aí. Enquanto a situação de base perdura, o mesquinho desafio continua.
Finalmente, o aspecto da sujeira também desempenha seu papel aqui. Os pés são lavados simbolicamente em muitas religiões, sendo purificados para uma relação limpa com o solo do próprio ser, com a ascendência e com o passado. Os fungos que atacam os pés demonstram que o contato com a Mãe Terra e, portanto, com o mundo em geral, não é absolutamente limpo. Na clássica posição de meditação do lótus, as solas dos pés são mantidas voltadas para cima como símbolo da orientação perfeita em relação ao mundo espiritual. Em tal situação, tanto fungos como verrugas nas solas dos pés são tão desagradáveis como sinceros.
A lição é a seguinte: reduzir o armamento, diminuir as defesas. Isso, entretanto, deveria acontecer na consciência. Aliviado de maneira correspondente pelo lado anímico-espiritual, o corpo pode reconstituir suas armas feridas e reconquistar o território perdido. Um conflito crônico em torno da própria resistência armada que caiu no esquecimento quer retornar à consciência e ser resolvido. Como acontece com todas as infecções que têm a ver com tropas estranhas, as defesas anímico-espirituais estão demasiado altas, de maneira que as do corpo estão enfraquecidas. O principio da agressão quer ser vivido conscientemente; no caso das infecções por fungos, especialmente os abusos benignos, menos agudos. Como todos os agentes patológicos, os fungos conclamam à defesa. Os fungos dos pés animam especialmente a que a pessoa se ocupe de suas armas e ferramentas, e a que as deixe voltar a crescer. Isso se expressa graficamente nas garras que se espessam rudemente. É preciso ocupar-se especialmente da proteção das próprias fronteiras. Quem se irrita com parasitas e mendigos tem um problema com esse tema e reprime os traços correspondentes em si mesmo. É preciso voltar a encontrá-los e torná-los conscientes. Meter-se na vida e, caso seja necessário, agarrar-se firmemente significa vivenciar a tarefa até o limite.
Perguntas
1. Onde há um conflito não-admitido em torno da auto-proteção ardendo em surdina no inconsciente?
2. Onde deixo de mostrar as garras espirituais e de agarrar-me? Que terreno fronteiriço do corpo eu não cultivo e deixo que se degenere?
3. Se tenho vergonha de minhas garras físicas carcomidas, em que medida me envergonho das minhas garras espirituais?
4. Como pode ser que a vitalidade de minhas garras esteja nas últimas?
5. Quem parasita minha vida? Onde eu parasito?

(Rüdger Dahlke - A Doença como Linguagem da Alma)

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publicado às 04:29



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