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Fluxograma evolutivo do ser humano

por Thynus, em 20.04.15
O fluxograma evolutivo é a tentativa esquemática de delinear os momentos mais críticos ou as passagens mais notórias e influentes da trajetória humana.
E o tema de hoje será: Fluxograma…MEU FUTURO NÃO MUITO DISTANTE
 
O ser humano é concebido e lançado num universo, num país, num lugar concreto, constituído por elementos interligados e interdependentes que forniam uma "ordem social" de classes. Participa de grupos, de família, da sociedade, tudo hierarquizado sob liderança somada do estado civil e religioso. Nessa realidade, convive com personagens que se hierarquizam segundo determinadas normas. Nasce numa estrutura já em si social. Ninguém tem a experiência de ser um indivíduo isolado, e sim a da relação com duas ou mais outras pessoas, e as figuras do pai e da mãe, mesmo quando ausentes, permanecem sempre psiquicamente presentes. Desde cedo, exercita-se na disputa da sobrevivência, faz tentativas de reunificação, busca adaptação com cada um e com todas as personagens e normas de determinado país e de determinada época.
O ser humano herda todo o passado da vida biológica Assimila a cultura de seu meio ambiente, tornando-se ele próprio uma ressíntese global dela, munido de força auto-organizante e complexificante, expressa por mecanismos de feedback cada vez mais eficientes e rápidos.
A vida, pensada no seu nível inconsciente, é um robô com limites mais ou menos deterministas ou matemáticos, com uma programação definida, pela qual cada um automaticamente respira, opera seu batimento cardíaco, defende-se, expressa seus tensionamentos instintuais. A consciência, ao se manifestar na evolução, veio libertar a vida dessa perspectiva limitante e, em certo nível e em determinadas proporções, tornar o ser humano cocriador e corresponsável pela sua vida e a de seus semelhantes e por seu ecossistema.
A atenção, a vontade, a consciência e a intenção, que são as capacidades denominadas mentais superiores, associadas às anteriores de sobrevivência e reprodução, vieram trazer ao homem responsabilidade maior: a de feedback do planeta. Já não é possível somente constatar a existência da realidade do sistema solar. E fundamental procurar mantê-lo, aprimorá-lo e mesmo redirecioná-lo.
Somos concebidos sem nosso consentimento. Nascemos num meio onde tudo está ligado a tudo. Somos todos interdependentes. Constituímos grupos, comunidades, sociedades. Nossos antepassados fizeram cultura — o somatório de todos os fazeres humanos.
No processo denominado de socialização, ninguém escapa da internalização de agendas, praxes, símbolos, crenças, valores, sanções de seu meio. Somos domesticados e submetidos a comportamentos básicos impostos. Permanecemos heteroconduzidos até determinada fase da história pessoal de cada um de nós. Não há como ser diferente. Trata-se de mecanismo de regulação mantido conscientemente pelos detentores do poder e saber nos vários níveis de organização (família, comunidade, nação etc.). Com ele e através dele controlam-se todas as manifestações da energia do ser humano, que reclama, esperneia, faz revoluções, quase sempre em vão. Esse confronto, que vem desde a infância, aguça um dispositivo de feedback que cada um tem, tendendo à auto-orientação, à consciência de si.
De início, com pequena maturidade e precária estruturação de estratégias e metas, pouco se consegue a não ser desenvolver maior conscientização. Aos poucos e para alguns poucos, pode culminar na autocondução: opção por assumir a vida, a si e às regras do jogo, não capitular a perda da individualidade dentro do processo social.
Esse cada dia ser/estar mais necessita de constante expansão do campo da consciência, por autoavaliação periódica em busca de comunhão progressiva. Para tal, precisa-se criar ou modificar comportamentos, ou aprender a conviver com alguns deles dentro de uma autorregulagem, praticamente diária, de nossa integração, sem uma perspectiva possível de ponto de chegada.
No Universo, tudo o que se conhece é energia, e todas as unidades de ser podem ser consideradas sistemas transformadores de energia Todos os sistemas estão em permanente movimento e transformação.
A evolução é o resultado da ação da entropia natural, do mistério da anatropia — fonte da esperança do ser humano e da intervenção do processo contínuo de realimentação e feedback. Todos os sistemas que compõem o macrossistema "universo" trocam energia entre si, interagem, comunicam-se, trocam informação permanentemente. A evolução de um sistema é por ciclos sucessivos, cronologicamente verificáveis. Cada ciclo é produto do ciclo que o antecede e gestor do seguinte. Os ciclos posteriores são epigênese dos anteriores e sua recorrência. Quando a entropia atinge ponto crítico, ocorre a epigênese.
Denomina-se feedback o processo que leva o sistema para novas formas de integração interna e externa (em relação a si próprio ou em relação a outros sistemas).
 
Ciclos do sistema energético humano
Munidos dessa compreensão, podemos facilmente perceber, na trajetória da vida do ser humano, que as etapas de seu desenvolvimento formam um conjunto de ciclos evolutivos, epigenéticos e recorrentes por feedback, que culminam em etapas consecutivas de integração interna e externa com outros sistemas energéticos. O conjunto desses ciclos evolutivos da vida individual denomina-se fluxograma evolutivo do homem. O fluxograma do ciclo vital de um indivíduo retrata, basicamente, a evolução de seu processo de hétero e autocondução.
Essa divisão cronológica apresenta indicações gerais, pois os ciclos têm durações diferentes para cada homem e para cada mulher, e os acontecimentos decisivos não escolhem hora e não costumam avisar.
Há quem divida os ciclos de 7 em 7 anos ou de 9 em 9. Cada um deverá descobrir isso em sua vida.
O esquema mostrado na abertura do capítulo 12 tenta delinear os momentos mais críticos ou as passagens mais notórias e influentes da trajetória humana, eventos estes sempre tutelados pela Religião e o Estado: concepção, nascimento, educação, profissionalização, casamento, carreira, tropeços, aposentadoria, transformação ou morte, memória póstuma.
Vivendo bem ou mal essas etapas, a caminhada se processa Cada volta da espiral chama-se "etapa evolutiva" ou "idade trampolim", baseada na epigênese do ciclo anterior. Assim cada "idade trampolim" nasce da anterior, contendo, em seu âmago, prolongamentos da etapa anterior.
Uma "idade trampolim" qualquer supõe que a anterior tenha sido suficiente e satisfatoriamente vivida e assumida. Caso contrário, fica pendente e provocará entropia em momentos posteriores da vida.
Como a saúde de uma pessoa pode ser conceituada como um processo contínuo e dinâmico de feedback de seu cérebro na relação triádica consigo mesma, com outras pessoas, grupos e classes sociais, a análise esquemática dessa trajetória e de suas fases serve como guia, como sinalização da pista existencial. A ideia essencial aqui é a de acoplar o fluxograma biológico (desenvolvimento neuropsicomotor, plenitude e decadência) aos níveis psíquicos e aos papéis sociais que cada um desenvolve ao longo de sua vida
Como é que uma pessoa conduz sua vida obedecendo às imposições biológicas, ajustando-as a seus ciclos psíquicos e às suas posturas políticas e econômicas? Em cada ciclo, a pessoa tem determinado desenvolvimento biológico, e vão sendo construídas, em cima, uma estrutura psicológica e uma práxis social. Quando a pessoa chega na idade de autocondução psíquica (16-18 anos), deveria ter o mínimo de conhecimentos para sua autocondução. Devendo conhecer a saúde no parentesco, na manutenção, no lazer, no trabalho, nos 14 sistemas e saber integrá-los de forma proporcional e harmônica.
Há autores que atingem apenas um dos ciclos do fluxograma humano: por exemplo, "Como viver bem a velhice" ou "Como ultrapassar o período da menopausa ou da idade do lobo". Não adianta encarar um ciclo sem encarar os outros: é um todo, em cadeia. Se uma pessoa sabe que vai morrer (tem uma determinada expectativa de vida) e conhece as várias fases do fluxograma total, mesmo antes de ultrapassá-las, pode melhor planejar seu ciclo atual. Cada um segue um "script", um programa biológico, genealógico-familiar, classista-nacional e internacional, que se pode descobrir pelo fluxograma evolutivo da dinâmica individual. A ideia, portanto, é justapor e reorganizar esses fluxogramas (biologia, psicologia, sociologia) de maneira pessoal, e não como a sociedade manda. Senão fica assim: "Aos cinquenta anos começa a velhice", e a pessoa é obrigada a ficar velha, a assumir exclusivamente o papel de avô ou de avó. Não se é obrigado a proceder assim sempre, a não ser que se queira assumir a programação feita desde a infância. É bom conhecer o fluxograma psicológico e sociológico pré-estabelecido pelo Estado e pela Igreja para a trajetória existencial humana e, ao demitizá-la, poder aspirar à construção de sua própria existência.
É bom que as pessoas possam saber previamente o que as espera em cada sistema e em cada ciclo. Não se trata de fatalidade, mas sim de se permitir algumas possibilidades de previsão.
 
"Pacote" religioso e civil da peregrinação humana
Cada pessoa é um sistema unitriádico, que evolui e vive em ciclos, cuja soma forma uma espiral que se chama "fluxograma da dinâmica individual". Para a entrada e saída em cada ciclo, a cultura religiosa e civil e um limite possível de variação. Existe o maya masculino e o feminino com toda uma divisão de trabalho. O Estado (pai, lado esquerdo do cérebro) e seu respectivo maya masculino cuidam da ciência, dos negócios, do dinheiro; e a Igreja (mãe, lado direito do cérebro) e seu respectivo maya feminino cuidam do amor, da família, do sexo, da moral, da mística e do homem.
Até os 15 anos o ser humano geralmente é influenciado e incorpora a estrutura e os papéis do modelo Maya inicial. Se, a partir daí, a pessoa quiser seguir modelo novo, precisará romper de um lado e de outro com os papéis instituídos de mãe, pai, professor, professora, adolescente masculino e feminino, homem e mulher, profissional masculino e feminino etc. Precisa desatrelar-se desses papéis mostrados no centro do esquema, inclusive no que se refere à saúde e aos demais 13 subsistemas.
O Estado e a Igreja determinam o que se tem de fazer com a biologia, o que se é e o que se tem de ser, os cuidados para cada ciclo, os cuidados com o sexo, com o estômago, se podemos beber, fumar etc. Depois de casados, prescrevem como vai ser a atividade sexual, os seguros de saúde de cada cônjuge. Em certa faixa, sugerem sauna, fisioterapia, caminhada, plástica, emagrecimento etc. Noutra, decidem que você tem de ser velho, tem de ir para o asilo, morar sozinho, tem de ser avô, avó, consultar um geriatra, virar sucata etc. Por fim, queixam-se porque você ainda não morreu, não preparou o testamento, não preparou o túmulo, "está criando um rombo na Previdência.."
Do nascimento até os quinze anos, domina o estado religioso; dos quinze aos cinquenta anos, o estado civil; depois este devolve o ser humano, como "sucata", para o estado religioso, que ajudará o indivíduo a "achar" o sentido da vida, ligar-se no amor universal, na divindade, no absoluto... Pelo modelo maya civil e religioso, a perspectiva de desfrute de seu capital corporal é nenhuma A regra geral é reprimir seu corpo e todas as suas partes, não usá-lo, não mostrá-lo, gastá-lo trabalhando para os outros, entregá-lo ao cemitério do Estado e da Igreja.
Quais seriam as perspectivas de vida, bem-estar geral (saúde) num modelo novo (upaya)?
Biologicamente, não se escapa de resfriado, artrose, velhice, estresse. Podemos escapar (e devemos tentar) dos condicionamentos de saúde e sofrimento que o estado civil e religioso impuseram, apelando para métodos alternativos, associados, preventivos, para autoprogramação mental, para uma organização social libertadora O principal é descumprir o que está programado inicialmente. Isso já melhora bastante.
 
Detalhes de cada ciclo
O ser humano começa a se estruturar desde o momento da concepção como fruto de pai e mãe e sua genealogia. O período da gestação e os primeiros anos (0 a 5 anos) se caracterizam como o de simbiose — criança/mãe, período organizatório fisiológico e de maior assimilação das mínimas pressões. É um período de máxima importância para a explicação dos comportamentos aberrantes ou indesejáveis.
Nesse período, a criança sofre um recheio mental triádico (normas, emoções, ações) nos 14 subsistemas. Esse recheio vem de acordo com os interesses e crenças de quem o faz: instituições criadoras, educadoras e formadoras (família, escola, vizinhança, religião, televisão etc.). Nessa fase, a criança simplesmente imita ou rejeita o comportamento dos pais e outras pessoas significativas.
Esse recheio, que ocupa todo o espaço mental da criança, é valorado, marcado com sinais de "bem" ou "mal", "certo" ou "errado". As partes que recebem o sinal "bem" são reforçadas com carinho, afeto, manifestações de aprovação (que, sabemos hoje, fazem despertar e aumentar a taxa de neurotransmissores denominados endorfinas). Essa endorfina, secretada por estruturas do sistema nervoso central, produz estado de bem-estar, semelhante ao de pessoas que estão amando: humor positivo, relaxamento muscular, ausência de estresse, respiração fácil e reanimadora, sedação, euforia, êxtase, estado de plenitude estética e mística.
As que recebem o sinal "mal" levam à supressão da endorfina, antagonizada pela predominância da taxa de outros neurotransmissores sucedâneos da adrenalina, causando um estado de mal-estar na criança (semelhante aos estados de depressão do adulto pela perda de um amante ou de um ser querido, por exemplo) e criando a necessidade de livrar- se dele por meio de qualquer tipo de reparação.
Esse dispositivo de alarme que age no sentido de impedir que a criança faça qualquer coisa proibida pelos recheadores chama-se censura, remorso, complexo de culpa-reparação. A esse recheio mental chama- se "consciência de empréstimo", porque foi enxertada ou moldada por agentes externos, sem a participação da pessoa interessada, por incapacidade dela de construir, sozinha, a sua própria consciência.
Haverá consciência real, verdadeira, quando houver uma desmontagem (decomposição e recomposição) com lugar também para as metas pessoais, além das metas grupais e societárias que antes submetiam totalmente a pessoa.
Na fase de 0 a 5 anos, os recursos usados pela criança para se integrar no universo são de ligação (cooperação) e de rejeição (competição). A luta triádica, aqui, é pela busca da fonte de energia concentrada em pai e mãe. Por isto, começa cedo a competição com os irmãos (dinâmica de grupo).
O "espírito" de competição e cooperação entre irmãos é inerente ao ser humano, biológico, energético, genético, e serve para ter e ser sempre mais. Pode ser atenuado ou exacerbado pelo processo de educação. Chama-se a essa tendência humana de maximocracia; cada um quer o melhor, o maior, o mais valorizado, o mais frequente para si. A família sempre tem os três subgrupos. A criança começa como oscilante frente a esse jogo, mas aos poucos vai se posicionar com o subgrupo que lhe for mais gratificante ou o subgrupo que lhe permitir sobreviver melhor.
E preciso quebrar o mito de que existe ressonância entre pais e filhos por causa do sangue, da hereditariedade. A criança apega-se a quem for sua fonte de energia. Não existe amor materno e paterno, "laços de sangue", e sim apego a fontes de energia e endorfinas. O resto é mitologia familiar.
Alimentação adequada, higiene, ambiente sadio, atitude positiva de quem está criando vida, controles periódicos são necessários para uma gestação sadia.
De 0 a 5 anos, a criança deve ser orientada pela mãe, principalmente até os 3 anos, sendo fonte de carinho, de aconchego ou de rejeição, de manutenção. Depois, até os 5 anos passam a ser importantes a figura do pai e irmãos (exercício do jogo triádico).
A amamentação é fundamental: contato com o seio, mesmo se não houver leite materno, horário, tempo e ambiente corretos, posição, toques, certo entendimento da fisiologia da amamentação, acoplamento global e harmônico entre mãe e filho, que vai se constituir na medida mais importante para a profilaxia da neurose.
Nessa fase é preciso conhecer as doenças próprias da idade e reconhecer a importância da assessoria de um pediatra de confiança. Aqui, as condutas vão depender muito da negociação entre a mãe e o profissional e de seus graus de discernimento, experiência, conhecimento, consciência e envolvimento real na saúde da criança.
Na etapa de 5 a 10 anos, persiste acirrada competição entre irmãos pela principal fonte de energia, que continua sendo a dos pais. Ocorrem também a busca de energia e a tentativa de integração em esferas mais amplas que a da família: escola, igreja, clubes de lazer, vizinhança, dentro de posições já estabelecidas pelo sociograma familiar, com suas recorrências ou repetições. E uma fase de crescimento e de formação ideológica e religiosa.
São comuns as relações de competição, os ciúmes, as inflamações de garganta, a falta de orientação sobre sexualidade, as inadaptações escolares, os problemas visuais, os acidentes na escola, os piolhos, as pragas, a fimose, os problemas de postura, o fascínio pela televisão.
Na dinâmica de grupo (familial'), a posição dos participantes já se define principalmente pela dominância do lado do cérebro de cada um e pelas posições subgrupais alcançadas na primeira fase familiar: oficial, natural, oscilante; irmão mais velho, irmão do meio, caçula; filho único, filho adotivo etc.
Na etapa dos 10 aos 15 anos completa-se o desenvolvimento do sistema pessoal, e ocorre a tentativa de autocondução, através de metas pessoais. Inicia-se a tentativa de comunhão e integração com outros efetuadores. As entradas mais tensionantes nessa época são as referentes à luta pela emancipação e administração pessoal da vida.
A luta por uma consciência pessoal (uni self) é marcante na adolescência O adolescente nega e combate destrutivamente a família, as instituições e tudo o que representa impedimento real ou suposto para a emergência de um eu autônomo. Trava luta de emancipação externa sem saber que, mesmo matando ou destruindo quem o pressiona, não se sentirá livre, porque a forma de dominação a que está submetido é muito mais sutil. Instalada no âmago de seu mecanismo vital, inconsciente, despercebida, difícil de ser reconhecida, superdefensiva, autoperpetuante: uma espécie de piloto automático insensível e invisível dentro dele — que se chama sistema político (desde a autoridade familiar até governamental e "sobrenatural"). Gagueira, doenças venéreas, doenças de crescimento, orfandade, crises convulsivas, dentre outras, são comuns nessa fase.
Dos 15 aos 25 anos, a disputa de energia, além da iniciação profissional, consiste na busca de alguém, geralmente buscando semelhanças físicas ou psíquicas com a primeira fonte de energia da infância. E a tentativa de comunhão a dois, com a utilização de recursos inconscientes, desenvolvidos na competição familiar. E a fase de saída, "renúncia" da família, e de opção por fazer sua própria vida. Os subsistemas tensionadores nesse período são o Parentesco, a Lealdade, o Pedagógico, o Patrimonial e o Político. Nessa fase, é comum ocorrerem problemas com gravidez, aborto, anticoncepcionais, doenças profissionais, doenças de esporte, depressões, psicoses, doenças mentais.
Dos 25 aos 35 anos, dá-se um período de comunhão a dois, fechado, exclusivista, através de amizade, namoro, casamento. Quase sempre o processo de comunhão ocorre, se desenvolve e se mantém, ou não, por recorrência de mecanismos aprendidos na infância e sem atitude muito consciente no que se refere à convivência (dinâmica de grupo estabelecida) e à posição subgrupal de cada um e de ambos nos seus intercâmbios.
Após essa fase, surge a necessidade de ampliação de fontes de energia (filhos, amigos). Vai-se para uma esfera mais ampla, que é a integração na dinâmica grupal, processo esse chamado de comunhão ampliada. Observa-se, frequentemente, a incidência de neuroses, ciumeiras, cardiopatias, hiperdinamismo, obesidade, problemas de coluna, doenças mentais, descompensação por lutas familiares, divórcio etc.
Dos 35 aos 45 anos, pressupõe-se alcançar autossuficiência profissional, econômica e uma participação social (para a pessoa realizada profissionalmente) ou por luta social para obter mudanças. Ocorrem aqui conflitos com os papéis sociais vividos, assim como com o modelo social vigente. Os subsistemas tensionadores que predominam e exigem definição são o de Produção e o Patrimonial. São comuns problemas referentes à menopausa, retorno ao lado direito do cérebro, alcoolismo, acidentes etc.
Dos 45 aos 55 anos, há marcada busca de reformulação em todas as dinâmicas e subsistemas, assim como da nova imagem. As recorrências com as etapas anteriores são grandes. Entram em cena, exigentes, o sistema de Precedência, o Religioso e todos os demais, se não tiverem sido assumidos e resolvidos na época própria. Calvície, plásticas, solidão, gastrites, estresse, rejeição física, irritabilidade, aposentadoria são os monstros principais desse período.
Dos 55 aos 65 anos, ocorrem novos objetivos, nova imagem e novas funções. Entram em cena o subsistema Sanitário e o de Manutenção, exigindo novos ajustamentos e atitudes. Demência (perda da memória), artroses, diminuição do desejo e da potência sexual, surdez, presbiopia (diminuição visual para perto), solidão, viuvez são estados comuns.
Dos 65 aos 80 anos, ocorre a retomada de algum ciclo anterior, assim como a convergência para a dinâmica universal. São comuns a morte (transformação), suicídio direto ou indireto, viuvez, luto, incapacidade física e mental crescentes.
É importante a avaliação periódica em cada ciclo do fluxograma evolutivo, em cada subsistema, e, de uma maneira prática, perceber as doenças que são de maior incidência naquela faixa e estar preparado para reagir e reorientar-se.
 
Níveis dinâmicos no fluxograma da existência humana
O conceito "dinâmica", usado no fluxograma da existência, é uma tentativa de esferizar o grau de abrangência do que se está analisando, em círculos concêntricos. Um ajuda a entender o outro.
"Para se compreender um fato num nível, é preciso compreender o nível mais abrangente. Para se compreender uma parte, é preciso compreender o todo, o conjunto".
Na gestação, interessa mais a DP (dinâmica de potencialidades), a natureza em si. De 0 a 5 anos, DG (dinâmica de grupo) na família. De 5 aos 10 anos, a Dl (dinâmica individual). De 10 aos 15 anos, DG de emancipação, de autocondução ("matar" a figura do pai e da mãe) para tomar-se senhor de si. De 15 aos 25 anos, continua sendo a DG, mas é de cooperação, de integração: uma fonte de energia unindo-se a outra fonte para intercâmbio igualitário. De 25 aos 35 anos, formam-se filhos e parentes, e aí se é obrigado a assumir posição de subgrupo oficial. Quem falhar vai para natural ou oscilante. Mas, como todos querem ser oficiais, querem o máximo, aqui a DG é amais importante.
Dos 35 aos 45 anos, no sistema capitalista surge a DS (dinâmica societária) como tensionamento mais importante, porque se tem de fazer o "pé de meia". Se não se ganhar dinheiro até essa época, sobra só a luta. A ordem é economizar, fazer seguros, investir no futuro.
Dos 45 anos em diante, a pessoa está preocupada com Dl (dinâmica individual) de novo, porque não tem segurança de ser ou continuar a ser elegível para o outro, para os empregos, para a sociedade. E crise de autoimagem. As pessoas começam a ter medo da morte, e, realmente, a maioria morre física ou socialmente, ao perder suas funções e status. No fim da existência humana, a DU (dinâmica universal) começa a ser mais importante para a maioria das pessoas.
Somente 6% da humanidade ultrapassam sessenta anos. Nos EUA e Japão, 7% a 7,5%; no Brasil, 4% a 4,5%; na França e Alemanha Ocidental, 6%. Isso varia de acordo com as condições de saúde, segurança, trabalho etc. de cada subgrupo ou classe social. As pessoas se voltam para as religiões, yoga, zen-budismo, para a dominância do lado direito do cérebro, porque são essas práticas que oferecem uma resposta para essa interrogação: vou morrer, e daí?
 
(Carlos Vieira - Manual de sobrevivência do ser humano)
 
Mafalda e a mamãe

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