Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.

Santo Agostinho
 
A RELIGIÃO CÓSMICA NÃO TEM DOGMAS NEM MORALISMOS RELIGIOSOS OU UM DEUS CONCEBIDO À IMAGEM DO HOMEM (a condição dos homens seria lastimável se tivessem de ser domados pelo medo do castigo ou pela esperança de uma recompensa depois da morte).,
(Albert Einstein in “Como vejo o Mundo”)
 
Existe, de fato, a continuidade após a morte?
Observem a natureza: tudo que é vivo e
tem energia renasce.
E tudo é energia que flui.
Energia não se perde, se transforma.

Se nós somos energia, por que não acreditar
que somos eternos, só nos transformamos,
nos renovamos, evoluímos?

(I L A N A S K I T N E V S K Y - Viver, morrer e o depois...)

"assim como se fossem antigos amantes que não conseguem nunca se esquecerem um do outro, duas partículas subatômicas que interagiram um dia podem responder instantaneamente aos movimentos uma da outra, milhares de anos mais tarde, mesmo estando a anos-luz de distância" (David Bohm)
 

A religião católica fala de céu e inferno. O budismo fala de nirvana, depois de uma série de reencarnações. O materialismo nega qualquer continuidade após a morte. Há, portanto, diversas escatologias ou explicações daquilo que se espera depois da morte do indivíduo ou do planeta todo (apocalipse).
As religiões orientais são quase todas reencamacionistas, e nesse mister foram copiadas pelo espiritismo do ocidente. A pessoa que, depois da morte, tiver "dívida" (kamia) para pagar (males feitos) reassume novo corpo para purgação até atingir nível de fusão no todo — divinização; poderá reencarnar-se como avatar, como enviado, corno salvador.
Para aceitar uma dessas escatologias, tem-se de aceitar seus fundamentos. Tem-se de aceitar o ser humano não como um sistema energético triádico, mas composto de corpo e alma, ou de três ou de sete corpos, como no Budismo. A ciência já sabe o suficiente sobre o ser humano para entender que há "camadas vibratórias" de energias diferentes, múltiplas, que não se resumem em dois, três, sete níveis, simplesmente — por exemplo, um corpo e uma alma ou um corpo, alma e espírito etc.
Há "n" níveis, camadas de energia vibratórias acima e abaixo desses níveis. Essa é uma concepção que modificaria a crença da reencarnação. A concepção do bem e do mal (do certo e do errado) depende do subgrupo, que é quem define tudo isso. Fulano de tal, por exemplo, fez bem ou fez mal? Quando morrer vai pagar isso? Vai pagar o quê? Quem ou o que define isso? O que vai ele pagar? Que fez de bem? Que fez de mal?
A Física quântica diz que quando o indivíduo nasce, quando se dá novo ser, quando essas energias se materializam, constitui-se um "holograma" novo, embora com partículas energéticas utilizadas anteriormente por outros sistemas minerais, vegetais, animais, nesse ou noutros níveis de energia. Ninguém é completamente original. Estamos reassumindo coisas, formas, níveis — sempre recapitulando.
Cada recapitulação tem probabilidade de evolução anatrópica ou entrópica. Sena essa uma outra interpretação de reencarnação. Pode não se tratar de reassumir corpo, alma e espírito. Pode ser reassumir partículas, energias, níveis de energia que já foram uma vez utilizados por outros, mas em nova combinação ou holograma. E, como se sabe que partículas que já foram postas em interação uma vez continuarão sempre em vibração e a qualquer distância (efeito EPR), então eu estou vibrando com partículas que já foram de outros níveis.
O físico David Bohm propõe a existência de um universo multidimensional e de "camadas da realidade" mais profundas, situadas à "sombra da realidade" (nível quântico). De acordo com a controvertida teoria do renomado físico inglês, o passado, o presente e o futuro coexistem fora do tempo terráqueo, em outra dimensão. Sua teoria procura dar explicação racional para o comportamento estranho das partículas subatômicas. Segundo a física quântica ortodoxa, não podia ser racionalmente explicado o fato de "assim como se fossem antigos amantes que não conseguem nunca se esquecerem um do outro, duas partículas subatômicas que interagiram um dia podem responder instantaneamente aos movimentos uma da outra, milhares de anos mais tarde, mesmo estando a anos-luz de distância". Isto ocorreria contra a teoria da relatividade, que não admite (admitia) a existência de interações físicas em velocidades superiores á da luz. Este estranho comportamento é chamado efeito EPR — sigla formada pelas iniciais de Einstein e de seus colaboradores Podolski e Rosen, que chamaram a atenção para o fenômeno em 1935.
Segundo Bohm, as partículas, na verdade, não estão separadas, e os instrumentos de medição de partículas e os cientistas estão todos unidos ao resto do universo, formando um todo único e integral na "ordem implícita" (alfa ou quântica). Por trezentos anos, argumenta Bohm, a física tem tratado o espaço e o tempo ordinários como as categorias fundamentais da realidade objetiva, considerando sua meta a previsão de ocorrências físicas no tempo e no espaço. Sustenta, porém, que há um modo mais fundamental para descrever os eventos físicos. Essa nova abordagem trata o tempo e o espaço como derivados de nível mais profundo da realidade objetiva, que é chamada de "ordem implícita".
Tudo interpenetra tudo no vasto cosmo super-holográfico imaginado por ele; cada ação é causada, em última análise, por tudo o que acontece, aconteceu e acontecerá no universo. Existe misteriosa conexão entre o aqui e o ali, entre o passado, o presente e o futuro.
Parece, assim, que essa teoria do efeito EPR constitui precioso subsídio levantado pela ciência contemporânea para reencaminhar a discussão e a fé na transvida, superando as grotescas e primitivas concepções religiosas e materialistas existentes.
Como poderíamos captai* essa continuidade da manifestação da energia humana no pós-morte, através do cérebro direito, intuitivo-sintético, místico, gestáltico?
Os grandes iluminados da humanidade (Jesus Cristo, Buda, Lao-Tsé, Maomé) captaram e transmitiram para os seres humanos a noção de que a gente se transforma e entra em outro nível de integração, de fusão no todo, que se chama paz total — nirvana, paraíso. Essa captação foi, naturalmente, alcançada através do cérebro direito, intuitivo-sintético e somente por esse lado podemos captar esse fato.
De outro lado, informações podem ser levantadas por seres humanos que foram considerados mortos, clinicamente, pela ciência médica oficial e, circunstancialmente, voltaram a ser contemplados com sua dimensão biológica de plena consciência. A análise operacional de suas impressões, quando estiveram em outro ou próximo de outro nível de transformação, pode trazer importante afirmação da provável continuidade da manifestação humana no pós-morte.
No entanto o que se deve reter disso tudo (seja por uni caminho racional, intuitivo ou operacional) é a evidência dessa continuidade, e não o fato da provável explicação dada pelas diversas cosmovisões da ciência, da religião ou do povo. Tudo isso explica, de novo, a cadeia universal dos sistemas, sua interrelação, sua interdependência, sua evolução ou seu movimento e transformação contínua etc. Isso é o máximo que se pode aceitar.
Ao "morrer", supõe-se que a pessoa tenha um núcleo que se chamaria de "eu energético-psíquico" ou "eu-hologramático", ou seja, o grau de alcance da vibratoriedade dela no reino da energia em todos os níveis. Esse grau, essa conformação, esse conjunto, essa configuração (holograma) persiste, ou seja, a pessoa, ao "morrer", continua a existir e a evoluir. Passando a outro nível, continua às voltas com a desproporção que ainda persiste sem ter de postular a necessidade de outro corpo.
Esse processo continua até chegar à "fusão" que supere os contrários a tal nível de compactação que ele fique exatamente nas proporções em que o atrito seria mínimo, nulo, e a sensação de unificação seria máxima.
Retomar ao nível corporal é explicação muito primitiva das religiões orientais ou de outras ideologias religiosas que participam da mesma concepção. Naturalmente para se entender do jeito que a questão foi aqui colocada, precisa-se de um lado esquerdo algo desenvolvido. Os que só têm predominância exagerada do lado direito tornaram a reencarnação questão de crença, de fé, e não são ou estão acessíveis a explicações desse tipo.
A escatologia católica e protestante com céu, inferno, purgatório é a pior possível, tremendamente ameaçadora e definitiva, autêntico terrorismo espiritual.
Teilhard de Chardin é o único que aceita a evolução no cristianismo, tanto na origem dos seres como no seu rumo ulterior. Teilhard faz parte do grupo natural da Igreja Católica, e seus escritos foram proibidos ao unir evolucionismo com cristianismo e zen-budismo. Procurou propor algo menos terrorista, mas não conseguiu se impor ou modificar os catecismos, fazedores de cabeças indefesas.
É preciso driblar a corporação científica, as corporações religiosas e também a consciência ingênua (o doente, o crente, o povo, o discípulo), para, aos poucos, se construir nova mentalidade, novo horizonte rumo à dinâmica da vida universal e eterna, libertando indivíduos, grupos, países, a humanidade como um todo, dos estreitos limites dados pelos antiquados conceitos de nascimento e morte.
O Homem, a Humanidade, os indivíduos caminham e vão caminhar sempre por upayas periódicos e ascendentes, rumo ao além das fronteiras postiças de nascimento e morte. A visão da vida humana apresentada aqui supõe que educadores, pais, cientistas, religiosos, militares reformulem seu papel, ajustando-o ao processo upaya. São upayadores e responsáveis pela construção da verdade, da realidade, do conhecimento e mesmo da felicidade do ser humano.
Isso supõe reformulação dos currículos primários, secundários, universitários, esvaziando-os do absolutismo, do autoritarismo e reconstruindo-os pela óptica trialética sistêmica, inclusivista, upaya, libertadora, democrática ou por outra gramática da vida mais libertadora, proporcional e atualizada,
A revolução generalizada da educação, na área específica de cada um e de todos os 14 subsistemas, pode ser, no mínimo, concomitante à revolução econômica e política, e nunca anterior e isolada. Mas as sementes, os preparativos, os experimentos, os primeiros embates triádicos podem ser postos em marcha, como prenúncio de mais alto teor vital para os continuadores.

(Carlos Vieira - Manual de sobrevivência do ser humano)

O que é potencial pode ser mais real do que aquilo que é manifesto, pois a potencialidade exsite em um domínio atemporal, enquanto qualquer realidade é meramente efêmera: ela existe no tempo¨.(Goswami, Amit. A física da Alma. 2005)
 
 
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:09


Comentar:

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

subscrever feeds