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O estudo filosófico da religião lida com as noções de milagres, preces, a natureza da existência de Deus, como os sistemas de valores se relacionam uns com os outros e a questão do mal. A filosofia da religião não é o mesmo que a teologia, pois não pretende responder à pergunta: “O que é Deus?”, mas aborda os temas e os conceitos relacionados às tradições religiosas.
A questão sobre a possibilidade de conciliar fé e razão deu origem à Filosofia da Religião 

 

LINGUAGEM RELIGIOSA

A linguagem da religião é frequentemente vista como misteriosa, imprecisa e vaga. No século XX, os filósofos começaram a questionar o padrão da linguagem religiosa, rejeitando qualquer afirmativa que não fosse empírica por considerá-la sem significado. Essa escola de pensamento ficou conhecida como positivismo lógico.
De acordo com os filósofos seguidores dessa escola, somente as assertivas que contêm inferências empíricas ou derivadas da matemática e da lógica poderiam ser consideradas com significado. Isso quer dizer que muitas das afirmações religiosas, até mesmo aquelas pertencentes a Deus (como “O Senhor é um Deus compassivo e misericordioso”), não podiam ser verificadas e, portanto, não tinham sentido.
Na segunda metade do século XX, enquanto muitos filósofos começaram a julgar problemáticas algumas posições dessa teoria, e os estudos de linguagem de Ludwig Wittgenstein e o trabalho naturalista de Willard van Orman Quine tornaram-se mais populares, o positivismo lógico entrou em declínio. Por volta de 1970, essa escola de pensamento tinha praticamente desaparecido, abrindo as portas para novas teorias e interpretações da linguagem religiosa.
Depois do positivismo lógico, houve duas escolas de pensamento no campo da linguagem religiosa: o realismo e o antirrealismo. Os seguidores do realismo acreditam que a linguagem corresponde àquilo que realmente acontece; enquanto os antirrealistas consideram que a linguagem não corresponde à realidade (em vez disso, a linguagem religiosa refere-se aos comportamentos e às experiências humanas).

O PROBLEMA DO MAL

O argumento mais significativo contra o teísmo é conhecido como “o problema do mal”, que pode ser colocado de várias maneiras diferentes:

O problema lógico do mal

Primeiramente identificado por Epicuro, o problema lógico do mal talvez seja a mais poderosa objeção à existência de Deus. De acordo com Epicuro, existem quatro possibilidades:
1.  Se Deus deseja prevenir o mal e não é capaz, então, Deus é fraco.
2.  Se Deus é capaz de se livrar do mal, mas não quer, então, Deus é malévolo.
3.  Se Deus não deseja se livrar do mal e não é capaz de prevenir o mal, então, Deus é malévolo e fraco e, então, não é Deus.
4.  Se Deus deseja se livrar do mal e é capaz de evitar o mal, então, por que o mal existe no mundo e por que Deus não se livra dele?
São Tomás de Aquino respondeu ao problema lógico do mal, afirmando não estar claro se a ausência do mal tornaria o mundo um lugar melhor, pois sem o mal, a gentileza, a justiça, a igualdade e o autossacrifício não teriam sentido. Outro argumento contra o problema lógico do mal, conhecido como “defesa do propósito desconhecido”, afirma que, como Deus jamais será verdadeiramente conhecido, os homens têm limitações ao tentar compreender as motivações divinas.

O problema empírico do mal

Criado por David Hume, o problema empírico do mal declara que, se uma pessoa não fosse exposta previamente aos compromissos das convicções religiosas, sua experiência do mal no mundo a levaria a adotar o ateísmo, e a noção de que Deus é a bondade onipotente não existiria.

O argumento probabilístico do mal

É o argumento de que a simples existência do mal é prova de que não há Deus.

TEODICEIA

A teodiceia é um ramo da filosofia que tenta reconciliar a crença em um Deus benevolente, onisciente e onipotente com a existência do mal e do sofrimento. A teodiceia aceita que o mal existe e que Deus é capaz de acabar com ele e busca compreender por que não o faz. Uma das teorias mais bem conhecidas de teodiceia é a de Leibniz, que afirma que, como este mundo foi criado por Deus, que é perfeito, então, este mundo é o melhor e mais equilibrado mundo possível entre todos os outros mundos possíveis.

ARGUMENTOS A FAVOR DA EXISTÊNCIA DE DEUS

Existem três tipos de argumentos favoráveis à existência de Deus: ontológico, cosmológico e teleológico.

Argumentos ontológicos

Os argumentos ontológicos usam um raciocínio abstrato a priori para afirmar que o conceito de Deus e a capacidade de falar em Deus implicam a existência de Deus. Quando falamos sobre Deus, nós nos referimos a um ser perfeito; nada é melhor. Uma vez que seria melhor termos um Deus que existe do que um Deus que não existe e nos referimos a Ele como um ser perfeito, nós implicamos a existência de Deus.
Os argumentos ontológicos são falhos porque podem ser usados para demonstrar a existência de qualquer coisa perfeita. De acordo com Kant, a existência é uma propriedade dos conceitos e não dos objetos.

Argumentos cosmológicos

Os argumentos cosmológicos afirmam que, como o mundo e o universo existem, isso implica que foram trazidos e são mantidos na existência por um ser. É preciso que haja um “primeiro motor”, que é Deus, porque um infinito retrocesso simplesmente não é possível. Existem dois tipos de argumentos cosmológicos:
1.  Modal: afirma que o universo poderia não ter existido e, dessa forma, precisa haver uma explicação para que exista.
2.  Temporal: afirma que deve ter havido um ponto no tempo em que o universo começou a existir e essa existência tem de ter sido causada por algo exterior ao universo, que é Deus.

Argumento teleológico

O argumento teleológico, que também é chamado de design inteligente, afirma que, como há ordem no mundo e no universo, a criação da vida foi realizada por um ser que tinha em mente esse propósito específico.

MILAGRES

Em filosofia da religião existe muita discussão sobre o que pode, ou não, ser considerado um milagre. Ao falar sobre milagres, os filósofos referem-se a eventos inusuais e que não podem ser explicados por causas naturais. De acordo com alguns filósofos, dessa forma, esses eventos têm de ser resultado de uma divindade.
David Hume rejeitava a noção de milagres, chamando-os de “violações das leis da natureza”. Argumentava que a única evidência para apoiar um milagre eram as testemunhas, enquanto as evidências para apoiar as leis da natureza eram colhidas pela experiência uniforme das pessoas ao longo dos tempos. Assim, o testemunho dos milagres precisa ser mais forte do que o apoio às leis da natureza e, como não há evidência para uma comprovação, não é razoável acreditar que esse tipo de violação das leis da natureza possa ocorrer.
Outros levantaram objeção ao argumento de Hume, alegando que os milagres não são violações das leis da natureza. Esses filósofos da religião afirmam que as leis da natureza descrevem o que é mais provável de ocorrer em condições específicas e, assim, os milagres são a exceção nos processos usuais. Argumentam ainda que Hume tinha uma compreensão inadequada de probabilidades e que observar a frequência com que um evento ocorre não é suficiente para determinar a sua probabilidade.

(Paul Kleinman - Tudo o que você precisa saber sobre Filosofia)  

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publicado às 21:11



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