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FEMINISMO

por Thynus, em 12.10.14
Abaixo, uma charada que intriga as pessoas há décadas:
Um homem vê seu filho sofrer um terrível acidente de bicicleta. Ele recolhe o rapaz, coloca-o no banco de trás do carro e corre para o pronto-socorro. Quando levam o rapaz para a sala de cirurgia, o cirurgião diz: "Ah, meu Deus! É meu filho!"
Como é possível?
Ah-ha! O cirurgião é uma mulher, mãe do rapaz (a história faz sentido em inglês porque a palavra para "cirurgião", surgeon, não tem género, é neutra, podendo indicar tanto um homem, quanto uma mulher). Hoje em dia, nem mesmo Rush Limbaugh (Radialista conservador norte-americano) ficaria intrigado com essa charada; o número de médicas nos Estados Unidos está rapidamente igualando o número de médicos. E isso é resultado do poder da filosofia feminista do final do século XX.
 
Quando a BBC fez uma enquete entre ouvintes sobre o maior filósofo do mundo, nenhuma filósofa mulher apareceu entre os vinte primeiros (quem venceu foi Karl Marx). As mulheres acadêmicas de todo o mundo ficaram furiosas. Onde estava a filósofa neoplatônica grega Hypatia? Ou a ensaísta medieval Hildegard de Bingen? Por que Heloísa, do século XII, foi excluída, quando Abelardo, que aprendeu tanto com ela quanto ela com ele, recebeu votos (embora também não tenha chegado aos vinte primeiros)? E a protofeminista do século XVII Mary Astell? E onde estavam as contemporâneas Hannah Arendt, Íris Murdoch e Ayn Rand?
Seria a academia irremediavelmente chauvinista, resultando na ignorância do público educado sobre essas grandes filósofas? Ou será que os porcos de sua época devem ser culpados por não levarem essas mulheres a sério naquele tempo?
O verdadeiro alvorecer da filosofia feminista data do século XVIII, com a obra seminal (ou deveríamos dizer ovular?) de Mary Wollstonecraft, Uma Reivindicação dos Direitos da Mulher. Nesse tratado, ela acusa nada menos que Jean-Jacques Rousseau de propor um sistema educacional inferior para as mulheres.
O feminismo recebeu uma reinterpretação existencialista no século XX com a publicação de O Segundo Sexo pela filósofa (e amante de Jean-Paul Sartre) Simone de Beauvoir. Ela declarou que não existe uma coisa como a feminilidade essencial, que ela considerava uma camisa-de-força imposta às mulheres pelos homens. Ao contrário, as mulheres têm liberdade para criar sua própria versão do que é ser mulher.
Mas qual a flexibilidade do conceito de mulher? Será que o equipamento reprodutivo de que nascemos dotados não tem nada a ver com a nossa identidade de gênero? Algumas feministas pós-Beauvoir pensam que não. Dizem que todos nascemos como uma tela em branco sexualmente; nossa identidade de género é algo que recebemos depois, da sociedade e de nossos pais. E hoje em dia aprender os papéis de gênero virou uma coisa mais traiçoeira que nunca.
Dois homens gays estão parados numa esquina quando uma loira deslumbrante e curvilínea passa com um vestido decotado e justo, de chiffon. Um dos homens diz ao outro: - Numa hora dessas, eu queria ser lésbica!
Papéis de género tradicionais são uma mera imagem mental, inventada pelo homem para manter as mulheres subservientes? Ou esses papéis são biologicamente determinados? Esse enigma continua dividindo filósofos e psicólogos. Alguns pensadores profundos se apegam com firmeza às diferenças determinadas pela biologia. Por exemplo, quando Freud declarou que "anatomia é destino", estava empregando um argumento teleológico para defender a tese de que o modo como é construído o corpo da mulher determina o papel da mulher na sociedade. Não é claro a quais atributos anatómicos ele se referia ao concluir que as mulheres deviam passar roupas. Ou pensemos em outro determinista biológico, o colunista de humor Dave Barry, que afirma que, se uma mulher tiver de escolher entre pegar uma bola de beisebol e salvar a vida de uma criança, ela vai escolher salvar a vida da criança sem nem conferir se o outro time está para marcar um ponto.
E existe a questão se os homens são também determinados biologicamente. Por exemplo, como resultado de sua anatomia os homens são predispostos a utilizar critérios primitivos na escolha de uma esposa?
Um homem está saindo com três mulheres e tentando decidir com qual vai se casar. Ele dá 5 mil dólares a cada uma para ver o que farão com o dinheiro.
A primeira faz uma repaginada completa. Vai a um salão chique, arruma o cabelo, faz as unhas, se maquia, e compra várias roupas novas. Ela diz que fez isso para ficar mais atraente para ele, porque o ama muito.
A segunda compra para o homem uma porção de presentes: uma coleção nova de tacos de golfe, alguns acessórios para o computador e umas roupas caras. Diz que gastou todo o dinheiro com ele porque o ama muito.
A terceira mulher investe o dinheiro no mercado de ações. Multiplica muitas vezes os 5 mil dólares. Devolve-lhe os 5 mil dólares e reinveste o restante numa conta conjunta. Diz que quer investir no futuro deles porque o ama muito.
Qual delas ele escolhe?
Resposta: a que tem peitos maiores.

QUIZ
Essa piada é antifeminista ou anti-porco-chauvinista? Discuta.
Vejamos outro texto que discute a diferença essencial entre homem e mulher. Tem de ser essencial porque o Primeiro Homem era livre de imagens mentais sociais e sua impulsividade, portanto, era inata.
Deus aparece a Adão e Eva no paraíso e anuncia que tem dois dons, um para cada, e que gostaria que eles resolvessem quem fica com qual. Diz assim:
- O primeiro dom é a habilidade de fazer xixi em pé. Impulsivamente, Adão grita:
- Mijar em pé? Puxa vida! Parece uma boa! Fico com esse.
-Tudo bem - diz Deus -, esse dom é seu, Adão. Eva, você fica com o outro: orgasmos múltiplos.
Os resultados sociais e políticos do feminismo são vários: direito de voto, proteção a vítima de estupro, melhor tratamento e compensação no local de trabalho. Recentemente, uma outra explosão social do feminismo despertou reações machistas. Dessas brotou uma nova categoria: a piada politicamente incorreta.
Dizer que uma piada que faz graça com o feminismo é politicamente incorreta acrescenta a ela uma nova dimensão: "Sei que esta piada contraria a filosofia liberal aceita, mas, ora, não se pode mais brincar?" Ao qualificar assim uma piada, o piadista alega seu direito à irreverência, uma qualidade que pode tornar a piada ainda mais engraçada e socialmente mais perigosa para o piadista, como nesta, um tanto excessiva:
Num vôo transatlântico, o avião atravessa um enorme temporal. A turbulência é horrível e as coisas vão de mal a pior quando uma asa é atingida por um raio.
Uma mulher perde o controle. Levanta-se, no corredor do avião, e grita:
- Sou jovem demais para morrer! - E completa: - Mas já que eu vou morrer, quero que meus últimos minutos na Terra sejam memoráveis! Ninguém nunca me fez sentir como uma mulher de verdade! Bom, pra mim chega! Tem alguém neste avião capaz de fazer com que eu me sinta uma mulher?
Faz-se um momento de silêncio.Todo mundo se esquece do próprio perigo e todos olham, perplexos, a mulher desesperada na frente do avião. Então um homem se levanta lá no fundo. É um bonitão alto, bronzeado, com cabelo preto, e ele avança pelo corredor devagar, desabotoando a camisa.
- Eu posso fazer você se sentir uma mulher - diz.
Ninguém se mexe. Enquanto o homem se aproxima, a mulher vai ficando excitada. Ele tira a camisa. Os músculos de seu peito se contraem quando ele estende o braço segurando a camisa e diz para a mulher trémula:
- Passe esta camisa.
Como reação ao ataque das piadas politicamente incorretas surgiu uma nova categoria: histórias que começam como as típicas piadas chauvinistas de antigamente, mas com uma virada em que a mulher se dá bem.
Dois entediados crupiês estão esperando na mesa de dados de um cassino. Uma loira muito atraente chega e aposta 20 mil dólares numa única jogada de dados. Diz ela:
- Espero que vocês não se importem, mas sinto que tenho muito mais sorte quando estou completamente nua.
Em seguida, tira toda a roupa, sacode os dados e grita:
- Vamos lá, baby. Mamãe precisa de roupa nova!
Quando os dados param de rolar, ela dá pulos de alegria e grita:
- Ganhei! Ganhei! -Abraça os dois crupiês, um de cada vez, pega as fichas que ganhou e a roupa e vai embora depressa.
Os dois olham um para o outro, de boca aberta. Por fim, um deles pergunta:
- Quanto deu?
O outro responde:
- Não sei. Pensei que você estivesse olhando.
Moral da história: nem todas as loiras são burras, mas todos os homens são homens.
Eis outro exemplo desse gênero neofeminista:
Uma loira está sentada ao lado de um advogado num avião. O advogado fica insistindo que ela jogue com ele para verem quem tem mais conhecimentos gerais. Por fim, diz que oferece a ela uma vantagem de dez para um. Toda vez que ela não souber a resposta para uma pergunta dele, ela paga cinco dólares.Toda vez que ele não souber a resposta para uma pergunta dela, ele paga cinquenta dólares.
Ela concorda em jogar e ele pergunta:
- Qual a distância entre a Terra e a estrela mais próxima?
Ela não diz nada, simplesmente entrega para ele uma nota de cinco dólares. Ela pergunta:
- O que sobe uma montanha com três pernas e desce com quatro?
Ele pensa um longo tempo, mas acaba admitindo que não faz a menor ideia. E entrega a ela uma nota de cinquenta dólares.
A loira guarda o dinheiro na bolsa sem comentários.
O advogado diz:
- Espere aí. Qual a resposta para a sua pergunta?
Sem dizer uma palavra, ela entrega para ele uma nota de cinco dólares.

(Tom Cathcart e Daniel Klein - Platão e um Ornitorrinco Entram Num Bar...)

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publicado às 18:17


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