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FELIZ (DEPOIS DO) NATAL!

por Thynus, em 28.12.15


“Depois do Natal é um momento suspenso no tempo em que a agitação dá lugar à calma, o frenesim à lentidão e à solidão. Pode ser um momento perturbador, angustiante mesmo, como todos os “depois”, um momento estranho.” (Pascale Gatineau)

Mas porquê esta angústia? Porquê tanta estranheza? Afinal não dizemos ou ouvimos dizer constantemente que o Natal é todos os dias do ano?
O nome de Deus, tantas vezes ouvido no Natal, é Emanuel, o Deus connosco ou, traduzido por outras palavras, não é o Deus que é, mas o Deus que está. O Deus que caminha connosco.
O poeta Carlos Drummond de Andrade, há cerca de quarenta anos sugeriu que a humanidade aproveite o espírito de Natal para reestruturar o ano civil e, desta forma, revolucionar o modo como os homens se relacionam entre si e com o mundo. No texto "Organiza o Natal", Drummond propõe que seja Natal o ano inteiro, para que as pessoas se amem e desejem felicidades continuamente, de continente a continente. Para que o homem e a natureza – os rios, os montes, os mares, as plantas, os animais – fraternalmente sejam uma coisa só, sem dominantes nem dominados. Para que o trabalho deixe “de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.”
“Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.”
Ah, mas este é um mundo dos poetas e dos contos de fadas, diremos.... Mas sonhar é preciso! No dizer de Fernando Pessoa "é preciso ser um realista para descobrir a realidade. É preciso ser um romântico para criá-la." Sem sonhos o mundo seria como um jardim sem flores.

Concluo com a brilhante reflexão natalina do Pr Roberto Amorim Menezes:
"Um pouco mais e as luzes serão apagadas, as árvores guardadas, as caixas dos presentes recicladas e a vida seguirá seu curso.
O mesmo aconteceu em Belém: Jesus deixou de ser o Deus-menino e passou a ser o Deus-homem; os magos voltaram para o oriente; os pastores para os campos e a estrela deixou de iluminar os céus
A imagem estática do presépio deu lugar a histórica dinâmica e viva da redenção da humanidade. Mas, basta ler os evangelhos, para perceber que aqueles que estiveram com o menino Jesus nunca mais foram os mesmos.
(1) Os magos, divinamente avisados, não voltaram ao palácio de Herodes. Aprenderam que a sujeira de uma estrebaria é mais limpa do que a sujeira de um palácio (Mt 2:12).
(2) Os pastores voltaram para os campos louvando ao Senhor. Descobriram que, apesar de ignorados pela religião, eram alvos do amor de Deus (Lc 2:20).
(3) Maria, aquela que antes perguntava “como será”, recebeu provas de que para Deus não há impossíveis (Lc 1:37)
Em dezembro do próximo ano as lâmpadas serão novamente ligadas, as árvores novamente armadas, virão novas caixas, novos presentes... e você? Ainda será o mesmo?
Muitas vezes o “depois da festa” é o mais importante da celebração. Assim é com o casamento, com a formatura, com o nascimento, assim é com a vida. Lembrar-se de Deus, dos amigos, da família, ajudar o necessitado, alimentar o faminto, perdoar quem nos ofendeu, visitar um templo... são atitudes que precisam ser cultivadas durante todo o tempo.
Por tudo isto, quero lhe desejar um Feliz (depois do) Natal!"

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publicado às 22:04



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