Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Fadas e bruxas

por Thynus, em 16.04.16
 Metade de mim é fada,
a outra metade é bruxa.
Uma escreve com sol,
a outra escreve com a lua.
Uma anda pelas ruas
cantarolando baixinho,
a outra caminha de noite
dando de comer à sua sombra.
Uma é séria, a outra sorrí;
uma voa, a outra é pesada.
Uma sonha dormindo,
a outra sonha acordada.
(Roseana Murray - Pêra, Uva ou Maçã) 

Em mim, por causa da bipolaridade, convivem, a fada e a bruxa. o bem e o mal
 
Assim como no passado remoto os deuses inspiraram os mitos e encheram a vida humana com façanhas e heróis maravilhosos, as fadas e sua multidão de criaturas complementares, como os goblins e os pixies, iluminam a vida com episódios e símbolos que espelham o ser desde a perspectiva de um outro caminho: o da imaginação que experimenta conflitos excepcionais que incitam a se aventurar em um estado superior de existência.
Não se renasce através de seus contos nem se adquire por meio deles uma visão catártica da vida, tal como ocorre com a tragédia; porém, segundo escreveu Aristóteles a respeito dos mitos, o amigo das fadas é também amigo da sabedoria. Seu mundo contém a fantasia esperançosa com finais felizes, aquela que alivia a dor e ajuda a acreditar nos sonhos que estão associados ao renascer de quem permite ao leitor, independente da posição que ocupe, por mais modesta que seja, identificar-se com personagens libertadores.
Contraponto da tragédia, o conto de fadas pode interpor grandes obstáculos ao protagonista, e até mesmo expô-lo a perigos inusitados; porém, desfeito o encantamento, tudo parece ajustado para que até mesmo os sonhos não mencionados se acomodem ao curso benéfico de situações sem sobressaltos. Tal é o caso da Bela Adormecida que, ao nascer, foi ameaçada por uma fada ressentida que não havia sido convidada para a festa do batizado. Condenada a cair em sono profundo na flor da idade por ter tocado uma roca enfeitiçada, seu mal, todavia, já encerrava o remédio secreto do despertar pelo beijo de um príncipe, cujo amor desinteressado lhe permite renascer ao estado de felicidade digno de sua beleza e para o qual fora gerada.
Em que pese a falsa doçura que envolve essa história de disputas entre fadas boas e más, bem como de dons que conjuram castigos e de poderes que triunfam sobre outros poderes, imaginar a Bela Adormecida jazida em um ataúde de cristal que cresce junto com ela provoca tanto terror quanto uma Chapeuzinho Vermelho inocente que confunde o Lobo com a Vovozinha. Cada uma à sua maneira, essas protagonistas sensibilizam as crianças a perceberem mais claramente as mentiras sutis, e despertam uma consciência precoce para a porção nefasta dos sentimentos ignóbeis que todos trazemos dentro de nós mesmos.
Acredita-se que as fadas regem o destino humano desde antes do nascimento; as bruxas, por outro lado, alteram a ordem e o bem-estar no instante em que se entregam aos mistérios da feitiçaria. Quando boas, as fadas são luminosas, geralmente sem marcas da idade nos rostos, sensíveis a beleza e inclinadas a corrigir os problemas em que tenham intervindo outras criaturas extraordinárias. Por alguma razão discriminatória, as bruxas são representadas como velhas, malhumoradas e feias, ainda que seja imemorial a crença em algumas de natureza sobrenatural que existem por si mesmas - tal como a necessidade do bem e do mal -, com a função de romper com suas intervenções a lógica habitual da vida. A esta espécie correspondem as figuras gigantescas ou com atributos cambiantes, como as que freqüentam os fens ou pântanos e sobrevivem rodeadas de sombras. Ocasionalmente relacionadas a espíritos que vagueiam sem rumo, as mais temíveis personificam a tentação do poder e suas propensões mais obscuras.
A senhora Barford, em História da Lua Morta, é uma das últimas reminiscências druídicas que se aparenta com certa deusa primitiva da natureza. Esta, por sua vez, assume em nossos dias aspectos tão diferentes que pode igualmente se revelar disfarçada de uma Celestina1 de sujos ofícios, na literatura picaresca espanhola, ou transmutada em mulheres comuns da vida contemporânea, à maneira das norteamericanas ambiciosas que, representadas como verdadeiros monstros nas novelas de Truman Capote, exemplificam as típicas criaturas geradas por nosso sistema social.
Assim como nem todas as fadas têm escrúpulos, nem todas as bruxas permanecem restritas à perversidade ou aos assuntos malsãos. Há bruxas brancas e bruxas negras. Sua procedência reserva mistérios não revelados; entretanto, existem muitas lendas sobre seus cursos de magia e sobre o aprendizado de certas artes que vão desde o vôo mágico até o conhecimento de elixires portentosos que, por seus efeitos, fundamentam a ciência que converte o modesto ferro em ouro ou que muda a forma ou a natureza de um animal, de uma pessoa ou de um acontecimento. Somente a Dama do Lago, na tradição arturiana, rompe cabalmente com os pressupostos de seu conhecimento intuitivo ao adquirir de Merlin os poderes sobre as pedras, os metais e a água, os quais praticou com argúcia na busca pelo Santo Graal. Donas de uma potência terrível, as bruxas encarnam a sombra do rancor que subsiste no espírito humano. Os gregos antigos chamavam-nas Fúrias ou Erínias, enquanto os psicanalistas qualificam-nas como projeção dos elementos obscuros do inconsciente. Seja qual for a versão verdadeira, desde crianças reconhecemos em sua fealdade o fruto das rejeições, das frustrações e dos temores que resultam em dano aos outros quando os desejos malogrados mergulham a alma em uma atroz ansiedade que move seu ânimo contra todo o bem-estar.
Personificações do diabo na predica cristã, as bruxas absorveram a herança das sibilas, magas e sacerdotisas, as quais consumaram seu mais alto êxito na cultura druídica ao lado de fadas que ideavam as cidades anglo-saxãs. Acentuaram-lhes a fealdade ao relacioná-las ao pecado; reduziram-nas à ponte emblemática entre o visível e o tenebroso, habitantes de um mundo intangível ou irreal, e a mera travessura da criação entre o humano e o sobrenatural, até diminuírem-nas à caricatura humanóide de Lúcifer. Ao tipificar a perversidade na mulher madura, que traz às costas a experiência e, seguramente, muitas tristezas não resolvidas, os moralistas impingiram a elas o maior preconceito antifeminino de nossa civilização.
Mesmo em nossos dias, com idéias próprias e juízos críticos, as mulheres que desafiam o diferente ou o proscrito ainda são qualificadas de bruxas, especialmente quando manifestam condutas contrárias ao preestabelecido, embora se tente camuflar esse termo com o de "velhas terríveis", aplicado àquelas inconformistas que provocam medo por causa de seus atrevimentos ofensivos às pessoas de boa consciência.
A bruxa de Branca de Neve, por exemplo, é a maligna por excelência de todos os relatos modernos: madrasta, invejosa da juventude de sua enteada, nostálgica por amor e, acrescente-se, uma solitária ególatra que explora no espelho as marcas do tempo perdido. Não se sabe se os ciúmes que lhe são provocados pela filha postiça avivam seu lado obscuro ou se, desde antes essa condessa praticava com alguma torpeza os artifícios da magia que, não obstante, não lhe serviram para conservar a aparência de juventude que tanto desejava. O certo é que um dos elementos primordiais de Branca de Neve está contido na história de Basile2 sobre uma jovem e formosa escrava, de quem se diz que a mãe ficara grávida magicamente por haver engolido uma pétala de rosa e que desaparecera da história de maneira misteriosa, como costuma acontecer nos contos de fadas. O importante do relato é que, órfã precoce, Lisa é perseguida por sua madrasta por causa da rivalidade que esta sentia em razão de sua beleza, que julgava interferir no amor de seu marido.
Lisa morre temporariamente quando, ao se pentear, o pente enfeitiçado acaba cravado em seu crânio. Tal como Branca de Neve, permanece encerrada em uma urna transparente que cresce junto com ela, e todos sofrem com sua desgraça. Passados sete anos, seu tio e pai adotivo sai em viagem e a esposa, doente de ciúmes perversos, tira-a violentamente de seu caixão cristalino com a intenção de se desfazer dela. Contra tudo o que se podia imaginar, o pente escorrega então de sua cabeça e a jovem desperta instantaneamente, mais bela e viçosa do que nunca; a madrasta, longe de regozijar-se com o prodígio, decide escravizá-la.
Em seu regresso, depois de múltiplas peripécias, o tio/pai descobre que a jovem escrava maltratada por sua esposa até quase provocar-lhe a morte não é outra senão Lisa, sua filha adotiva; imediatamente a liberta, recompensando-a com muitos presentes e um bom casamento. A maligna esposa, por outro lado, é expulsa de casa, da aldeia e da família, recompondo-se tudo de acordo com as leis de uma justiça triunfante, apesar dos odiosos ardis de uma madrasta enganadora.
Seguramente, do mesmo lugar em que brota uma bruxa salta também a potência sutil da fada, do Povo Pequeno ou dos Homens Verdes, o que permite criar, por meio de seus contos, uma lição moral que forma a mentalidade das crianças em torno de sentimentos de fidelidade, de justiça e de amor, que as inicia e acompanha na difícil aventura de viver. Desse modo, as fadas empreendem com eles o caminho da iniciação.
Quando os seguidores de pistas mágicas se deram ao trabalho de historiar as fadas, depararam-se com indícios discrepantes. Concordaram, ao menos, em um ponto: que elas pertencem a uma comunidade de imortais composta por um sem-número de espécies e de famílias que animam os bosques. Não cabem dúvidas quanto aos prodígios que operam ao intervir nos assuntos dos mortais. Ninguém questiona que algumas lembrem anjos, por causa de sua doçura; mas além de sua semelhança com aquelas figuras que margeiam o universo da poesia, há numerosas perguntas que geram novas perguntas e, quase sem nos darmos conta, prendem-se em um labirinto de palavras, de símbolos e de lugares maravilhosos que, longe de desvendar as sendas a que conduzem certas pistas, nos arrastam ao beco sem saída de seus eternos deslumbramentos, em cujo centro talvez se encontre aquele ambiente consagrado em que perduram os cisnes encantados, as mensageiras célticas ou as fiandeiras que tecem histórias com fios de ouro sem tempo nem horário precisos.
A banshee, ou fada irlandesa, é, por definição, um ser dotado de magia. Para além das origens celtas, com especial referência ao estabelecimento dos druidas em terras anglo-saxãs, as fadas continentais revelam-se adaptações cambiantes de seus atributos e símbolos. Ao serem cristianizadas, começou a se ver nelas a namorada perpétua que aplica suas artes para atrair e conservar o amado; mas é necessário insistir que não era comum, nem sequer desejável entre os druidas, reter a quem se ama, porque o amor enlanguesce com a demora do casal ou, em outros casos, é tingido de enganos que viciam todo o encanto das paixões criadoras.
Entre as fadas, o amor é um móvel que encadeia ou desencadeia os acontecimentos, porém nunca uma justificativa em si mesmo. Para essas criaturas é muito mais atraente a aventura de intervir nos assuntos rituais - como os que requerem transmutações e compromissos com seus poderes -, e geralmente se entretêm com suas danças e celebrações proscritas aos humanos, a menos que alguém mais atrevido que se aproxime para observá-las o faça através de um buraco natural cavado por um rio na pedra. Provocar a loucura lunar é uma de suas travessuras mais repetidas; mas esta nada tem a ver com os desvarios demenciais aos quais estamos acostumados, pois a lua provoca transformações cíclicas conseqüentes com suas fases e movimentos, e tais mudanças costumam apresentar efeitos tão inusitados quanto perturbadores.
A palavra fairies, que identifica as fadas em inglês, é de criação recente e talvez uma dissimulação do termo mais remoto fays, algo de que se ocupam unicamente os rastreadores de vocábulos. Fayrie representava um estado de enfeitiçamento e, em particular, era o nome utilizado para designar os encantamentos causados pelos fays, que exerciam os poderes da ilusão.
A fada irlandesa não está submetida às contingências das três dimensões Sempre leva consigo uma rama, o anel ou a maçã emblemática para transmitir suas qualidades maravilhosas. Foi dessa rama que derivou a varinha mágica; da maçã, proveio o furor do envenenamento perverso ministrado pela madrasta de Branca de Neve para encantá-la, talvez porque a fada traga dentro de si a ambivalência típica da rainha Mab - recriada por Shakespeare em seu dote de parteira é capaz de se transformar em bruxa para multiplicar as desditas. Mab é a mesma que, ao praticar seus ofícios, trança as crinas das éguas noturnas e desmancha os cabelos sujos e empastados dos elfos quando aparece arrastada por uma parelha de animais em tamanho não maior que o de uma pedra de ágata no dedo indicador de um alcaide. As fadas vivem sem pouso certo. Não têm residência fixa, embora sejam bem conhecidos os sítios em que se realizam os encantamentos e suas preferências territoriais. Sem distinção entre machos e fêmeas, elas se ocultam nos buracos das pedras, nos ocos das árvores ou na sombra das salinas costeiras. Ao contrário do que muitos supõem, nunca aprenderam a se tornar invisíveis. Disfarçam-se muito bem ou assumem formas semelhantes às dos humanos quando procuram passar inadvertidas, ainda que pássaros, cães, vacas e ou outros animais as vejam perfeitamente porque se inquietam com sua presença. Nós, seres humanos, só podemos enxergá-las entre duas piscadelas de um único olho, de forma que obtemos apenas vislumbres fugazes, ainda que estes perdurem como a recordação do fulgor das estrelas em noites de lua. Também mutantes, seus palácios imaginários cintilam na obscuridade e, tais como as próprias fadas, seus baluartes se desvanecem em um instante, deixando atrás de si apenas uma sensação ilusória. Na Itália, eram chamadas de tria fatae desde os tempos da Roma imperial, talvez como uma deformação de fata ou "destinos", o que não era outra coisa senão a adaptação das três Parcas que, como as Moiras da Grécia antiga, governavam o nascimento, a vida e a morte. Uma extrai do fuso o fio que constitui o destino, a segunda mede e enrola a fiada na roca e a terceira, a mais temível, corta a linha da vida com suas tesouras letais. Isso na sua filiação primordial, porque não tardaram a se ampliar os mistérios que as rodeiam e a somarem-se as narrativas sobre sua ascensão desde o centro da Terra até a superfície, onde, à luz da lua, se convertem em espíritos das águas e em almas da vegetação.
O termo fada ou fairy cobre atualmente um campo tão amplo que abarca desde os elfos anglo-saxões e escandinavos até os Daoine Sidhe das highlands da Escócia, os Tuatha de Dannan da Irlanda, a Tylwyth Teg de Gales e o sem-número de seres com ou sem nome que transita entre o Povo Pequeno e a Corte Bendita do Outro Caminho. Dicionários, enciclopédias sobre fadas, catálogos, genealogias, histórias, lendas ou testemunhos documentais, todos distintos entre si e irreconciliáveis segundo o tema escolhido e as peculiaridades indescritíveis que lhes são atribuídas, informam que no vasto mundo das fadas, agrupadas ou solitárias, multiplicaram-se categorias intermediárias conforme sua ocupação, morfologia, costumes e hábitats. Por esse motivo, temos notícias de fadas gigantescas ou diminutas, domésticas, selvagens e alheias ao ser humano, assim como de criaturas aéreas e subterrâneas, ou ainda as aquáticas, que habitam em fontes, lagos, oceanos ou rios.
No que se refere às relações categóricas das fayries, ninguém se põe de acordo. Uns crêem que as bruxas pertencem à sua comunidade de imortais; outros que, junto a monstros e bogies, poder-se-iam somar magos, feiticeiros e bruxos à vasta gama de animais feéricos que completa esse universo para o qual não existem fronteiras entre este e aquele lado do espelho, nem margens para separar a vigília do sono, ou a ilusão da realidade. Seja qual for o reflexo do mundo - o deles ou o nosso -, existe em torno do país das fadas uma linguagem que ninguém, em juízo perfeito, se atreveria a confundir, seja por seu signo, por seu viés ameaçador ou por sua provável graça; e tampouco se poderia suspeitar que, inamistosas por natureza, se disporiam a tolerar as más maneiras, as mentiras ou os juramentos em vão.
Quando agradecidas, respondem com dons de graça e prosperidade àqueles que as tratam com cortesia e mantêm a discrição. Em ocasiões de extrema generosidade, elas chegam a oferecer aos eleitos um bocado de seu "alimento das fadas", ou no caso de gentilezas como emprestar um pouco de farinha, de mel ou bebidas, elas retribuem o favor recebido com a guarnição inesgotável dos mesmos produtos; tudo isso, naturalmente, sob a condição de se cumprir o requisito da piscadela dupla com um olho só, porque, como se conta em histórias de parteiras de fadas, pode ocorrer de se perder o direito a recompensa por violar o tabu e por não se tocar o olho com o "ungüento das fadas", com o qual supostamente a parteira deveria comunicar a visão feérica à criança no momento da saída do ventre materno.
Não há dúvida de que preferem os bosques para se recluírem; prova disso é seu costume de aparecer nos pontos mais inescrutáveis das montanhas, junto às furnas e às torrentes ou na espessura do bosque, sobre plataformas recônditas que o povo costuma justamente identificar como "mesas das fadas". Também freqüentam grutas e amam tanto os mananciais como as fontes e os rios estrondosos, talvez porque, quando as ninfas e as dríades as expulsaram de sua fugaz estadia na Grécia, tiveram de fugir para o leste e, posteriormente, rumo às possessões romanas do Médio Oriente até as partes mais remotas da Ásia, sempre de permeio a pequenas florestas e despovoados onde pudessem permanecer sem serem perseguidas.
Um grupo numeroso delas, seguramente o mais importante, se estabeleceu na Escócia, na Irlanda e na Inglaterra, apesar de terem se chocado com os habitantes originais - os pixies -, que não deixaram de molestá-las desde que se enfrentaram em uma batalha renhida que, com o triunfo dos pixies, determinou sua definitiva expulsão para o leste do rio Pedder, ainda nos tempos do rei Artur.
Os irlandeses acreditam que ainda hoje as fadas habitam entre eles. Aqueles que gozam do privilégio de havê-las enxergado asseguram que adotam a forma de seres humanos perfeitos, porém em miniatura, pois nunca aparecem mais altas que a cabeça de um cão. Todavia, elas têm a capacidade de aumentar ou diminuir sua estatura durante a condução de seus poderes, assumir o aspecto de um pinhão ou crescer ao longo do tempo como um ser humano comum.
Aquelas que, para sua desgraça, são capturadas por intervenção dos pixies ou por cederem ao galanteio dos homens - como as Gwrachs do País de Gales -, consumam o matrimônio com os humanos não sem interpor um tabu que, em geral, é violado, e com o tempo podem retornar a seu hábitat natural. Aquelas fadas que, devido à perversidade de seus captores ou por circunstâncias adversas, não conseguem regressar a seu meio, cedo ou tarde acabam definhando e morrem com uma expressão de profunda tristeza no rosto.

(Martha Robles - Mulheres, Mitos e Deusas - o feminino através dos tempos)


NOTAS:

1 Personagem central de Tragicomedia de Calista e Melibea, escrita por Fernando de Rojas em 1499. Celestina é a alcoviteira, pintada com uma veracidade e acuidade surpreendentes, todos caem em suas redes, enquanto resmunga máximas filosóficas mais ou menos morais; a influência desta peça foi tão grande que quase todas se transformaram em provérbios populares espanhóis. Cervantes, em um dos sonetos incluídos no Don Quixote, afirma que a história de Celestina seria um livro divino, se não revelasse tanto da natureza humana. [N.T.]

2 Giambattista Basile (1575-1632) publicou o Pentamerone, coletânea de contos de fadas, muitos dos quais foram adaptados por Perrault ou pelos irmãos Grimm. Todavia, não é certo que estes tenham tido acesso a Basile. É possível que tenham recolhido outras versões diretamente do folclore, tal como afirmavam. [N.T.]

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:35



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D