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Dois investigadores norte-americanos comprovaram que há um motivo para escolhermos os amigos que escolhemos. No estudo, divulgado segunda-feira, é revelado que os amigos são, geneticamente, como primos em quarto grau. Publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo consistiu na comparação de perto 1,5 milhões de variantes genéticas pontuais contidas no genoma de quase duas mil pessoas. Os investigadores compararam pessoas identificadas como amigas com aquelas que não são, e “olhando ao longo de todo o genoma" descobriram que "somos geneticamente semelhantes aos nossos amigos. Temos mais ADN em comum com as pessoas que escolhemos como amigos do que com estranhos na mesma população”. O estudo mostrou que as pessoas eram mais semelhantes aos seus amigos principalmente ao nível de genes envolvidos no olfacto, o que “tem uma clara explicação: pessoas que gostam dos mesmos cheiros tendem a ser atraídas para ambientes semelhantes, onde conhecem outras com a mesma tendência”, esclarecem. James Fowler da Universidade da Califórnia e Nicholas Christakis da Universidade de Yale, autores do estudo, concluíram que os amigos são como primos em quarto grau, isto é, os indivíduos que pertencem ao mesmo círculo social compartilham 1% do seu património genético, a mesma percentagem que os primos em quarto grau têm. “Embora 1% pareça muito pouco para um leigo, para os geneticistas o número é significativo”, diz Christakis, acrescentando que “a maioria das pessoas nem sabe quem são os primos em quarto grau. De alguma forma, entre uma infinidade de possibilidades, nós escolhemos como amigos as pessoas que mais se parecem com a nossa família”. O mecanismo usado pelos seres humanos para amigarem pessoas geneticamente semelhantes era, até aqui, um mistério. Agora, levantou-se uma ponta do véu. “O nosso destino depende não só dos nossos próprios genes mas também dos genes daqueles que estão à nossa volta, em particular os dos nossos amigos”, frisa Christakis, realçando que “fazer amigos é muito raro no reino animal. Há certos primatas, elefantes e baleias que os fazem, mas são os únicos e isso despertou a nossa curiosidade”. Este estudo, que segundo os autores aponta para a necessidade de uma nova análise científica sobre o papel da amizade, “muda completamente a teoria da evolução”, explica James Fowler ao The Huffington Post, acrescentando que “até agora a teoria da evolução era baseada no indivíduo e este estudo desafia essa visão, sugerindo que nós não podemos realmente compreender a evolução até compreendermos as interacções sociais”. Todos os participantes no estudo eram de ascendência europeia, o que dificulta qualquer generalização sobre a população em geral e outras etnias, admite um dos investigadores. 

 

 (Life&Style)

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publicado às 23:37


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