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Está tudo na sua cabeça

por Thynus, em 07.12.15
 
Nos tempos em que fazia shows stand-up,
Robin Williams arrancava aplausos ruidosos
com a frase: “Vejam, o problema é que Deus
me deu um cérebro e um pênis, e sangue o
suficiente para fazer apenas um deles funcionar
de cada vez.” Uma explicação bastante
plausível para o fato de os homens ficarem
muitas vezes sem palavras na presença de
mulheres bonitas, essa piada pareceu encontrar
corroboração em meados de 2009,
quando pesquisadores holandeses da
Universidade Radboud publicaram um
estudo demonstrando que mulheres atraentes
podiam descarrilar o funcionamento
cognitivo de homens. Não que a maioria de
nós precisasse dessa prova. Eu apostaria que
muitos de nós já vimos em ação uma vez ou
outra a estupidez masculina associada à atração.
 (Kayt Suke0
 

O urologista Sidney Glina afirma que os homens passam 20% do tempo de sono com o pênis em ereção. "Podem ocorrer várias, mais precisamente durante o sono REM (estágio no qual ocorrem os sonhos), e duram de 30 a 40 minutos cada uma." Segundo o especialista, o homem só percebe a ereção quando desperta no meio da noite com vontade de fazer xixi, por exemplo. De acordo com Glina, não é possível precisar o tempo médio de um orgasmo masculino, mas se estima que sejam milésimos de segundos. "O orgasmo masculino é uma das coisas mais pouco estudadas. O assunto não é muito explorado porque os homens não têm tantas questões a respeito, como as mulheres, que nem sempre conseguem atingi-lo."

(Thais Carvalho Diniz)

.
 
O sexo, envolvido com  toda essa energia, aumenta o poder do cérebro.
Muitas vezes se diz que o cérebro é o mais importante órgão sexual. Embora seja um clichê, é verdade;  qualquer pessoa pode lhe dizer que é difícil chegar ao orgasmo quando você se distrai pensando no que aconteceu mais cedo aquele dia no trabalho ou se perguntando se seu traseiro está parecendo enorme. O cérebro tem importância – e muita. Nas últimas décadas, pesquisadores vêm trabalhando diligentemente para compreender a fisiologia do orgasmo. Grande parte do foco permaneceu abaixo do pescoço, no que estava acontecendo com o pênis, o clitóris e a vagina. Nos últimos anos, no entanto, estudos de neuroimagem mostraram – surpresa, surpresa – que o cérebro desempenha um enorme papel no orgasmo. Você poderia muito bem pensar em seu cérebro como uma gônada gigante. De certo modo ele é, pois está ativo mesmo quando a estimulação genital está ausente da experiência.
A Polução Noturna é uma ejaculação involuntária que acontece durante o sono
 
Está certo – o orgasmo é impossível quando não há nenhuma atividade lá embaixo. Todo mundo tem conhecimento das poluções noturnas. Sonhos molhados estão entre os primeiros tópicos discutidos nas aulas de educação sexual, se sua escola primária for avançada o bastante para oferecê-las. Seria fácil atribuir essas emissões noturnas a reflexos, ou a algum tipo de sestro ligado ao desenvolvimento. Mas orgasmos durante o sono estão bem documentados através de gerações numa ampla faixa de idades.
Tenho alguma experiência pessoal com isso. Durante minha gravidez eu tinha sonhos sexuais malucos. Vívidos, claros, e um tanto tolos – um da meia dúzia de que me lembro envolvia palhaços e pistolas de água, e vou ficar por aqui –, esses sonhos em geral me levavam a um orgasmo intenso o bastante para me acordar dessa mistura de cochilo e escapada sexual. Meus livros sobre gravidez me diziam que isso era perfeitamente normal. Na verdade, pesquisas mostraram que mesmo mulheres que não estão grávidas podem chegar a um orgasmo durante o sono, havendo aceleração do ritmo cardíaco e respiratório e aumento do fluxo vaginal durante a experiência. Embora essa não fosse uma resposta reflexa, havia uma estimulação envolvida. Mas essa estimulação vinha do cérebro.
Isso não acontece apenas em sonhos. Alguns indivíduos com lesão na medula espinhal podem ter orgasmos mesmo que não tenham nenhuma sensibilidade da cintura para baixo. Alguns epilépticos têm orgasmos como subprodutos de seus ataques. Já houve casos de indivíduos com lesão cerebral capazes de ter orgasmos a partir de uma verdadeira cornucópia de estimulações não genitais (vibrações das narinas, alguém?). Podemos estimular o cérebro química e eletricamente para gozar. Há um sem-número de maneiras de prescindir por completo dos genitais e chegar à chamada pequena morte (orgasmo). O pênis e a vagina são sem dúvida ótimos acessórios para se ter por perto. Apenas não são necessários.
Há até pessoas capazes de gozar com o pensamento. Basta-lhes pensar em alguma coisa – às vezes coisas nem tão sexy assim – para chegar ao orgasmo. Parece improvável, quase uma piada, ou talvez uma pessoa tentando fazer a melhor simulação possível, à maneira de Sally na delicatessen em Harry e Sally: feitos um para o outro. Mas é verdade. Não sei sobre você, mas, se eu conseguisse, teria de encontrar boas razões para sair do local.
Uma amiga, que gostaria que eu a chamasse de Trixie nestas páginas, é uma dessas abençoadas. Ela diz que “gozar com o pensamento” não é algo assim tão explícito, ou mesmo tão excitante. Conta-me que, muitas vezes, suporta teleconferências enfadonhas no trabalho fazendo tal coisa em seu escritório, sem que ninguém jamais perceba. Embora isso esticasse um pouco os limites de nossa amizade, perguntei-lhe se poderia fazer uma demonstração. Depois de umas duas margueritas, Trixie aceitou. Eu esperava algo grandioso: um espetáculo que lembrasse Sally Albright em toda a glória de seu falso orgasmo, talvez com algumas contorções dos quadris e um ou outro grito para completar. Não foi nada de tão dramático. Trixie simplesmente reclinou-se no sofá, fechou os olhos e ficou muito quieta. Tentei não olhar para ela de maneira intensa demais, mas havia obviamente muito pouco movimento. Após alguns minutos (e uma ou duas falsas partidas, quando ela abriu os olhos para ver com quanta atenção eu a estava monitorando e começou a rir), as únicas mudanças perceptíveis foram uma respiração mais pesada e as mãos cerradas. Durante vários minutos não houve nada além disso. Para dizer a verdade, eu estava ficando um pouco entediada. Eu nem teria sabido que Trixie estava à beira do êxtase se não fosse ela ter gemido uma vez, assustando-me um pouco, e depois expirado de maneira lenta e deliberada e relaxado as mãos. Já tendo terminado, ela abriu os olhos e pediu envergonhadamente mais uma marguerita.
“Só isso?”, perguntei, incrédula. “Isso foi um orgasmo?” Temi que minha inspeção atenta a tivesse intimidado um pouco, desviando-a da tarefa, por assim dizer.
“Eu lhe disse que não era nada de excepcional”, respondeu ela, as faces coradas e um pouco encabulada. “É isso.”
“Em que você estava pensando?”, perguntei.
Ela se ruborizou, intensificando o tom de suas faces para um rosa Technicolor. “Na verdade, em Johnny Depp.”
“Só Johnny Depp?”
“Bem, Johnny Depp fazendo coisas comigo. Preciso ser mais explícita?”
Não foi difícil extrapolar a partir daí. Mas tive de perguntar só mais uma coisa. Esperando não estar indo longe demais, pressionei:
“Como isso se compara com um orgasmo que você tem se masturbando? Ou com um homem?”
“Bem, um orgasmo é um orgasmo”, respondeu Trixie. “A sensação é boa, não importa como você chega lá. Mas acho muito melhor estar com um parceiro.” Ela deu de ombros. “Penso nisto apenas como um método de masturbação mais eficiente, menos complicado.”
Faz sentido. A maioria de nós aprecia um pouco de autoestimulação de vez em quando, seja clitoridiana, peniana ou mental, mesmo que prefiramos fazer sexo com outra pessoa. Imagine se você nem precisasse sujar as mãos. Poderia o orgasmo mental de Trixie ser igual ao proporcionado por uma boa masturbação à moda antiga? É o que sugerem estudos de neuroimagem; um orgasmo ativa as mesmas áreas cerebrais, não importa como você chega lá.
Komisaruk e Whipple descobriram várias áreas-chave do cérebro que estão ativas nas mulheres durante um orgasmo: hipotálamo, amígdala, hipocampo, córtex cingulado anterior, córtex insular, núcleo acumbens, cerebelo e córtex sensorial. Seu trabalho encontrou também ativação do córtex pré-frontal, embora outra pesquisa feita por um grupo na Holanda sugira que um orgasmo pode na verdade desligar essa parte do cérebro envolvida na tomada de decisão e na função executiva (Georgiadis, J.R., Simone Reinders, A.A., Paans, A.M., Renken, R., e Kortekaas, R. “Men versus women on sexual brain function: Prominent differences during tactile genital stimulation, but not during orgasm”, Human Brain Mapping, 30(10), 2009, p.3.089-101) (Isso se deve provavelmente a diferenças metodológicas. Enquanto o trabalho do grupo de Komisaruk usa a fRMI para estudar mudanças no fluxo de sangue, os holandeses usam tomografia por emissão de pósitrons. As medições podem ser um pouco mais lentas neste último método. O que talvez seja mais importante é que nos estudos holandeses os participantes foram estimulados por um parceiro. É possível que a ativação do córtex frontal tenha algo a ver com a coordenação do movimento durante a autoestimulação. Não há como saber ao certo.)
Uma área de particular interesse para os pesquisadores foi uma parte do hipotálamo anterior chamada núcleo paraventricular, que produz e secreta oxitocina na corrente sanguínea, no cérebro e na medula espinhal após o orgasmo. Essas secreções, que ativam muitos receptores de oxitocina nos centros de recompensa, resultando numa intensa liberação de dopamina, podem ter algo a ver com a razão pela qual o orgasmo proporciona uma sensação tão maravilhosa. Essas áreas são carregadas, quer você esteja se masturbando, tenha um parceiro para ajudá-la com alguma estimulação manual ou esteja “gozando com o pensamento”. Como diz Trixie, ao que parece um orgasmo é um orgasmo é um orgasmo, não importa como você chegue a ele.(Komisaruk, B.R., e Whipple, B. “Functional MRI of the brain during orgasm in women”, Annual Review of Sex Research, 16, 2005, p.62-86)
E quanto à ativação cerebral nos homens?
Quando contei à minha amiga Sarah que estava fazendo uma pesquisa sobre esse fenômeno particular, ela brincou: “Há alguma coisa para estudar? Poderíamos levantar a hipótese de que o cérebro humano se desmaterializa por completo durante a ejaculação.” Embora eu esteja certa de que muitas mulheres gritariam “Apoiado! apoiado!” em resposta a isso (e alguns homens sacudiriam talvez os ombros em relutante concordância), vários estudos que examinam o fluxo sanguíneo cerebral masculino durante um orgasmo descobriram que alguma coisa se passa no cérebro.
Um grupo da Universidade Stanford comparou a ativação cerebral e a turgidez peniana (este é o nome elegante da ereção) em homens heterossexuais enquanto eles assistiam a vídeos de esportes, material erótico ou cenas relaxantes. Posso apenas imaginar os cartazes usados para recrutar participantes: “Você gosta de esportes? Gosta de pornografia? Gostaria de ter uma imagem do seu cérebro?” De certa forma, não me parece que devam ter tido dificuldade em encontrar homens interessados em participar desse estudo. Seja como for que os tenham conseguido, os pesquisadores descobriram forte ativação, correlacionada com uma boa ereção, no claustro, no lado esquerdo dos
núcleos da base que inclui o caudado e putâmen, no hipotálamo, em áreas no occipital médio e nos giros temporais, no córtex cingulado e nas regiões sensório-motoras quando os homens estavam assistindo aos vídeos eróticos. A ativação do hipotálamo e dos núcleos da base foi relacionada à excitação sexual e à ereção. Não foi uma grande surpresa ver maior fluxo sanguíneo nessas áreas, que estão envolvidas com a oxitocina e a dopamina. As outras ativações exigiram um pouco mais de explicação. A ativação do claustro, associada com a das áreas temporal e occipital, sugere que os participantes estavam ao mesmo tempo reconhecendo (e talvez estimulando) suas ereções, bem como traduzindo mentalmente tudo que acontecia no vídeo erótico para algo que poderia lhes acontecer pessoalmente. É nesse ponto, contudo, que os resultados param. O grupo não levou as medições adiante até o orgasmo. Talvez os pesquisadores não tenham conseguido ninguém para limpar o aparelho de fMRI depois que os participantes terminassem. E, infelizmente, não houve nenhuma menção a resultados sobre fluxo sanguíneo cerebral (ou ereções) durante os vídeos de esportes.(Arnow, B.A., Desmond, J.E., Banner, L.L., Glover, G.H., Solomon, A., Polan, M.L., Lue, T.F., e Atlas, S.W. “Brain activation and sexual arousal in healthy, heterosexual males”, Brain, 125 (parte 5), 2002, p.1.014-23)
Janniko Georgiadis, um importante pesquisador holandês interessado em orgasmo, usou tomografia por emissão de pósitrons para estudar a ativação cerebral durante a ejaculação efetiva. Seu grupo mediu o fluxo sanguíneo cerebral enquanto cada participante era estimulado a chegar ao orgasmo por uma parceira. Os pesquisadores encontraram ativações nas profundezas do cerebelo, no vermis anterior, na ponte e no tálamo ventrolateral, todas áreas localizadas perto do tronco cerebral e implicadas no movimento. Segundo os pesquisadores, os achados anteriores de ativação dos núcleos da base e do neocórtex eram sinais de excitação, em contraposição ao próprio orgasmo. Assim, a ativação do cerebelo e o fluxo sanguíneo relacionado podem ser atribuídos às contrações musculares associadas ao ato físico da ejaculação. O achado mais importante, afirmaram eles, foi a desativação, relacionada ao orgasmo, através do córtex préfrontal. Talvez a ideia de Sarah de que o cérebro masculino, pelo menos o córtex préfrontal, se desmaterializa durante o orgasmo não seja tão errada.(Georgiadis, J.R., Reinders, A.A., Van der Graaf, F.H., Paans, A.M., e Kortekaas R. “Brain activation during human male ejaculation revisited”, Neuroreport, 18(6), 2007, p.553-7)
Num estudo mais recente, Georgiadis e seus colegas compararam o fluxo sanguíneo cerebral relacionado ao orgasmo em homens e mulheres. O grupo concluiu que os dois gêneros diferiam na ativação durante a estimulação genital, mas não no orgasmo. Dadas as diferenças no equipamento anatômico básico, esse achado não é exatamente uma grande surpresa. Em geral, manuseamos um pênis de maneira um pouco diferente de como estimulamos um clitóris – é o que se espera, pelo menos. Apesar dessas diferenças observadas na estimulação, houve bastante superposição na ativação entre os dois grupos durante o orgasmo. Mais uma vez, o grupo relatou uma falta de ativação no córtex pré-frontal tanto em homens quanto em mulheres.(Georgiadis, J.R. et al. “Men versus women on sexual brain function”, op.cit.)
Mesmo com as diferenças verificadas entre eles, esses estudos demonstraram que o orgasmo tem uma nítida assinatura cerebral. Algumas dessas áreas parecem familiares? Você viu o hipotálamo e os núcleos da base aparecerem também em estudos de neuroimagem do amor romântico. Como disse Helen Fisher, é como um caleidoscópio: o padrão pode mudar dependendo das circunstâncias. Mais uma vez o cérebro demonstra ser, como disse meu professor, o supremo reciclador. Não há redundâncias aqui.

(Kayt Sukel - Sexo na cabeça, Como o cérebro influencia o amor, o desejo e os relacionamentos) 

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publicado às 16:51


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