Os primeiros deuses segundo a Teogonia,
incriados, são quatro: Caos, Eros, Gaia e
Tártaro, que formam dois pares de opostos, a
saber, Vazio e Amor; Superfície e Abismo.
incriados, são quatro: Caos, Eros, Gaia e
Tártaro, que formam dois pares de opostos, a
saber, Vazio e Amor; Superfície e Abismo.
Caos e Eros representam a desordem
e a ordem ou a dissolução e a união;
Gaia e Tártaro são a superfície e o abismo;
do Caos veio a Noite e a Treva; de Gaia veio o
Céu luminoso; do Caos, o mundo informe e
etéreo; de Gaia, o mundo com forma e matéria.
e a ordem ou a dissolução e a união;
Gaia e Tártaro são a superfície e o abismo;
do Caos veio a Noite e a Treva; de Gaia veio o
Céu luminoso; do Caos, o mundo informe e
etéreo; de Gaia, o mundo com forma e matéria.
Para Hesíodo, Eros surgiu incriado, ex
nihilo (saído do nada), enquanto Aristófanes
afirma que Eros nasceu de um ovo que a
Noite (Nix) depositou na Treva (Erebo).
nihilo (saído do nada), enquanto Aristófanes
afirma que Eros nasceu de um ovo que a
Noite (Nix) depositou na Treva (Erebo).
De todos eles (deuses), Eros é o que mais se
diferencia. Ele não é um elemento, não é um
espaço como terra ou céu. Eros é uma espécie
de força fundamental da natureza.
diferencia. Ele não é um elemento, não é um
espaço como terra ou céu. Eros é uma espécie
de força fundamental da natureza.
![]() |
É o mais belo dos deuses. Uma força fundamental do universo, que mantém o cosmo unido e garante a perpetuação das espécies. Uma força de atração que sempre necessita buscar algo.
Nas criaturas representa a libido, o desejo de viver e conquistar. É o par oposto do Caos. Enquanto este é a desordem e a origem das coisas por meio da separação, Eros é a ordem que surge da união.
Caos e Eros lembram um lema da antiga alquimia: “solve et coagula”, dissolver e coagular, ou destruir e construir, separar e unir.
Se no Caos tudo está diluído, Eros é a força que produz a união e a composição dos corpos. É como a força da gravidade e as forças atômicas sem as quais nada se agruparia.
Nasceu do Caos junto com Gaia e Tártaro, segundo a Teogonia. Em outra versão, Caos e Nix (a Noite) coexistiam e de um ovo de Nix nasceu Eros, formando-se Gaia e Urano da casca do ovo.
Os três deuses que nasceram do Caos não são exatamente deuses “criados”. O Caos é o Vazio, de modo que os deuses que dele surgiram podem, ainda assim, ser considerados espontâneos e surgidos “do nada”.
A mitologia do orfismo (uma antiga seita grega de mistério que teria sido fundada por Orfeu) identificava Eros com Phanes, o deus primevo da procriação e primeiro rei do universo, e também com Thesis, a Criação, parceira feminina de Phanes. Por fim, o orfismo também o identifica com Physis (em latim, Natura), a deusa da ordem física do mundo.
A origem cósmica e primeva de Eros é a mais profunda e digna, mas outras origens foram sugeridas na mitologia: 1) filho de Hermes e Ártemis; 2) filho de Hermes e Afrodite; 3) filho de Zeus e Dione; 4) filho de Zeus e Perséfone. Os poetas e escultores preferiram esta versão mais humana, na figura de uma criança alada, pelos romanos chamada de Cupido.
Podemos dizer que estas versões mais poéticas são um simulacro, uma versão microcósmica e antropomórfica do Eros primordial, uma pequena parte do todo.
Platão (em O Banquete) sugeriu ainda outra origem: num banquete em que os deuses celebravam o nascimento de Afrodite, Poros (Expediente) e Penia (Pobreza) se relacionaram e daí nasceu Eros que, por ter nascido na festa natalícia de Afrodite e ser igualmente belo, ficou ligado a ela. Herdou, portanto, a sensação de necessidade e busca de seus pais. Além de associado a Afrodite, teria ligação com Psiquê (a Alma) e Hedonê (o Prazer).
Nota-se que Platão preferiu um Eros menos macrocósmico e universal e mais microcósmico e humano. Este Eros platônico deixa de ser uma força do mundo para ser uma força psicológica.
O Eros que reside dentro do ser humano é a sua Vontade mais profunda, a vontade de viver, vontade de satisfazer-se, incluindo aí a vontade sexual.
Mas então este Eros não é o tesão ou libido propriamente dito. A libido é apenas uma das tantas manifestações da Vontade. Foi, porém, este o sentido mais comum que Eros ganhou com o tempo. Ele foi sendo reduzido de um poder cósmico para um poder interior da psique, e depois limitandose ao campo do desejo sexual, “erótico”.
Para os romanos, Eros se torna Cupido e ganha a forma de um deus brincalhão que dispara flechas nos humanos, provocando a paixão.
Destarte, há três tipos de Eros: o Eros da antiga cosmogonia (mito da origem do cosmo), cujo maior representante é Hesíodo; o Eros dos filósofos, como o descrito por Platão (algo mais psicológico) e o Eros dos poetas, a criança caprichosa com um arco e flecha na mão.
(Sadat Oliveira - INTRODUÇÃO À MITOLOGIA GREGA, VOLUME I Os Deuses Pré-Olímpicos)
![]() |

