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Quando adolescente, eu era o cara que quase nunca conseguia conquistar as garotas. Claro, eu ia às festas e aos bailes e frequentava lanchonetes descoladas, mas mesmo assim sempre voltava para casa sozinho. Felizmente, eu era ambicioso e otimista. Após alguns anos de solidão, juntei-me a uma banda de rock, aprendi a cavalgar e consegui um trabalho de meio período entregando bolos de casamentos em hotéis. Conforme fui conhecendo mais e mais pessoas, logo descobri que não importa tanto o que você pensa, mas sim a forma como você pensa; não importa o que você diz, mas sim a forma como diz; e não importa o que você faz, mas sim a forma como faz. Depois de pouco tempo eu já não voltava para casa com a banda do clube dos corações solitários. Atraia garotas e me conectava com elas e, aos vinte e poucos anos, conheci uma linda garota e me casei com ela. Mas aprendi da forma mais dolorosa que atrair e conectar-se é apenas o primeiro passo – atrair e conectar-se com a pessoa certa para você é outra história.
O casamento acabou e eu me mudei para Portugal. Abri um estúdio de fotos de moda no andar superior de um lindo prédio no centro de Lisboa. Ao percorrer alguns lugares com meu portfolio, um nome parecia surgir sempre nas conversas com pessoas das agências de propaganda.
– Você trabalha com a agência de modelos de Wendy?
 
– Wendy foi modelo de Yves Saint Laurent em Paris, ela sabe do que está falando.
– Sabia que Wendy dançou com o Balé Nacional?
– Wendy voa em seu próprio avião.
– Não, eu não trabalho com Wendy e não, ainda não a conheci! – respondia. Já estava cheio de ouvir sobre ela em todos os lugares aonde ia. Em pouco tempo, a “Miss Perfeição” estava no topo da lista de pessoas que eu não queria conhecer.
Um dia, uma oportunidade surgiu e se mostrou irresistível ao meu imaturo senso de travessura. Uma das minhas novas clientes, a editora da principal revista feminina do país, ligou-me e me perguntou se eu poderia tirar fotos para a capa de uma próxima edição. No fim das contas, não foi uma missão tão glamorosa quanto eu esperava. Era para a edição de tricô anual e ela queria que eu fotografasse três gatinhos sentados em uma cesta cheia de lã.
“Onde vou encontrar três gatinhos?” perguntei-me no momento em que desliguei o telefone. Ah, eu sei, disse meu crápula interior. Por que eu não ligo para a Wendy, Mulher Maravilha, e deixo que ela cuide disso?
Consegui encontrar os dados de sua agência e liguei para ela. A recepcionista pediu que eu esperasse e, alguns momentos depois, escutei uma voz do outro lado da linha:
– Oi, aqui é Wendy.
– Oi. Meu nome é Nicholas Boothman e eu sou fotógrafo.
– Sim, eu sei – ela respondeu suavemente.
Disse-lhe que precisava de três modelos – gatinhos. Esperava alguma mudança em seu tom de voz educado, mas ela continuou cortês e calma. Abusei um pouco mais da sorte para ver como ela reagiria.
– Também vou precisar de uma pequena cesta, algumas bolas de lã colorida, dois pedaços de papelão de 50 centímetros por 1 metro, duas dobradiças e um pouco de papel laminado.
A maioria das agências de modelos diria a um fotógrafo para parar de encher se ele pedisse uma lista de acessórios, mas a Mulher Maravilha continuou calmamente dizendo sim após cada um dos meus pedidos. Finalizamos a conversa definindo uma data e um horário.


Eu também estava me arrastando para um tipo de zona sem gravidade. Não conseguia parar de olhar para ela.


O prédio histórico onde ficava meu apartamento tinha um antigo elevador com grades de madeira e metal. Precisamente às 17 horas do dia combinado, escutei o motor do elevador e imaginei que um dos assistentes de Wendy havia chegado. O elevador parou e, alguns segundos depois, ouvi minha recepcionista, Cecilia, abrir a porta. Pontualmente – Wendy treina bem seu pessoal, pensei. (Entre os muitos charmes de Portugal, a pontualidade é bem ausente.) Cecilia entrou no meu estúdio seguida pela mulher mais bonita que eu já havia visto na minha vida. Caramba! Ela enviou uma de suas modelos, eu pensei. Uma orquestra começou a tocar na minha cabeça enquanto essa mulher calma, linda e impressionante me olhava com aqueles olhos azuis brilhantes, sorria, estendia a mão e dizia: “Oi, eu sou Wendy.”
É difícil explicar como eu me senti, mas vou tentar. Parece que perdi meu senso de realidade; não podia processar bem o que estava acontecendo – era como se estivesse em estado de choque. Enquanto a orquestra aumentava o volume na minha cabeça, ela começou a falar.
– Eu trouxe os gatinhos. Você não pediu, mas no caminho até aqui pedi que um veterinário desse uma examinada neles e aplicasse um leve sedativo; teremos que esperar 30 minutos para que faça efeito. Trouxe o papelão e as dobradiças. Imagino que vamos fazer um refletor. Você não pediu parafusos, mas eu trouxe alguns. Imagino que você vai querer colar o papel laminado na madeira. Você não pediu cola, mas eu trouxe também.
Minha nossa! Ela estava certa, eu tinha planejado fazer um refletor para jogar uma luz de fundo sobre os gatinhos, assim a luz direta não os assustaria. Fiquei impressionado e desconcertado. Eu também estava me arrastando para um tipo de zona sem gravidade. Não conseguia parar de olhar para ela. Sim, ela era extraordinariamente bonita, mas era sua presença em geral que estava me afetando. Ela era tão charmosa.
Enquanto esperávamos os gatinhos se acalmarem, montei o refletor. Enquanto preparava o cenário, Wendy foi até uma janela que ficava de frente para a Baixa, a área de Lisboa onde, durante séculos, poetas, pintores e escritores se reuniam em cafeterias.
– Eu amo a Baixa – disse para ela –, é tão cheia de energia e romance.
– Eu também – ela respondeu.
Eu estava derretendo.
– Será que você poderia me dar uma mãozinha? – perguntei.
Ela olhou para mim e estendeu as mãos.
– Até duas, se você quiser – ela sorriu de novo e meu coração derreteu.
Lá estávamos nós, ajoelhados no chão, de frente um para o outro, em cima do pedaço de papelão. Começamos a amassar o papel laminado, Wendy em uma ponta, eu na outra, trabalhando juntos em direção ao centro. Quando chegamos lá, nossas mãos se tocaram por um instante. Eu fiquei sem ar. O que aconteceu depois foi surreal e ainda consigo lembrar os mínimos detalhes. Uma torrente de energia maior e mais ampla do que qualquer coisa que eu já havia sentido antes passou pelos meus pés e subiu até minha cabeça em direção a ela. Olhei diretamente dentro dos seus olhos e escutei uma voz – sei que era minha própria voz, mas não a ouvi vindo de dentro, como normalmente acontece, a voz vinha de fora – que dizia “Esta é a coisa mais ridícula que eu já disse, mas eu te amo”. A orquestra dentro da minha cabeça estava tocando alucinadamente, mas de repente parou. Wendy estava olhando para mim. “Meu Deus”, ela disse. “O que você vai fazer agora?”. Sabia que ela sentia o mesmo. Eu havia encontrado meu oposto compatível e Wendy havia encontrado o dela.
O que fizemos, depois que eu cumpri a missão e Cecilia levou os gatinhos para casa durante à noite, foi passar horas e horas e horas conversando. Tínhamos tanto a dizer. Compartilhamos nossas esperanças e sonhos, nossas opiniões e experiências. Ríamos das mesmas coisas e éramos apaixonados pelas mesmas coisas. Era como uma amizade profunda transformada em música.
Wendy e eu tínhamos muito em comum. Ela era britânica, eu também. Nós dois éramos expatriados em Portugal. Ela tinha um brilho travesso no olhar, assim como eu, e estava vestida de um jeito elegante, porém reservado, que era meu próprio estilo. O mais importante é que estávamos em trabalhos semelhantes e compartilhávamos o mesmo espírito aventureiro.
Mas também havia aspectos dela que eu sentia que não eram como os meus. Ela era paciente e detalhista. Forte, resistente e discreta. Ela era reservada e eu era extrovertido. A forma como ela olhava e ouvia e prestava atenção me fazia sentir como se eu fosse a única pessoa no mundo que importava.
Quando acordei naquela manhã, não tinha ideia de que algumas horas depois meu mundo mudaria para sempre. Wendy me fez entender coisas de uma forma que eu nunca havia pensado antes, e contei-lhe sobre lugares e pessoas que eu havia descoberto, mas sobre os quais ela não sabia nada. Senti-me orgulhoso e importante e invencível enquanto ríamos e compartilhávamos nossas vivências. Ela se sentiu segura ao conversar comigo, pois eu apreciava, respeitava e valorizava suas ideias. Eu nunca havia conversado com ninguém daquela forma; era quase como se tivéssemos procurando um ao outro por todo o universo, durante uma eternidade, até finalmente nos encontrarmos. Foi um êxtase. Passamos as próximas semanas nos encontrando sempre que podíamos, conversando e rindo, compartilhando e sonhando e simplesmente ficando perto um do outro.
E estamos juntos desde então. Criamos cinco filhos e ainda somos apaixonados um pelo outro. A forma como nos conhecemos permaneceu fresca na nossa mente e o romance que vivemos teve um forte efeito. Sim, tivemos dias difíceis e duros, mas a ideia de colocar um fim no relacionamento – de dizer adeus à pessoa que nos faz sentir completos – nunca foi uma opção. Seria como partir nosso coração no meio.
Acho que é bastante óbvio para a maioria das pessoas que Wendy e eu temos um casamento forte e feliz. As pessoas sempre nos perguntam qual é nosso segredo. No começo, eu me esquivava dessa pergunta, pensando que a resposta seria óbvia – respeito mútuo, interesses comuns, atração etc. Mas conforme os anos passaram e a pergunta continuou surgindo muitas e muitas vezes, comecei a perceber que poderia haver mais do que se via na superfície. Assim, utilizando meu treinamento em PNL, decidi tentar identificar as ameaças comuns em todos os relacionamentos bem-sucedidos, desde a paquera até o compromisso, e organizei-as de uma forma simples, prática e concreta. Também queria mostrar às pessoas como aproveitar seu tempo da melhor forma possível e evitar cair em depressão, além de ajudá-las a aprender com os erros dos outros. Com frequência, ouvimos as pessoas dizerem: “Se eu soubesse naquela época o que sei hoje, não teria me metido nesta confusão”.
Especificamente, eu decidi:

  • encontrar casais que se apaixonaram perdidamente e permaneceram energizados e empolgados um com o outro por muito tempo;
  • determinar o que todos esses casais tinham em comum e quais recursos eles utilizaram; e
  • dividir as lições que eles poderiam nos ensinar sobre o encontro, a conexão e a união com nosso oposto compatível, em uma série de passos fáceis que qualquer pessoa poderia seguir.


(Nicholas Boothman - Como fazer Alguém se apaixonar por você em 90 minutos?)

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publicado às 13:32



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